quarta-feira, 15 de outubro de 2025

COM A PALAVRA - QUANDO O VESTIBULAR ERA PURA EMOÇÃO II - POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

... QUANDO O VESTIBULAR ERA PURA EMOÇÃO II

    Viver a emoção do vestibular vinha com a chegada a São Luís, revestida de todas as revoltas e de todas as saudades.

    O corte do cordão umbilical, com a terrinha, se fazia muito e muito dolorido. E, geralmente, o desenlace não acontecia tranquilo. Se era avisado, se era reavisado, se era lembrado sempre, se sabia, se esperava, se enxergava longe, mas não se estava preparado. Assim, em nossa inocência infanto juvenil, se apresentava abrupto e voraz.

    E, nessa angústia, para nós, Baixadeiros, a Beira Mar se tornava a nossa pátria, a ser frequentada diariamente. Era a nossa certeza da ligação com a terra mãe. Se tornava "o nosso correio, o nosso rádio, a nossa televisão, a nossa internet", com as notícias pululando, nos enchendo de energias novas e aumentando o apego aos nossos. E, claro, era a garantia da nossa sobrevivência, refletida nos embrulhos, de carne seca e de camarão; nos pacotes de ovos, de arroz e de farinha; no isopor, cheio de baguinhos, de traíras e de piabas; nas latas de doce de leite e de goiaba; no envelope, com os salvadores "trocados', para a compra do passe escolar e quase nenhum lazer. Aluno, que estudava, estudava!

    Já, para outros maranhenses, "a rodoviária, velha", era o seu porto seguro. Ali, a conexão, com a terra distante, acontecia. E tudo se repetia, num apego materno insano.

    O importante é que a espera da aprovação se cristalizava em imensurável expectativa, que se tornava uma tremenda aflição. Para uns, frustração; para outros, festa.

    A tensão se estabelecia com as revisões e os corujões, das vésperas, passando pela divulgação do gabarito oficial e da estimativa da data, para a divulgação do resultado. Com a maciça cobertura da imprensa, imprimindo um ar mágico, que contagiava e nos anestesiava, o ambiente tenso, para o pré vestibulando, se estabelecia, em definitivo.

   E o resultado, tão sofrível e esperado, se refletia no palpitar acelerado do ansioso coração e no ouvido colado no radinho, que se impunha ao sepulcral silêncio, para explodir em estupenda algazarra e riso e palmas e choro e abraços ... e na cabeça raspada, com foguetes, a espocar, sem pena e dó, sem miséria ... e, invariavelmente, muito chopp, com Pinduca, na vitrola, a nos convocar para festejar.

    De tristeza, as maiores referências, dessa época, vão se escafedendo tímidas e impotentes.

    Só, como exemplo, no centro, dói ver ruir duas potências, como Pré Vestibulares, o Cipe e o MENG. Ruínas, que vão se impondo como a nos berrar que o sistema educacional anda perdido, enclausurado no faz de conta.

     E, de verdade, me emociono ao passar nas imediações do ginásio Costa Rodrigues. Não é só o MENG, que fenece!


         Zé Carlos Gonçalves

POESIA ' ALTAR - POR RENATO DIONÍSIO

 


ALTAR

 

Mesmo sem saber se de fato és o meu amor

Faço crença deste sentimento no altar em oração

Me ofereça ao menos um sinal de quem eu sou

E doravante não serei mais dono de meu coração.

 

A dúvida atroz que eu mesmo sem querer carrego

Coloca em desassossego o coração dentro do peito

Me constitui duvidoso do que somos e até de mim

E tem a força de tirar desta relação todo respeito.

 

Viver como estou vivendo no mundo de incertezas

Me enche a vida de dúvidas, amarguras e muita dor

E nesta incerteza que me encharca a consciência e os sentidos

Não, definitivamente não vou colocar meu desejo num andor.

 

Sinta você que sou a própria praça da paixão

Que se enfeita para você sem pedir nenhum favor

Quisera pudesse ter de ti os eflúvios do querer

Sentindo como se completam as duplas no leito do amor.


*Renato Dionísio

terça-feira, 14 de outubro de 2025

DESCARTADOS CASOS DE INTOXICAÇÃO POR METANOL NO MARANHÃO

 


Os dois casos suspeitos de intoxicação por metanol no Maranhão, nesta terça-feira (14), foram descartados. A informação foi confirmada pelo secretário de Saúde do Maranhão, Tiago Fernandes.

Informo que foram descartados dois casos suspeitos de intoxicação por metanol, que estavam sendo monitorados pela Secretaria de Saúde. Os pacientes receberam atendimento nas UPAs do Parque Vitória e de Paço do Lumiar”, destacou.

Apesar do Maranhão seguir sem nenhum caso suspeito, muito menos confirmado, o secretário Tiago Fernandes lembrou da importância de só consumir bebidas de origem conhecidas.

Mesmo sem nenhum caso confirmado no Maranhão, mantemos o alerta: evite consumir bebidas de origem desconhecida. Seguimos atentos e trabalhando com responsabilidade e transparência”, finalizou

INDICADOS POR DEPUTADOS E SENADORES DO CENTRÃO SAO EXONERADOS POR LULA

 

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decidiu reagir após sofrer uma dura derrota na Câmara Federal com a derrubada da medida provisória (MP) que substituiria o aumento do IOF.

Lula se sentiu traído e, faltando menos de um ano para as eleições, começou a exonerar indicados por deputados e senadores do Centrão, principalmente àqueles que não têm votado com o governo.

Numa primeira leva, os partidos mais alcançados foram: PP, PSD, MDB e União Brasil. Os principais órgãos federais onde já tivemos mudanças foram: Caixa Econômica Federal, Iphan, Codevasf e Dnit.

No Maranhão, dois deputados federais – Pedro Lucas (União) e Josivaldo JP (PSD) – foram atingidos com as mudanças. Pedro Lucas teve a irmã Lena Brandão, que deixou o comando da Superintendência do Iphan no Maranhão. Já Josivaldo teve Wellington Reis, que estava na superintendência de Agricultura e Pesca do Maranhão, exonerado. Os dois deputados votaram contra a MP do IOF. afinal a tendência é que as exonerações sigam, até para que Lula abra mais espaço para aliados.

MARCIO JERRY E RUBENS JUNIOR PEDEM INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL SOBRE GRAMPOS ILEGAIS

 

Os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB-MA) e Rubens Júnior (PT-MA) anunciaram, que, através da Câmara Federal, estão pedindo que a Polícia Federal investigue eventuais “grampos ilegais”.

Segundo Jerry, ele, Rubens Júnior e o secretário Executivo do Ministério dos Esportes, Diego Galdino, teriam sido alvos de gravações ilegais e que tais gravações circularam a partir de integrantes do Governo do Maranhão.

No entanto, Márcio Jerry não destacou o teor dos áudios e a sua veracidade, afinal deve ser algo extremamente grave e preocupante, pois do contrário os deputados não tomariam tal atitude. Além disso, o deputado não deixa claro como os áudios teriam sido obtidos, se foram através de grampos ilegais ou vazamento de uma conversa, em que a outra parte acabou gravando a ligação.

É aguardar e conferir, mas mais essa nova crise, na semana em que o governador Carlos Brandão deverá encontrar com presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para ainda se buscar uma unidade entre Dinistas e Brandonistas, deve ser decisiva para a continuidade do distanciamentos dos dois grupos.

METANOL PODE TER INTOXICADO MARANHENSES

 


A Secretaria de Saúde do Maranhão,  anunciou que está monitorando dois casos suspeitos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas.

Os pacientes estão recebendo atendimento médico na UPA do Parque Vitória e na UPA de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, enquanto aguardam análise clínica.

A SES não informou o nome e nem o estado de saúde dos dois pacientes, mas as unidades estão adotando as condutas e procedimentos seguem os protocolos do Ministério da Saúde, conforme orientações definidas em nota Técnica específica sobre o tema.

É aguardar e conferir, mas lembrando que os dois casos são suspeitos e não confirmados.

COM A PALAVRA - QUANDO O VESTIBULAR ERA PURA EMOÇÃO!- POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

... QUANDO O VESTIBULAR ERA PURA EMOÇÃO!

    A minha geração viveu uma etapa da vida na expectativa de chegar à universidade. E não era uma tarefa fácil. Ainda mais, no isolamento da Baixada.

    E a minha saga, como de muitos conterrâneos, começou nos corredores do Odorico Mendes. E, como todo escola, que se preze, esta primeira teve, também, o seu codinome. Ovo Mole. E, seguindo no Colégio Pinheirense, o Cu de Pinto, o primeiro ciclo se completou. Tempos bons, de firmes amizades e de livre liberdade.

   Só que a preocupação era extremamente séria. As famílias, conscientes da dura realidade, em que estávamos inseridos, e preocupadas com os nossos futuros, "tocavam-nos", assim como uma grande parcela dos jovens interioranos, "para um futuro melhor". Assim, tínhamos um único destino. Os cursos preparatórios aos vestibulares. Popularmente, os cursinhos. 

   E, como um rito sagrado, no início da década de 80, o nosso destino foi o José Maria do Amaral. Posso dizer que ali foi a nossa escola fora de casa. E, especialmente para mim, é de um espetacular e inenarrável significado. Fui aluno. E, logo, logo, tive o privilégio de ser professor. No cursinho e no colégio, recém fundado. Ali, vivi a família escolar José Maria do Amaral. Em uma equipe "de peso", com convivência respeitosa e fraterna. E, por essa convivência, sou eternamente grato.

   O importante é que isso me deu sustentação para seguir. E, de verdade, a minha passagem, em cada cursinho, foi me moldando como profissional e como pessoa: racional e amigo e consciente e pensante e respeitoso e  empático.

     Nessa toada, para valorizar a Ilha, estive "em vários tablados". Uns, por longo tempo; outros, como um meteoro. E, assim, com o apoio e o abraço dos irmãos docentes, sem o que nada teria acontecido, fui contribuindo, um pouco, com a formação de significativa parcela de nossos irmãos maranhenses, que, de longes saudades, vieram buscar conhecimentos.

     E "a minha viagem profissa", tal a de muitos companheiros, queridos e amigos, valeu a pena. Com passagens por Cipe, MENG, Seleção, Anglo, Curso Professor Newton, Dinâmico, Curso Professor José Luís, Einstein, Sírius, Exclusivo, Geo História, Gaus, Curso Extra,  Opção, Atual Vestibulares, Teorema, Curso Thales, Sigma, Paralelo, Objetivo ... entre outros.

    E, guardo e carrego, no fundo do peito, o inesquecível e querido GUESA.

     Tudo isso, quando o vestibular era pura emoção!


         Zé Carlos Gonçalves

POESIA - O FIM - POR ABEL CARVALHO

 

O FIM

Quanto tempo dura o último segundo

Em qual momento ele vem

O tempo é um segmento indecifrável

da vida

Incompreensível 

Não se mede com precisão 

Se cria espaço 

Via sem solução


A vida é rápida 

O tempo tépido

Assimétrico 

Mal dividido

Mal contado


Não se mede o tempo

Não se antecipa o fim

Tudo tem seu momento

Seu desenlace irremissível 


Querer morrer não é fraqueza

É ter vontade própria 

Quando muito seria heresia

Tirar do dono a franquia


O direito a escolha

Não se assemelha a razão

Quando perder a vida não é opção 


Lutar pela vida...


Não se sabe o dia ou a hora

Em algum momento se faz algo pela última vez


Não há causa perdida

Não se vive o fim

Não se vive o amanhã 

Se vive aqui

Se vive agora


Se processa ajustes

Se vive momentos

Se descobre como fazer


Não se é feliz  todo o tempo

Não se sofre o tempo todo

Não importa o que se perca

Quanto se perca

Quanto tão próximo esteja o fim 


Não se chama o dia

O dia vem sem que se queira

Mesmo se querendo o fim


Não se perde pedaços 

Eles se vão sem que se queira perder

Para nos deixar viver


Antes do fim

Até o dia

É fazer uso do tempo 

Viver todos os momentos

Aprender a aceitar 

Saber ser feliz

Chegar

Enfim 

Até o fim


Abel Carvalho

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

UNIDADE DE GRUPO POLITICO É DESCARTADA POR FELIPE CAMARÃO

 

Muito provavelmente, como anunciou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e o petista devem se reunir nesta semana para falar sobre a situação política no estado maranhense.

Lula ainda acredita na possibilidade de unir Dinistas e Brandonistas no mesmo palanque em 2026. Maior beneficiado com a unidade. Lula irá conversar com Brandão para tentar encontrar um caminho para a reconciliação dos dois grupos.

Nos bastidores, tem se comentando a possibilidade do governador desistir da ideia de concluir o mandato e disputar uma cadeira no Senado, mas isso só aconteceria se o vice-governador Felipe Camarão (PT) também renunciasse e fosse disputar uma vaga de deputado federal, fazendo com que se tentasse encontrar um novo nome, que agradasse os dois grupos, para disputar o Governo do Maranhão.

No entanto, se depender de Camarão essa possibilidade de renúncia não existe.  “Infelizmente, não vai ter acordo. A hipótese de eu renunciar é zero”, afirmou

FESTIVAL JOÃO DO VALE DE MÚSICA POPULAR- REVIVAL ACONTECERÁ 6DE DEZEMBRO EM PEDREIRAS

 

Festival João do Vale de Música Popular — Revival acontecerá 6 de dezembro em Pedreiras

“O gênio improvável”, como no musical que lhe prestou homenagem; “o poeta do povo”, como na capa de um elepê seu; “o maranhense do século XX”, na votação popular que merecidamente venceu. Não faltam epítetos para se referir a João Batista do Vale (1934-1996) — “pobre no Maranhão, ou é Ribamar ou é Batista; eu saí Batista”, dizia —, ou simplesmente João do Vale, autor de um sem-número de clássicos da música popular brasileira: “Carcará”, “Pisa na fulô”, “O canto da ema”, “Na asa do vento”, para citar apenas alguns.

A véspera do dia das crianças é sua data de nascimento e uma programação agitou sua Pedreiras natal, celebrando a efeméride com alvorada musical, exibição de documentário e shows musicais em diversos espaços da cidade.

Gravado por nomes como Maria Bethânia, Nara Leão (1942-1989), Marinês (1935-2007), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Tião Carvalho, Zeca Baleiro, Tom Zé (também nascido num 11 de outubro), Cássia Eller (1962-2001) e Irene Portela (1945-1999), entre muitos outros, o legado de João do Vale merece celebração permanente.


FAROFAFÁ antecipa: no próximo dia 6 de dezembro, aniversário de seu falecimento, Pedreiras sediará o Festival João do Vale de Música Popular — Revival. O line up ainda está em construção, mas é certeza a presença dos vencedores das três edições do festival, idealizado e produzido pelo cantor Wilson Zara, em São Luís, nos anos de 2000, 2001 e 2008: Fábio Abreu, Davi Faray, além do encontro de Lena Garcia, Heline Jully e Dicy, respectivamente.

As duas primeiras edições do festival foram realizadas no Zanzibar, espaço que acabou virando referência na cena cultural ludovicense da época, graças à curadoria de Wilson Zara, voz e violão residente; a última aconteceu no também finado Circo Cultural da Cidade, tendo este repórter integrado o júri do certame.

Artistas hoje reconhecidos no cenário da música popular brasileira produzida no Maranhão participaram das três edições do festival. O bacabalense Zé Lopes ficou em segundo lugar na primeira edição do evento, ocasião em que Bruno Batista ganhou o troféu de melhor letra; no ano seguinte ele ficaria em terceiro lugar com sua “Acontecesse”, gravada por ele em seu álbum de estreia e regravada no segundo, “Eu não sei sofrer em inglês”, com participação especial de Zeca Baleiro.

“Para muita gente, infelizmente, o Nordeste ainda é visto como sinônimo de atraso, então a ideia é uma celebração que equilibre o nordestino, e os anos 1960 e 70, quando João do Vale ficou muito conhecido, com a modernidade, simbolizando o diálogo entre a memória do passado e a vitalidade do presente. O festival é um ato de pertencimento e resistência cultural, uma experiência imersiva na cultura popular, com a presença de nomes da música que reverenciam o legado do mestre”, afirma o produtor Wilson Zara.

Em “Baião de viola” (parceria com Flora Matos), gravada por Marinês e depois por Tião Carvalho, João do Vale convida: “Eu gostaria que um dia/ vocês fossem visitar/ a cidade de Pedreiras/ Eu sei que iam gostar”. Em 6 de dezembro há um motivo mais que especial.

Por Zema Ribeiro