segunda-feira, 6 de julho de 2026

COLUNA DO ZÉ LOPES - GUIDO DO MARANHÃO

 

Ele nasceu em Bacabal, foi registrado e batizado com o nome de Esmaragdo Silva Sobrinho, que usava apenas para assinar documentos e no decorrer dos anos, ganhou vários cognomes até se fixar como Guido do Maranhão.

Filho do saudoso médico Dr. Antônio (ex-prefeito de Bacabal) e da saudosa  senhora Maria das Mercês, Guido sempre carregou inclinações para a arte e teve a música, sempre, como primeiro plano. Amante da música baiana dos renomados Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Betânia e dos paraenses Ruy Barata, Fafá de Belém, Eloy Iglésias, dentre outros da fina música popular, Guido acabou por aprender a afinar mais o seu ouvido musical.

Extrovertido, inovador, inteligente, amigo, ele sempre soube o que quis e determinado, buscou na capital paraense, o seu curso superior e o refinado gosto pela pesquisa cultural.

De volta a sua terra, Bacabal, Guido dentro das suas aspirações, trabalhou como programador na Rádio Mirante na equipe formada por Hidalguinho, Paulo Campos, Zé Lopes, Abel Carvalho, Maira Nogueira, Evandro, Jomar, Sergio Fernandes, Cláudinha Castro, Darlan Caldas, Sílvio, Carmem Lopes, Natinho Mix, Finey Hendrix, dentre outros.

Amante das produções musicais maranhenses e de musicalidade sempre germinante,  ele procurou aprender mais e mais, e com o cheiro de patichuli e o sabor da castanha do Pará, a sua imaginação ganhou forma e foi amadurecendo a idéia até que por fim, montou o seu próprio espetáculo de música, dança e teatro que foi apresentado com muito sucesso em sua própria casa de eventos, o extinto bar e restaurante Dom Guido. 

Amante de souvenires e de antiguidades, ele deixa coleções memoráveis de rádios, vinis, instrumentos musicais, fitas k7, louças, pratarias e um monte de outras raridades que, de vez em quando, ele expunha para os freqüentadores da sua casa, e por várias vezes montou brechós no Dom Guido, para que pessoas levassem para casa, peças de valores incalculáveis.

Antropólogo autodidata, esse cara era um poço de conhecimentos, e deixa um acervo musical invejável, um acervo histórico-visual impressionante, era aluno prodígio do tempo em artes, aprendiz contumaz da vida e exímio professor do conhecimento que absorveu.

Guido era bastante viajado,  deixa no seu currículo um sem número de cidades conhecidas, de tribos, de aldeias, de capitais e até desbravou rios e matas em busca de novos conhecimentos.

Cantor, ele já se apresentou em vários palcos pela cidade, estado e estados, já fez shows com músicas genuinamente maranhenses, fez shows com o fino da MPB, fez shows com músicas indígenas e deixa em projeto,  um show com os melhores sambas brasileiros que falam no Maranhão.

Em sua discografia, consta uma gravação no DVD do bar Cebola Cortada, e também a gravação da toada “Promessa para Santa Terezinha”de autoria de Zé Lopes, no CD “Desanonimato”, uma produção do multifacetado Cláudio Cavalcante.

Guido Maranhão, era  como ele mesmo dizia, um pacote completo, uma mistura rimada de cultura com loucura. É  a pura pulsação da arte.

Hoje ele nos deixa e parte para a eternidade, mas será sempre lembrado por tudo aquilo que fez pela nossa cultura. 

Va na paz  e leve a sua alegria para os palcos do céu. Uma plateia de anjos lhe espera.

Saudades, amigo.

https://youtu.be/ejbOBrmAVgE?is=GKJT-yzGWUnQgqlI

Pesquisa e texto  - Zé Lopes

Um comentário:

  1. Meu caro Zé Lopes, quando eu leio as homenagens que você faz, merecidamente, me vem uma pergunta que sempre me fica sem resposta: " Quando você viajar para a eternidade, quem escreverá essas bela e merecidas homenagens a um amigo que se vai?" Tomara que Deus te conserve meu amigo. Pêsames a família do Guido do Maranhão.

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