quarta-feira, 19 de agosto de 2026

CARLOS BRANDÃO VAI AO STF CINTRA INQUÉRITO INSTAURADO POR FLAVIO DINO

A defesa do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), decidiu acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender o inquérito policial instaurado por determinação do ministro Flávio Dino que envolve o assassinato ocorrido no edifício Tech Office, na capital maranhense.

Os advogados defendem que caberia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), e não o STF, conduzir investigações criminais envolvendo governadores. O entendimento inclusive é o mesmo defendido pela Procuradoria Geral da República.

A ação apresentada no STF sustenta ainda que o ministro Flávio Dino teria violado o princípio do “juiz natural”, o devido processo legal e o sistema acusatório, que separa as funções de investigar, acusar e julgar.

Existe a possibilidade de que ainda nesta terça-feira (18) seja sorteado o relator desta ação no

FELIPE CAMARÃO DIZ QUE SÓ AGORA O ELEUTOR VAI SE INTERESSAR POR POLÍTICA

A Rádio Mirante News FM finalizou na manhã  de ontem, terça-feira (18) as entrevistas com os candidatos ao governo do Maranhão. Felipe Camarão (PT) foi o último candidato entrevistado no programa Ponto Final, com os jornalistas Jorge Aragão, Ronaldo Rocha e Alessandra Rodrigues

Durante a sabatina, o candidato destacou que os investimentos no ensino público e na qualificação profissional serão o eixo central de sua gestão.

“A minha principal marca será educação. Retomada do programa escola digna, ampliação de escola em tempo integral com ensino profissionalizante. Colocar ensino superior em todas as cidades”, declarou.

Camarão também comentou sobre o atual cenário eleitoral no Maranhão. O candidato do PT ressaltou que agora que o eleitor vai acompanhar as eleições de 2026.

“Em todas as pesquisas já divulgas tem um número interessante, no levantamento espontâneo (onde não são apresentados os nomes ao eleitor) mais de 50% dos entrevistados não sabem em quem votar. Isso reflete que o eleitor ainda não começou a acompanhar a eleição e, consequentemente, não definiram seus votos. Acredito que a disputa nacional terá reflexo nas eleições do Maranhão”, destacou.

Clique aqui e veja a entrevista na íntegra

OPINIÃO -:DAS RAÍZES QUE NOS SUSTENTAM ÀS SEMENTES DO AMANHÃ OU COMO A CULTURA POPULAR E AS PRÁTICAS COMUNITÁRIAS CONSTROEM O PRESENTE E PROJETAM O FUTURO* - POR EUCLIDES MOREIRA NETO

DAS RAÍZES QUE NOS SUSTENTAM ÀS SEMENTES DO AMANHÃ OU COMO A CULTURA POPULAR E AS PRÁTICAS COMUNITÁRIAS CONSTROEM O PRESENTE E PROJETAM O FUTURO

Sem valorizar quem faz cultura na base e quem cuida do próximo, não haverá futuro justo. É nas periferias que se planta o amanhã.

Vivemos um tempo em que se fala muito de futuro. De inovação, de tecnologia, de "disrupção". Mas há uma pergunta que raramente é feita com a seriedade que merece: sobre que chão esse futuro está sendo construído? Que alicerces sustentam o presente que vivemos hoje? 

Se olharmos com atenção para fora das manchetes, para fora dos gabinetes e dos grandes centros de decisão, encontraremos a resposta nas ruas, nas praças, nos barracões, nas escolas públicas, nas cozinhas comunitárias e nos terreiros. Encontraremos nas referências passadas. Mais especificamente, encontraremos na cultura popular e nas práticas comunitárias que, há séculos, são as verdadeiras arquitetas da nossa sociabilidade.

Esta matéria é uma defesa. Uma defesa da memória, da arte feita pelo povo e para o povo, e das ações que tiram do anonimato aquela parcela da sociedade que insistem em chamar de "invisível". Porque invisível ela só é para quem não quer ver.

*A MEMÓRIA COMO PROJETO: ENTENDENDO AS REFERÊNCIAS PASSADAS*

Comunicação, linguagem e cultura são indissociáveis. Não comunicamos ideias soltas no ar. Comunicamos histórias, símbolos, afetos que herdamos. A linguagem não nasce no vazio. Ela é forjada na convivência, no trabalho coletivo, na festa e na dor. E a cultura é justamente o nome que damos a esse acúmulo de sentidos.

Quando falo em "referências passadas", não estou falando de nostalgia. Nostalgia paralisa. Referência mobiliza. É o tambor que já soou ontem e que hoje convoca a juventude para o ensaio. É a receita da avó que vira cardápio de uma cozinha solidária. É o enredo de uma escola de samba de 1998 que inspira a temática de 2027.

Negar essas referências é praticar um epistemicídio. É matar formas de saber que não cabem em planilha, mas que sustentam a vida em comunidade. O Brasil, e o Maranhão de forma muito potente, é um país forjado na mistura. E essa mistura não aconteceu nos livros. Aconteceu na roda. Aconteceu no sincretismo do Bumba Meu Boi. Aconteceu na resistência do tambor de crioula, patrimônio da humanidade. Aconteceu no cordel, na cantoria, no cacuriá, no reggae. 

Essas manifestações são marcas indeléveis porque elas cumprem uma função social que o Estado, muitas vezes, não cumpre: a de criar pertencimento.

*A CULTURA POPULAR COMO TECNOLOGIA SOCIAL*

Chamamos de "tecnologia" tudo aquilo que resolve um problema humano. Nesse sentido, a cultura popular é uma das mais sofisticadas tecnologias sociais que já inventamos.

Vejamos o exemplo dos grupos carnavalescos e juninos. Pegue a Sociedade Recreativa Favela do Samba. O que ela faz? Ela pega jovens que poderiam estar na ociosidade ou na vulnerabilidade e os coloca para criar. Para costurar, para dançar, para tocar, para pensar um enredo. Isso é educação. É comunicação. É economia criativa.

Quando a Favela do Samba anuncia para 2027 o enredo "GAMAR: O MÁGICO SEMEAR DE ARTES, SONHOS E TRANSFORMAÇÕES", inspirado no Grupo de Arte da Escola Estadual Maria José Aragão, ela está fazendo duas coisas: prestando homenagem e semeando o futuro.

O trabalho do professor Wilson Chagas, com o GAMAR, foi e é fundamental. Wilson usou o teatro, a dança e a poesia como ferramenta pedagógica para tirar crianças e adolescentes da vulnerabilidade. Resultados concretos: jovens na universidade, diminuição da violência, livros publicados, espetáculos que marcaram a cidade. Do "Poema Sujo" a "A Carne Mais Barata do Mercado é a Carne Negra", o GAMAR provou que arte transforma.


Ao levar esse enredo para a avenida, a escola está ensinando a cidade inteira que a cultura não é supérflua. É estruturante.

*PRÁTICAS COMUNITÁRIAS: A ÉTICA DO CUIDADO EM AÇÃO*

Se a cultura popular é a alma, as práticas comunitárias são o corpo. São a materialização do cuidado. E é aqui que a sociedade como um todo tem muito a aprender.

Durante a pandemia, quem segurou a barra? Foram as cozinhas solidárias, os coletivos de bairro, as igrejas, os grupos de mães. Abaixo veja 5 exemplos que a sociedade precisa copiar:

*1. Cozinhas e Geladeiras Solidárias*  

Grupos que cozinham coletivamente para distribuir marmitas. Mais que matar a fome, é um ato que diz: "você não está sozinho". É a economia do cuidado em prática.

*2. Projetos de Arte-Educação nas Periferias*  

Como o próprio GAMAR. Em vez de investir em repressão, investiu-se em expressão. Deu-se palco e microfone. O resultado foi acesso à universidade e cidadania. Qualquer política pública séria para a juventude precisa começar por aqui.

*3. Bibliotecas Comunitárias e Saraus de Periferia*  

Moradores transformam garagens em pontos de leitura. Fazem batalha de rima e contação de história. Estão criando um território de imaginação. Isso combate a desigualdade de repertório.

*4. Mutirões de Reaproveitamento para Festas Populares*  

É a luta das escolas de samba. Construir um carro alegórico sem verba é um exercício de engenharia social. É pedir doação de cano, de ferro. É transformar lixo em luxo. Quando a Favela do Samba solicita materiais para suas alegorias, ela está oferecendo à sociedade um espetáculo gratuito, educativo e democrático. Está gerando emprego e identidade.

*5. Redes de Apoio entre Vizinhos*  

Rodas de conversa de mulheres, grupos de idosos. São espaços onde a dor é dividida e a solução é construída coletivamente. O Estado muitas vezes não tem capilaridade para isso. A comunidade tem.

*O "INVISÍVEL" E A QUESTÃO DA JUSTIÇA SOCIAL*

Chamar uma parcela da sociedade de "invisível" é um ato de violência. Invisível para quem? Para o poder público que não coleta lixo? Para a mídia que só vai na comunidade quando tem tragédia?

O que vemos nas comunidades é o oposto da invisibilidade. Vemos gente que cria, que trabalha, que cuida, que reza, que canta. O que falta não é visibilidade. O que falta é reconhecimento.

Reconhecer é pagar o mestre de cultura. Reconhecer é dar estrutura para a escola de samba. Reconhecer é comprar do pequeno produtor da feira comunitária. Defender ações para os mais carentes não é assistencialismo. É reparação histórica.

*COMUNICAÇÃO, LINGUAGEM E O FUTURO QUE QUEREMOS*

Como pesquisador da área, encerro com uma reflexão: o futuro será disputado no campo dos sentidos. Que narrativas vamos contar sobre nós mesmos? 

A linguagem que usamos para falar das periferias importa. Chamar de "favela" com orgulho, como faz a Favela do Samba, é um ato político. Mostrar o brilho da fantasia feita com material reaproveitado é um ato político. 

O jornalismo tem um papel fundamental nisso. Nosso papel não é apenas noticiar o fato. É contextualizar. É mostrar que atrás de cada carro alegórico tem 6 meses de trabalho. Que atrás de cada marmita tem uma rede de mulheres que não dorme.

*CONSIDERAÇÕES FINAIS: SEMEAR PARA COLHER*

As referências passadas são as sementes. A cultura popular é a terra fértil. As práticas comunitárias são a água e o cuidado diário.

Não vamos colher um futuro de paz e justiça se hoje negarmos adubo para quem planta. O Maranhão e o Brasil precisam de políticas públicas que entendam a cultura não como custo, mas como investimento. Que entendam a comunidade não como problema, mas como solução.

Enquanto isso não acontece de forma plena, a responsabilidade segue sendo nossa. De apoiar. De divulgar. De doar. De participar. De reconhecer.

Porque o presente que vivemos foi construído por mãos anônimas. E o futuro que sonhamos só será digno se for construído pelas mesmas mãos.  

Que não sejam mais invisíveis.


*_Por Euclides Moreira Neto - PhD em Comunicação, Linguagem e Cultura – UNAMA e Professor do Curso de Jornalismo – UFMA_

POESIA - TRAPÉZIO - ZÉ CHAGAS



TRAPÉZIO


O tempo se esvai

pela janela do mundo

suicida-se o eternoem nós

e a vida não devolve senão

os ossos

construção precária

que é já de início

as ruínas do ser

O esqueleto cai

 do seu trapézio de sonho

e resta-lhe o aplauso do nada.


 José Chagas 


terça-feira, 18 de agosto de 2026

CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL JANSEM PENHA, INFORMA


O candidato a deputado federal Jansem Penha, que dentro do seu planejamento de campanha, , faz visitas diárias a várias cidades do estado, usou suas redes sociais para informar os preparativos para seu primeiro pronunciamento oficial. Diz a nota:

"Informo aos amigos e a todos maranhenses que estou cuidando da parte burocrática para então fazer meu primeiro pronunciamento sobre minha candidatura a Deputado federal com o N° 3333. O Maranhão Levado à Sério!. Aguardem.

Jansem Penha

45 MUNICÍPIOS MARANHENSES TERAO FORÇAS FEDERAIS NO 1º TURNO DAS ELEIÇÕES

Em sessão administrativa realizada na tarde de onten,  segunda ( 17), a Corte do Tribunal Regional Eleitoral aprovou, por unanimidade, o pedido de requisição de força federal a 45 municípios maranhenses para o primeiro turno das eleições de 2026. O pedido foi apresentado pelo corregedor eleitoral, desembargador Sebastião Bonfim, relator do processo.

Em seu voto, após consulta às zonas eleitorais e análise da Assessoria de Segurança Institucional e Inteligência do TRE-MA, além das informações produzidas pelas instituições de segurança pública, o relator concluiu que estão presentes os requisitos necessários para o encaminhamento do pedido. A seleção das localidades foi realizada com base em análise técnica e em elementos concretos de risco e vulnerabilidade. Durante a instrução do processo, também foram excluídos municípios cujas justificativas não apresentavam grau suficiente de individualização ou objetividade.

A decisão do Tribunal Regional Eleitoral será encaminhada ao governador do Maranhão para ciência e manifestação quanto ao reforço na segurança pública. Em seguida, o pedido será encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Regras para autorização – A requisição de Força Federal para garantir a normalidade das eleições tem fundamento no artigo 23, inciso XIV, do Código Eleitoral, e é regulamentada pela Resolução TSE 21.843/2004. O pedido é formulado pelo juiz ou juíza eleitoral da respectiva zona e encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral, que, após análise, o remete ao TSE, órgão competente para a autorização.

Cabe ao Plenário do Tribunal Superior Eleitoral analisar os pedidos. Se aprovados, eles são encaminhados ao Ministério da Defesa, responsável pelo planejamento e pela execução das ações a serem implementadas pelas Forças Armadas.

Relação dos Municípios: Afonso Cunha; Altamira do Maranhão; Amarante do Maranhão; Anapurus; Araioses; Arame; Axixá; Bacuri; Barra do Corda; Bom Jardim; Bom Lugar; Brejo; Buriticupu; Cachoeira Grande; Cantanhede; Centro do Guilherme; Centro Novo do Maranhão; Cururupu; Dom Pedro; Fernando Falcão; Formosa da Serra Negra; Governador Nunes Freire; Grajaú; Itaipava do Grajaú; Jenipapo dos Vieiras; Joselândia; Lago do Junco; Lima Campos; Maranhãozinho; Mata Roma; Montes Altos; Nova Olinda do Maranhão; Pirapemas; Presidente Sarney; Presidente Vargas; Santa Luzia; Santa Quitéria do Maranhão; Santana do Maranhão; São Domingos do Azeitão; São Luís Gonzaga do Maranhão; Serrano do Maranhão; Sítio Novo; Tuntum; Turilândia; e Viana

TRIBUNAL DE CONTAS DO MARANHÃO SOB O COMANDO DE MARCELO TAVARES

Após o afastamento do conselheiro Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, os conselheiros do TCE-MA já se reuniram e decidiram quem vai responder pelo órgão.

O conselheiro escolhido foi Marcelo Tavares, aliado de Flávio Dino. Tavares foi indicado e nomeado conselheiro do TCE-MA em setembro de 2021, quando ocupava o cargo de chefe da Casa Civil do governo estadual sob a gestão de Dino.

Marcelo Tavares, que já presidiu o TCE-MA, volta ao cargo para conduzir a Corte durante 180 dias, período de afastamento de Daniel Brandão.

O afastamento ocorre em meio ao aumento da tensão entre o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e o ministro Flávio Dino, antes aliados. Na semana passada, Brandão criticou publicamente a atuação do ministro em processos envolvendo integrantes de seu grupo político e questionou uma possível interferência política em decisões relacionadas ao Maranhão

DANIEL BRANDAO É AFASTADO POR FLAVIO DINO DA PRESIDENCIA DOBTCE


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu, no dia de ontem, segunda-feira (17), afastar o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, Daniel Brandão, da presidência do órgão.

A determinação decorre de processos que tramitam no STF e de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos, obstrução da Justiça e possíveis relações com o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, ocorrido em São Luís, em 2022.

O afastamento de Daniel Brandão, determinado por Dino, é de 180 dias. Além disso, o ministro proibiu o conselheiro do TCE/MA de acessar os sistemas internos e as dependências do órgão. O ministro também estabeleceu restrições de contato com pessoas relacionadas à investigação.

Dino justificou o afastamento pelo fato de que Daniel Brandão, como presidente do TCE/MA, “teria poder de influenciar diretamente as investigações em andamento”. (Veja aqui a decisão).

PGR FOI CONTRA O AFASTAMENTO DE DANIEL BRANDÃO 

O presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, Daniel Brandão, emitiu uma Nota se posicionando sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que afastou, no dia de onten,  segunda-feira, o conselheiro por 180 dias.

Daniel Brandão diz que tomou conhecimento através da imprensa e que recebeu a decisão com perplexidade. Além disso, o conselheiro, mais uma vez, reafirmou que é inocente e segue à disposição do Poder Judiciário. O presidente afastado salientou ainda que a Procuradoria Geral da República foi contrária ao seu afastamento. Veja abaixo.

Tomei conhecimento, por meio da imprensa, da decisão que determinou meu afastamento da função de Conselheiro-Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Embora ainda não tenha sido oficialmente notificado de seu teor, recebo a notícia com profunda perplexidade, mas com a serenidade dos inocentes.

Reafirmo, de forma categórica, minha absoluta inocência e minha confiança de que a verdade dos fatos será devidamente esclarecida. Desde o início, sempre estive e continuo inteiramente à disposição das autoridades policiais e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, tendo, inclusive, peticionado espontaneamente nos autos, colocando-me à disposição para ser ouvido.

Sempre pautei minha atuação pelo respeito ao cumprimento das leis, às instituições e ao Poder Judiciário. Por essa mesma razão, embora discorde profundamente da medida cautelar adotada – que, aliás, é contrária ao parecer da Procuradoria Geral da República – cumprirei integralmente a decisão judicial, ao mesmo tempo em que adotarei, pelos meios legais, todas as providências cabíveis para exercer plenamente meu direito de defesa para que reste provada a verdade dos fatos.

Com tudo isso, o afastamento de Daniel Brandão deverá ter desdobramento.

REGINALDO LIMA, MAIS UM CANDIDATO AO GOVERNO DO MARANHÃO QUE FOGE DA SABATINA DA RADIO MIRANTE

Na manhã de ontem, segunda-feira (17), a Rádio Mirante News FM, no programa Ponto Final, deu sequência às entrevistas aos candidatos a governador do Maranhão. Reginaldo Lima (PCB) seria o sexto entrevistado a participar da sabatina, mas, segundo informações da assessoria ao Grupo Mirante, o candidato não conseguiria chegar a tempo da entrevista.

Reginaldo Lima tem 43 anos, é radialista e natural de Imperatriz, a 629 km de São Luís. Secretário político do Comitê Regional do PCB no Maranhão, ele já participou de uma eleição municipal como candidato a vice-prefeito de Imperatriz.

Hoje, terça-feira (18), o Ponto Final receberá Felipe Camarão (PT), finalizando as entrevistas aos candidatos a governador do Maranhão

OPINIAO - O PÚBLICO E O PRIVADO - POR MERVAL PEREIRA

Ainda segue repercutindo a decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que autorizou uma operação de busca e apreensão contra o jornalista maranhense, Luís Pablo, para investigar a origem de informações divulgadas sobre o colega ministro Flávio Dino.

O jornalista e colunista de O Globo, Merval Pereira, fez o artigo “O público e o privado” tratando do assunto com muita propriedade e tecendo duras críticas as decisões dos ministros e ressaltando que a questão passou a representar uma ameaça à liberdade de imprensa. Veja abaixo na íntegra.

O PÚBLICO E O PRIVADO – Por Merval Pereira

Uma briga política do Maranhão, ou de qualquer estado brasileiro, não vale a nacionalização de uma crise institucional que revela o caráter autoritário da instituição que deveria zelar pelo cumprimento da Constituição.

A medida da decisão autoritária do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de ordenar uma busca e apreensão na casa de um jornalista para descobrir a fonte da denúncia deste contra seu colega Flávio Dino é transformar um caso de política regional em crise institucional, afetando a liberdade de imprensa.

O ponto de partida é simples: nenhuma autoridade tem o direito de apreender celulares e computadores de jornalistas com o objetivo de descobrir quem lhes deu uma determinada informação.

Se considera tão grave o fato a ponto de se mover rapidamente para defender Dino, o Judiciário tem o dever de investigar, mas não pode avançar sobre a liberdade de imprensa, não importa que o jornalista maranhense seja corrupto — como acusam — ou que Dino não tenha cometido nenhuma ilegalidade.

Dino e sua família têm direito a usar carro blindado para ir à praia, pois são ameaçados? Basta rebater as acusações demonstrando que têm essa permissão. Podem também processar o autor da denúncia falsa. Nada além disso. Para defender seu colega de toga, Moraes, relator do inquérito das fake news, que já dura sete anos sem conclusão — o que pode demonstrar incompetência ou vontade de manter aberto um inquérito como a espada de Dâmocles sobre a cabeça dos opositores —, atravessou uma linha perigosa num país que lutamos para manter democrático, como o Brasil.

Tudo indica que a perseguição de que Dino se considera vítima tem a ver com o outro lado da mesma moeda, sua atuação como político. Ex-governador do Maranhão, ele está em disputa com seu grupo pelo poder político no estado.

Não há nada que envolva nessa disputa o STF, onde Dino assumiu o cargo depois de ser ministro da Justiça do governo Lula. Se é uma disputa de sua outra persona, de político, que deveria ter sido apagada no momento em que assumiu a cadeira no Supremo, Dino não poderia pedir apoio do tribunal a que pertence para perseguir seus adversários maranhenses.

Agindo com uma visão autoritária, Moraes afrontou uma pedra basilar do sistema democrático, a liberdade de informação, sem que fosse aberta uma investigação para definir se houve calúnia ou difamação no caso. Se houver, o jornalista pode ser processado por quem se considerou atingido, sem que a liberdade de imprensa seja aviltada.

Transformar o caso maranhense em crise nacional demonstra como os ministros do Supremo se consideram inatingíveis. Deixam de investigar o caso em si para investigar quem deu a informação, falsa ou verdadeira. A quebra de sigilo bancário do jornalista é um absurdo, vulnerável a enganos, como já aconteceu.

O caseiro Francenildo Costa, principal testemunha de acusação contra o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que frequentava a “casa do lobby” em Brasília, teve em 2006 seu sigilo bancário quebrado ilegalmente pelo presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso — a pedido do assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto. Foi descoberto um depósito de cerca de R$ 40 mil, que atribuíram a um suborno que o caseiro recebera para acusar Palocci. No entanto, depois ficou provado que o dinheiro fora enviado por seu pai biológico.

Os R$ 100 mil que a Polícia Federal diz ter encontrado na conta do jornalista podem ser mesmo fruto de suborno, como acusam. Mas a maneira como se chegou a essa conclusão fere os princípios democráticos.

Moraes perece ter passado por cima de alguns passos legais para saber quem foi a fonte do jornalista, e com que intenção. Pode ser tudo verdade, mas uma briga política do Maranhão, ou de qualquer estado brasileiro, não vale a nacionalização de uma crise institucional que revela o caráter autoritário da instituição que deveria zelar pelo cumprimento da Constituição.