A torcida do Flamengo sofreu por 90 minutos, viu a
equipe abdicar da sua vocação ofensiva e esteve muito perto de ver o Vasco
encerrar a sequência de vice-campeonatos em decisões entre os dois rivais. Mas,
com um gol do volante Márcio Araújo, impedido, aos 45 minutos do segundo tempo,
o time rubro-negro garantiu o empate em 1 a 1, resultado que deu o 33º título
carioca ao clube da Gávea, graças à vantagem do empate, por ter feito a melhor
campanha na fase de classificação.
Na arquibancada, com o maior público do Carioca -
quase 50 mil torcedores -, a torcida do Vasco já festejava a conquista
iminente, que encerraria uma semana marcada pela eliminação flamenguista na
fase de grupos da Libertadores, quarta-feira, quando a festa mudou de lado, com
um título que aumenta para seis (cinco Cariocas e uma Copa do Brasil) a
sequência de vitórias rubro-negras sobre o rival em decisões - a última derrota
foi em 1988.
- Só o Flamengo mesmo para proporcionar tanta
alegria... O torcedor adversário já estava gritando olé, mas graças a Deus a
gente reverteu o resultado - afirmou Márcio Araújo ao fim da partida.
Numa decisão fraca tecnicamente, o Flamengo só
decidiu atacar nos 15 minutos finais, depois de ter sofrido o gol vascaíno,
marcado por Douglas, de pênalti. Até então, o time rubro-negro jogou todas as
suas fichas nos contra-ataques. Na defesa, a jogada que Jayme de Almeida mais
temia, a bola parada ao lado da área rubro-negra, foi responsável pelo primeiro
lance de perigo do Vasco, aos 11: Douglas lançou cobrou falta da direita e
André Rocha desvia de cabeça, rente à trave direita. Com a vantagem do empate e
três volantes no meio do campo, o Flamengo aceitava o domínio vascaíno,
apostando em contra-ataques, como o que terminou no chute precipitado de
Alecsandro, que ignorou a passagem de Luiz Antônio e bateu da entrada da árae,
para fora, aos 16.
Com Thalles no lugar de Edmílson, vetado, e William
Barbio substituindo Reginaldo, por opção de Adílson Batista, o Vasco encontrou
no lado direito do ataque o caminho para pressionar o rival, com Pedro Ken
avançando pelo setor para apoiar Barbio. Mas faltava capricho nos cruzamentos,
facilitando a vida da defesa do Flamengo, que tinha Chicão como novidade, na
vaga de Samir, com dores nas costas.
Expulsões no 2º tempo fazem o Vasco crescer na
partida
Como na derrota de quarta-feira para o León, mais
uma vez faltava ao Flamengo compactação entre o meio e o ataque no primeiro
tempo, o que levava os cabeças-de-área a recorrer sistematicamente a chutões
para a frente, fazendo Alecsandro correr a esmo entre os zagueiros. O time da
Gávea só volto a assustar quando Márcio Araújo trocou o chute por um lançamento
para Paulinho, aos 29, mas o arremate da entrada da área saiu fraco, à direita.
Paulinho teve outra oportunidade aos 32, aproveitando uma saída errada de Luan
que gerou novo contra-ataque rubro-negro. Martín Silva deu rebote, e contou com
a sorte, já que André Santos estava impedido no rebote. O Vasco tentou
responder na mesma moeda, em chute de Thalles da intermediária, por cima. Aos
35, Fellipe Bastos cobro falta de longe, em cima de Felipe.
Atacando com poucos jogadores, o Flamengo ficava
sem opções de passe nos contra-ataques. Como resultado, mais um chute da
entrada da área, de Everton, em cima de Martín Silva. Do outro lado, com
dificuldades para furar a retranca rubro-negra, Douglas também bateu da
meia-lua, e Felipe pegou. Em mais uma saída rápida, Luiz Antônio desta vez
tinha Éverton e Paulinho escapando pelos lados, mas preferiu o chute, sem direção.
Nos acréscimos, o Vasco enfim encontrou espaço no lado direito, e Pedro Ken
bateu da entrada da área, só que Felipe espalmou no canto direito.
O Flamengo manteve a postura defensiva na volta
para o segundo tempo, e continuava afobado nos contra-ataques. Já o Vasco não
demorou muito para encontrar, pela primeira vez na partida, algum espaço na
defesa rival. Aos seis minutos, novamente pela direita, Pedro Ken cruzou mas o
chute de Douglas, e em seguida o de Fellipe Bastos, pararam na zaga. Na sequência,
Felipe pegou a batida de Diego Renan.
Quando conseguiu trocar passes no ataque em
velocidade, o Flamengo chegou perto do gol aos 11, mas André Santos, livre na
área, concluiu mal, à esquerda. Preocupado com a falta de penetração no ataque,
Adílson Batista fez a primeira mudança no Vasco em seguida, trocando William
Barbio por Reginaldo. Para controlar a tensão que aumentava, o árbitro Marcelo
de Lima Henrique não tolero a troca de empurrões entre André Rocha e Chicão
antes de uma falta e expulsou os dois, aos 15.
Começou, então, o momento de maior pressão do
Vasco, mas a Wallace impediu a conclusão de Thalles após cruzamento da
esquerda, e no lance seguinte, Diego Renan limpou Wallace mas chutou para fora.
Jayme de Almeida levou quase cinco minutos para recompor a zaga, até que, aos
19, tirou Everton para a entrada do zagueiro equatoriano Erazo, pouco utilizado
em todo o Carioca.
Àquela altura, a tática adotada desde o início do
jogo se tornava, cada vez mais, a única opção do Flamengo: impedir a qualquer custo
o gol do Vasco. Já com Bernardo no lugar de Fellipe Bastos, o time de São
Januário continuou pressionando até que, numa infiltração pela direita, Erazo
deu um carrinho em Pedro Ken na área. Douglas cobrou rasteiro, deslocou Felipe
e abriu o placar no canto direito, aos 30.
Restava ao Flamengo buscar, em pouco mais de 15
minutos, o gol que o time não buscou nos 75 minutos anteriores. Numa pressão
desorganizada, já com Gabriel e Nixon nos lugares de Amaral e André Santos, o
time carioca não conseguia ameaçar o gol de Martín Silva em nenhum momento. Mas
a estrela do Flamengo em finais contra o Vasco se fez presente aos 45 minutos:
após escanteio da direita, Wallace cabeceou no travessão e, no rebote, Márcio
Araújo, que estava impedido, se antecipou a Nixon na pequena área para fazer o
gol do título.
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