terça-feira, 2 de setembro de 2025

POESIA - SANGROU- POR ABEL CARVALHO

 

SANGROU

A tua poesia é uma dor sem fim.

A tua poesia sangra como um sudário sem dono.


O meu amor esparge o fel do sofrimento.

O meu amor por ti trespassa meu sonho timorense.


A tua ausência é um crucifixo sem história

Sem corpo, sem chaga, sem véu.


A tua saudade me aniquila em alma, luz, escuridão.


A tua lembrança me corrompe, constrange meus desejos,

Desenfreia, arde como o canto da lira que eu nunca ouvi.


A minha dor...

A minha dor dói cálida e perene,

Não seca, comprime, cega, estremece,

Emudece a minha insônia sem fim.


A minha dor...

A minha dor cresce, não estanca,

Desanca como um Céu em tornado,

Como o mar em turbilhões,

Como um coração parado, seco, separado,

Entregue as mãos de quem não quis.


A tua poesia e a minha dor caminham juntas, a passos largos,

Em tragos, disseminações e reminiscências.


Em essência fogem de si mesmas, se conhecem, não se amam,

Se odeiam como dois tolos enamorados sem destino,

Se fecham, se calam, se martirizam para sempre.


A minha dor é o teu poema,

E sangra.


Abel Carvalho

Nenhum comentário:

Postar um comentário