quinta-feira, 14 de agosto de 2025

COM A PALAVRA - AS ENCHENTES E AS CASAS SUSPENSAS POR JIRAUS - POR GILMAR PEREIRA

Olhares de um maranhense: “As enchentes e as casas suspensas por Jiraus”

A rotina do lugarejo Bom Que Dói só foi quebrada com as primeiras chuvas de janeiro, que encheram o lago e inundaram completamente o povoado. No inicio, as pessoas permaneciam em casa, na esperança de que parasse de chover. Logo chegaram à conclusão de que não haveria estiagem e era impossível permanecer nessa situação, pois os mantimentos estavam escasseando. Foram obrigados a executar tarefas para não ficarem a mercê do aguaceiro torrencial que caía diariamente. As canoas utilizadas na pesca passaram ser um meio de transporte. Muitos animais domésticos morreram afogados e eram arrastados pelas correntezas. As casas completamente inundadas tiveram que ser adaptadas, com a construção de jiraus suspensos de madeira. Os homens trabalhavam em mutirão, transportando madeira nas canoas. Em poucos dias o lugar tomou forma. Entretanto, aconteceu um fato que trouxe preocupação aos pais das crianças de Bom Que Dói, é que elas passavam o dia inteiro nadando com peixes, numa prática arriscada de vida. Quando, altas horas da noite, os pais davam ausência dos filhos, iam procurá-los e os encontravam dormindo debaixo d’água, em completo estágio de felicidade, como se tudo fosse normal. Os meninos já tinham escamas e barbatanas como os peixes, e as meninas desenvolveram caudas como as sereias, e cantavam lamentos de amor ao anoitecer.

(Gilmar Pereira dos Santos In: “Nas Terras de Bom Que Dói”)

POESIA - ESTROFE - P0R RENATO DIONÍSIO

 


ESTROFE


Linha por linha terceirei a seda destes versos

Se é que vivi o meu justo bocado deste amor

Não deixe o destino que se perca este desejo

Ou terei que afastar de mim o amargo cálice da dor.

Sei que é pedir muito, não me deixar ao desalento

Posto que meu desejo em teu seio se anima

Se for para sofrer por ter de ti só adestramento

Basta o tempo eliminar do meu poema esta rima.


*Renato Dionísio

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

COM A PALAVRA - DO FUNDO DO BAÚ II - POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 


... DO FUNDO DO BAÚ II

            (funesta ironia)


    A todo instante, a violência se faz presente. Vem assustando, com a "despaciência", que nos assalta e nos brutaliza.

   Tal comportamento virou regra. E nos massacra, "por todos os lados". Nas filas, no trânsito, nas recepções, nas relações familiares ... Tudo isso aliado a uma pressa "fandanga".

    Verdadeiramente, se perdeu a noção de cortesia, de respeito, de boa vizinhança, de amizade, de simplicidade, de honradez. Até de ser companheiro. De ser simpático. De ser empático. "De ser anti antipático!"

     E, o pior, o diálogo, temeroso, escafedeu-se e tudo passou a ser resolvido "na bala". E, "o mais pior", só tende a piorar, ante à deseducação, que se instala, célere e irreversível, em nosso meio, que vê, impassível e mudo, o desmoronamento da família, perdida em sua pressa, em seus propósitos, em sua inoperância, em sua ignorância. Valei-nos, Santo Inácio de Loiola!

    Já não se enxerga o próximo. Nem o mais próximo, que é o nosso familiar. O próximo está, cada vez, mais distante, a se aniquilar, na desimportância. E, assim, vamos perdendo, e nos perdendo.

    A saída, desse maremoto de má-criação, vai se fechando. Sem farol, a nos orientar. Só restam saudades de quando "achávamos" que éramos "broncos".

    Hoje, só resta a saudade de quando se podia "si imbucetá" e mandar tudo, e todos, "pra cáxa prego,  pra 'fruta' qui pariu, pros cafundó du juda, pro raio qui u parta, pra casa do chapéu, pra cochichina". Ou, quando a ira  se aquietava, se podia "mandar" o indivíduo "procurá u qui fazê ou catá coquinho ou pintiá macaco". E a intolerância não ultrapassava a linha da vida.

    Eita, época boa! Época, em que não se morria. Se ia "pra terra do pé junto, ou se virava fantasma, ou se abotoava o palitó, ou se ganhava um palitó de madeira, ou se fazia a viági, ou se isticava ais canela".

    Convivíamos bem com nossos irmãos; ainda que com a mais funesta ironia!


        Zé Carlos Gonçalves

POESIA - UM SONETO PARA TEREZA - FLAVIO XAVIER

 

UM SONETO PARA TEREZA


Traduz felicidade, meiguice, encanto e beleza.

Ela é a um só tempo furacão, ternura e leveza.

Aparente fragilidade em majestosa fortaleza.

Nome imponente e forte este: Maria Tereza!


Em cada palavra e cada gesto, nobreza.

Arrasta a mim, pobre incauta e aturdida presa,

Em aluviões nessa irresistível correnteza,

Deixando-me desarmado, sem defesa.


Meus pueris sonhos me roubam do sentido a clareza,

Meu coração deixa-se levar por esse turbilhão, bordeja;

Arrebatado e frágil; débil e hipnotizado, sem ardileza.


Do imaginário néctar que o seu beijo enseja

Da sua boca benfazeja roubo-os com afoiteza

E sorvo aos borbotões como minha alma deseja.


Flávio Xavier


terça-feira, 12 de agosto de 2025

FACÇÕES CRIMINOSAS NO BRASIL

 

No último fim de semana, o Jornal O Globo fez um levantamento sobre a quantidade de facções criminosas existentes no Brasil.

De acordo com o levantamento, feito baseado em dados das secretarias de Segurança Pública, Administração Penitenciária e Ministérios Públicos de todos os estados, o Brasil teria atualmente 64 facções espalhadas pelas 27 unidades da federação.

Dessas 64 facções, doze teriam presença em mais de um estado, enquanto que as outras 52 são, até onde se sabe, organizações locais. Há duas delas, contudo, com presença efetivamente nacional. O PCC está em 25 unidades da federação, enquanto o Comando Vermelho (CV) se encontram em 26. Os grupos só não estão, ainda, no Rio Grande do Sul. O crime gaúcho gerou suas próprias facções interestaduais: Bala na Cara (BNC) e Os Manos.

Entre os estados, Bahia (17), Pernambuco (12) e Mato Grosso do Sul (10) são os que mais concentram grupos criminosos.

Infelizmente, ao que parece, uma guerra praticamente perdida

SEBASTIAO MADEIRA FALA SOBRE ROMPIMENTO DO GRUPO POLITICO

 

O secretário da Casa Civil do Governo do Maranhão e presidente do PSDB no estado, Sebastião Madeira, foi entrevistado ontem,  segunda-feira (11), no Programa Abrindo o Verbo da Mirante News FM (104,1), pelos jornalistas Rodrigo Bonfim e Wallace Brito.

Madeira comentou sobre diversos assuntos, inclusive sobre o rompimento do grupo político entre dinistas e brandonistas. Apesar de ter sido sempre um defensor árduo da unidade, Madeira admitiu que a situação é “praticamente irreversível” e entende que o governador fez vários gestos, que não foram reconhecidos e muito menos retribuídos pelos dinistas.

“Era um grupo só, mas não continuou unido por vários motivos. O governador Brandão destinou várias secretarias para este grupo, mas alguns não se acharam contemplados e as divisões foram se acentuando, culminando com o atual momento que considero praticamente irreversível. O governador fez bastante gestos, mas não houve contrapartidas, eram ações em cima de ações, principalmente vindo do deputado Othelino Neto, que esperava continuar presidente da Assembleia Legislativa, ainda teve um ano de trégua enquanto ele esteva na Representação em Brasília, mas quando entregou o cargo ele fez uma oposição bastante dura e isso foi desgastando a relação”, destacou.

Madeira, que confirmou ser pré-candidato a deputado estadual, reconheceu o direito do vice-governador Felipe Camarão (PT) disputar as eleições, mas entende que Orleans chega muito forte para a disputa do ano que vem.

“O Orleans já pontua muito bem, já é o segundo colocado em todas as pesquisas para o Governo do Maranhão. Ele cresceu muito. O vice-governador Felipe Camarão tá no seu direito, ele tinha a perspectiva de assumir o Palácio dos Leões, mas o desenrolar dos fatos não lhe favoreceu e agora a única chance é ser candidato, mas Orleans com sua simpatia, leveza e apoio da classe política tem tudo para vencer” disse.


ORLEANS BRANDÃO CHEGOU

 

O Portal Imirante contratou o Instituto Nacional de Opinião Pública (INOP) para fazer um levantamento sobre a disputa eleitoral para o Governo do Maranhão. Os dados apontam um empate técnico entre o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e o secretário de Assuntos Municipalista do Maranhão, Orleans Brandão (MDB).

Braide aparece no levantamento com 33,89% dos votos, seguido por Orleans com 30,17% e, pela margem de erro, existe um empate técnico. Na sequenciam aparecem Lahésio Bonfim (Novo) com 15,23% e o vice-governador Felipe Camarão (PT) com 9,33%. Além disso, 3,98% não votaria em nenhum e 7,53% não sabe ou não opinou.

Num confronto direto entre Braide e Orleans, que poderia ser considerado um segundo turno, o prefeito venceria por 45,77% contra 34,81%.

Sobre a expectativa de vitória (quando o eleitor opina sobre quem vencerá o pleito independente de quem vai votar), 29,79% disseram que o próximo governador é Orleans Brandão. Outros 27,78% acreditam que será Eduardo Braide, 8,28% opinaram em Lahésio Bonfim e 2,85%, Felipe Camarão.

O levantamento encomendado pelo Imirante ouviu 2,4 mil eleitores em 54 municípios

PREFEITO ROBERTO COSTA PROMOVE MUTIRAO DE CONSULTAS COM MAIS DE 400 EXAMES DE ULTRASSONOGRAFIA EM BACABAL

A Prefeitura de Bacabal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, promoveu no último fim de semana, um grande mutirão de consultas e exames de ultrassonografia, beneficiando mais de 400 pacientes. Os atendimentos foram realizados no Centro de Especialidades Dr. Coelho Dias, que contou com ampla equipe de profissionais de saúde, em um ambiente aconchegante e muito organizado para garantir agilidade no atendimento e conforto aos pacientes, possibilitando a realização dos exames com eficiência e qualidade.

Suely Rodrigues, paciente atendida no mutirão, elogiou a iniciativa. “Olha, o prefeito está de parabéns pela atitude dele e mostra que é um prefeito humano. Ele lembra da população e sabe que a população é carente e precisa.”, afirmou.

Depois de solucionar um problema antigo de filas para marcação de consultas e exames na rede municipal de saúde, a gestão do prefeito Roberto Costa monitora os agendamentos e, para conter a alta na fila de espera, os mutirões estão sendo realizados para dar celeridade aos atendimentos. É o que explica o prefeito: “É claro que nossa demanda é alta, ainda mais porque pomos fim aos privilégios. Mas, quando a demanda, por exemplo, de ultrassonografia está alta, nós fazemos essas intervenções com o mutirão, como deste fim de semana, onde estamos fazendo mais de 400 exames para adiantar a fila de quem, por exemplo, estava com marcação para o mês de outubro”, revelou o prefeito.

O prefeito Roberto Costa acompanhou de perto a ação e lembrou das mudanças feitas na marcação de consultas e exames, além do fim dos privilégios para poucos.

O que nós estamos fazendo é o que começamos em janeiro, com a moralização do sistema de saúde de Bacabal. Porque tinham situações em que nos envergonhávamos, com as filas em que pessoas que precisam de uma consulta ou exame tinham que dormir numa fila para tentar marcar uma consulta. E muitas não conseguiam, porque em muitos casos existiam privilégios para algumas pessoas que nem passavam por nenhuma dificuldade, nenhuma fila e conseguiam 10, 15 consultas, tirando os direitos das pessoas. Então, essa foi uma das primeiras medidas que tomamos: acabar com esse tipo de privilégio.”

Roberto Costa fez ainda anúncios de novos mutirões e a contratações de mais médicos especialistas.

Já fizemos mutirão de cirurgias, mutirão de urologia e iremos fazer também o mutirão de ortopedia. Além disso, estamos ampliando o número de médicos especialistas. Já estamos oferecendo, por exemplo, a oncologia para os pacientes com câncer e, já para essa semana, teremos consultas com endocrinologista e otorrino, que não havia na cidade e agora a prefeitura está colocando à disposição da população”, garantiu.

Por fim, o prefeito Roberto Costa enfatizou seu trabalho contínuo com a melhoria dos serviços públicos e a humanização no atendimento à população. “Sei que temos que continuar melhorando e avançando. Mas, de janeiro para cá, já melhoramos muito e ampliando o atendimento. E, para mim, o mais importante e que tenho cobrado é a humanização do atendimento. Que os pacientes sejam bem atendidos por todos os setores”, concluiu

PADRE ANTÔNIO VIEIRA, ANJO E DEMÔNIO

 

Ele foi missionário, desbravador, polemista, conselheiro, estrategista, intelectual e, seguramente, o maior nome da literatura portuguesa em terras brasileiras. Nascido em Portugal, veio para o Brasil ainda criança. Em Salvador aprendeu as primeiras letras, iniciou-se em teologia, lógica, filosofia, matemática, literatura, línguas. Aos 15 entrou para a Ordem de Jesus, de onde jamais saiu. Morreu no final do século XVII, próximo de completar 90 anos, entre realizado e frustrado.

O Padre Antônio Vieira foi um diamante bruto que se lapidou com o tempo. Ao contrário do que muitos possam imaginar, a luz sobre ele não surgiu de chofre. Seu biógrafo mais importante, João Lúcio de Azevedo, diz que ele não foi um gênio precoce, pois, como estudante, compreendia mal, decorava a custo, escrevia com dificuldade. No resumo da ópera “era um aluno medíocre”.

Agressivo, ousado, ambicioso, Vieira pode ser visto como anjo e também demônio. De volta a Portugal, em 1641, já famoso por suas cartas e sermões e amigo e confidente do Rei Dom João IV, influenciaria os acontecimentos mais importantes relacionados com a corte dos Bragança pelos anos seguintes. Graças a ele, Portugal não entraria em confronto direto com a Holanda pela retomada de Pernambuco. Vieira argumentava que os holandeses, muito mais preparados belicamente, imporiam uma derrota humilhante e desnecessária aos compatriotas lusos. “Transplantaremos Pernambuco a outra parte, pois o que nos falta não são terras, senão habitantes”.

Contudo, a derrota holandesa sobre o território pernambucano ocorreria anos depois, em 1654, por efeito de uma iniciativa do próprio Vieira: a criação da Companhia Geral de Comércio do Brasil, turbinada com dinheiro de cristãos-novos e judeus. A empresa gerenciava a guarda e o transporte de mercadorias, o que ajudou a recuperar a economia nordestina, assentada sobre a produção de açúcar. Com isso Portugal fortaleceu suas posições na região, controlou o trânsito de mercadorias com destino à Coroa e acabou reavendo a capitania.

Vieira desembarcaria em São Luís em 1653, sob clima de guerra. Os colonos, descontentes com a presença dos jesuítas, que resistiam à escravização dos indígenas, ameaçam-lhes de expulsão, a exemplo do que já ocorrera em São Paulo. A situação tornou-se crítica com a publicação de uma ordem régia que abolia o cativeiro nativo. Em carta Vieira registrou os protestos. “Aproveitou-se  da ocasião o demônio, e pôs na língua, não se sabe de quem, que os padres da Companhia foram os que alcançaram de El-Rei esta ordem, para lhe tirarem os índios de casa”.

No célebre "Sermão da Quinta Dominga da Quaresma”, Vieria colocou ainda mais lenha na fogueira. Fez alusão ao quinto domingo da Quaresma que o Evangelho classifica como o domingo da verdade e deu-lhe amplitude. "Para mim todos os domingos têm este sobrenome, porque em todos prego verdades, e muito claras como tendes visto”. Afirma que pensou em que verdades dizer aos fieis e optou por uma única verdade. “Mas que verdade será esta? Não gastemos tempo. A verdade que vos digo  é que no Maranhão não há verdade”. 

E conclui o sermão com um trocadilho canalha sobre o M de Maranhão. “M – murmurar; M- motejar; M- maldizer; M – malsinar; M – mexericar; e sobretudo M – mentir: mentir com as palavras, mentir com as obras; mentir com os pensamentos. Que de todos e por todos os modos aqui se mente.".

Os sermões de Vieira e as resoluções da Coroa, contrários aos interesses dos colonos, só pioravam a situação e o motim explodiu em São Luís em 1661, culminando com a expulsão do Padre Vieira, que passou a residir em Salvador e jamais retornaria à Ilha. E mesmo dali continuou a influenciar nos assuntos do Maranhão, com sermões e decisões régias.

Na revolta de Beckman, em 1684, teve participação crucial sobre os desdobramentos. Por causa de gestões do padre, Tomaz, irmão de Beckman, foi preso e condenado à morte. O líder acabou enforcado e os jesuítas retornaram à região, pouco depois. Vieira, de tudo ciente, comemorou os feitos.

Também bateu de frente com a Inquisão e, por conta de uma carta, em que defendia a tese de que o rei Dom João IV, já falecido, ressuscitaria para retomar o trono, foi processado pelo Santo Ofício, preso e proibido de pregar, o que o feriu no âmago.

Foi libertado em 1667, mas a pena de silêncio assumiu caráter perpétuo. Em Roma negociou com o Papa o perdão, obtendo-o em 1675. Já sem relevância na corte portuguesa, retornou à Bahia, onde viveu seus últimos dias. Morreu em 1697, em silêncio e exaurido.Que importava? Já havia entrado para a História. 

No plano das letras a obra do Padre Vieira é tão vasta e valorosa que fica difícil situá-lo no universo literário, sem colocá-lo num pedestal. Já no contexto filosofo-cristão, ele próprio sugere uma nota no "Sermão da Sexagésima”. “Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo!"

...

Texto escrito com base no livro "A Grande Aventura dos Jesuítas no Brasil", de Tiago Cordeiro.


POESIA - O CORPO - POR ABEL CARVALHO

 

O CORPO


Visto a lembrança com a dura capa da saudade

Encarno em mim mesmo o tempo

Véu de sofrimentos

O corpo treme de desejos sem esperanças


Rompo o lacre do passado e vejo a tênue imagem

Do teu corpo

Ouço o sibilar dos teus pedidos

Mistura de prazer e dor sem sentido

Escárnio do desejo incontido

Do coito interrompido

Sem final

Sem fim


Ainda sinto o cheiro do gozo que não veio

E que eu queria

Tanto queria

Mas nunca cheguei a ter

Nem chegarei

E ti pedi


Apenas sonho de olhos abertos

Vez que não durmo

Como se tudo hoje fosse


O suor

Teus olhos cerrados

Teu choro ensandecendo meu coração vorazmente

Tuas pupilas mortas e quebrantadas

Meu corpo inerte a te dar repouso

Em um tempo e final que nunca foi meu


Abel Carvalho