WHATSAPP - O COLISEU DA DESATENÇÃO
Venho conversando há dias com meu confrade JOAQUIM FILHO, e chegamos a uma constatação curiosa — para não dizer trágica: vivemos a era da desatenção. É impressionante como as pessoas, sobretudo nas redes sociais, parecem ter desenvolvido uma espécie de “miopia informacional”.
A gente envia um flyer de evento, com data, local, horário, endereço, mapa, link e até lembrete — e o que acontece? Logo pipoca uma mensagem no WhatsApp: Vai ser onde mesmo? Ou que dia é? Às vezes dá vontade de responder: No mesmo lugar onde deixei as informações… logo abaixo da imagem que você curtiu sem ler.
Pode parecer risível, mas é preocupante. O número de pessoas acometidas por esse mal moderno só cresce. Seria culpa do excesso de informações? Provável. Portanto, estudos dizem que hoje uma criança de 10 anos possui mais informações, mais dados e estímulos cognitivos disponíveis do que NERO teve em toda a vida quando governava Roma entre 54 e 68 d.C. — com a pequena diferença de que NERO incendiou Roma; já nós, estamos queimando a nossa capacidade de atenção.
O WhatsApp virou o Coliseu da desatenção: todo mundo fala, ninguém escuta, e as mensagens competem com figurinhas, vídeos de gatinhos e áudios intermináveis. No fim, sobra uma legião de pessoas conectadas — mas completamente desconectadas do essencial: ler, compreender e, principalmente, prestar atenção.
Paul Getty S Nascimento
poeta, compositor, cronista e membro da APL - Academia Pedreirense de Letras

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