quarta-feira, 5 de agosto de 2026

OPINIÃO - JORGE PASSINHO

Bom diaaaaa 


Café com pão quente é Deus alimentando a gente.

Hoje vou escrever sobre um tema que tem virado moda nos tempos das redes sociais.

Quando a opinião grita mais alto que o fato.

Vivemos um tempo estranho. Nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade de concordar com a realidade.

O problema social que está nos atravessando é esse: *o confronto entre "opinião" e "a evidência dos fatos"*.

Antigamente a discussão era: "dado os fatos, qual a melhor opinião sobre eles?"  

Hoje virou: "dada a minha opinião, quais fatos eu vou aceitar?" Não coisa de maluco?

Como chegamos nesse estágio, vamos as minhas observações:

Primeiro: A gente só vê o que confirma o que já pensa. O feed vira um espelho, não uma janela.

Segundo: Opinar é instantâneo. Checar um dado, ler uma pesquisa, ouvir o outro lado... isso demora. E na internet quem grita primeiro ganha. Outro detalhe, tá todo mundo gritando ao mesmo tempo.

Terceira: Opinião virou time. Se eu mudo de ideia com base em um fato novo, parece que estou "traindo meu grupo". Então é mais fácil negar o fato do que rever a opinião. Isto é muito forte na política e está nos levando ao fundo do poço socialmente.

Quatro: Ciência, imprensa, universidade, dado oficial... tudo virou "versão". Se tudo é versão, então a minha vale mais, minha opinião, meu sentimento, minha vida é o meu laboratório e a minha verdade.

Sei que não tenho formação para escrever com muita propriedade sobre isso, mas eu tenho observado, analisado, estudado um pouco sobre essa loucura que estamos vivendo.

Comentei outro dia com o amigo e professor Fernando Glauco que isso se evidenciou na pandemia, aos ficarmos isolados, trancados, muitos de nós mudou completamente sua forma de pensar. E diante desse novo quadro, quando opinião e fato brigam, quem perde é o bem comum.

Debate sobre saúde vira briga. Debate sobre educação vira ataque. Debate sobre política vira guerra.  

A gente para de resolver problema e começa a disputar quem está certo. 

E o mais perigoso disso tudo: fatos não pedem permissão pra existir. Uma ponte cai independente da sua opinião sobre engenharia. Uma doença se espalha independente da sua opinião sobre vacina. O clima muda independente da sua opinião sobre clima.

Qual poderia ser a solução para tudo isso?

Não é calar ninguém. Opinião é liberdade e deve existir.  

A saída é: reflexão e hierarquia: *fato primeiro, opinião depois*.

Fato é o alicerce . Opinião é o que a gente constrói em cima desse alicerce.  

Sem alicerce, qualquer casa cai.

Isso exige 3 coisas de nós:

1) Humildade intelectual: Estar disposto a dizer "eu estava errado, me desculpa".

2) Curiosidade: Checar a fonte antes de repassar, não se torne um marionete, não saia respostando tudo que lhe mandam.

E por último "Respeito": Discordar da ideia sem desumanizar quem pensa diferente. Nada de ofensas, nada de tentar diminuir o outro, nem de se achar superior.

A democracia, a ciência e a convivência só funcionam se a gente combinar uma coisa básica: vamos brigar pelas nossas opiniões, mas vamos começar do mesmo conjunto de fatos.

Eu estou escrevendo mais do que devia, o texto vai virar um livro, vamos encerrar ehehehhe.

Porque no fim, opinião divide. Fato, quando aceito, é o único lugar onde a gente consegue se encontrar de novo.

"É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática"(Paulo Freire)

Saúde, sabedoria e equilíbrio para todos nós.

Força, grana, poesia e fé sempre.

Vamos ao trabalho


Jorge Passinho - Professor, matemático, fisico, cientista, poeta, compositor, cantor, escritor e DJ

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