quinta-feira, 14 de maio de 2026

POESIA - O MORCEGO - AUGUSTO DOS SANTOS

 

O MORCEGO


Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.

Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:

Na bruta ardência orgânica da sede,

Morde-me a goela igneo e escaldante molho.


"Vou mandar levantar outra parede..."

— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho

E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,

Circularmente sobre a minha rede!


Pego de um pau. Esforços faço. Chego

A tocá-lo. Minh'alma se concentra.

Que ventre produziu tão feio parto?!


A Consciência Humana é este morcego!

Por mais que a gente faça, à noite, ele entra

Imperceptivelmente em nosso quarto!


Augusto dos Anjos 

HOJE TEM PAGODE DO PEDRO




quarta-feira, 13 de maio de 2026

FELIPE CAMARÃO TEM APOIO DE LULA


Como era esperado, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gravou vídeo onde anunciou apoio a pré-candidatura de Felipe Camarão (PT) para o Governo do Maranhão.

No vídeo, Lula pede que Camarão evite arrumar inimigos e consiga viabilizar mais amigos durante a disputa eleitoral.

Durante algum tempo, Lula defendeu uma unidade entre dinistas e brandonistas, já que ambos os grupos lhe apoiam no Maranhão, mas diante da impossibilidade de reeditar a aliança feita nas eleições de 2022, o presidente decidiu apoiar a pré-candidatura do seu partido, o PT.

No entanto, apesar da declaração de Lula, ainda existem alguns petistas trabalhando para que o partido possa ter um palanque duplo no Maranhão, para assegurar que Lula mantenha o bom desempenho nas eleições de 2026, que sempre teve em eleições anteriores.

PRA CANTAR DE GRAÇA NÃO BASTA SER SRTISTA, TEM WUE SER MARANHENSE


A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, lançou um edital de credenciamento de músicos, bandas ou grupos para a realização de apresentação cultural no Mirante da Cidade sem oferecer um cachê.

Além de não receber dinheiro pelas apresentações, os artistas ainda devem atender a uma lista extensa de compromissos e responsabilidades, conforme o edital.

Dentre elas: responsabilizar-se por todas as despesas dos equipamentos musicais e de transporte dos mesmos até o local de apresentação; e responsabilizar-se pelas despesas decorrentes da confecção de qualquer impresso ou material de decoração da sua exposição que não seja de responsabilidade da Secretaria Municipal de Turismo.

A gestão municipal alega que “ao oferecer esta apresentação de forma voluntária, os músicos visam não apenas apresentar seu repertório, mas também ampliar sua visibilidade, gerar futuras oportunidades profissionais e fomentar uma cena cultural mais ativa e participativa no local”.

O resultado do certame deve ser divulgado no próximo dia 22, e as apresentações devem iniciar no dia 11 de junho e seguem até o mês de dezembro. O projeto deve acontecer às quintas-feiras, das 17h30 às 18h30 no Mirante da Cidade, localizado no prédio da Secretaria Municipal da Fazenda, na rua do Egito

POPULAÇÃO DE ESTREITO RECEBE ORLEANS BRANDÃO COM FESTA

 

Em continuidade à agenda de diálogos com a população maranhense, o pré-candidato ao Governo do Estado, Orleans Brandão, esteve no município de Estreito, no dia de ontem, terça-feira (12), durante os atos comemorativos pelo aniversário de 44 anos da cidade. Acompanhado pelo prefeito Léo Cunha, ele cumpriu uma série de compromissos voltados à escuta das demandas locais, visita a obras e ao fortalecimento de apoios ao seu projeto político por parte das lideranças da região.

A agenda incluiu visitas a importantes investimentos em infraestrutura esportiva e urbana promovidos pelo Governo do Estado na cidade, como a Areninha Esportiva e as obras de revitalização da Orla de Estreito. Visitou também a área onde será construído o novo hospital municipal, que contará com 10 leitos de UTI.

Na ocasião, ele parabenizou os estreitenses, agradeceu a acolhida calorosa e reforçou o compromisso com a melhoria das condições de vida da população, destacando a importância do município para o crescimento do Maranhão, especialmente por sua localização privilegiada para logística, presença de indústrias e pelo comércio pujante.

“Mas a maior riqueza desta terra são as pessoas, gente trabalhadora que muito contribui para o desenvolvimento do município e do nosso estado. Por isso afirmo que quero seguir trabalhando por essa gente e por essa cidade tão querida, a qual parabenizo por seus 44 anos”, frisou.

Ao destacar os investimentos realizados pelo governo estadual em Estreito, principalmente quando esteve à frente da Secretaria de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão reforçou a importância de iniciativas que unem qualidade de vida e desenvolvimento econômico e social. A Orla de Estreito, localizada na Avenida Beira Rio, é uma dessas iniciativas. Ao visitar as obras de revitalização do espaço, ele destacou o impacto positivo das intervenções que transformam o local em uma área moderna voltada para o lazer, o turismo e a convivência social.

A Areninha Esportiva de Estreito também foi outro ponto visitado por Orleans. O espaço, que será inaugurado no próximo sábado (16), foi projetado para incentivar a prática esportiva e promover o lazer e a convivência comunitária, contando com campo de futebol, pista de caminhada, áreas acessíveis, praça de convivência e sistema de iluminação eficiente para uso noturno.

Além disso, Orleans lembrou que o município acaba de receber o anúncio de construção de um Centro de Hemodiálise, que será inaugurado ainda este ano.

Investimentos – O prefeito de Estreito, Léo Cunha, destacou a parceria e o compromisso de Orleans Brandão com o município, agradecendo pelo empenho na viabilização de importantes investimentos para a cidade.

“Quero começar agradecendo a você, Orleans, uma pessoa por quem tenho respeito e carinho, porque acompanhamos de perto o quanto você lutou por Estreito para trazer benefícios ao nosso município. As obras estão aí para mostrar esse compromisso, e nós somos muito gratos pelo seu empenho. O que estamos vivendo agora na saúde é motivo de grande comemoração: vamos receber um hospital novo, completo, com UTIs, algo que a nossa população sonha há muitos anos e que, em breve, será uma realidade”, disse Léo Cunha.

Participaram ainda da visita o deputado Antônio Pereira, o ex-secretário de Saúde Tiago Fernandes, vereadores municipais e outras lideranças da região.

COTA DE GENERO ,- AINDA NÃO VAI SER DESSA VEZ

Se já não bastasse o fato da ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, não ter priorizado a votação das ações sobre Cota de Gênero na sua gestão, mais uma mulher parece não querer dar celeridade para a conclusão desses julgamentos no TSE.

O recurso do PSD contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão, que considerou que o Podemos não usou candidatura laranja nas eleições de 2022 para deputado estadual, estava na pauta virtual do TSE para julgamento entre os dias 08 e 14 de maio, mas faltando dois dias para concluir o julgamento, a advogada Estela Aranha, atualmente ministra do TSE, pediu vista e terá um prazo de até 90 dias para se posicionar.

Vale ressaltar que o relator desse processo, o ministro André Mendonça, já havia votado e entendeu que o Podemos não respeitou a cota de gênero, determinando a anulação dos votos da chapa.

O curioso é que essa é a segunda vez que ministra Estela Aranha pede vistas em processos sobre Cota de Gênero no TSE, envolvendo o Maranhão. A advogada já havia pedido vista no recurso do PSC, que foi condenado no TRE por uso de candidatura laranja na mesma disputa eleitoral. Estela Aranha ainda não devolveu o processo.

A coincidência é que Estela Aranha é próxima do maranhense e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. A advogada trabalhou na gestão de Dino no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Outra grande coincidência é que um dos deputados do Podemos que perderia o mandato seria Leandro Bello, sobrinho do maranhense Ney Bello, desembargador federal e muito amigo de Flávio Dino.

Uma pena que algumas mulheres, quando podem, como no caso de Cármen Lúcia e Estela Aranha, parecem não ter preocupação em dar celeridade e concluírem os processos sobre Cota de Gênero, afinal é uma vergonha para Justiça Eleitoral que um processo questionando eventuais fraude nas eleições de 2022, ainda não tenha sido concluído em 2026.

É aguardar e conferir, mas é muito provável que os processos só sejam concluídos em 2027, fazendo com que, nesses casos, os eventuais crimes eleitorais compensem.




CRÔNICA - O 23 DE MAIO NAO FOI CARIDADE + POR ZEZINHO CASANOVA


O 13 de Maio não foi Caridade

Em Bacabal, maio sempre chega vestido de duas cores: o verde das margens do Mearim e o preto invisível da memória que o Brasil insiste em esconder debaixo do tapete da História.

Na Praça Santa Terezinha, enquanto os carros passavam cuspindo pressa e fumaça, seu Antônio Preto, “dono” de um boi sotaque de Zambumba, ajeitava lentamente o chapéu de palha. Sentado num banco gasto pelo tempo, parecia conversar com os fantasmas da cidade. Não os fantasmas de lençol branco das histórias de assombração. Eram outros. Fantasmas que carregavam correntes nos tornozelos e cicatrizes nas costas.

Um menino parou diante dele .Ayo com seus 12 anos não era formador de opinião, mas sua curiosidade em saber o porquê das coisas lhe dava ares de ter mais idade.

— Vô, é verdade que a Princesa Isabel libertou os escravos porque era boazinha?

Seu Preto soltou uma risada seca. Dessas que não nascem da alegria, mas do cansaço. O coração bateu forte feito a Zabumba do seu bumba-meu-boi.

— Menino… se bondade acabasse com escravidão, o mundo nunca tinha precisado de revolta.

O vento atravessou a praça como quem queria ouvir melhor. Seu Preto olhou para o rio Mearim com olhos fixos no passado.

— A abolição não foi presente. Foi derrota da elite escravista. – Afirmou  seu Preto com um tom de vitória.

O menino franziu a testa. Ayo queria apenas entender o que dissera a professora de história na escola.

— Derrota? – Questionou Ayo.

— Sim. Os fazendeiros lutaram até o último segundo pra manter nossos parentes  acorrentados. Compravam políticos, financiavam deputados, inventavam leis que pareciam liberdade, mas eram armadilhas com perfume de progresso.

Seu Preto apontou para o céu, como se lesse palavras invisíveis. A história de seus ancestrais estrava escrita e gravada na sua mente, quem contou foi sua vó Venancia do Seco das Mulatas.

— A Lei do Ventre Livre dizia que os filhos dos escravizados nasceriam livres… mas tinham que trabalhar até os vinte e um anos. Liberdade com coleira.

—E a Lei dos Sexagenários?

— Libertava os velhos quando o corpo já estava quebrado pelo trabalho. Era como devolver ao mar um peixe depois que ele já morreu.

O menino ficou em silêncio. Cada palavra que ele dizia surgiam em sua mente como imagens acústicas,

Ao redor, Bacabal seguia viva: mototáxis zunindo como insetos nervosos, vendedores gritando promoções, ônibus sacudindo poeira. A cidade parecia correr sem perceber que pisava sobre séculos mal enterrados. Eram fantasmas, almas penadas sociais que se viam na obrigação de assombrar o futuro.

— Então a princesa não acabou com a escravidão? – Quis entender Ayo curioso,

— Quem acabou foi o medo da elite de perder tudo. A Inglaterra pressionava. Os escravizados fugiam em massa. Quilombos como o São Sebastião dos pretos cresciam por toda parte. O Exército já se recusava a caçar fugitivos. A escravidão não foi desmontada com delicadeza. Ela apodreceu em praça pública.

Seu Raimundo levantou devagar. Seus passos eram devagar devido ao peso da história que carregava nos ombros.

Os olhos dele tinham uma tristeza antiga, dessas que passam de geração em geração como herança invisível. Essa herança agora se materializava em novas arapucas da modernidade.

— Quando veio o 13 de maio de 1888, a princesa assinou a tal da lei áurea, a elite perdeu os escravizados… mas não perdeu as terras, nem o dinheiro, nem o poder político. E sabe o que fizeram com os libertos? Nada. Porque o Brasil não deu escola, não deu terra, não deu trabalho digno. Jogaram o povo negro numa liberdade vazia, como quem solta alguém no meio da tempestade sem abrigo. Libertaram o povo negro da senzala, mas penduraram nossos descendentes nos morros, nas periferias e nas margens invisíveis do país

O menino olhou para as próprias mãos. As palavras do avô ecoavam na cabeça do menino como tambores atravessando o tempo...

— Então o racismo de hoje começou ali?

Seu Raimundo respondeu quase num sussurro:

— O racismo de hoje é a continuação daquela assinatura. Só trocaram as correntes de ferro por outras mais modernas.

A tarde começou a cair sobre o Rio Mearim. O céu parecia uma brasa acesa. Bonito de se ver de onde estava com o neto.

Do outro lado da praça,  professora   Raquel encerrava a aula dizendo aos alunos:

— A abolição foi um ato de humanidade.

Seu preto lhou para o neto sacudindo a cabeça em sinal de desaprovação ap que ouviu.  Respirou fundo. Depois falou baixinho, como quem conversa com o próprio país:

— Humanidade teria sido repartir terra. Construir escolas. Garantir dignidade. O 13 de maio não foi bondade. Foi uma derrota incompleta da escravidão.

O menino perguntou:

— E o Brasil ainda vive essa derrota? – Indagou Ayo.

Seu Preto olhou para os bairros pobres espalhados pela cidade, Setubal tinha todas as caraterísticas de um quilombo urbano, embora não fosse reconhecido, a Trizidela estava á sua frente. Visualizou em sua tela mental  os rostos negros a carregar  caixas, empurrando bicicletas, limpando vidros de carros nos sinais.

Então respondeu:

— Vive meu neto. Porque a senzala acabou no papel. Mas muita gente poderosa passou séculos construindo maneiras novas de deixar o mesmo povo do lado de fora da casa-grande.

O sino da igreja Santa Terezinha bateu seis horas. Era Padre Lauro com sua cara de Santo Barroco que fez dieta chamando para a Missa das sete.

E naquela hora, Bacabal inteira pareceu ficar alguns segundos em silêncio. Como se até a cidade tivesse entendido que liberdade sem justiça é só uma porta aberta para o abandono.


Por José Casanova

Professsor, Jornalista, escritor e cronista

membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade


TSE DEFINE JULGAMENTO SOBRE COTA DE GENERO DO PODEMOS

Na próxima quinta-feira, amanhã , (14), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá concluir o julgamento contra o Podemos por suposta fraude à cota de gênero nas eleições para deputado estadual de 2022 no Maranhão.

O julgamento, iniciado no dia 08 de maio, acontece em plenário virtual e pode colocar um fim no processo que se arrasta desde 2002. O relator do processo, o ministro André Mendonça, que entende que o Podemos não respeitou a cota de gênero, foi o único a votar.

O entendimento de Mendonça foi diferente do julgamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão que considerou que a legenda não cometeu irregularidades na disputa eleitoral de 2022. A decisão do TRE foi em 2024, o PSD, autor da ação, recorreu e vai aguardando a conclusão do processo.


COLUNA DO ZÉ LOPES ?- 13 DE MAIO

13 de maio — Dia da Abolição da Escravatura

O dia 13 de maio está marcado no calendário brasileiro como o dia quando, em 1888, foi decretada a Lei Áurea, determinando a abolição da escravatura.

O dia 13 de maio é uma data marcada na história brasileira como o dia quando, em 1888, a escravatura foi abolida em nosso país. Isso se deu por meio de uma lei conhecida como Lei Áurea, que foi assinada pela princesa Isabel, e a partir dessa lei, estima-se que mais de 700 mil escravos tenham recebido sua liberdade.

A abolição da escravatura foi resultado da luta realizada pelo movimento abolicionista, pela sociedade civil e pelos escravos durante as décadas de 1870 e 1880. A abolição da escravatura, no entanto, não foi acompanhada de medidas que integrassem a população negra na sociedade brasileira, por isso a data é vista como momento de luta contra o racismo pelo movimento negro.

O processo de abolição foi bastante lento, pois as elites brasileiras não desejavam abrir mão do trabalho escravo.

Os escravos libertos não receberam nenhum auxílio do governo brasileiro para se integrarem à sociedade.

O que é o Dia da Abolição da Escravatura?

O 13 de Maio celebra em nosso país o dia em que o trabalho escravo foi abolido, em 1888. A abolição foi concluída por meio da Lei Áurea, também conhecida como Lei nº 3.353. Essa lei foi assinada pela princesa Isabel, determinando que todos os escravos no Brasil se tornariam livres a partir da lei.

Os donos de escravos não receberam nenhuma indenização por parte do governo, e estima-se que mais de 700 mil escravos tenham sido libertos por meio dessa lei. O decreto dessa lei foi a conclusão de um processo de uma luta popular para que a escravidão fosse abolida. O Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão.

Luta abolicionista no Brasil

Diferentemente do que muitos pensam, a abolição da escravatura não foi uma benfeitoria da monarquia brasileira nem fruto da generosidade da princesa Isabel. Na verdade, a abolição no Brasil foi luta de engajamento popular e muita luta política para viabilizar a Lei Áurea. Essa luta foi realizada pelo movimento abolicionista brasileiro.

O movimento abolicionista no Brasil ganhou muita força a partir da década de 1870, em especial a partir da década de 1880. O movimento abolicionista pressionou a monarquia e incentivou a sociedade e os próprios escravos a lutarem pela abolição da escravatura. O processo de abolição da escravatura, no entanto, foi muito lento e se arrastou pela segunda metade do século XIX.

Isso se deve ao perfil das elites políticas do Brasil, majoritariamente escravocratas. Sendo assim, não havia interesse dessas elites em livrar-se do trabalho escravo no Brasil e, por isso, o processo de abolição foi realizado de maneira gradual.

Nesse cenário em que as elites não desejavam abolir a escravatura, uma série de leis foram tomadas para acabar com a escravidão de maneira gradual. O primeiro passo era acabar com o tráfico negreiro, algo que o Brasil vinha sendo pressionado pela Inglaterra para fazer. O Brasil até tinha proibido o tráfico negreiro, em 1831, mas a lei nunca foi efetivamente colocada em prática.

A pressão inglesa se ampliou com a Bill Aberdeen, uma lei por meio da qual os ingleses davam direito à sua marinha para atacar navios negreiros que estavam cruzando o oceano Atlântico na direção do Brasil. Essa lei foi muito mal recebida no Brasil e acirrou os ânimos entre Brasil e Inglaterra, mas cumpriu o propósito de forçar a proibição do tráfico negreiro no Brasil.

O tráfico negreiro foi oficialmente proibido em 1850, por meio da Lei Eusébio de Queirós, e isso iniciou o processo de transição até a abolição. O objetivo das elites políticas e econômicas do Brasil foi o de tornar esse processo o mais lento possível. Esse objetivo foi alcançado, uma vez que a escravidão no Brasil só foi abolida 38 anos depois.

Os debates pela abolição do trabalho escravo foram fracos até a década de 1870, mas existiam. Após a Guerra do Paraguai, o debate pela abolição ganhou espaço, e as primeiras medidas foram tomadas no sistema político brasileiro. O fortalecimento do abolicionismo levou ao decreto da Lei do Ventre Livre, em 1871.

Essa lei alforriou os filhos de escravas que nasciam a partir de 1871, mas os obrigava a trabalhar, pelo menos, até os oito anos para o dono da escrava. Essa lei foi encarada com desconfiança, mas foi amplamente explorada pelo abolicionismo no objetivo de conquistar a liberdade de muitos escravos.

Na década de 1880, a força do movimento abolicionista tomou a sociedade brasileira. O apoio à abolição conquistou as grandes cidades e teve adesão popular, e os abolicionistas incentivaram os escravos a fugirem de seu cativeiro. Além disso, o movimento abolicionista organizava panfletos e realizava eventos para divulgar a causa.

O fortalecimento da causa abolicionista foi acompanhado por uma reação escravocrata, e isso se deu por meio de associações que defendiam a escravidão no Brasil e que atuavam politicamente para retardar o avanço da causa abolicionista. Uma das leis abolicionistas, a Lei dos Sexagenários, foi considerada uma vitória dos escravocratas.

Essa lei é de 1885, determinando que escravos com mais de 60 anos conquistariam sua liberdade, devendo trabalhar como indenização ao seu antigo dono por mais três anos. No entanto, a lei fracassou no objetivo de retardar o avanço da abolição. No movimento abolicionista destacam-se muitas personalidades negras que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil, como André Rebouças e Luís Gama, por exemplo.

Abolição da escravatura

A força da causa abolicionista levou ao decreto da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Como já citado, essa lei aboliu em definitivo a escravidão do Brasil. Muitos historiadores entendem que o decreto da abolição foi uma reação da monarquia para salvar-se politicamente e de parte da elite, interessada em enfraquecer os debates de reforma agrária, que ganhavam espaço junto aos debates abolicionistas.

A abolição da escravatura, no entanto, não foi acompanhada de medidas para inserir a população negra na sociedade brasileira. Essa parcela do país continuou sendo marginalizada, não tendo acesso à terra, nem à educação, nem a oportunidades dignas. Esse fato levou o movimento negro a ver o 13 de Maio como um momento de reforçar a importância da luta contra o racismo no Brasil, que, ainda hoje, no século XXI, é um grande problema em nosso país.


Zé Lopes 


POESIA - SOU NEGRO - SOLANO TRINDADE

 ...

SOU NEGRO 


Sou negro

meus avós foram queimados

pelo sol da África

minh’alma recebeu o batismo dos tambores

atabaques, gongôs e agogôs

Contaram-me que meus avós

vieram de Loanda

como mercadoria de baixo preço

plantaram cana pro senhor de engenho novo

e fundaram o primeiro Maracatu


Depois meu avô brigou como um danado

nas terras de Zumbi

Era valente como quê

Na capoeira ou na faca

escreveu não leu

o pau comeu

Não foi um pai João

humilde e manso

Mesmo vovó

não foi de brincadeira

Na guerra dos Malês

ela se destacou


Na minh’alma ficou

o samba

o batuque

o bamboleio

e o desejo de libertação


Solange Trindade