quarta-feira, 1 de julho de 2026

POESIA - SERTÃO EM CARNE E OSSO - ZÉ DA LUZ

 


SERTÃO EM CARNE E OSSO


No romper das alvorada,

Quando alegre a passarada

Se desmancha em cantoria,

Anunciando ao sertão

A sua ressurreição

No despontar de outro dia!


Nos galho das baraúna

Os magote de graúna

Quando o seu canto desata,

Parece uns vigário véio

Cantando o santo evangéio

Na igreja verde da mata!


Canta nas tarde morena

Quando o sol vai descambando,

Se despedindo da terra,

Beijando a crista da serra,

Deixando o céu tão bonito,

Que o sol redondo e vermêio

Parece, mal comparando,

Um grande chapéu de couro

Na cabeça do infinito!


Zé da Luz

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