quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

POESIA - A VARANDA - JOSÉ SARNEY

 



A Varanda

Nos esquadros da varanda

o corrimão escorria

na meia parede de taipa,

suja e gasta de abandono.

No parapeito das janelas,

nada além de um horizonte

nuvens cinzas.

Tudo desmoronara.

Ficou um quintal molhado.


Eram mangueiras e figos,

laranjeiras e limão.

Oitis perfumados, pés de jasmim e de estrela,

erva cidreira, murta e romã.


Chão aberto por sulcos escondidos

na malva braba,

caminhos das corredeiras

que das biqueiras caíam

serpenteando em desníveis

na fuga ligeira

das prisões que prendem as águas.


Olho o corrido da taipa

o ondulado do barro

descascado em manchas

a marca de minhas mãos

marcadas no brancocal.


Há figuras debruçadas:

avô, avó, Tomásia, Emília e

quantos

olhavam a chuva cair

desabando do telhado

nas calhas de zinco velho.


Os galhos balançavam

como pêndulos verdes

de relógios que dormiam.


O varandão das lembranças,

com o caixão negro-dia

do meu avô preparado.

Fraque, colete e botina

para uma festa de cinzas

onde se chega

e não volta.


Olhos fechados,

mãos cruzadas,

lábios cerrados.

E os cravos dos defuntos,

amarelos e sombrios

cores de sonho, choros

e gemidos gementes

para quem viaja

com as mãos sem poder

apertar um gesto de adeus.


De novo as biqueiras jorrando

no vazio do varandão.

Silêncio nesse cantar

feito de tempo e tristeza

da vida que já passou.


Jasmineiros apodrecidos,

roseiras, avencas, cravinhos

e as águas coloridas:

água branca, pingo azul,

água verde, água amarela,

que tem a cor dos meus olhos

presos na noite datarde.


Varandão, varanda, chuva,

verde alegria molhada.

Só o silêncio vazio

habita no varandão.


Águas conversam e murmuram,

falam de invernos passados,

contam contos de besouros,

pedem perdão das goteiras.


Remoem como moendas,

em voltas que não acabam

as chuvas dos verdes campos.

Enterrados vivem os olhos

que olhavam ventanias,

sacudindo os galhos verdes,

onde pousado cantava

o pássaro do meu destino.


José Sarney 


 


 


 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

IV FORUM ESTADUAL DE GESTORES DE ESPORTE SERA REALIZADO PELA SEDEL


A Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Sedel) realiza, nos dias 26 e 27 de fevereiro, o IV Fórum Estadual de Gestores do Esporte, reunindo gestores, técnicos e representantes da cadeia esportiva dos 217 municípios do Maranhão.

Com o tema central “A Nova Lei Geral do Esporte e seus reflexos na gestão municipal”, o evento terá dois dias de programação estratégica voltada à qualificação da gestão esportiva, com palestras técnicas, debates sobre esporte educacional, rendimento e paradesporto, além da avaliação dos Jogos Escolares Maranhenses (JEMs) 2025 e lançamento oficial dos JEMs 2026.

O Fórum contará com a presença do secretário de Estado do Esporte e Lazer, Celsinho Dias, além de autoridades, prefeitos, secretários municipais e representantes de entidades esportivas.

O evento reafirma o compromisso do Governo do Maranhão com o fortalecimento das políticas públicas de esporte e lazer em todo o estado.

O IV Fórum é realizado pela Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Sedel), com apoio da Federação Maranhense de Desporto Escolar (Femade), e conta com patrocínio do Atacadão Supermercados, por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte.


A VOLTA DA GUERREIRA

A ex-governadora do Maranhão e atual deputada federal, Roseana Sarney (MDB), está de volta ao Maranhão após realizar uma cirurgia, no dia 10 de fevereiro, para retirada de um tumor, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Em São Luís, onde desembarcou , Roseana recebeu o carinho de amigos e familiares, devendo ficar cerca de 15 dias, já que depois precisará retornar a capital paulista para seguir com o tratamento.

A ex-governadora combate um câncer de mama triplo negativo, considerado um dos tipos mais agressivos da doença, mas vai enfrentando o desafio com muita força e fé.

COM A PALAVRA - RASTROS NA MULTIDÃO -POR ZEZINHO CASANOVA

*A cidade de São Paulo não dorme, mas para Helena, ela também nunca acorda de um pesadelo que já dura quatro mil e duzentos dias. Quando ela desembarca na Estação da Luz, considerada como patrimônio histórico por refletir o momento em que foi construida, mostrando o poder do café no crecimento da cidade. O fluxo humano parece um rio caudaloso de rostos anônimos, cada um mergulhado em sua própria urgência, seus fones de ouvido e suas pequenas tragédias cotidianas. Para quem observa de fora, Helena é apenas mais uma mulher simples na multidão, carregando uma bolsa de plástico desgastada e um olhar que parece focar em algo além do horizonte visível. Mas, dentro daquela bolsa, protegidos por um envelope pardo, estão os rastros de sua existência: centenas de panfletos com a foto de um menino de dez anos, olhos amendoados e um sorriso levemente desalinhado que o tempo se recusa a envelhecer.

POESIA - HOMEM FERA -ALEX BRASIL

 


HOMEM FERA


OS homens que matam e odeiam

um dia foram indefesas crianças

precisando de mãos

para as mesmas mãos que agora incendeiam

a inocência, a flor, outras infâncias...

O homem que assassina um menino

feito um bicho devorador,

outrora tinha medo do corte mais fino,

temia uma simples flor;

sorria para a vida

um sorriso manso, um olhar divino.

Esse homem,

que agora a inocência dilacera,

como transformou

a sua própria infância

em tamanha fera,

desapercebida de que na velhice

tornará a ser criança!?

Alex Brasil 

POESIA - DEUS ME FALOU - ALEX BRASIL

 


DEUS ME FALOU


Deus me falou,

eu era ainda um menino,

pra rimar espinho e flor,

eu seria um poeta peregrino,

nesta viagem sempre ida;

sem chegada, sem  partida;

só amar e sofrer na vida.

Deus me falou

do demônio ao meio-dia,

dos olhos tristes do meu amor,

dessa branca poesia,

quando ela partiu e minha alma chorou.

Deus me falou,

por um anjo (mensageiro)

da minha sina-solidão,

sem régua e aritmética;

que eu não seria engenheiro:

seria apenas um poeta,

da poesia prisioneiro,

carregando um imenso coração.


Alex Brasil 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

MAIS OBRAS NA PARCERIA LULA BRANDÃO


A assistência em saúde para a população do Sul e do Baixo Parnaíba, no estado, está sendo ampliada. Ontem,  segunda-feira (23), os governos Federal e do Maranhão assinaram ordens de serviço para a construção de duas policlínicas: uma na cidade de Balsas e outra em Chapadinha. Os recursos são do Novo PAC Saúde e totalizam R$ 60 milhões em investimentos. O governador Carlos Brandão e o superintendente do Ministério da Saúde no Maranhão, Glinoel Oliveira Garreto, participaram das solenidades nos dois municípios.

As assinaturas das ordens de serviço formalizam o início da execução das obras. Em Balsas, a solenidade ocorreu pela manhã, no Loteamento Cidade Nova, Praça 15, bairro Mont Serrat. Já em Chapadinha o evento aconteceu à tarde, na BR 222, s/n, Boa Vista.

Ao todo, serão investidos R$ 60 milhões no Novo PAC Saúde para a construção das duas policlínicas, sendo R$ 30 milhões para a implantação de cada uma delas, divididos em R$ 17 milhões para a execução das obras físicas e R$ 13 milhões para a aquisição dos equipamentos necessários para o funcionamento da unidade.

O governador Carlos Brandão destacou que a construção das duas novas policlínicas ampliam a parceria entre o Governo do Maranhão e Federal.

“Nossa parceria com o Governo Federal tem se concretizado em diversas áreas, e hoje, com destaque para a saúde. O governo estadual executará as obras, com recursos do Governo Federal. O custeio da unidade será mantido pelo Governo do Estado, incluindo pessoal qualificado. Em breve, também em parceria com o Governo Federal, vamos assinar a ordem de serviço para a construção de uma maternidade em Bacabal, com investimento de cerca de R$ 150 milhões. Esses centros oferecerão diversas especialidades, com foco em exames e diagnósticos precoces, aumentando significativamente as chances de cura”, assinalou.

Brandão também pontuou que, atualmente, o Maranhão conta com 19 policlínicas em funcionamento e que estão em andamento as construções de policlínicas em Colinas e Pedreiras, e uma unidade com foco na atenção aos povos indígenas, em Amarante do Maranhão. Essa última é um projeto pioneiro no Brasil. Com essas obras – incluindo as duas lançadas hoje – o estado passará a ter um total de 24 policlínicas.

Em vídeo exibido durante a solenidade, Adriano Massuda, secretário Executivo do Ministério da Saúde, enfatizou que as assinaturas das ordens de serviço representam um passo concreto para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) no Maranhão. “Essas novas policlínicas vão ampliar o acesso a consultas com especialistas, exames e diagnósticos, reduzindo filas e aproximando o atendimento da população. Esses novos investimentos dialogam com o programa ‘Agora tem especialistas’ e do Novo PAC, fortalecendo a rede pública e levando o cuidado mais perto para quem precisa”, declarou.

O superintendente do Ministério da Saúde no Maranhão, Glinoel Oliveira Garreto, reafirmou que a ação integra uma ampla linha de novos investimentos do ministério.

“O Governo Federal vem fazendo uma série de investimentos, procurando cobrir os vazios assistenciais da saúde, no Brasil. Balsas e Chapadinha precisavam de uma obra desta de referência, pois a policlínica vai conversar com a atenção primária, fazendo com que a população possa fazer consultas com especialistas, exames e pequenos procedimentos na própria região onde mora. Então, vamos reduzir filas, tempo de espera e trazer mais qualidade de vida para as pessoas”, avaliou.

Já o secretário de Estado da Saúde, Tiago Fernandes, ressaltou os impactos positivos das duas novas unidades para a assistência em saúde do estado. “A policlínica representa um marco para as duas regiões que serão beneficiadas, ampliando a conexão dos municípios com os serviços da atenção primária, além da oferta de acesso a especialidades e diagnósticos por meio de diversos exames”, frisou.

PoliclínicasAs policlínicas são unidades especializadas de apoio diagnóstico, com serviços de consultas clínicas, realizadas por equipes médicas e não médicas de especialidades diferentes (definidas com base no perfil epidemiológico da população da região), realização de exames gráficos e de imagem com fins diagnósticos e oferta de pequenos procedimentos.

O prefeito de Balsas, Alan da Marisol, frisou que o investimento representa um avanço significativo para o sul do Maranhão. “O Governo Federal está destinando R$ 30 milhões para o fortalecimento da saúde em nosso município, beneficiando não apenas Balsas, mas toda a região, possibilitando o acesso a serviços especializados, como ressonância magnética, tomografia e ultrassonografia. A concretização desse projeto é motivo de grande alegria, pois vai garantir mais bem-estar de todos os cidadãos de Balsas”, afirmou.

A organização física e funcional para as policlínicas se desenvolve a partir de Linhas de Cuidados que deverão conformar os Núcleos de Cuidado Integrado, incluindo: atenção integral à saúde da mulher; atenção integral à saúde do homem; atenção integral à saúde da criança; e atenção integral às condições crônicas não transmissíveis (AVC, infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca no adulto, diabetes mellitus, doença renal crônica, dor torácica, das doenças metabólicas e obesidade).

Nas policlínicas a população também tem acesso aos serviços de atenção integral às vítimas de violência (mulher, criança, idoso e LGBTQIAPN+); atenção integral à saúde mental, cuidados ortopédicos; cuidados em otorrinolaringologia; e reabilitação.

Novo PAC Saúde – O Ministério da Saúde está investindo R$ 31,5 bilhões por meio do Novo PAC Saúde em obras, equipamentos e veículos para promover um salto de qualidade e expansão no Sistema Único de Saúde (SUS).

Trata-se do maior programa de investimentos em infraestrutura do SUS da saúde, com investimentos em 2.600 unidades Básicas de Saúde (UBS), 334 centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 101 policlínicas, 4892 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), 800 Unidades Odontológicas Móveis (UOMS), e diversos outros tipos de obras e equipamentos

IRACEMA VALE DESTINA EMENDA PARA CRIAÇÃO DO OBSERVATORIO DE FEMINICIDIO DO MARANHAO

Na tarde de ontem,  segunda-feira (23), a presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputada Iracema Vale (MDB), reuniu-se com representantes da Defensoria Pública do Estado do Maranhão para formalizar a destinação de emenda parlamentar que viabilizará a criação do Observatório de Feminicídio do Maranhão. Participaram do encontro o defensor-geral do Estado, Gabriel Furtado; a 1ª subdefensora pública-geral, Cristiane Marques; e os defensores públicos do Núcleo da Mulher, Isabella Miranda e Bruno Antônio.

Durante a reunião, foi ressaltado que o Maranhão registrou, em 2024, o segundo maior aumento percentual de feminicídios no país. Embora tenha sido observada redução de 27,5%, em 2025, nos casos consumados, as tentativas cresceram 60%, evidenciando o agravamento do cenário de violência contra a mulher.

""Esses números demonstram a necessidade de atuação responsável, técnica e estratégica. Não basta reagir; é fundamental prevenir. Hoje, cada instituição atua com seus próprios bancos de dados. O Observatório permitirá consolidar, compartilhar e transformar essas informações em políticas públicas mais eficazes”, ressaltou Iracema Vale.

Atualmente, o estado dispõe predominantemente de dados estatísticos quantitativos. Segundo a defensora Isabella Miranda, há lacunas na análise qualitativa das informações. “Sabemos quantas mulheres perdem a vida, mas ainda carecemos de dados sobre o contexto em que viviam, como: escolaridade, raça, renda, dependência econômica e acesso ao mercado de trabalho. A qualificação dessas informações é essencial para fortalecer a prevenção”, destacou.

Proteção à mulher – O Observatório será resultado de articulação institucional entre a Assembleia Legislativa e órgãos da rede de proteção à mulher, como a Defensoria Pública, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Secretaria da Mulher. A iniciativa prevê a integração de boletins de ocorrência, processos judiciais, medidas protetivas e dados da rede de atendimento.

A Defensoria Pública ficará responsável pela coordenação técnica do projeto e pela prestação de contas da aplicação dos recursos oriundos da emenda parlamentar, assegurando transparência e efetividade. Para o defensor-geral Gabriel Furtado, a parceria representa um marco institucional. “Com dados consolidados e qualificados, será possível direcionar políticas públicas com maior precisão e embasamento técnico”, afirmou.

O Observatório de Feminicídio do Maranhão se propõe a ser uma ferramenta estratégica para subsidiar decisões, fortalecer ações preventivas e ampliar a proteção às mulheres. “O enfrentamento ao feminicídio exige integração, conhecimento técnico e compromisso permanente. Nosso mandato está comprometido em transformar informação em ação e ação em proteção efetiva”, concluiu a presidente da Alema, Iracema Vale.

EDSON ARAÚJO PRESTARÁ DEPOIMENTO NA QUINTA FEIRA NA CPMI DO INSS


A CPMI do INSS confirmou, na reunião de ontem, segunda-feira (23), que o deputado estadual maranhense Edson Araújo (sem partido) será ouvido na comissão na próxima quinta-feira (26).

Edson Araújo teve seu depoimento adiado por motivos de doença, já que inicialmente o parlamentar deveria ter comparecido a CPMI do INSS no dia 09 de fevereiro, mas alegou que estava recém operado.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Pode-MG), confirmou para o vice-presidente da comissão, Duarte Júnior, (PSB-MA) a marcação do depoimento do parlamentar para quinta-feira. Edson Araújo.

“Na CPMI do INSS, destaquei a importância de ouvir Edson Araújo e avançar nas investigações. Os números impressionam: milhões movimentados, indícios graves e dinheiro que deveria estar com aposentados, pescadores e pessoas com deficiência. Não é briga de direita ou esquerda. É combater um esquema brutal que roubou os mais vulneráveis. Já garantimos mais de R$ 150 milhões devolvidos no MA. Seguiremos até o fim”, afirmou Duarte.

Edson Araújo, que está usando tornozeleira eletrônica, terá de explicar a origem de mais de R$ 73 milhões movimentados em cerca de um ano, uma vez que, após a quebra de sigilo bancário pela CPMI, foi verificado que ele recebeu R$ 54,9 milhões em junho de 2024 e R$ 18,5 milhões nos primeiros seis meses de 2025.


COM A PALAVRA - HISTORIETA DE MEU AGRADO XIV- POzR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

HISTORIETA DE MEU AGRADO XIV

 ("... a mente prega cada peça, que até parece duas")


    Um dia desses, estava na rua, absorto "em minhas demências", quando fui despertado pelos sussurros das pessoas, que ali estavam. A verdade é que passou uma adolescente, a chamar a atenção de todos. E ela, embora bem jovem, era senhora de si e sabia que "estava causando!"

     Mas, não quero falar da chamativa garota. Quero falar do que me assaltou naquele momento. De repente, me veio a palavra a defini-la, sem erro. "Reboculosa". Palavra, que fazia parte do meu cotidiano. Porém, há um bom tempo não falava, não ouvia, não lembrava. 

     O certo é que, com essa lembrança, um turbilhão de emoções me invadiu. Que palavra tão familiar e tão com cheiro de infância! Aí, fiquei a buscar palavras e expressões, que me sustentaram nos meus bons tempos infanto juvenis. 

     E, aí, "a jato", vieram surgindo "sabanoteira, gamela, púlcaro, cibuí", que hoje ninguém fala nem conhece. E o rosário vocabular só foi se estendo, a se revelar pródigo. 

      E, nessa efusão linguística, me sorriu "cucuruto, péréba, dispirôcô, incapetado". E, "pra compretá", vieram me invadindo "muitas e muitas pérolas", tão familiares e tão adormecidas, a me amaciarem os ouvidos, tão órfãos das mesmas. 

   E, não vou me fazendo de rogado, compartilho e homenageio o inigualável baixadês. E espero alcançar "o cabôco da gema", que "não se perde no mundo" nem se desliga da amada terrinha. Então, vamos lá!

    Só quem muito brincou na rua, e "apenas se basugava água no côro", sabe o que significa o recado, sêco e direto. "Vô iscová êssi piquino". E pretensa escova, geralmente, era um caco de telha ou uma bucha, resgatada da velha e segura cerca, prenhe de "tantos penduricalhos".

     E, até, poderia parar aqui e seguir em frente, sem maior preocupação. Só que a inquietação foi tanta que muitas outras expressões foram se materializando em minha mente, como a me empurrar à minha linguagem materna. E, de verdade, matei a saudade, ao me deparar com a dura realidade "di tentá ingabelá" alguém mais velho. A farsa caía fácil, fácil. "Êssi piqueno tá di cara limbida" ou "tá di miôlo móli" ou "vévi im ôto mundo!"

     E, nessa perspectiva, o repertório foi se engrossando. "Vesti uma rôpa melhózinha" não era nada mais do que "tomô um banho de loja" ou "paréci qui vaca lembeo êssa muleca". 

    E pecado mortal era aparecer em uma festa com roupa igual a alguém, que a sentença era certeira. "Tá di pá di jarro". E, "pra num perdê a viági", se houvesse "arguma paricença", a sentença se fazia plena. "Cara d'um fucinho dôto". O que não invalidava o antagonismo etário, que incomodava muita gente. "Tá na frô da idade", a enfrentar "ficô pra titia". Nem a hiperbólica irracionalidade foi esquecida. "Tá cum dhabo nu côro!"

     Só para bem ilustrar o riquíssimo repertório, em certa ocasião, fui ser padrinho em uma desobriga. Quando "foi servida a mesa", na casa do meu novo compadre, um dos irmãos do meu afilhado caiu na besteira de dizer que não comia galinha "dêssi jeito". Era ao molho pardo, acompanhada por um delicioso pirão de parida. Só pra fazer inveja! O certo é que a reprimenda veio sêca e com uma pitada de humor. O meu compadre olhou para "o estômago sensível" e mandou. "Qui cunversa é êssa?! Intonce, agora, tu iscólhi isculhão?!" 

     Ali, a cena, que era para ser constrangedora, se tornou em uma uníssona gargalhada, que "ecoou lá longe", no olho da palmeira de babaçu. E, o cúmulo da ironia, "u piqueno si sentô nu canto da mesa i cumeo tudinho, diritinho!" Aí, "butei foi fé nu meo cumpádi!"

       E não posso terminar por aqui, depois de um mergulho profundo e verdadeiro. Então, "vô inveredá pulos apilido", que foram presentes em minha trajetória e me trazem boas lembranças. Com a maioria, tive convivência fraterna. Alguns habitam o imaginário popular. 

    E o que importa, nesse universo linguístico fantástico, é que desfrutei do privilégio de conviver com tais pessoas, especiais e inesquecíveis. "Zé Barata, Farinha Barata, Pato Cozido, Chico Cu de Televisão, Bateria, Mandi, Buchudo ..."

    E "um ispecial" - não falo o nome, para não criar intriga - de um colega, de colégio, que trocou a moiçola pela avó. Daí, foi um pulo para José .. ..... se incorporar em "Zé das Velhas"; o que suscitou inúmeras desavenças e brigas de fato.

     E, como não poderia fechar este texto sem resgatar "lorota, gastura, paparicá e só quê sê", vou me despedindo saudoso ...


          Zé Carlos Gonçalves