quarta-feira, 30 de setembro de 2026

COM A PALAVRA ,- VERGONHA - POR JORGE PASSINHO

 

Café com panqueca quente é Deus alimentando a gente.

Hoje eu acordei muito melhor que ontem, fiz minha caminhada, lavei minha roupa, preparei meu café e depois dessas boas ações resolvi escrever esta reflexão.Espero que leiam e comentem.

Que falta faz meus avós. (Vivemos o tempo da vergonha perdida.)

Antes, nos tempos dos meus avós, eu ainda sou fruto dessa época, a pessoa mentia e se escondia, sentia vergonha. Hoje não, mente e espera aplauso. Não porque a mentira ficou mais bonita, mas porque a plateia mudou.

O critério (a régua) deixou de ser "o que foi feito" e passou a ser "quem fez".

A regra hoje é "na minha bolha, tudo é justificável. É estratégia, é contexto, é ironia, é "ele teve que fazer". Fora da bolha, o mesmo gesto vira crime, escândalo, prova de mau-caratismo.

Perdemos o bom senso quando trocamos a consciência pela torcida, acho que pior que torcida, algo que ainda não sei o nome, mas beira um fanatismo extremo.

O sujeito não pergunta mais: "Isso é certo?"

Ele pergunta: "Isso foi nosso guru que fez? Então pode."

E assim, a verdade virou elástica. A ética virou seletiva. A indignação virou teatro.

O mais triste não é o mentiroso. Mentiroso sempre existiu. Agora até um político endeusado afirmou que "político tem que mentir."

Lá vem minha vó novamente, ela dizia "quem mente, rouba." Eu sou dessa tribo.

O triste é a multidão que já sabe que é mentira, e mesmo assim compartilha, defende, comemora — porque a mentira conforta mais que a verdade.

Mas aprenda, a bolha protege, mas também apodrece. Lá dentro, tudo é permitido, mas nada amadurece. Porque sem contraditório, sem vergonha e sem limite, o ser humano não cresce. Ele só se confirma, fica pequeno, rasteja, lambe o chão e o pé do político ladrão.

No fim, não é sobre esquerda ou direita, é sobre caráter. Quem tem dois pesos e duas medidas, no fundo não tem medida nenhuma e o pior, meus amigos, que até a justiça se curou da cegueira e agora levanta suas bandeiras.


Saúde, sabedoria e equilíbrio para todos nós.

Força, grana, poesia e fé


Jorge Passinho 

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