quinta-feira, 2 de julho de 2026

IRACEMA VALE VAI DISPUTAR VAGA PARA A CÂMARA FEDERAL

A presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale (MDB), confirmou que não buscará a reeleição, mas sim uma vaga para a Câmara Federal.

Iracema fez o anúncio nea tarde de ontem, quarta-feira (1º), na Tribuna da Assembleia Legislativa. A primeira presidente mulher da ALEMA destacou que precisa ampliar sua atuação política.

“Entendi que chegou o momento de ampliar o meu trabalho. Não para começar uma nova história, mas para continuar a minha mesma missão”, declarou Iracema.

A presidente da ALEMA foi aparteada por diversos colegas deputados, que fizeram questão de parabenizar Iracema pela decisão.

Iracema também reafirmou que a decisão não altera o seu posicionamento sobre as eleições majoritárias. A presidente da ALEMA segue no grupo político do governador Carlos Brandão (MDB) e apoiará a pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Maranhão

CRÔNICA - HERANÇA DO BRINCANTE... DO AVÔ AO NETO - ZEZINHO CASANOVA

Herança de Brincante...do Avô ao Neto


O chão do terreiro de terra batida de Viana não era apenas um espaço de ensaio para o velho Saturnino; era o livro onde ele escrevia a história de sua linhagem. À sombra de uma mangueira frondosa, que via o mesmo ritual se repetir há quase cinco décadas, ele segurava as mãos pequenas e trêmulas do neto, Mateus, de apenas sete anos. O menino olhava para o avô com a veneração de quem enxerga um deus vivo, alguém que, com um simples movimento do pulso, conseguia fazer o couro do pandeirão falar. Ali, o conhecimento não era transmitido por apostilas ou manuais, mas pelo contato direto, pela pele, pelo suor e pela cadência que, de tanto ser repetida, passava a morar no sangue.

Não se ensina o Bumba-meu-boi apenas com a técnica do passo. Saturnino sabia que, se Mateus aprendesse a girar, mas não entendesse a reverência, estaria apenas ensaiando uma dança vazia. A cada movimento, o avô corrigia a postura, não com rigidez, mas com a paciência de quem entende que o tempo da tradição é um tempo biológico.

Enquanto o menino tentava imitar o balanceio das matracas, o velho cantava versos antigos, toadas que sua própria voz já não alcançava com a clareza de antigamente, mas que carregavam em si o peso dos antepassados. Era como se, ao cantar, ele estivesse semeando a alma do folguedo diretamente na memória auditiva do neto.

Saturnino demorou alguns segundos olhando o menino. Quando Mateus conseguiu, pela primeira vez, bater o compasso do sotaque com a firmeza que a cadência exigia, um sorriso raro e profundo iluminou o rosto vincado do velho.

Para ele, aquele instante era a única imortalidade concreta que os homens simples poderiam almejar. Ele sabia que suas próprias mãos, um dia, não teriam mais a força necessária para segurar o pandeiro ou a agilidade para adornar o boi, mas a sua voz continuaria através de Mateus, e a sua vontade de ver o boi na arena continuaria cavalgando pelos arraiais do Maranhão.

Para o menino, o aprendizado era uma aventura sagrada. Ele percebia que o "vovô Saturnino" não era apenas o homem que lhe pedia para buscar água ou que contava histórias dos tempos em que o rio enchia e o campo virava mar; ele era a alma da festa, uma figura de respeito que transformava a rotina da comunidade em um espetáculo de dignidade.

À medida que os meses passavam e o ensaio ganhava corpo, Mateus começou a entender o que significava ser um "brincante". O orgulho que ele via nos olhos dos outros brincantes quando o avô era mencionado fazia-o compreender que eles pertenciam a uma dinastia que não ostentava ouro, mas carregava a riqueza imaterial da própria identidade.

Havia algo de belo e doloroso nessa entrega. Saturnino observava o neto vestir sua primeira miniatura de gibão, uma peça costurada com retalhos de mantos que o próprio boi já usara em anos anteriores e, naquele reflexo, viu sua juventude retornar.

- Nunca bata a matraca com raiva do mundo, Mateus. - Dizia ele, corrigindo o peso das mãos do menino. - Bata com a gratidão de quem está vivo e tem o direito de cantar a sua própria história.

Aquele era o ensinamento final, a semente que faria o neto caminhar pelos terreiros quando Saturnino já fosse apenas uma lembrança nas toadas de junho.

A ligação entre os dois era o alicerce que sustentava a guarnição. Nos dias em que o ensaio se estendia pela madrugada e o frio da baixada começava a morder a pele, o menino não desanimava, pois tinha o ombro do avô para se apoiar, o olhar que dizia “agora é a nossa vez”.

E, na arena, quando a multidão se abria e o boi desfilava triunfante sob o olhar atento dos santos juninos, Mateus entrava na roda acompanhando Saturnino passo a passo. O velho, curvado e lento; o menino, direito e ágil. Ali, naquele círculo perfeito onde o passado e o futuro se fundiam na cadência do tambor, estava a resposta para décadas de esforço.

Saturnino caminhava devagar. Mateus seguia ao lado. De fora da roda, já era difícil distinguir onde terminava um e começava o outro.


José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e Crônista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

POESIA - O QUE SOU? - JORGE PASSINHO


O QUE SOU


O que sou?

Ainda não sei

Às vezes sou poeta

Noutros professor 

Tem dias que sou atleta 

Tem outros que sou cantor.

Tem dias que  brilho

Tem noites que apago

Entre o equilíbrio 

E o estrago

Eu escrevo.


Jorge Passinho 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

ROBERTO COSTA ACIONA JUSTIÇA CONTRA EMPRESAS DE LOTEAMENTOS QUE NÃO CUMPREM OBRIGAÇÕES DE INFRAESTRUTURA

Prefeito Roberto Costa aciona Justiça contra empresas de loteamentos que não cumprem obrigações de infraestrutura

BACABAL – O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 1 de julho, para anunciar as medidas jurídicas e administrativas adotadas pelo município contra as empresas responsáveis pelos empreendimentos Green Park, Cidade Jardins e Ecoville. A ação marca uma postura de firme enfrentamento da gestão municipal diante do descumprimento de contratos de infraestrutura básica por parte de construtoras privadas. O problema vinha provocando protestos dos moradores, motivados pela precariedade de serviços que foram prometidos pelas empresas, como a pavimentação de ruas e o fornecimento regular de água potável.

A coletiva teve como objetivo central explicar à população a real situação jurídica desses residenciais junto ao município e detalhar as liminares já obtidas na Justiça que obrigam as empresas a cumprirem os cronogramas de obras sob pena de severas sanções.

Com o intuito de esclarecer as dúvidas dos moradores, o prefeito Roberto Costa detalhou a linha que separa as obrigações da prefeitura das obrigações das empresas privadas. Pela legislação vigente e pelos contratos de compra e venda firmados com os cidadãos, a instalação de redes de água, esgoto, escoamento de drenagem e a pavimentação asfáltica de qualidade são de responsabilidade integral e exclusiva das loteadoras.

O gestor ressaltou o sentimento de revolta das famílias que investiram suas economias e foram prejudicadas. "A população que termina sofrendo não tem culpa com isso porque ela também foi enganada nesse processo, né? E isso é natural que realmente parta uma reivindicação dela para que ela possa ter também o benefício", pontuou o prefeito. Embora muitos desses loteamentos sequer tenham sido formalmente entregues ou aceitos pela administração pública devido às irregularidades estruturais, o município decidiu intervir juridicamente para defender os direitos dos cidadãos.

Através de relatórios técnicos elaborados pela Secretaria de Obras e de análises documentais da Procuradoria-Geral do Município, a prefeitura acionou o Poder Judiciário. O juiz Dr. Raphael Amorim, expediu decisões liminares que estipulam prazos rígidos para as empresas Lastro e Raposo Construções.

O prefeito detalhou a situação da primeira etapa do Green Park, cuja suposta entrega feita em gestões passadas se resumia a um trâmite meramente burocrático, sem fiscalização real em campo. "A entrega que foi feita, que foi comprovada, foi uma folha de papel. O setor técnico nosso, inclusive da engenharia, foi fazer toda essa fiscalização, todo esse levantamento, e comprovou-se que o que era oferecido dentro desse contrato com os moradores não foi cumprido", denunciou Roberto Costa. Com a decisão judicial, a loteadora tem 15 dias para iniciar de forma emergencial a recuperação das ruas e 30 dias para elaborar o projeto completo de drenagem.

Outro ponto crítico destacado pelo prefeito foi a interrupção da comercialização da Etapa 4 do Green Park, uma medida preventiva para proteger futuros compradores, já que o novo setor sequer possuía autorização na Secretaria de Obras. "É necessário que eles apresentem também todo um planejamento, um projeto estruturante, não apenas da parte dos lotes, mas também da estrutura dessa localidade, porque futuramente as pessoas vão construir suas casas e poderá ocorrer a mesma situação que tem ocorrido hoje", explicou o gestor.

A prefeitura também acompanha de perto a situação do loteamento Ecoville, cujos moradores enfrentaram uma severa crise de desabastecimento de água que já dura quase uma semana devido a uma pane no poço gerenciado pela própria empresa. A crise motivou um forte protesto por parte dos moradores, que atearam fogo em pneus na entrada do loteamento, localizado às margens da rodovia BR-316. Roberto Costa enfatizou que as demandas chegaram diretamente ao seu conhecimento e que, independentemente de entraves jurídicos de responsabilidade, o lado humano do poder público deve prevalecer.

"Independente, mesmo essa situação não sendo uma responsabilidade direta da prefeitura, mas quando existe, e eu digo isso, quando existe o sofrimento de qualquer parte da nossa população, mesmo não sendo a responsabilidade de uma área nossa, nós faremos as nossas intervenções para ajudar a população", garantiu o prefeito, justificando o envio imediato de caminhões-pipa para abastecer as residências do local.

Ao analisar as raízes do problema, o prefeito assumiu que a proliferação de loteamentos sem a estrutura adequada decorre de uma ausência histórica do poder público na fiscalização urbana ao longo de sucessivas gestões passadas, o que acabou gerando problemas estruturais graves por todo o município.

A atual gestão garantiu uma mudança de postura drástica, intensificando os embargos administrativos e as notificações de obras irregulares. O município informou que já barrou o recebimento de três novos loteamentos que tentaram ser repassados à prefeitura pavimentados apenas com piçarra. "Nós não queremos atrapalhar o empreendimento de absolutamente de ninguém, mas nós não podemos admitir é que empreendimentos que iniciam, eles possam ser feitos da forma que vinha sendo feito, porque terminava lesando a nossa população. E isso nós não vamos permitir", concluiu o prefeito, assegurando que o rigor técnico e jurídico será mantido para garantir que Bacabal cresça de forma ordenada e justa.

MAIS UMA PESQUISA QUE NAO DEVERÁ SER DIVULGADA NO MARANHÃO

 

O Instituto Real Big Data registrou um novo levantamento eleitoral no Maranhão (MA-07362/2026). A pesquisa que deveria ser divulgada no dia 06 de julho, vai ouvir 1.600 eleitores nos dias 03 e 04 de julho.

O levantamento poderia ser o primeiro depois da mudança de rota do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), que desistiu de disputar o Governo do Maranhão e pretende disputar uma vaga ao Senado.

No entanto, o Real Big Data, assim como fez o INOP, não incluiu o nome do professor Saulo Arcangeli, pré-candidato do PSTU ao Governo do Maranhão.

O PSTU recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão e evitou a divulgação da pesquisa do INOP, contratada pelo Jornal Pequeno. A decisão foi do desembargador Sebastião Joaquim Lima Bonfim.

Com a não inclusão do nome do pré-candidato do PSTU na pesquisa Real Big Data, a tendência é que o levantamento também não seja divulgado, já que o partido vai ingressar novamente com uma ação no TRE-MA. Vale lembrar que o PSTU lançou o nome de Saulo Arcangeli em 08 de maio, mas inexplicavelmente seu nome não tem aparecido nas pesquisas., afinal , o TRE-MA não deverá ter dois pesos e duas medidas

SENADOR ROMARIO DEVOLVERÁ SALARIO RELATIVO AO PERIODO DA COPA DO MUNDO

O tetracampeão mundial e atual senador pelo Rio de Janeiro, Romário (PL), que vai atuando como comentarista esportivo na CazéTV durante a Copa do Mundo de 2026, após inúmeras críticas, prometeu devolver o salário de senador relativo ao período que esteve longe do Senado Federal.

O principal problema foi que Romário optou por não se licenciar e o Senado não está de recesso. Houve a promessa de participar das sessões legislativas remotamente, o que também não aconteceu com a frequência esperada.

Durante sessão no Senado, de ontem, terça-feira (30), Romário participou remotamente e anunciou que devolverá o salário. Além disso, o ex-jogador justificou não ter pedido licença para não deixar de votar no fim da escala 6×1.

Por esse compromisso que assumi de votar favoravelmente essa matéria é que eu decidi não tirar licença do Senado nesse período que estou acompanhando a Copa do Mundo. No entanto, não receberei salário desde o primeiro dia da Copa e o que for pago será devolvido aos cofres públicos. Que isso fique bem claro, como já havia dito por ofício encaminhado à Presidência do Senado”, destacou Romário.

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MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL E MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DISCUTEM COOPERAÇÃO INSTITUCIONAL PARA AS ELEIÇÕES



O procurador-geral de justiça, Danilo de Castro, recebeu na tarde de ontem, terça-feira, 30, em seu gabinete, a visita do procurador regional eleitoral no Maranhão, Tiago de Sousa Carneiro, acompanhado do promotor de justiça eleitoral auxiliar Pablo Bogéa Pereira Santos.

Na pauta do encontro, foi discutido o fortalecimento da cooperação institucional entre o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público Estadual para o acompanhamento e fiscalização das eleições em 2026.

O procurador-geral de justiça assegurou que o MPMA está à disposição do MP Eleitoral “para uma atuação conjunta em favor da sociedade”.

Participaram da reunião o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Haroldo Paiva de Brito, a diretora da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), Rita de Cassia Maia Baptista.

Também estiveram presentes os promotores de justiça Jerusa Capistrano (coordenadora de Assuntos Estratégicos e Inteligência), Gabriela Tavernard e Sandro Carvalho Lobato

OPINIÃO - A REVOLTA DOS ARTISTAS NORDESTINOS -LUIZ CARLOS DE BARROS FIGUEIRÊDO

O Brasil já viveu “Mascates” (Recife, 1710/11); ”Malês” (Salvador,1835); “Chibata” (Rio de janeiro (1910), revoltas surgidas no limite máximo da opressão, levando os oprimidos a resistirem a qualquer preço na busca de reverter a situação.

Neste ano de 2026, o São João nordestino vai ficar marcado na história não só pela excepcional qualidade e pela presença massiva de turistas, mas, principalmente, porque alguns dos seus grandes artistas assumiram a denúncia de fatos que, de uma certa forma, eram públicos e notórios, mas faltava quem atirasse a primeira pedra, quem denunciasse para que ficasse às escâncaras um problema de tanta gravidade.

Com efeito, os cachês pagos aos artistas locais, mesmo aqueles mais famosos e conhecidos, têm uma diferença abissal em relação a nomes que nada têm a ver com a cultura popular nordestina, que não sabem qual é a diferença de um forró, de um xote, de um baião, de um simples arrasta-pé. Nada disso sabem, mas vêm aqui, ganham milhões e vão embora.

Pior ainda: muito mais até do que esses artistas, recebem os intermediários: empresas que captam recursos públicos e conseguem destinar diretamente para esses artistas, ou através de empresas promotoras de eventos. Estas, por sua vez, nos locais públicos, principalmente nos dois maiores desses eventos — Caruaru e de Campina Grande, onde ambos alardeiam ser o maior São João do mundo — têm área VIP, área separada para autoridades, camarotes, e o povão lá atrás. Fora do palco os grandes nomes da música regional, reconhecidos nacional e internacionalmente.

Esses camarotes e área VIP ou são cobrados a preços muito altos, ou são cedidos exatamente a grandes autoridades, empresários que podem pagar perfeitamente por esse divertimento, por esse lazer, mas que podem também facilitar o acesso a esse dinheiro público. Nunca se ouviu falar em que cantores nordestinos tenham sido chamados para grandes eventos ocorridos no centro-sul do país, principalmente no Sudeste, como a Vaquejada de Barretos. Enquanto isso, os artistas de lá vêm para cá, os ditos sertanejos, e recebem todo esse dinheiro.

O que sobra para os artistas famosos nordestinos é quase nada. Diria eu, com ousadia, que para aqueles pequenos que estão começando, ou para os músicos, deve ficar abaixo de nada, até porque passam seis meses, oito, dez meses para receber pelo serviço prestado, enquanto que os de fora recebem antecipado.

É perfeitamente lícito, num regime capitalista, que com dinheiro privado se promovam eventos fechados, que cobrem o preço que quiserem, porque vai lá quem quer e pode pagar. E não há problema nisso. Agora, com o dinheiro público, parece que isso não pode perdurar.

Foi essa a denúncia, em larga escala, começada com Flávio José, a voz do forró nordestino, que se recusou a a cantar na Bahia enquanto essas regras estiverem postas. O poeta do forró, Petrúcio Amorim, fez agora em Caruaru uma denúncia em que ele seria tirado dos palcos principais e jogado para a zona rural, apesar de ser natural de Caruaru. Maciel Melo, Santana, Flávio Leandro, Aldemário, Del feliz seguem na mesma toada (sem trocadilho).

Mas até Roberto Carlos, de quem sou um enorme fã, é chamado para cantar na festa de Caruaru. E eu acharia lindo se ele fizesse um disco só com forró ou com músicas nordestinas, mas não é o caso. Então, é preciso dar um basta nisso. Essa denúncia precisa ser encampada por todos para alterar esse quadro.

Então entra a questão: o que fazer? Eu acho que a primeira regra seria buscar uma coalizão pacífica, independente de orientação político-partidária, entre governadores e prefeitos, pelo menos dessas grandes cidades, para que nos respectivos estados e municípios fosse formulada uma lei cuja espinha dorsal fosse única, dizendo que é vedada a liberação de recursos públicos para pagamento de cantores, músicos, artistas em geral, instalação de palco, divulgação, etc., que não for destinado exclusivamente a favor de cantores e de artistas da região Nordeste, com licitação e inscrição prévia pelos interessados, bem como dos valores máximos a serem pagos por diversas categorias.

Os demais podem até se apresentar nos locais públicos, desde que inteiramente patrocinados pelo dinheiro privado. No dia em que isso existir e que as regras ficarem bem claras (e é preciso ter muito cuidado para evitar que a redação traga alguma inconstitucionalidade), que se garanta isonomia, que seja assegurada a possibilidade de se fazer convênios com estados de outras regiões que deem o mesmo tratamento e efetivamente contratem os nossos artistas para lá se apresentarem, os deles devem ter o mesmo tipo de tratamento aqui. O que não está acontecendo. No momento, se tira dos paupérrimos estados nordestinos para pagar aos que já estão bem abastados. Enquanto isso, aqui, os mesmos empresários e os mesmos políticos é que se beneficiam.

Então, a partir do momento em que essa regra for montada e acrescentada, por exemplo, de que mesmo de transferências federais não pode haver esse repasse se não mantiver essa regra básica — essa é a ideia geral para ser burilada — e, evidentemente, em um outro momento, também partir para que a nível nacional seja editada uma lei em que os artistas das regiões Sul deem prioridade aos sulinos, sudeste aos sudestinos, Centro-Oeste aos centro-oestinos e assim por diante.

A ideia de generalizar, chamando a todos nós de 'nordestinos' foi criada para ofender e humilhar o povo trabalhador do Nordeste; no entanto, foi ela que serviu de amálgama para nos unir e acabarmos com nossas diferenças e hoje somos uma só nação. A luta está apenas começando. Mas toda caminhada começa no primeiro passo, como diria o genial Acioly Neto. Avante!


Luiz Carlos de Barros Figueiredo 

Desembargador do TJPE.




POESIA - SERTÃO EM CARNE E OSSO - ZÉ DA LUZ

 


SERTÃO EM CARNE E OSSO


No romper das alvorada,

Quando alegre a passarada

Se desmancha em cantoria,

Anunciando ao sertão

A sua ressurreição

No despontar de outro dia!


Nos galho das baraúna

Os magote de graúna

Quando o seu canto desata,

Parece uns vigário véio

Cantando o santo evangéio

Na igreja verde da mata!


Canta nas tarde morena

Quando o sol vai descambando,

Se despedindo da terra,

Beijando a crista da serra,

Deixando o céu tão bonito,

Que o sol redondo e vermêio

Parece, mal comparando,

Um grande chapéu de couro

Na cabeça do infinito!


Zé da Luz