Bom diaaaaa
Café com panqueca quente é Deus alimentando a gente.
Sabado foi o dia mais quente do ano em São Luís e foi um dia muito feliz.
Vou resumir.
Um abafado, quente pra diabo, que não deixava nem o vento do ventilador ventilar. Acordei suado e eufórico, sem motivo. Fiz minha caminhada e meu café, banhei, corrigi provas e trabalhos e fui escrever as últimas páginas do meu livro. Conversei com Elisa Lago pra ela fazer o prefácio, ela aceitou. Um presentão. Fechei o arquivo, mandei pra ela e conversei com Nilson da gráfica e pensei: hoje eu mereço uma piscina.
Liguei pro ciclano- caixa postal.
Liguei pra fulana- "tô num aniversário, amigo".
Liguei pro Beltrano - "meu primo do interior tá aqui com 3 meninos, melhor não".
Nenhuma deu certo. Não conseguia nem pensar, o pensamento derretia antes, ufa, que calor!!
Aí me deu aquele estalo: Aracagy.
Peguei a chave, óculos escuro, chapéu do Vasco e fui. Quando cheguei, o mar estava daquele jeito que só o Aracagy fica - azul clarinho na beira, quase quente, e uma brisa que finalmente me deixava respirar aliviado.
E foi lá que eu vi ela, não era só "ela", era uma "super ela"
Uma senhora linda, linda, linda, de uns 40 e poucos (desculpem a indelicadeza), aquele tipo de mulher que você vê e se derrete todo, o pensamento já estava derretido, fiz logo a leitura dela: é do lar, prendada, bem cuidada, com um sorriso calmo de quem tem a vida resolvida. Bem casada, dava pra ver pela aliança, pelo jeito seguro de sentar sozinha na beira do mar, como se a praia fosse toda dela.
Ela estava sozinha, lendo na cadeira, com o pé na água.
Puxei assunto por causa do livro dela, Poesia completa de Manoel de Barros. É um dos meus favoritos. Arrisquei" -sou uma virtude conjugal, adivinha qual?" Antes que eu continuasse, ela respondeu"-um jambo, um jardim outonal?", eu engoli a seco, mas muito feliz de encontrar alguém que soubesse esse poema e declamamos todo o poema. Nasceu alguma coisa grande. E a gente começou a conversar. E a conversa foi ficando boa. Daquelas que não tem pressa.
Não posso falar mais nada.
Foram horas. O sol desceu, a maré subiu, os barraqueiros começaram a guardar as cadeiras e a gente ali, como se a praia fosse só nossa. Como um capítulo de novela das nove, sabe? Daqueles que termina com a música alta e a câmera subindo. Entramos no mar...
Voltei pra casa queimado de sol, com gosto de sal e dela na boca, fiquei leve como uma pena que baila aleatoriamente ao vento.
O dia mais quente de São Luís acabou sendo o mais fresco da minha vida.
Fui assistir o jogo do Vasco e nem vou falar o placar, acho que o time jogou para mim, não espalhem.
Saúde, sabedoria e equilíbrio para todos nós.
Força, grana, poesia e fé sempre.
Jorge Passinho


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