Por que me tornei estoico
Sou católico apostólico romano, temente a Deus e profundamente grato pela fé que recebi. Minha aproximação com o estoicismo jamais representou um afastamento do cristianismo. Pelo contrário: encontrei nessa filosofia uma ferramenta valiosa para viver de forma mais coerente os valores que minha fé sempre me ensinou.
Tornei-me estoico porque encontrei no estoicismo não uma religião, mas uma filosofia de vida sólida, prática e atemporal, capaz de atravessar mais de dois milênios sem perder sua atualidade.
Identifico-me com uma escola de pensamento que nasceu cerca de 300 anos antes de Cristo e que foi construída por homens que enfrentaram grandes provações, perdas e desafios, transformando sofrimento em sabedoria e adversidade em crescimento.
Procuro cultivar virtudes que considero essenciais: equilíbrio emocional, coragem diante das dificuldades, senso de justiça, temperança e busca constante pela sabedoria. São virtudes valorizadas tanto pelos estoicos quanto pelos ensinamentos cristãos.
O estoicismo me ensina a distinguir aquilo que depende de mim daquilo que não depende. O cristianismo me ensina a confiar em Deus naquilo que foge ao meu controle. Vejo nessas duas visões não uma contradição, mas uma bela complementaridade.
Enquanto o estoicismo me convida a agir com razão, disciplina e responsabilidade, minha fé católica me recorda que a razão humana encontra sua plenitude quando iluminada pelo amor, pela esperança e pela graça divina.
Também me atrai o fato de o estoicismo não possuir sacerdotes, templos, cultos ou rituais obrigatórios. Não exige a crença em um Deus específico nem promete salvação após a morte. Essa missão pertence à minha fé católica, que abraço com convicção e gratidão.
Por isso, não vejo o estoicismo como uma religião concorrente ao cristianismo, mas como uma disciplina de vida que me ajuda a praticar valores que considero fundamentais: fé, autocontrole, humildade, gratidão, perseverança, responsabilidade e aceitação serena das coisas que não posso mudar.
Quando os estoicos falam em serenidade diante das dificuldades, lembro-me das palavras de Cristo acalmando a tempestade. Quando falam em suportar as provações com dignidade, lembro-me do exemplo dos santos. Quando falam em aceitar aquilo que não podemos mudar, lembro-me da oração: “Seja feita a Vossa vontade.”
Não sou um estoico perfeito, nem um cristão perfeito. Sou apenas um homem que procura, todos os dias, viver melhor, servir melhor, amar melhor e confiar mais em Deus.
Por isso me tornei estoico sem deixar de ser católico. Continuo seguindo a Cristo como meu Salvador e encontrando no estoicismo uma escola de disciplina, serenidade e virtude para a caminhada da vida.
Otávio Pinho Filho é médico, empresário, cantor, compositor, escritor, poeta, Membro da Academia Bacabalense de Letras


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