HISTORIETA DE MEU AGRADO XIX
(Ivo viu a uva!)
"Por esses dias", ao assistir a um programa televisivo, vi e ouvi uma PÓS-DOC, em educação, ao ser inquirida sobre os desafios dos primeiros passos no ambiente escolar, "soltar" que a exitosa alfabetização há de vir obrigatoriamente ilustrada, para atiçar a curiosidade e fixar o conhecimento das nossas crianças.
E, diante desse esclarecer, só nos resta perceber que a facilidade de aprendizagem se impõe nas modernas práticas pedagógicas, recheada de recursos tecnológicos; o que dá um nó no cerebelo. Afinal, por que há alunos e alunos chegando às séries finais, do ciclo básico, sem saber ler e escrever?! E, se pode "embolar o meio campo", embola mais, pois o mesmo acontece com as quatro operações matemáticas. E a embolada só aumenta com "a famigerada aprovação automática", que fala mais alto; e não nos deixa algo a dizer.
A verdade é que quanta sorte eu e meus amigos de infância tivemos. Fomos alfabetizados aprendendo sem referências alegóricas, sendo martelada a cantilena "a, e /é/, i, o /ó/, u". Puro e simples. Sem firulas. Apenas com alguns bons incentivos. Alguns beliscões e "algumas reguadas", para "acordarmos" e esquecermos "a mufina, o discaso, a turra"; a fim de nos concentrar na sagrada concentração.
Hoje, toda criança, no mínimo, sabe que A é de Amor, B é de Bola, C é de Casa, muito bem ilustrado e muito bem musicado (...) e outras coisitas mais.
No meu tempo e dos "meus companheiros de arte", A era A, e pronto. Só piorava, quando se chegava "à família de letra". Afinal, não eram fáceis algumas delas, "como a do F", por exemplo; e, principalmente, a "família do V". E, aí, só muita persistência e a força da palmatória, "pra se colocar em nossa cachola a frase mãe", que deveria nos facilitar a vida; mas que geralmente não acontecia. Principalmente, quando nos apresentavam "a pérola" IVO VIU A UVA. Aí, "a porca trucia o rabo!" Não tínhamos amigo algum chamado IVO. A forma verbal VIU era demasiadamente intrusa no meio da sentença. E UVA era fora de nosso alcance, quando vivíamos, literalmente, lambuzados com banana, manga, mamão, jenipapo, bacurizinho ... café com farinha, pirão, "discaída", angu com isca ...
E, mesmo assim, ainda tivemos sorte, pois, há algum tempo, conversando com um amigo sulista, ele me disse que seria uma tragédia se a mãe geratriz de nossa alfabetização fosse IVO VIU A VULVA DA VOVÓ!
Sem comentários. Caluda! Afinal, se, ao menos, ousássemos pensar em um despautério desse, com toda certeza, as nossas mãos virariam "um ardido bolo" e os nossos dentes, recém nascidos, faleceriam antes de se tornarem "dentes de leite".
E, urubu levou a chave!!!
Zé Carlos Gonçalves