BACABAL E EU
Sou o filho primogênito dessa babugem
Me alimentei dos restos, das sobras de todo dia
Ruminei o dissabor com a tristeza e a agonia
De quem engole a seco a insípida ferrugem.
Por quem os sinos dobram, por quem as feras rugem?
Talvez pela cidade que atormentada ouvia
O grito dos seus filhos, queimando em febre fria
No coma sobre a cama, na aspereza da penugem.
O dom, a dor, o dolor, consistência da mistura
Que seca, molda a aura, imperfeita escultura
Leitura enviesada, consequência do que fiz.
Diáspora, papiro, de tão frágil estrutura.
A lápide esculpe essa estranha criatura
Um eu, o eu enfermo que esqueceu de ser feliz.
Zé Lopes
Parabéns Bacabal pelos teus 106 anos.



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