APENAS UM DIA
Não te venderei colunas, nem muralhas
e nem mesmo sonhos.
Não te venderei as ilusões próprias dos amores.
Não te prometerei os melhores dias,
Nem mesmo os maiores dissabores.
Não verterei utopias e nem mesmo tentarei mudar teus valores.
Apenas, se quiseres, te entregarei aquilo
Que me dissestes que querias,
Que sentes e que eu não sentia,
Mas que me veio calmo como um veio nasce,
Perene como correm as águas de um rio,
Constante com o entardecer de mais um dia que se vai,
Absoluto como o ardor do encandecer que o nascer do sol nos propicia.
Não te darei brotos, nem folhos, nem hipocrisia.
Se ainda quiseres, te darei apenas um dia,
Meio dia, uma hora ou meia hora, um ou meio minuto que seja,
Para que enfim me vejas, não como me vias,
Mas como eu te vejo,
E nesse tempo te roubaria apenas um beijo,
Beijo fruto do desejo que tu mesmo tu, me ensinastes a ter em apenas um dia.
Abel Carvalho


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