sábado, 27 de setembro de 2025

COM A PALAVRA - SER FORTE - POR SID TEMPEST


Ser forte não é sorrir diante da dor, mas suportá-la sem perder a clareza.

Cada cicatriz se torna fonte de poder; aprendiemos a cair e levantar em silêncio.

Não se orgulhe  da dor, mas do que ela pode ensinar: ela pode lhe esculpir ,endurecer.

Sofremos tanto que as vezes pensamos que já não temos porque sofrer e sem que consigamos respirar as vezes bem mais pra sofrer.  Mas nada pode abater a quem tem força pra sempre superar.

Quando a dor retorna, encontra apenas um campo queimado, onde nada mais pode incendiar.

Um homem sábio não foge do sofrimento: atravessa o fogo e permanece de pé.

Se você passar depois de alguns dias em um terreno queimado verá que a vida se renova e sempre haverá uma plantinha, uma grama que resistiu ao fogo e insiste em não morrer.  


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Deus abençoe nosso dia. 

——-Sid Tempest ———



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POESIA - MAIOR SAUDADE - POR PAULO CAMPOS

 


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

BRAIDE NA BERLIND

 

Depois que o governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), ter dito algumas vezes que não disputará a eleição para o Senado em 2026, permanecendo no cargo até o fim do mandato, a principal incógnita passou a ser a decisão que vai tomar o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, no ano que vem.

Braide aparece liderando a maioria das pesquisas já divulgadas para o Governo do Maranhão, mas mesmo assim jamais comentou sobre a eleição de 2026, pelo menos publicamente.

A indefinição de Braide tem deixado o cenário muito em aberto e levado alguns a fazer ilações a cada gesto diferente que o prefeito venha a tomar.

Bastou Braide entrar na Trend de ensaio de fotos por IA (Inteligência Artificial) para alguns imaginarem que já seria uma preparação para a campanha eleitoral do ano que vem.

Outros, após uma declaração do prefeito, entenderam que Braide sinalizou que cumprirá seu mandato até dezembro de 2028.

Eu não sei se alguém lembra a frase que eu assumi o compromisso na minha reeleição: se Deus e vocês me dessem a oportunidade de me reeleger, que São Luís viveria, nos próximos quatro anos, os melhores anos da sua história. E é isso que nós estamos fazendo, e é isso que nós vamos fazer”, afirmou Braide durante evento público da Prefeitura de São Luís

O certo é que a indefinição segue e Braide, ao contrário de alguns, tem o tempo a seu favor, afinal terá até abril para decidir se vai disputar o Governo do Maranhão ou seguir sendo, por mais dois anos e meio, o melhor prefeito que a capital maranhense já teve.

ROSEANA SARNEY E CARLOS BRANDAO LIDERAM PESQUISAS PARA O SENADO

Além do levantamento para o Governo do Maranhão, o Instituto INOP, contratado pelo Portal Imirante, divulgou números da corrida para o Senado, que apontam liderança do governador Carlos Brandão (sem partido) e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB).

No primeiro cenário, incluindo o nome do governador, Brandão surge com 35,68% seguido pelo senador do PDT, Weverton Rocha, que tem 11%. O ministro de Esporte, André Fufuca (PP), vem logo depois e aparece com 8,98%, Eliziane Gama, senadora do PSD, tem 8,59% e Roberto Rocha (sem partido), 6,76%. O deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB) tem 4,74%, o deputado federal Pedro Lucas (União), 4,43%, e o ex-deputado César Pires (PSD), 0,38%. Temos ainda 5,65% para nenhum e 13,79% não sabe ou não opinou.

Num segundo cenário, sem Brandão e incluindo a ex-governadora, é justamente Roseana que aparece em primeiro com 26,85%. Ela é seguida por Weverton Rocha que tem 9,78% e Roberto Rocha aparece com 9,7%. Depois vem Eliziane Gama com 7,68%, André Fufuca com 7,41%, Yglesio Moyses, 5,77%, Pedro Lucas com 4,13% e César Pires, 1,72%. São 7,75% para nenhum e 19,21% não sabe ou não opinou.

O curioso é que Brandão já disse, por algumas vezes, que pretende concluir seu mandato de governador, não disputando a eleição de 2026. Já Roseana, que vai lutando contra um câncer de mama, jamais comentou sobre a intenção de voltar ao Senado.

O INOP ouviu 2.618 eleitores entre os dias 15 a 23 deste mês de setembro em 54 cidades. A margem de erro admitida é de 2,2% e o intervalo de confiança é de 95%.

COM A PALAVRA -UM PEDIDO BEIM BAXADÊRO POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

UM PEDIDO BEIM BAXADÊRO 

      (... seim pé, neim cabeça)

     Recebi um pedido inusitado, de um baixadeiro e querido amigo. Um disfarçado desafio. Trazer, à baila, expressões, que já não se ouvem mais.

    Sei que é uma tarefa muito, muito difícil, mas vou puxando da memória e vou construindo um retalho auditivo de nossa infância. E, pra quem quiser, até, visual. Basta imaginar. E o que mais quero é chegar, ao menos, perto da espectativa de nosso irmão de terra natal. E que os irmãos "istrangeiro" possam, também, "intendê tudinho direitinho. "Si quisê, pôdi pidi ajuda".

    E, "pra iniço di cunversa, era terrívi a sensação de ter uma cara branca ou uma vertígi, qui pódia dá i martratá, quano si tava azuzinho di fômi?! E digo logo qui num é uma côsa boa, Naum! Ou, intõu, bardiá, au sinti u pitiu du pêxe ô tê batido um tutano curredô cum farinha sêca".

    E, viver situação piorada, só mesmo "si incontrano cum u bucho disarranjado, apóis cumê um ovo istipurado, e mais tarde ficá impanzinado".

  E, pior mesmo, era "sofrê cum

uma nacida ô uma ziquizira", que "cambava pra uma curuba, a mordê us suvaco, nu calô du calô dais trêis da tarde". Mas, não ficava só nisso. Havia "imundiça de todo jeito e feitio. Um lombinho, um mondrongo, a papeira, o alastrim e a tosse braba". E o cúmulo do medo, de todo piqueno, era ter "o cascão da pereba", arrancado pelo bico de uma galinha. Haja sangue "a ispirrá lôngi"!

   Aí, para acabar com essa sessão de terror, só quem "dismintiu" um dedo e foi vítima de "uma boneca de sal" sabe o que é "ir à lua". E não é"mintira!"

   E, para fechar esta narrativa, "seim pé neim cabeça", só foi feliz quem usou "um calção no rendengue" e, como "bõu baxadêro", que se preze, "têvi um quartinho intupetado di bregueço!" O que sempre "dava pano pra manga". Era motivo de "uma disavençazinha, um licute e, até, um báti boca, com a branca".

    Espero ter chegado, "pelo ao menos", pertinho do delicioso pedido!


         Zé Carlos Gonçalves



POESIA - SONETO DO AMOR PROIBIDO - POR ZÉ LOPES

 


SEXTOU COM MUÇÃO

 


quinta-feira, 25 de setembro de 2025

É HOJE O DEPOIMENTK DE JOSIMAR DE MARANHÃOZINHO NO STF

Deve acontecer hoje,  quinta-feira (2), o depoimento do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) no processo em que ele e mais dois parlamentares – Pastor Gil (PL/MA) e Bosco Costa (PL/SE) – são acusados de desvios de emendas.

N'um primeiro depoimento, conforme o Blog do Zé Lopes destacou, Josimar decidiu ficar em silêncio, mas agora existe a possibilidade de que seja diferente, afinal o novo depoimento foi pedido pelo próprio deputado federal.

Josimar deve se manifestar após ter tido acesso as denúncias feitas pela Procuradoria Geral da República (PGR). O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, autorizou o novo depoimento, que será conduzido pelo juiz instrutor, Lucas Sales da Costa.

A PGR assegura que os deputados teriam recebidos R$ 1,6 milhão para destinar R$ 6,6 milhões ao município de São José de Ribamar. O valor corresponde a 25% do total destinado em emendas. As investigações da PF teriam encontrado um documento com os nomes dos envolvidos e a porcentagem que cada um supostamente receberia.

Vale lembrar que o processo será julgado pela Primeira Turma do STF, que passará a ser presidida pelo ministro Flávio Dino, de quem Josimar foi aliado político quando estava como deputado estadual e Dino como governador do Maranhão.


PEC DA BLINDAGEM É REJEITADA PELA CCJ DO SENADO

 

De maneira unanime, os senadores que integram a Comissão de Constituição e Justiça do Senado decidiu pela rejeição da PEC que amplia a proteção de parlamentares na Justiça, chamada de PEC da Blindagem.

A decisão da CCJ, tomada de forma unânime (26×0), deveria enterrar regimentalmente a chamada PEC da Blindagem no Congresso Nacional, mas existe um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que o texto vá ao plenário da Casa.

Na CCJ, apenas a senadora Eliziane Gama (PSD), entre os parlamentares maranhenses, integra a comissão e se posicionou, como todos os demais, contrária, a PEC da Blindagem.

Fizemos nossa parte e rejeitamos na Comissão de Constituição e Justiça a PEC da Blindagem. Vitória do povo que foi às ruas dizer não a essa proposta absurda”, afirmou Eliziane.

Vale ressaltar que os quatro senadores do PL também votaram contra a proposta.

A tendência é que no Plenário do Senado, se de fato lá chegar, a PEC seja rejeitada de tal forma. Sendo assim, a aprovação da proposta na Câmara Federal acabou sendo “um tiro no pé

LITERATURA - O SILÊNCIO DA INICIAÇÃO - POR ZEZINHO CASANOVA


CRÔNICA: O SILÊNCIO DA INICIAÇÃO 


Naquela noite de lua cheia, o silêncio da cidade parecia cúmplice de algo maior. Os sinos já haviam emudecido e apenas os  meus passos lentos  se faziam ouvir pelas ruas de pedra. Eu não era mais apenas um homem comum: tinha acabado de atravessar o limiar da porta de um Templo maçônico.


Nunca esquecerei aquela noite. A porta do Templo fechou-se atrás de mim, e de repente senti que o mundo lá fora ficava distante, como se eu tivesse atravessado um limiar invisível. O coração batia forte: não de medo, mas da estranha certeza de que eu não voltaria a ser o mesmo.


Havia um silêncio diferente, carregado de significados. Não era apenas a ausência de som, mas uma presença invisível que parecia me observar. Meus passos eram guiados, e cada gesto que me pediam parecia conter uma lição oculta.


Por um instante, percebi que estava cego para o mundo de sempre e foi nesse breu que comecei a enxergar a mim mesmo. Descobri que a escuridão também fala, e fala de nós.


Tive um encontro com GADU , o Grande arquiteto do universo, causa primeira ou primária de todas as coisas.


Senti na pele o peso da iniciação, onde o mundo profano se despia diante de meus olhos. O jovem Joaquim agora carregava o título de Aprendiz, mas queria ser Companheiro de todos. O olhar curioso perscrutava cada detalhe: o esquadro e o compasso sobre o altar, o Sol e a Lua pintados nas paredes, o Oriente iluminado pela presença do Venerável Mestre, suas palavras eram  firmes, mas suaves. Ele não falava comigo apenas como indivíduo, mas como pedra bruta que precisava ser lapidada. Eu era, naquele momento, aprendiz de mim mesmo.        


-  Lembre-se, irmão, - Sussurrou-lhe um Companheiro de jornada. —-Aqui cada gesto é um símbolo, e cada símbolo guarda uma verdade.


Vi símbolos que não se explicavam em voz alta, mas que se gravaram no coração: a régua que mede, o esquadro que orienta, o compasso que limita e ensina equilíbrio. Compreendi que não são ferramentas de construção apenas para pedras, mas para homens.



Quando finalmente me falaram da Luz, senti que não era apenas uma vela ou uma chama: era um despertar. A Luz não vinha de fora, mas de dentro, como se a chama que acenderam diante de mim acendesse também algo em meu peito.


No final, já não era o mesmo homem que entrou. Eu havia sido tocado pelo mistério da fraternidade e pela promessa silenciosa de trabalhar em mim todos os dias.

Não me deram respostas prontas, mas me mostraram que as perguntas certas são mais importantes do que certezas fáceis.


No canto, os mais antigos, já mestres, observavam em silêncio. Um deles, de cabelos brancos e palavras medidas, era respeitado como Grão-Mestre. Carregava nos ombros não apenas a sabedoria dos anos, mas também a responsabilidade de guiar homens em busca da Luz.



Ouvi  histórias sobre o lendário grau 33, onde a sabedoria alcança o cume de uma montanha invisível. Mas compreendi que mais importante que qualquer título era a prática da caridade, discreta e silenciosa, que a Ordem exercia para além dos muros do Templo: alimentar famílias, amparar viúvas, educar órfãos.


Numa das rodas de conversa, alguém contou a lenda do bode preto, criatura sempre associada ao desconhecido, ao que a imaginação popular não compreende. Quando os amigos faziam perguntas sobre isso eu sorria  e dizia:


- O bode preto sou eu! - 


Aprendi que o mito não passava de um espelho da ignorância dos de fora, que transformavam mistério em medo.


Entre os símbolos, os sinais discretos e as lendas, eu  descobria algo maior: a maçonaria não era feita apenas de rituais, mas de homens e mulheres que, no silêncio, buscavam melhorar a si mesmos para melhorar o mundo.


Sim, mulheres. Nos encontros sociais  as Samaritanas, , cunhadas, companheiras que, com ternura e firmeza, sustentavam a fraternidade em atos de apoio, solidariedade e partilha. Elas não ocupavam o mesmo espaço ritual dos irmãos, mas sua presença era tão essencial quanto o compasso no desenho da vida.


O tempo passou, e  eu , o jovem Joaquim deixou de ser apenas aprendiz. Tornou-se Companheiro, e mais tarde Mestre. Em cada grau, entendia que os mistérios não estavam apenas nos sinais secretos ou nas lendas, mas no silêncio de aprender a ouvir, no trabalho de talhar a pedra bruta de si mesmo.


Hoje, já idoso, sentado na varanda,  escreve minhas memórias. Sorri ao lembrar da juventude e dos segredos que tanto me  encantaram. Escreve, como quem deixa um recado aos que buscam a mesma jornada:


"A maçonaria é feita de símbolos que o tempo não apaga. O bode preto é apenas lenda; o verdadeiro mistério está no coração humano. O grau 33 não é um trono, mas um estado de espírito. E a caridade, essa sim, é o maior dos rituais."



Compreendi que os mistérios da maçonaria não são para serem revelados, mas vividos. Pois o verdadeiro segredo não está guardado em um templo, mas na alma de cada iniciado que, entre luzes e sombras, busca ser melhor do que foi ontem.


Quando caminho pelas ruas, lembro da minha iniciação. As pessoas me veem como o mesmo Joaquim de sempre, mas dentro de mim sei que algo mudou. Aprendi que a maçonaria não revela segredos, ela desperta os segredos que já estavam adormecidos na alma.


E assim sigo, com humildade, na longa estrada de lapidar a pedra bruta que ainda sou à sombra de uma Acácia amarela.


José Casanova


Professor, Jornalista, Escritor e cronista


Membro da Academia Bacabalense de Letras


Academia Mundial de Letras da Humanidade


Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil