sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CARLOS BRANDÃO COMEMORA AVACOS NO IDEP DO MARANHÃO E DESTACA INVESTIMENTS

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), utilizou as redes sociais, na noite de ontem, quinta-feira (06), para comemorar os avanços do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e destacar os investimentos que foram feitos na sua gestão.

Brandão destacou que no IDEB o Maranhão alcançou no Ensino Médio da rede pública estadual a nota 3,8, a maior já registrada pelo estado nessa etapa de ensino. Além disso, no anos iniciais do Ensino Fundamental, o indicador passou de 4,1 para 4,6, crescimento de 12,2%. Enquanto que nos anos finais, que compreendem do 6º ao 9º ano, o Maranhão manteve a nota 4,8.

Brandão também apontou melhora nos índices de rendimento do Ensino Médio. A taxa de aprovação avançou de 90,5% para 93,2%, enquanto o abandono escolar recuou de 5% para 3,1%. A reprovação caiu de 4,5% para 3,7%.

“Faço um agradecimento especial a todos os profissionais da educação, que trabalham com dedicação para mudar esses indicadores”, destacou Brandão

O governador ainda destacou os investimentos na área da Educação dentro da sua gestão. Brandão lembrou que mais de 800 escolas foram reformadas, a ampliação das unidades de ensino em tempo integral e dos colégios militares, além da entrega de tablets e de ações voltadas à conectividade. Houve ainda fortes investimentos na alimentação e no transporte escolar, bem como a concessão de reajustes aos profissionais da Educação. Segundo Brandão, os professores receberam aumento acima da média nacional, enquanto os demais servidores da área também foram contemplados.

Na alfabetização, o governador informou que 69% das crianças maranhenses já estão alfabetizadas na idade certa. O resultado, conforme explicou, também decorre do regime de colaboração mantido pelo Estado com os municípios e foi acompanhado por avanços na aprendizagem de Língua Portuguesa e Matemática.

Fake – A atual titular da Secretaria de Educação do Maranhão, Jandira Dias, corrigiu uma informação equivocada que estava sendo divulgadas sobre o IDEB. A secretária destacou que o Maranhão não apresentou queda no ensino médio da rede estadual.

“Em 2005, nosso índice era 2,4 e, com os investimentos feitos em educação, principalmente nos últimos anos, o Maranhão alcança a maior nota da sua história e chegou a 3,8 o maior índice da série histórica. Um resultado que reflete os investimentos realizados na educação, o fortalecimento das políticas públicas e o compromisso com a aprendizagem dos nossos estudantes”, declarou.

COM A PALAVRA - FERNANDO ATALLAIA E A POESIA DO ESTADO DO MARANHÃO - CHATGPT

FERNANDO ATALLAIA E A POESIA DO ESTADO DO MARANHÃO

Fernando Atallaia integra a cena literária contemporânea do Maranhão como um autor cuja produção transita entre poesia, música, jornalismo cultural e crítica. Sua atuação está associada à chamada geração de escritores e artistas maranhenses surgida na segunda metade da década de 1990, período marcado pela formação de coletivos literários independentes e pela renovação da poesia produzida em São Luís. 

Na poesia, Fernando Atallaia desenvolve uma escrita caracterizada por:

forte experimentalismo linguístico;

imagens de natureza surreal e simbólica;

erotismo como elemento estético e filosófico;

reflexão existencial sobre o desejo, a memória, a solidão e o tempo;

versos livres, sem compromisso com formas métricas tradicionais. 

Sua obra dialoga com diferentes tradições da literatura brasileira, aproximando-se, em alguns momentos, da liberdade imagética de autores como Manoel de Barros e Mário Quintana, comparação feita pelo ensaísta da Academia Maranhense de Letras Rossini Corrêa ao analisar sua produção poética. Corrêa também destaca a inserção de Fernando na tradição humanista das letras maranhenses, relacionando sua escrita ao legado cultural inaugurado por Gonçalves Dias e outros intelectuais do estado. 

Além da produção literária, Fernando Atallaia participou do Grupo Carranca de Poesia, movimento que reuniu jovens escritores em São Luís a partir de meados da década de 1990. Também desenvolveu carreira como compositor e produtor musical, sendo autor de centenas de canções e atuando na divulgação da cultura maranhense por meio do jornalismo cultural. 

No contexto da poesia do Maranhão, sua obra representa uma vertente contemporânea que busca romper com modelos tradicionais sem abandonar o diálogo com a forte herança literária do estado. Enquanto o Maranhão é historicamente conhecido pela produção de autores clássicos como Gonçalves Dias, Sousândrade e Ferreira Gullar, Fernando Atallaia insere-se em uma geração que amplia esse patrimônio ao incorporar elementos urbanos, existenciais e experimentais à poesia contemporânea.


FONTE: CHATGPT


POESIA - COGITO - TORQUATO NETO




COGITO


eu sou como eu sou

pronome

pessoal intransferível

do homem que iniciei

na medida do impossível

eu sou como eu sou

agora

sem grandes segredos dantes

sem novos secretos dentes

nesta hora

eu sou como eu sou

presente

desferrolhado indecente

feito um pedaço de mim

eu sou como sou

vidente

e vivo tranquilamente

todas as horas do fim


Torquato Neto


• • •



SEXTOU COM MUÇÃO





quinta-feira, 6 de agosto de 2026

NOVA AÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL NO MARANHÃO COM VIDTAS A FRAUDE NO INSS

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (6), a Operação Procuração Fantasma, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de praticar fraudes em prejuízo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A investigação identificou indícios de um esquema criminoso voltado ao cadastramento fraudulento de procuradores vinculados a titulares de benefícios assistenciais. Segundo as investigações, o esquema tinha como finalidade manter os benefícios ativos por tempo indeterminado e viabilizar a contratação de empréstimos consignados em nome dos beneficiários. Há indícios de que os titulares dos benefícios eram pessoas fictícias, criadas mediante o uso de identidades falsas.

Levantamento realizado pela Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP) aponta que o prejuízo causado aos cofres públicos pode alcançar cerca de R$ 5,7 milhões.

São cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Luís/MA, Santa Luzia do Paruá/MA e Zé Doca/MA. Também foram autorizadas pela Justiça medidas cautelares de afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bem como o arresto de bens para assegurar o ressarcimento dos prejuízos causados.

Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de estelionato majorado contra entidade de direito público, associação criminosa, falsificação de documento público e uso de documento falso

FAMILIAS BRASILEIRAS PERDERAM R$62,5 BILHÕES PARA BETS EM 2025, APONTA ESTUDO

Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025, aponta estudo

Estudo estima que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025. Plataformas movimentaram quase R$ 351 bilhões via Pix, e pesquisadores apontam impacto relevante sobre a renda e o endividamento dos domicílios

A conclusão é da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) em parceria com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento) a partir de dados do Banco Central, das Epae (Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica) e de elaboração própria.

O estudo destaca que a regulamentação das bets no Brasil, com a obrigatoriedade de cadastramento das empresas a partir de janeiro de 2025, coincide com uma mudança estrutural nas transferências via Pix de pessoas físicas para pessoas jurídicas do setor de artes, cultura, esporte e recreação.

Os R$ 62,5 bilhões correspondem ao valor líquido da transação, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado pelos usuários e o montante devolvido pelas empresas em forma de prêmios.

Segundo o boletim, esse valor equivale a aproximadamente 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, indicando que o avanço das plataformas de apostas passou a produzir efeitos mensuráveis sobre a dinâmica financeira dos domicílios brasileiros.

O estudo demonstra que, até meados de 2024, os pagamentos de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação e os valores transferidos de volta por essas empresas permaneciam em níveis relativamente próximos.

A partir de 2025, porém, os pagamentos destinados ao setor cresceram de forma expressiva, enquanto as transferências no sentido contrário aumentaram em ritmo muito mais moderado.

“Esse comportamento indica que o setor passou a absorver um volume substancial de recursos das famílias sem devolução proporcional, característica típica dos mercados de apostas, nos quais apenas uma parcela dos valores apostados retorna aos jogadores na forma de premiações”, diz o documento.

Os números do boletim são superiores aos registrados pelo Ministério da Fazenda para as casas de apostas autorizadas a operar no país em 2025. Segundo a pasta, a receita das bets legais somou R$ 36,9 bilhões.

Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), contudo, estima que as bets clandestinas representaram algo em torno de 41% a 51% do mercado total.

A diferença entre a estimativa do Comsefaz (R$ 62,5 bilhões) e o dado da Fazenda (R$ 36,9 bilhões) é de R$ 25,6 bilhões, equivalente a cerca de 41% do total estimado pelo boletim, percentual que coincide com o piso da faixa projetada pela LCA, embora os levantamentos não sejam diretamente comparáveis.

O boletim também analisou o impacto da entrada das bets no mercado regulamentado sobre o volume de transações via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026.

Para isso, os pesquisadores estimaram qual seria o volume esperado de transferências de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação caso não tivesse ocorrido a mudança provocada pela regulamentação. Depois compararam essa projeção com os valores efetivamente registrados. A diferença entre os dois cenários foi interpretada como o impacto atribuível às bets.

Como se trata de uma simulação estatística, os autores ressaltam que o resultado não representa uma relação de causa e efeito comprovada.

O volume médio mensal adicional atribuído às bets foi estimado em R$ 24,1 bilhões. Restringindo a análise ao ano de 2025, o acumulado alcança R$ 350,97 bilhões, evidenciando a magnitude do impacto sobre o volume anual de transações.

O boletim destaca, contudo, que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em outubro de 2025, produziu uma desaceleração do crescimento das transações e a aproximação entre o volume de transferências estimado e o observado.

De acordo com o estudo, o fato de a proibição ter produzido efeito mensurável sobre o volume agregado de transações sugere que as famílias de menor renda têm participação relevante no mercado brasileiro de apostas esportivas online.

“Em conjunto com os elevados níveis de endividamento e de comprometimento da renda, esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico”, afirma o estudo.


TSE RECEBE LISTA DE TCU COM NOMES DE GESTORES COM CONTA,S REJEITADAS


O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, entregou, ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, a lista de responsáveis com contas julgadas irregulares nos últimos oito anos. A relação reúne mais de 6,1 mil nomes e subsidia a análise dos pedidos de registro de candidatura nas eleições de 2026.

A maior parte dos responsáveis é formada por prefeitos e vereadores de municípios de pequeno porte. Cerca de 3,8 mil – está vinculada às regiões Nordeste e Sudeste. Em comparação com a lista entregue ao TSE nas eleições de 2024, houve redução de 3% no total de pessoas relacionadas.

A lista considera decisões do TCU que transitaram em julgado – ou seja, contra as quais não cabem mais recursos no Tribunal – nos oito anos anteriores à eleição. Para o pleito de 2026, estão incluídas decisões proferidas desde 2018.

Da lista, são 266 pessoas expostas politicamente, incluindo 135 vereadores, 114 prefeitos, seis deputados estaduais, dois deputados federais e um senador (incluindo suplência).

Os dados serão atualizados diariamente até 18 de dezembro, prazo final para a diplomação dos candidatos eleitos. Até essa data, nomes podem ser incluídos ou retirados em razão de recursos julgados pelo TCU ou de decisões judiciais.

A presença de um nome na lista não torna automaticamente a pessoa inelegível. Cabe à Justiça Eleitoral avaliar cada caso e decidir, com base nos critérios previstos em lei, se o responsável poderá concorrer a cargo eletivo.

Clique aqui e veja a lista completa.

UNIÃO BRASIL ESTÁ COM ORLEANS BRANDÃO

O União Brasil, comandado no Maranhão pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, realizou sua convenção partidária na tarde de ontem,  quarta-feira (5) na sede do partido. Foram homologadas as candidaturas a deputado federal e estadual pela legenda.

Pedro Lucas também confirmou que o partido vai apoiar o candidato do MDB ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão, que esteve participando do evento do União Brasil.

No entanto, a definição para o Senado ainda não ocorreu, mas existe a possibilidade do União Brasil ter uma chapa para a disputa. O debate ainda será discutido pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, comandado pelo deputado federal André Fufuca.

O PP chegou a sugerir o nome de Perla Amaral (União), esposa do prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, fosse a primeira suplente de Fufuca, mas a indicação não foi acatada pelo União, que teria sugerido um nome, recusado pelo PP.

Diante da indecisão, o União Brasil montou uma chapa puro sangue ao Senado, com o vereador da capital maranhense Marquinhos Silva como candidato a senador, Rejane Braga como primeira suplente e o líder quilombola Chico, de Vargem Grande, como segundo suplente

CRÔNICA -HERANCA DE OURO PRETO - POR ZEZINHO CASANOVA

:Herança de Ouro Preto


O sol em Viana não apenas ilumina; ele pesa. Pesa sobre os ombros de Maria das Dores enquanto ela caminha pela trilha de terra batida que corta o quilombo de Ouro Preto. O chão, seco pela estiagem severa, ainda guarda a memória da umidade dos igarapés que, em outros anos, garantiam a fartura.

Ela parou por um instante, a mão calejada repousando sobre o tronco de uma gameleira centenária. Aquela árvore não era apenas madeira e folhagem; era o marco geográfico dos seus avós, o pilar de sustentação de uma história que, para muitos fora daquelas fronteiras, simplesmente não existia.

Do outro lado da cerca de arame farpado, que cortava a paisagem como uma cicatriz, o contraste era brutal. De um lado, a diversidade da mata nativa, o plantio de subsistência de mandioca e o aroma do fumo de rolo; do outro, a monocultura de soja que se estendia como um mar verde e homogêneo, desprovido de pássaros, de alma.

Os tratores da fazenda vizinha roncavam ao longe, um som de metal que parecia devorar o silêncio da mata.

Maria das Dores não temia o barulho, embora soubesse que ele anunciava a cobiça. Em sua casa, uma estrutura erguida com taipa e a força da união familiar, ela mantinha as ferramentas de sua resistência: o livro de atas da associação, o terço de contas de madeira e o facão que, na palma de sua mão, era mais um instrumento de cuidado do que de ameaça.

Naquela tarde, as mulheres da comunidade se reuniram debaixo da gameleira. Não havia pauta formal, apenas a urgência. O projeto de expansão da nova fazenda previa a drenagem de um canal que alimentava as hortas comunitárias. Se a água fosse desviada, o quilombo sucumbiria à sede.

— Eles dizem que a terra é produtiva porque está cheia de soja. — Disse Zefa, a mais jovem das lavradoras, com os olhos fixos na linha do horizonte. — Eles não entendem que a nossa semente é o que garante que a gente tome café da manhã amanhã.

Maria das Dores levantou-se lentamente e passou o olhar por cada uma das ali presentes. Mulheres que, geração após geração, tinham enfrentado o chicote, o coronelismo e, agora, uma ameaça sem rosto, com CNPJ em vez de nome.

— Ouro Preto não é extensão de hectares. — Começou Maria, a voz firme. — É a nossa pele, o lugar onde a gente enterra a placenta dos nossos filhos. Não vamos deixar transformarem isso em pasto.

Na semana seguinte, o avanço das máquinas foi interrompido não por tribunais ou burocratas de São Luís, mas por quarenta mulheres quilombolas sentadas calmamente sobre a terra que o trator deveria revirar. Zefa estava entre elas, na primeira fila, segurando um cartaz pintado com o barro vermelho da região. Não carregavam armas, apenas panelas onde cozinhavam o feijoal que sustentava a comunidade. Quando o encarregado da empresa chegou, encontrou uma muralha de dignidade.

Maria das Dores não se levantou da cadeira de palha que trouxera para o meio da estrada:

— Pode chamar quem quiser. — Disse ela, enquanto o sol da tarde tingia seu rosto de um tom de cobre intenso. — A lei dos homens pode dizer que essa terra tem registro em nome de banco. Mas a lei da terra diz que a gente está aqui desde antes desse mundo ser medido em metros quadrados.

O impasse durou horas. De um lado, o metal da máquina; do outro, a ancestralidade encarnada naquelas mulheres. A liderança de Maria, forjada no respeito mútuo, impunha um respeito que o dinheiro não conseguia comprar. Ela não pregava o ódio, mas a permanência — do modo de vida, da tradição, do segredo das ervas que só cresciam ali.


Ao final daquele dia, os tratores recuaram. O silêncio retornou a Ouro Preto. As mulheres voltaram para casa em procissão, cantando hinos que atravessavam séculos.


Maria das Dores sentou-se na varanda de sua casa de taipa e observou o pôr do sol sobre o mar de soja que se aproximava de sua cerca. Sabia que a luta seria longa. Mas não sentia medo. Em suas mãos, o terço de madeira se aquecia. Olhou para elas — marcadas pela lida, ainda ágeis para plantar a semente que alimentava sua ética.


O futuro de Ouro Preto não era algo que ela esperava chegar. Era algo que ela construía a cada aurora, palmo a palmo, contra o assoreamento da ganância. Ouro Preto não era apenas uma comunidade de resistência. Era a prova de que, mesmo cercada, ainda há chão que ninguém consegue medir.


 José Casanova 

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista 

Membro da Academia Bacabalense de Letras 

Academia Mundial de Letras da Humanidade

POESIA - SONETO DA SEPARAÇÃO - VINÍCIUS DE MORAES




 Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Moraes