sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

COM A PALAVRA-SE NÃO FOR AMOR, EU CEGUE - POR DR. GILMAR PEREIRA


 

SE NÃO FOR AMOR, EU CEGUE


Quando a paixão ultrapassa a própria razão


Em 06/12/2025, o colunista Alexandre Saconi, do Portal UOL, publicou um episódio que pode, à primeira vista, parecer apenas uma história de amor, mas que foi, na verdade, um dos crimes mais impressionantes da França. Não pela quantia roubada ou por atentado contra a vida de alguém, mas justamente pelo objetivo: resgatar da prisão a pessoa amada.

Em 1986, uma mulher teve a ideia de aprender a pilotar helicópteros para tirar da prisão o marido, que havia sido encarcerado anos antes. O resultado foi um dos resgates mais impressionantes da história europeia — mas que, ao final, não compensou.

Marido preso

Em 1986, Michel Vaujour, então com 35 anos, cumpria pena por tentativa de homicídio e roubo à mão armada. Ele fora condenado anos antes a 28 anos de prisão pelos crimes.

Em 1979, já havia conseguido fugir da cadeia após render pessoas em um tribunal com uma arma falsa esculpida em um sabonete. Desde 1973, escapara outras três vezes, mas o resgate pelo qual passaria em 1986 seria o mais espetacular — e também o último.

Michel estava na prisão de La Santé, ao sul de Paris, e dividia cela com Pierre Hernandez. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy chegou a passar alguns dias preso no local após condenação por financiamento ilegal de campanha política na década anterior.

Aulas de helicóptero

Durante meses, uma mulher registrada nas aulas como Lena Rigon frequentou treinamentos de pilotagem de helicópteros. Ninguém suspeitava do motivo pelo qual ela, com pouco mais de 30 anos e mãe de família, se dedicava tão intensamente a obter a autorização para voar.

Relatos indicam que seu empenho impressionava os instrutores, que a incentivavam. No entanto, seu verdadeiro nome era Nadine Vaujour — esposa de Michel.

As aulas faziam parte de um elaborado plano para resgatar o marido. E o plano foi bem-sucedido.

O resgate

Na manhã de 25 de maio de 1986, Michel utilizou uma arma falsa e frutas pintadas para simular granadas, conseguindo passar pelos guardas da prisão de La Santé. Ele seguiu até o telhado, acompanhado de Hernandez, onde ocorreria a parte mais impressionante da fuga.

Nadine havia alugado um helicóptero em Paris e voou rumo à prisão, chamando atenção de quem observava a aeronave voando tão baixo na região. Do telhado, Michel subiu no helicóptero, deixando Hernandez para trás, já que este desistiu da fuga.

O casal voou por aproximadamente 15 minutos até o campo de futebol de uma universidade. De lá, entrou em um carro e desapareceu.

Reencontro com a lei

Em setembro do mesmo ano, Michel foi recapturado enquanto tentava assaltar um banco. Ele foi baleado na cabeça e entrou em coma, sendo identificado apenas por meio de digitais e tatuagens.

Dias antes, Nadine havia sido presa pelo auxílio na fuga do marido. Ela permaneceu detida por dois anos pelo crime.

Se Não For Amor, Eu Cegue

Esse episódio me traz à lembrança a letra da música “Se Não For Amor, Eu Cegue”, dos compositores Luiz de França, Guilherme Queiroga Filho e Oswaldo Lenine Macedo Pimentel.

Segue um trecho da letra, que ilustra muito bem este caso:

“Pode ser um lapso do tempo /

E a partir desse momento acabou-se a solidão /

Pinga gota a gota o sentimento /

Que escorrega pela veia e vai bater no coração /

Quando vê já foi pro pensamento /

Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão /

Livre, quando vem e leva /

E a pupila acessa do seu olho disse love /

Cai o medo tolo, cai o queixo /

Quando a terra sai do eixo e eu estou perto de ti /

Abre-se a comporta da represa /

Desviando a natureza pra um lugar que eu nunca vi /

Uma vida é pouco para tanto /

Mas no meio desse encanto o tempo deixa de existir /

É como tocar a eternidade /

É como se hoje fosse o dia em que eu nasci /

Lava a alma, leve e vai tranquila /

E a pupila acessa do seu olho disse love /

Bem, se não for amor, eu cegue /

Bem, se não for amor, eu fico /

Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti.”

Uma aventura amorosa inusitada, que mistura devoção extrema e reflexão sobre os limites do amor — quase um enredo de cinema — em que uma mulher, cega de amor, arquitetou um plano quase perfeito para resgatar o seu amado da prisão. Este episódio ficará na memória das pessoas como uma linda lição de um amor bandido que não teve um final feliz.

O que uma mulher não faz pelo seu amor? Ah, o amor é lindo…

Dr. Gilmar Pereira é Escritor, poeta, letrista e advogado

POESIA - ERRO - POR ZÉ LOPES

 


HOJE TEM SEXTA MÚSICAL NO BAR DO BULÃO

 



SEXTOU COM MUÇÃO

 


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

APROVADO PL DA DESIMETRIA

 

Depois de muita discussão e polêmica, a Câmara Federal aprovou na madrugada, o PL da Dosimetria, relatado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que altera o cálculo de penas aplicadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito, no episódio do 08 de janeiro, e pode reduzir significativamente o tempo de prisão

A votação da matéria iniciou pouco depois das 23h e se estendeu até 4h da manhã. No total, foram 291 votos favoráveis e 148 contrários. Todos os destaques votados em plenário foram derrubados.

Aprovada a redação final, o texto segue para o Senado, onde deve ser votado até o fim do ano. Caso o Senado também aprove, a proposta seguirá para sanção ou veto do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Os deputados federais do Maranhão votaram da seguinte forma: sete votaram a favor – Allan Garcês (PP), Aluisio Mendes (Republicanos), Cléber Verde (MDB), Josivaldo JP (PSD), Junior Lourenço (PL), Marreca Filho (PRD) e Pedro Lucas (União) – quatro foram contrários – Duarte Jr. (PSB), Fábio Macedo (Podemos), Márcio Jerry (PBdoB) e Rubens Júnior (PT) – e sete estavam ausentes – Amanda Gentil (PP), Detinha (PL), Josimar de Maranhãozinho (PL), Hildo Rocha (MDB), Márcio Honaiser (PDT), Juscelino Filho (União) e Pastor Gil (PL). 

Com o PL da Dosimetria, ocorrerá a unificação das penas pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito — hoje somadas pelo STF — e da retomada da progressão após 1/6 da pena, prevista no substitutivo nas regras gerais da execução penal para crimes não hediondos.

Na prática, por exemplo, a pena total aplicada ao ex-presidente, atualmente de 27 anos e 3 meses, cairia para algo próximo de 21 anos, permitindo avanço ao semiaberto em cerca de 3 anos e 6 meses.

TRES DEPUTADOS MARANHENSES FORAM CONTRA A CASSAÇÃO DE CARLA ZAMBELLI


Apesar da maioria dos deputados federais votar a favor da cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP), a parlamentar escapou da cassação e o processo foi arquivado.

No total, foram 227 votos a favor da cassação e 170 votos contra. Eram necessários 257 votos para que o mandato fosse cassado. A sessão ainda teve 10 abstenções. 105 deputados estavam ausentes.

A cassação seria uma consequência da condenação da deputada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter comandado uma invasão a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Entre os deputados do Maranhão, apenas três foram contra a cassação: Allan Garcês (PP), Junior Lourenço (PL) e Pastor Gil (PL). Votaram pela cassação: Aluisio Mendes (Republicanos), Amanda Gentil (PP), Cléber Verde (MDB), Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (União), Márcio Jerry (PCdoB), Pedro Lucas (União), Rubens Júnior (PT) e Marreca Filho (PRD). Ainda teve uma abstenção do deputado Fábio Macedo (Podemos) e foram cinco ausentes: Duarte Jr. (PSB), Detinha (PL), Josimar de Maranhãozinho (PL), Josivaldo JP (PSD) e Márcio Honaiser (PDT).

Suspenso – Já o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), o mesmo que decidiu ocupar indevidamente a cadeira da Presidência da Casa, no sentido de obstruir os trabalhos do plenário, teve o mandato suspenso por seis meses. O placar foi de 318 votos favoráveis e 141 contrários.

O motivo do processo de cassação é um episódio de abril de 2024, quando Glauber foi denunciado por ter chutado o militante do MBL Gabriel Costenaro durante uma discussão nos corredores da Câmara Federal.

ORLEANS BRANDÃO LIDERA PESQUISA PARA GOVERNADOR DO ESTADO

Na sua última pesquisa do ano, divulgada na noite de ontem, quarta-feira (10), o Instituto Econométrica apontou que o secretário de Assuntos Municipalistas do Maranhão, Orleans Brandão (MDB), lidera a disputa pelo comando do Palácio dos Leões.

Orleans aparece com 34,7% das intenções de voto. Ele é seguido pelo prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que tem 27,9%. Lahesio Bonfim (Novo), ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, tem 17,1% e o vice-governador Felipe Camarão (PT) aparece com 8,5%. O levantamento salientou ainda que 4,2% votariam nulo e 7,5% não sabem ou não respondeu.

A Econométrica fez um cenário sem a presença de Braide, que até o momento não confirmou que entrará na disputa. Nesse cenário, Orleans chegaria a 44%, contra 23,7% de Lahesio e 13,1% de Camarão. Seriam 8,7% nulos e 10,5% não sabem ou não responderam.

O levantamento assegurou ainda que o mais rejeitado entre os quatro pré-candidatos seria Lahesio com 24,1%, seguido de perto por Camarão com 23,1%. na sequencia, aparecem Orleans com 17,7% e Braide, o de menor rejeição, com 7,3%.

A pesquisa, contratada pelo Grupo Mirante, ouviu 1.365 eleitores nos dias 3 e 6 de dezembro. O levantamento tem intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos.

GILMAR MENDES RECUA SOBRE IMPEACHMENT DE MINISTROS



Depois de duas votações contrariando decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), uma na Câmara Federal e outra no Senado, parece ter sido o suficiente para o ministro do STF, Gilmar Mendes, recuar da sua decisão sobre impeachment de ministros do STF.

Gilmar Mendes decidiu suspender a polêmica decisão que dificultava a tramitação de pedidos de impeachment contra integrantes do STF. O ministro tirou a própria liminar do julgamento em plenário virtual e remeteu a análise para o plenário físico, com votação presencial dos ministros.

A ideia é que a data do julgamento no STF só seja marcada após a votação de um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional sobre o tema.

A decisão de Gilmar Mendes se deu por acordo articulado pelo ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com o aval do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e a participação do ministro Alexandre de Moraes, recordista de pedidos de impeachment.

Vale lembrar que o acordo foi costurado após os deputados federais terem aprovado o PL da Dosimetria e os senadores aprovarem a PEC do Marco Temporal, as votações acabaram sendo respostas a decisões do STF.

 Parece que o Congresso Nacional conseguiu mandar seu recado ao STF

VEM AI A REGENERAÇÃO DENTÁRIA


 Pesquisadores do Hospital Kitano em Osaka, Japão, e da Universidade de Kyoto iniciaram testes em humanos de um medicamento experimental capaz de regenerar dentes perdidos. Os cientistas esperam que este medicamento ofereça uma alternativa a dentaduras e implantes e que esteja disponível para uso geral até 2030, no máximo.

Segundo o Science Alert, a equipe, liderada por Katsu Takahashi, chefe do departamento de odontologia e cirurgia oral do Hospital Kitano, estuda há anos os genes responsáveis pelo crescimento dos dentes. Em 2021, eles publicaram um estudo na Scientific Reports, realizado com camundongos, que demonstrou como o bloqueio da proteína USAG-1 poderia permitir o crescimento de novos dentes.

O segredo da regeneração dentária

Em 2024, com resultados positivos em testes com animais, cientistas japoneses decidiram prosseguir para testes em humanos. Em uma entrevista de 2023, Takashi afirmou que, se o tratamento funcionar, as pessoas poderão recuperar dentes perdidos devido ao envelhecimento, acidentes ou doenças genéticas, sem a necessidade de dentaduras.

Como explica a revista Dentistry Today, ao inibir a proteína que produz o gene USAG-1, o corpo “lembra” que tem a capacidade de gerar novos dentes. Takahashi explica que os humanos retêm uma terceira geração de dentes na forma de germes dentários, que normalmente permanecem dormentes. Em pessoas com hiperdontia, essa capacidade é ativada naturalmente.

Este avanço soma-se a outras pesquisas relacionadas. Em 2018, um grupo de cientistas identificou células-tronco específicas (MDPSCs) capazes de regenerar o tecido da polpa dentária, enquanto em 2020 descobriu-se que o implante de células-tronco humanas em dentes danificados poderia reconstruir vasos sanguíneos e nervos.

Nesse mesmo ano, foi desenvolvido um hidrogel contendo células e micropartículas que ajudou a regenerar o osso dentário.

Uma meta ambiciosa para 2030

Em 2024, o tratamento começou a ser testado em 30 homens entre 30 e 64 anos que haviam perdido pelo menos um dente. Cada participante recebeu o medicamento por via intravenosa, e o período de acompanhamento durará 11 meses para avaliar sua segurança e eficácia.

Até o momento, experimentos anteriores com animais não mostraram efeitos colaterais, o que deixa os pesquisadores otimistas. Segundo o jornal The Mainichi, o próximo passo, se tudo correr bem, será aplicar a terapia em crianças que sofrem de uma condição congênita que impede o desenvolvimento de vários dentes.

Takahashi e sua equipe esperam que esse tratamento esteja disponível para o público em geral antes de 2030, tornando-se o primeiro medicamento do mundo capaz de regenerar dentes humanos.

Até agora, as soluções mais avançadas para substituir dentes perdidos têm sido implantes ou próteses, procedimentos que, embora eficazes, exigem cirurgia e manutenção e não se integram biologicamente ao corpo. A possibilidade de cultivar um dente natural a partir do zero abre um novo horizonte para a medicina regenerativa.

POESIA - SOMENTE UM ATO - POR RENATO DIONÍSIO


SOMENTE UM ATO


Teu olhar não me ofende e sim teu verbo,

Com esta força podes me assassinar em um só golpe,

Fazer de teu corpo e minha alma enxovalho,

Tanger-me sem compaixão para o cadafalso a galope.


Recusaste incontinente todo meu afeto e carinho,

Por que me hás de ferir com astúcia, se tens tanto,

Eu me fiz teu amante na incerteza e me dei tanto,

Porque me hás de ferir com tanto e grande encanto.


Quando queres meu amor sempre te impõe

Mas não insistas nisso, oh! Não! Que venha a morte,

Posto que se se morre de amor, que seja assim,

De pronto, em teu olhar, há de findar-me a triste sorte.


*Renato Dionísio