sexta-feira, 17 de abril de 2026

BACABAL E EU - ZÉ LOPES

 


BACABAL E EU

Sou o filho primogênito dessa babugem

Me alimentei dos restos, das sobras de todo dia

Ruminei o dissabor com a tristeza e a agonia

De quem engole a seco a insípida ferrugem.


Por quem os sinos dobram, por quem as feras rugem?

Talvez pela cidade que atormentada ouvia

O grito dos seus filhos, queimando em febre fria

No coma sobre a cama, na aspereza da penugem.


O dom, a dor, o dolor, consistência da mistura

Que seca, molda a aura, imperfeita escultura

Leitura enviesada, consequência do que fiz.


Diáspora, papiro, de tão frágil estrutura.

A lápide esculpe essa estranha criatura

Um eu, o eu enfermo que  esqueceu de ser feliz.


Zé Lopes

Parabéns Bacabal pelos teus 106 anos.


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