segunda-feira, 22 de abril de 2013




MAMBEMBE
Enfio um barbante na agulha de saco
E alinhavo em pontos largos
A lona grossa,
Cobertura do circo
Pedaço de um dia distante
Onde palhaços sem graça
Arrancavam lágrimas
De uma platéia subnutrida
Alimentada de nada

Era menino e gritava na rua
Com outros meninos
As cantigas circenses

Malabaristas atiravam a esmo
Seus malabares de vento
E em pernas de pau
A vida se equilibrava.
Puída, a corda bamba ainda suportou
O peso dos meus sonhos,
A trapezista sentiu medo
E não realizou o próximo numero.

Animais famintos urravam a fome
Em jaulas frias.
A mulher de barba
Mendigou uma tesoura
E um barbeador

O homem enterrado vivo
Não viveu para ver
O próximo espetáculo
E apenas o mágico
Morrendo de fome
Tirou da cartola o último coelho
Que foi sacrificado
Para realizar
A sua última ceia.

Zé Lopes
Do livro “Bacabal  Alves de Abreu Sousa e Silva de Mendonça e da Infância Perdida”


domingo, 21 de abril de 2013


          
MAIS GUSQUE GUSMÃO
          E eis que Deus fez a terra redonda, uma bola habitável, impropria para o chute mas que inspirou outras bolas, de todos os tamanhos, pesos, cores e até formas. E eis que Deus mandou seu filho e seu filho encontrou Pedro, o santo que abre as torneiras do céu e faz chover na bola terra, esverdeando o tapete onde a bola chutável faz história. E eis que a bola terra encontrou Pedro, o Pedro Gusmão, que com os pés, abre as torneiras do talento e faz chover gols pelos campos da vida, irrigando uma história escrita com a própria bola e com as travas das suas chuteiras. Sem maltratar o tapete sagrado por onde pisa com mansidão, 
Pedro começa a formar a sua própria plateia e dar seus shows num palco tão particular, que vem se tornando rotina, milhares de retinas pararem em admiração ao seu talento. Ser bacabalense na atual conjuntura politica que a cidade se encontra, é muito difícil, mas é preciso se vestir de azul e branco e assumir que pertencemos a uma terra que pouco (ou não) nos valoriza, como se tivéssemos culpa, não de sermos bons, mas diferentes. Esse Pedro que traz “mão” no sobrenome, se sobressai com os "pés" fazendo do domingo festivo, muito mais festivo e o grito uníssono de gol que ele arranca da torcida,  faz toda uma cidade sonhar com uma enfadonha segunda-feira muito mais feliz. Pedro, tu és pedra e não estás sozinho e antes mesmo do galo cantar, não negarás três vezes a vitória a esse povo que clama ´por alegria e assim como virastes um pescador de vitórias, a bola cantará pra ti a eterna canção do imortal Raul Seixas: “Pedro onde ocê vai eu também vou” e toda essa massa azul e branca contracantará “É que tudo acaba onde acabou”, no fundo do gol. E fim de papo.













PRA RECORDAR





CAPA DO CD DE DÊNIS BRASIL

FOTO DO DIA





                     LUCILENE BORGES


DONA ANAZILDE

Além de carregar o pesado fardo
De nascer preta e pobre nesse país
Carregava dois filhos
Fruto de um casamento fracassado
E a vida ainda lhe deu como cruel esmola
Uma escoliose
Que como cruz
Deixou sua costa deformada.

As coisas nunca foram fáceis
Sua historia de luta
Daria livros e livros
Escritos a mão,
A mesma que amassou o pão asno
Que sustentou a prole.

A vida lhe deu agua e limão
Mas não lhe deu açúcar
Para adoçar a limonada
E para aumentar o amargor
Dos seus dias enfadonhos
Adoçou seu sangue
Lhe deixando até seu último suspiro
Refém da insulina.

Era o amos de nossas vidas
Tinha orgulho dos filhos
Dos netos, dos adotivos.
Tinha nos tristes olhos
O sol que mantinha acesa
A chama de um amanhã sem dificuldades.
Nos dentes mal cuidados,
Um sorriso sem graça
Amarelo, mas acima de tudo,
Um sorriso humano.
Suas palavras soavam como orações
E aniquilavam o ódio,
O mau humor, o rancor.

A soda cáustica, o acido acético,
A química de um viver corroído
Aliviado pelo trigo e pelo suco ensacado e congelado
Foi conservado pelo vinagre de álcool,
Irrigador da minha eterna embriaguez
Onde meus pensamentos
Se fundem e se confundem
Na lembrança viva
Da sua morte anunciada.

Zé Lopes

Retirada do livro ”Bacabal  ALVES DE ABREU SOUZA E SILDA  DE MENDONÇA E DA INFÂNCIA PERDIDA de Zé Lopes

” 

HISTÓRIAS DE BACABAL


O SEQUESTRTRO
         Seu Justino, pai de Hermano e Roberto, vendeu uma casa por vinte mil reais. Ao saber do rendoso negócio, Hermano tentou se dar bem simulando um sequestro. Ligou para seu Justino, disfarçou a voz e falou:
- seu Justino, aqui é um sequestrador e liguei pra dizer que estou com seu filho Hermano e para liberá-lo o resgate é de vinte mil reais!!!
Seu Justino respirou fundo, acendeu um cigarro, deu dois tragos e falou:
- Passe aqui agora mesmo, leve também o Roberto, que é o meu outro filho, que eu vou lhe dar quarenta mil reais.

BEC X BALSAS
 BEC X BALSAS



          Hoje pela quinta rodada do campeonato maranhense, no estádio José Clorrea o Correão, jogarão BEC X BALSAS. O Bacabal Esporte Clube precisa dessa vitória para assegurar antecipada a classificação para o quadrangular que definirá os dois finalistas do segundo turno. 

sábado, 20 de abril de 2013




MINHA AVÓ

Minha avó
Lavava no rio pela manhã
A roupa dos ricos da época.
À tarde, com um ferro a carvão
Passava toda aquela roupa.
Era sdua rotina diária,
Uma grande bacia
Sobre a rodilha
Em sua cabeça branca,
Sabão em barra,
Um cacete
E uma boneca de anil.

Minha avó lavava a sujeira dos outros
E buscava nas casas
As sobras de comida, a babugem
Para alimentar os porcos
Que ela criava no chiqueiro
No fundo do quintal.

Minha avó trazia no seu sorriso postiço
Um dente de ouro,
Nos pés um  chinelo de couro
E quando terminava a sua labuta diária
Pitava o seu cachimbo de barro
Com piteira de taquari
E na fumaça de fumo de rolo
Vi a corda que amarrou sua vida
Dentro de um casebre
Cercado de sonhos
Coberto de céu
E iluminado pelas estrelas.
Zé Lopes

Do livro “Bacabal Alves de Abreu Souza Silva de Mendonça e da Infância Perdida





BEC X BALSAS

AMANHà AS 16h NO CORREÃOà



FOTO DO DIA


ZÉ LOPES, ZEZIM TRABULSI, DONA MARIA ETERNA - MELHOR SAMBA "EXALTAÇÃO AO MEARIM" SALGUEIRO DO SAMBA