CONCREMÁTICA
Em verdadeira grandeza corpos se atraem...
Juntam-se e somam-se em volume, desiguais.
E ao desejo contingente em sincronia,
Ajustam suas forças, tratados, rebeldias...
Amam-se e somam-se dia após dia.
Ao infinito matemático, sem limite algum,
Criam-se e derivam-se em forma integral,
Em parceria incerta e sem final,
Gerando imagens gráficas, exponencialmente lúdicas,
Entre bordas céticas, cirúrgicas,
De um traçado pleno e estrutural...
Enquanto nasce uma expressão algébrica, afinal.
Formam-se em razão, enquanto em proporção,
Estimam os próximos termos previamente assinalados
Ao tratado registrado e definido.
Acomodam-se então sob a tensão,
Ao coração fundido em mesma pele... comprimido.
Cisalham-se, de repente, em despedida,
Voltam-se ao banal, em face intermitente,
Projetam-se entre formas removidas,
Delineadas, paralelas e partidas
À gota cristalina que o olhar rebela...
Dão-se então por saudade, em forma esguia,
A quem sente ao peito a dor vazia.
E inevitavelmente acolhem-se em imensurável e inviolável cura,
Ao rotulado estado inconsciente de ternura,
Pois loucos em desejo,
Reencontram-se, se abraçam, se amassam e se misturam,
Ao sabor irrefutável de um beijo.
Lereno Nunes

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