sexta-feira, 4 de setembro de 2026

COM A PALAVRA -; JORGE PASSINHO

Café com panqueca quente é Deus alimentando a gente.

Estava nas minhas caminhadas matinais sem nada na mente para escrever e de repente escutei uma canção que tem um verso que me sacudiu e me deu vontade de comentar aqui agora. O pedaço de canção é 

"Por ser exato o amor não cabe em si, por ser encantado o amor revela-se, por ser amor invade e fim." (Djavan)

Este é um dos versos mais concisos e profundos da poesia musical brasileira — Djavan consegue, em poucas palavras, descrever a essência paradoxal e absoluta do amor. Vou desconstruir cada parte conforme eu sinto este poema canção:

 1. "Por ser exato o amor não cabe em si"

Aqui está o primeiro paradoxo central: o amor é algo preciso, definido, verdadeiro — mas justamente por isso, ele não se limita, não fica contido dentro de si mesmo. Não é algo fechado, completo em si próprio; ele transborda. A sua exatidão não é uma caixa que o restringe, mas uma força que o faz ultrapassar qualquer fronteira. Amor que se guarda, que se confina, não é amor de verdade — ele precisa espalhar-se.

 2. "Por ser encantado o amor revela-se"

"Encantado" aqui, para mim, não sou especialista em língua portuguesa, mas tem duplo sentido: é ao mesmo tempo maravilhoso/mágico e também tomado por encanto, sem poder esconder-se. Quem ama não consegue ocultar: o amor se mostra nos gestos, no olhar, na forma de falar. Ele não precisa ser anunciado — ele se revela por sua própria natureza, como luz que não pode ficar escondida. É uma manifestação espontânea, involuntária, inexplicável e ao mesmo tempo o poeta tenta materializar.

 3. "Por ser amor invade e fim"

A última frase é o coração do pensamento — firme, sem rodeios. "Invade": o amor não pede licença, não se negocia, não se escolhe racionalmente. Chega e ocupa todo o espaço — no coração, na vida, no pensamento. Não há meio-termo, não há controle, tem a fúria do furacão.

E o "e fim" é o toque de mestre que só os gênios conseguem: simples, definitivo, sem mais delongas. Como se dissesse: é assim, ponto final. Não há argumento, não há por que discutir ou tentar compreender com a razão — é a sua natureza. Aceita-se ou não se aceita, mas isso não muda o fato: o amor é assim, e pronto.

  L -:Fico maravilhado de ter nascido e me deliciado das obras desses gigantes como Djavan

Djavan trabalha com economia de palavras e riqueza de sentido: três frases curtas, mesma estrutura gramatical, ritmo suave — e cada uma carrega uma camada de profundidade. Ele não fala de amor como sentimento bonito e passageiro, mas como força da natureza: exato, transbordante, visível e irresistível.

-  Não há idealização romântica exagerada

- Há reconhecimento de que o amor é maior que nós — não o dominamos, ele que nos toma

- A estrutura em paralelismo ("por ser… o amor…") dá a impressão de que está apenas declarando fatos, como se explicasse uma lei do universo. Deus é genial ao instalar esse sentimento em nós mortais.

É por isso que esse verso toca tantas pessoas: fala aquilo que sentimos mas não conseguimos nomear. Djavan nomeou — em 17 palavras. 

Sinto falta dessas genialidades nas canções modernas, acho que estou ficando velho e acabado e...ultrapassado.

Saúde, sabedoria e equilíbrio para todos nós.

Força, grana, poesia e fé sempre.


Jorge Passinho 

POESIA - TRISTE FANTASIA - ZE LOPES

SEXTOU COM MUÇÃO

 


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

MAIS UMA PESQUISA APONTA EMPATE ENTRE LULA E FLAVIO BOL

Pesquisa Quaest, encomendada pela Globo e divulgada na noite de ontem,  quarta-feira (2), mostra um cenário de muito equilíbrio na disputa pela Presidência da República.

No 1º Turno, o levantamento aponta o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando com 37%, seguido de Flávio Bolsonaro (PL) com 29% e a novidade foi Augusto Cury (Avante) agora é o terceiro colocado, com 10%. Renan Santos (Missão) tem 3% e Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), 1% cada. Os demais não pontuaram.

Na simulação de 2º turno entre Lula e Flávio, a situação é de empate técnico, já que o petista tem 42% contra 42% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula oscilou de 43% na pesquisa Quaest de 14 de agosto para 42% agora. Flávio foi de 40% para 41%.

A pesquisa Quaest foi encomendada pela Globo e pelo jornal “O Globo” e entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. O registro no TSE é BR-07065/2026. A margem de erro é de dois pontos e o nível de confiança, de 95%.

ÊTA MARANHÃO DE PESQUISAS

Nesta semana, já tivemos a divulgação de duas pesquisas eleitorais no Maranhão – INOP e IPSensus, mas outras ainda devem ser divulgadas nos próximos dias.

Na última,  terça-feira (01), tivemos mais um levantamento registrado. O Jornal Pequeno contratou o Coxa Arte e Comunicação para realizar uma pesquisa que deverá ser divulgada na segunda-feira (07). Serão ouvidos 2 mil eleitores, entre os dias 01 e 05 de setembro

A pesquisa da Atlas Intel, contratada pela TV e Rádio Difusora, deveria ser divulgada nesta quarta-feira (02), mas acabou sendo suspensa sua divulgação pela Justiça Eleitoral.

No entanto, teremos ainda outras três que serão divulgadas. Na quinta-feira (03), teremos a pesquisa Verita, contratada pela própria Verita. Na sexta-feira (04), será a vez da IPPI contratada pelo Café Quente. No sábado (05), teremos a pesquisa do Instituto Paraná de Pesquisa, que foi contratada pelo Jornal O Imparcial.

Ou seja, até a próxima segunda-feira deveremos ter mais quatro pesquisas sendo divulgadas no Maranhão.

LULA APARECERÁ NA PROPAGANDA POLITICA DE ORLEANS

A Coligação Brasil Justo, Maranhão Grande, que tem como candidato ao Governo do Maranhão, Felipe Camarão (PT), tentou impedir que a Coligação Avanço por Todo o Maranhão, que tem como candidato ao Palácio dos Leões, Orleans Brandão, utilizasse imagens e citasse na propaganda eleitoral o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No entanto, a Justiça Eleitoral, através da juíza Manuella Viana dos Santos Faria Ribeiro, auxiliar da Comissão de Propaganda do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), negou o pedido feito. A magistrada considerou que a legislação eleitoral não proíbe, no primeiro turno, a simples menção a autoridades ou figuras públicas em programas eleitorais. Segundo a decisão, a restrição à participação de filiados a partidos que apoiam outros candidatos está prevista especificamente para o segundo turno.

A juíza também destacou que não houve participação ativa de Lula nas propagandas. O presidente não aparece fazendo declaração, concedendo depoimento, pedindo votos ou manifestando apoio direto à candidatura de Orleans.

Em relação às imagens dos dois juntos, a juíza afirmou que o material comunica proximidade política, mas isso não pode ser automaticamente equiparado a uma declaração de apoio eleitoral.

“A utilização dessas imagens possui inegável finalidade política e é apta a comunicar proximidade entre as figuras retratadas. Não se pode, contudo, equiparar automaticamente proximidade política ou registro de atuação conjunta a declaração de apoio eleitoral”, pontuou.

Com o indeferimento da liminar, as propagandas poderão continuar sendo veiculadas

ROSEANA SARNEY ABRACA A CAUSA HILTON GONÇALO E ABSNDONA EWERTON ROCHA


A disputa pelas duas vagas ao Senado no Maranhão ganhou um novo ingrediente no dia de ontem , quarta-feira (2). Em um cenário marcado até agora pela cautela dos candidatos em assumir dobradinhas, Roseana Sarney (MDB) e Hilton Gonçalo (Mobiliza) deram sinais de que podem formar uma das primeiras alianças explícitas da corrida senatorial.

A movimentação também representa um distanciamento de Roseana em relação ao senador Weverton Rocha (PDT), que igualmente busca uma das duas vagas em disputa. Até então, apesar de integrarem o mesmo campo político na eleição estadual, não havia uma definição clara sobre como seriam distribuídos os apoios para os dois votos ao Senado.

Roseana e Hilton, no entanto, deram um “spoiler” de uma possível dobradinha. Caso a aliança seja confirmada, os dois poderão passar a pedir conjuntamente o primeiro e o segundo voto dos eleitores, estratégia que ganha peso especial em uma eleição na qual cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado.

A aproximação ocorre em um momento delicado para Weverton. O senador teve seu nome associado às repercussões políticas das investigações envolvendo irregularidades no INSS e enfrenta dificuldades para ganhar tração nas pesquisas eleitorais. O cenário aumenta a pressão sobre sua candidatura justamente quando adversários começam a consolidar alianças para a reta decisiva da campanha.

A eleição para o Senado é considerada uma das mais complexas do Maranhão em 2026. A existência de duas vagas colocou aliados tradicionais em campos concorrentes e fez com que muitos candidatos evitassem, até agora, declarar um parceiro preferencial para o segundo voto, buscando preservar apoios de diferentes grupos políticos.

Nesse contexto, uma dobradinha entre Roseana e Hilton Gonçalo pode mexer diretamente na configuração da disputa. Além de fortalecer Hilton ao associá-lo a uma das candidaturas mais conhecidas do estado, a movimentação sinaliza que Roseana pode ter feito sua escolha para o segundo voto — deixando Weverton fora da composição.

Com a campanha avançando, a tendência é que a definição das dobradinhas se transforme em um dos principais componentes da disputa pelas duas cadeiras maranhenses no Senado.



DEBATE MIRANTE NEWS/IMIRANTE VAI ACINTECER SEM A PRESENÇA DE BRAIDE

Está tudo pronto para o debate Imirante/Mirante News que será realizado nesta quinta-feira (3) com todos os candidatos ao Governo do Maranhão. O encontro ocorrerá nos estúdios do Grupo Mirante, com início às 10h e duração aproximada de duas horas.

A transmissão será feita ao vivo pelo Imirante.com, pelo canal do portal no YouTube e pela Mirante News na frequência 104,1 FM. A mediação será da jornalista Carla Lima, do Grupo Mirante.

O debate terá quatro blocos, sendo que o primeiro será iniciado com a apresentação dos candidatos e cada um tendo um tempo de dois minutos. Logo depois, candidato pergunta para candidato, com perguntas de temas livres. A dinâmica sempre terá 30 segundos para a pergunta, um minuto e 30 segundos para a resposta, um minuto para a réplica e um minuto para a tréplica.

No segundo e terceiro blocos, candidato perguntará para candidato. A diferença é que no segundo bloco teremos perguntas com temas sorteados, mas no terceiro bloco volta a ser tema livre. Vale ressaltar que cada candidato poderá perguntar e responder uma vez em cada bloco.

Por fim, o quarto bloco será destinado às considerações finais dos candidatos, com dois minutos para cada um dos participantes.

BRAIDE NÃO IRÁ AO DEBATE

O candidato do PSD ao Governo do Maranhão, Eduardo Braide, mais uma vez não deve comparecer a um debate entre os candidatos ao comando do Palácio dos Leões, nas eleições 2026.

No entanto, Braide não deve comparecer. A assessoria do candidato já informou sua agenda para quinta-feira. Na parte da manhã, pela agenda divulgada, Braide terá “reunião com lideranças políticas” e não prevê a sua presença no debate.

Braide já não esteve no debate promovido pela Band e, pelo visto, não deve marcar presença no debate Imirante/Mirante News.

CRÔNICA ,- O ESPELHO ADORMECIDO - ZEZINHO CASANOVA

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O ESPELHO ADORMECIDO 

O relógio na parede da sala em Bacabal marcava três da tarde, mas o tempo girava num compasso próprio, ditado apenas pelas necessidades da pequena Alice. Ela estava acomodada na cadeira adaptada, os músculos do pescoço num repouso inquieto, os olhos, grandes e profundos, fixos em algo que apenas ela parecia alcançar. Ana Célia, sua mãe, estava sentada no chão, exausta, segurando a mão de Alice, cujos dedos se mantinham cerrados numa tensão constante de anos. Por um breve instante, o silêncio da casa foi interrompido apenas pelo zumbido da geladeira, e Ana Célia desviou o olhar para o espelho posicionado na entrada, um acessório que ela ignorava há tanto tempo que chegara a se tornar um borrão na decoração.

O espelho refletia uma mulher que ela já não reconhecia de imediato: o cabelo preso com um grampo que esquecera ali, as olheiras fundas que carregavam o mapa de noites mal dormidas e, sobretudo, um olhar que parecia ter esquecido como brilhar por si mesmo. Ana Célia era, para quase todos em Bacabal, a "mãe da Alice". Sua identidade havia sido absorvida pela condição da filha. A dedicação integral, que a levaria a ser admirada pela vizinhança como "um exemplo de sacrifício", era, na verdade, um manto que a cobria inteira, ocultando o ser humano embaixo das camadas de terapias, cuidados, fisioterapias e planos de saúde.

— Você está cansada, não está? — Ana Célia perguntou, acariciando o braço da filha. Sabia que Alice não podia responder com palavras, mas sentia na respiração dela a mudança de ritmo que indicava reconhecimento.

Como se tivesse compreendido o carinho da mãe, Alice moveu lentamente os olhos em sua direção. Os dedos, que durante anos permaneceram quase sempre rígidos, afrouxaram por um instante e envolveram, ainda que de maneira delicada, a mão de Ana Célia. Um som baixo, quase um suspiro transformado em vogal, escapou de seus lábios.

Ana Célia sorriu sem perceber. Para qualquer pessoa, aqueles gestos talvez passassem despercebidos. Para ela, eram frases inteiras. Naquele breve aperto de mão havia reconhecimento; naquele olhar demorado, companhia; naquela respiração mais tranquila, uma forma de dizer que também estava ali, compartilhando o silêncio.

Durante muito tempo, Ana Célia acreditou que se separar da identidade de "mãe cuidadora" seria um ato de traição. Se ela parasse para tomar um café lendo um livro que nada tivesse a ver com deficiência, se ela voltasse a insistir nas pinturas que guardara no fundo do guarda-roupa, estaria sendo negligente. A sociedade, com sua cobrança silenciosa e cruel, reforçava essa armadilha: a mãe deveria ser uma extensão do cuidado, uma santa sem desejos, sem vontades, sem corpo além daquilo que servia para sustentar o corpo do outro.

Ela se aproximou do espelho. O vidro, antes considerado uma testemunha silenciosa do seu esgotamento, passou a ser um desafio. Começou a observar as linhas que se formavam ao redor de sua boca. Eram marcas de preocupação, sim, mas também eram marcas de resiliência. E, por trás daquelas linhas, ela viu o brilho de uma pessoa que ainda existia. Ana Célia lembrou-se do tempo em que amava o pôr do sol no rio Mearim, da época em que sonhava em viajar para ver o mar.

A deficiência de Alice era uma realidade imutável, um dado biológico, mas a sua própria vida não precisava ser um apêndice daquela condição.

Naquela mesma noite, após o banho de Alice e o sucesso de colocá-la para dormir em um sono sereno, Ana Célia não foi para a sala de televisão. Ela foi até o quarto onde guardava suas tintas, secas pela falta de uso. Abriu o conjunto, o cheiro de óleo e solvente ainda guardando a promessa de algo antigo. Ela não pretendia virar uma grande artista, nem ganhar o mundo, mas precisava provar a si mesma que suas mãos, que passavam o dia inteiro apenas realizando movimentos mecânicos de suporte, também podiam criar.

Começou a desenhar, não o rosto de Alice, mas algo abstrato, formas que lembravam o movimento da água, cores que ela sentia falta de ver. O primeiro traço foi trêmulo, uma hesitação entre o medo e a vontade, mas quando a cor ocupou o papel, Ana Célia sentiu um arrepio. Aquele era o seu eu, adormecido atrás da figura da cuidadora, acordando finalmente de um letargo.

Enquanto misturava um tom de cinza que lhe lembrava as águas do Mearim ao entardecer, Ana Célia ouviu um pequeno ruído vindo do quarto. O pincel caiu sobre a mesa.

Num reflexo construído por anos de vigilância, levantou-se imediatamente e correu pelo corredor, o coração acelerado antes mesmo de qualquer pensamento. Empurrou a porta devagar.

Alice continuava dormindo. A respiração era tranquila, o rosto permanecia sereno, e apenas um leve movimento dos dedos denunciava a vida pulsando naquele silêncio. Ana Célia respirou aliviada.

Ao voltar para o ateliê improvisado, estendeu a mão para fechar a porta e percebeu uma pequena mancha azul na maçaneta. Ficou olhando aquele traço de tinta por alguns segundos. Durante anos, todas as marcas espalhadas pela casa haviam sido remédios, horários, equipamentos, receitas e anotações de consultas. Percebeu que  havia ali uma marca que não pertencia à rotina do cuidado. Era dela.

Sem dizer palavra, voltou para a tela. A pequena mancha azul permaneceu na maçaneta, discreta como uma assinatura. Não era apenas tinta. Era a identidade que, depois de tanto tempo adormecida, começava finalmente a deixar suas próprias cores pela casa.


José Casanova 

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista 

Membro da Academia Bacabalense de Letras 

Academia Mundial de Letras da Humanidade

POESIA - É ISSO QUE VOU FAZER QUANDO A VELHICE CHEGAR - PAUL GETTY