segunda-feira, 1 de setembro de 2025

POESIA - CONCREMATJCA - POR LERENO NUNES

 

CONCREMÁTICA     

Em verdadeira grandeza corpos se atraem...

Juntam-se e somam-se em volume, desiguais.

E ao desejo contingente em sincronia,

Ajustam suas forças, tratados, rebeldias...

Amam-se e somam-se dia após dia.


Ao infinito matemático, sem limite algum,

Criam-se e derivam-se em forma integral,

Em parceria incerta e sem final, 

Gerando imagens gráficas, exponencialmente lúdicas, 

Entre bordas céticas, cirúrgicas,

De um traçado pleno e estrutural...

Enquanto nasce uma expressão algébrica, afinal.


Formam-se em razão, enquanto em proporção,

Estimam os próximos termos previamente assinalados

Ao tratado registrado e definido.

Acomodam-se então sob a tensão, 

Ao coração fundido em mesma pele... comprimido.


Cisalham-se, de repente, em despedida,

Voltam-se ao banal, em face intermitente,

Projetam-se entre formas removidas,

Delineadas, paralelas e partidas 

À gota cristalina que o olhar rebela...


Dão-se então por saudade, em forma esguia,

A quem sente ao peito a dor vazia.

E inevitavelmente acolhem-se em imensurável e inviolável cura,

Ao rotulado estado inconsciente de ternura,

Pois loucos em desejo,

Reencontram-se, se abraçam, se amassam e se misturam, 

Ao sabor irrefutável de um beijo.


Lereno Nunes 

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