quinta-feira, 27 de agosto de 2026

PARA O GOVERNO DO MARANHÃO,l E PARA O SENADO SÓ UMA CANDIDSTURA DEFERIDA

De acordo com o site oficial da justiça Eleitoral, das oito candidaturas ao Governo do Maranhão, até o momento, apenas uma já foi deferida, as demais estão aguardando julgamento.

O único candidato que teve sua candidatura deferida pela Justiça Eleitoral é o candidato André Luís (Missão). Vale ressaltar que as outras sete estão aguardando um posicionamento do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.

No senado, a situação é semelhante, uma vez que apenas uma candidatura, das onze registradas, foi deferida.

A única candidatura ao Senado pelo Maranhão já julgada e deferida é a de Wilson Leite (PSTU). As outras dez estão aguardando o julgamento.

DEPUTADA JANAINA E DELEGADO ASSIS RAMOS REAGEM AO SFASTAMENTO


A deputada estadual Janaina e o delegado Assis Ramos, através de vídeos, se manifestaram na tarde de ontem, quarta-feira (26) sobre a decisão judicial que determina o afastamento de ambos das respectivas funções.

A parlamentar disse que não foi notificada decisão e que tomou conhecimento através da imprensa. Janaina lamentou que situações envolvendo seu ex-marido Assis Ramos, poderia lhe atingir, e que sua candidatura à reeleição está aprovada pela Justiça Eleitoral.

Já o ex-prefeito de Imperatriz se disse surpreso com a decisão e que também não foi notificado. Assis Ramos, assim como o Blog disse mais cedo, a decisão, num primeiro momento, não tem efeito algum, já que ele está afastado para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

A decisão de afastar a deputada Janaína e o delegado Assis Ramos das funções públicas foi do juiz Joaquim da Silva Filho, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Imperatriz, em ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público do Maranhão.

DEBATE CONFIRMADO

O Imirante.com e a Rádio Mirante News realizam, na próxima quinta-feira (3), o debate com os candidatos ao Governo do Maranhão nas eleições 2026. O encontro será realizado nos estúdios do Grupo Mirante, com início às 10h e duração de aproximadamente duas horas.

O debate será transmitido ao vivo pelo Imirante.com e pelo canal do portal no YouTube e pela Mirante News. A mediação será da jornalista Carla Lima.

Foram convidados para o debate todos os candidatos ao Governo do Maranhão: André Luís (Missão), Dimas Cassimiro (PCO), Eduardo Braide (PSD), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Reginaldo Lima (PCB), Roberto Rocha (PRTB) e Saulo Arcangeli (PSTU).

As regras do debate foram apresentadas e discutidas previamente com os representantes dos partidos e dos candidatos participantes. Durante o encontro, foram definidos os critérios que irão orientar a dinâmica do debate.

Clique aqui para ver as regras do debate

CRÔNICA - O HÁBITO E A RUA - POR ZEZINHO CASANOVA

  


O hábito e a Rua


O vento que sopra em Fortaleza, mesmo na calada da noite, nunca é frio o suficiente para abrandar o asfalto quente da Praia de Iracema. Irmã Helena ajustou o hábito, tentando disfarçar o desconforto com a rigidez do tecido diante da umidade salina que colava a veste ao corpo. O hábito branco, que deveria representar a pureza e a ordem, parecia, sob a luz alaranjada dos postes, uma bandeira de rendição em meio ao caos da madrugada.

Atrás da Catedral, onde as sombras são mais longas, ela encontrou Antônia. Ou o que restava de Antônia. A mulher estava encolhida sobre um pedaço de papelão, os joelhos encostados no peito, os dedos encardidos de fuligem segurando um frasco vazio de cola. Helena ajoelhou-se no chão, manchando a barra do hábito sem hesitar. Sua fé, que antes encontrava refúgio nas orações entoadas no silêncio da capela de Nossa Senhora da Penha, ali se tornava uma faca de dois gumes. Como falar de um plano divino para alguém que sequer tinha certeza de que sobreviveria à névoa da próxima hora?

— Antônia, filha, vamos lá para o abrigo. A noite está perigosa. — Disse Helena, a voz baixa para não despertar a desconfiança da mulher. Antônia levantou os olhos, dois círculos injetados de desamparo. Ela deu um riso seco, que logo se transformou em um acesso de tosse profunda, que parecia arrancar pedaços do seu pulmão.

— O seu Deus também esqueceu de mim aqui, irmã. Por que a senhora não vai lá rezar no seu altar de ouro e me deixa em paz? — A pergunta não tinha ódio, apenas a exaustão absoluta de quem já não esperava nada de ninguém.

Helena sentiu um abismo se abrir sob seus pés. Ela havia estudado teologia, passara anos em retiros silenciosos, mas o seminário não incluía manuais sobre como converter a fome em esperança. A dualidade a golpeava: de um lado, a crença absoluta de que cada vida era sagrada; do outro, a evidência brutal de que a sociedade havia decidido que Antônia era um custo, uma falha, um detalhe descartável na paisagem urbana.

— Eu não rezo por você porque a senhora está esquecida, Antônia. Eu rezo por mim, para que eu tenha forças para não virar as costas quando o seu nome for cuspido pelos outros. — Helena respondeu, estendendo a mão.

O dilema moral pesava mais que o terço no bolso.

Se ela levasse Antônia para o abrigo, teria que enfrentar as regras do convento, o controle rígido de horários, as críticas silenciosas de outras irmãs que viam na marginalidade uma mácula que não deveria cruzar os portões da instituição. A fé, que deveria ser um consolo, tornava-se ali uma arena de combate. Helena questionava se a caridade, quando limitada por muros e burocracias, ainda mantinha sua essência ou se tornava apenas mais uma forma de gestão da pobreza.

Antônia, com um esforço sobre-humano, colocou a mão sobre a de Helena. A pele era fina, quase transparente. Eram duas mulheres à margem: uma, pela escolha do celibato e da dedicação ascética; a outra, pelo completo descarte social. A freira sentiu o tremor daquela mão e o dilema se dissolveu em um único imperativo: o momento presente.

Elas caminharam em silêncio de volta. Passaram por grupos de jovens com roupas caras, por turistas que desviavam o olhar como se a visibilidade da miséria pudesse ser contagiosa. Helena guiava o passo daquela mulher com uma reverência que dedicaria a um círio pascal. Ao chegarem ao portão do abrigo, ela sentiu o peso dos olhares das outras irmãs que observavam da janela.

A fé, para Helena, deixou de ser um dogma a ser recitado e passou a ser o peso daquele corpo que ela ajudava a carregar. Ao colocá-la na cama limpa, enquanto Antônia tremia sob os cobertores, a freira percebeu que o hábito que vestia nada significava se não servisse para esconder as feridas de quem a sociedade preferia não ver. Ela fechou a porta, não para aprisionar Antônia, mas para proteger aquela pequena humanidade contra o mundo lá fora.

Naquela noite, a oração foi breve. Ela percebeu que, nas ruas de Fortaleza, a verdadeira liturgia não mora no altar, mas no ato perigoso e subversivo de se ajoelhar no chão frio para estender a mão a que já não tem mais nada para oferecer além da própria dor.


José Casanova

POESIA - PELA LUZvDOS OLHOS TEUS - VINÍCIUS DE MORAES

.

  Pela luz dos olhos teus


Quando a luz dos olhos meus

E a luz dos olhos teus

Resolvem se encontrar

Ai que bom que isso é meu Deus

Que frio que me dá o encontro desse olhar

Mas se a luz dos olhos teus

Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar

Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus

Que a luz dos olhos meus já não pode esperar

Quero a luz dos olhos meus

Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará

Pela luz dos olhos teus

Eu acho meu amor que só se pode achar

Que a luz dos olhos meus precisa se casar.


Vinícius de Moraes 

JOJE TEM QUINTA DO SAMBA

 


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

ORLEANS LIDERA PARA O GOVERNO E ROSEANA PARA O SENADO

 

Pesquisa do Instituto Qualitativa divulgada nesta quarta-feira (26) aponta Orleans Brandão na liderança da disputa pelo Governo do Maranhão. No cenário estimulado de primeiro turno, Orleans aparece com 41,1% das intenções de voto, enquanto Eduardo Braide registra 36,6%.

A diferença entre os dois primeiros colocados é de 4,5 pontos percentuais. Considerando a margem de erro de 3,27 pontos percentuais para mais ou para menos, os intervalos estimados dos dois candidatos apresentam sobreposição.

Na terceira colocação aparece Felipe Camarão, com 4,2%, seguido por Roberto Rocha, que registra 3,9%. André Luís tem 1,3%, Saulo Arcangeli aparece com 0,9%, Reginaldo Lima soma 0,4% e Dimas Cassimiro tem 0,1%.

Os entrevistados que afirmaram que não votariam em nenhum dos candidatos ou anulariam o voto representam 4%. Outros 7,5% não souberam ou não responderam.

Somados, Orleans Brandão e Eduardo Braide concentram 77,7% das intenções de voto no cenário apresentado. Já todos os candidatos somam 88,5%, enquanto brancos/nulos e indecisos representam, juntos, 11,5%.

O Instituto Qualitativa ouviu 900 eleitores em 50 municípios maranhenses, entre os dias 19 e 25 de agosto de 2026. A pesquisa possui margem de erro de 3,27 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MA-08263/2026.

ROSEANA SARNEY MANTÊM LIDERANÇA PARA O SENADO

Para o Senado., ssim como todos os levantamentos já divulgados, quem aparece liderando é Roseana Sarney (MDB). No entanto, a disputa segue acirrada e em aberta pela segunda vaga.

Na soma dos dois votos, Roseana surge com 22,4%. Na sequencia aparecem: Lahesio Bonfim (Novo) com 14,2%, Weverton Rocha (PDT) com 13,7%, Dr. Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 11,8%, André Fufuca (PP) com 10,9% e Eliziane Gama (PT) com 7,8%. Os demais não alcançaram dois dígitos (veja acima). Além disso, Nenhum/Nulo pontuou 7% e Não Sabe/Não Revelou 7,1%.

O levantamento ouviu 900 eleitores em 50 municípios maranhenses, entre os dias 19 e 25 de agosto de 2026. A pesquisa possui margem de erro de 3,27 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MA-08263/2026

MARANHÃO TEM ALTO INDICE DE INDECISOS, DIZ PESQUISA

A pesquisa Quaest divulgada na última segunda-feira (24) revela um alto número de indecisos na disputa pelo Governo do Maranhão, no cenário espontâneo (onde não são apresentados os nomes dos candidatos ao eleitor). Nesse cenário, 64% dos eleitores ainda não sabem em quem votar, índice três vezes superior ao alcançado pelo primeiro colocado.

Nesse tipo de levantamento, em que os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, Eduardo Braide (PSD) aparece com 21% das intenções de voto, seguido por Orleans Brandão (MDB), com 13%. A diferença entre os dois primeiros colocados é de oito pontos percentuais.

Felipe Camarão (PT) registra 1%, enquanto os demais nomes não pontuaram. Outros 1% declarou voto branco, nulo ou afirmou que não pretende votar.

Com quase dois em cada três maranhenses sem apontar espontaneamente um candidato, a campanha, os debates e a presença nos municípios devem ter peso decisivo na definição da disputa.

Registrada na Justiça Eleitoral sob os números MA-02558/2026 e BR-01389/2026, a pesquisa foi realizada pelo Instituto Quaest, contratado pela TV Mirante, entre os dias 20 e 23 de agosto. Foram entrevistados 900 eleitores. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%

ESTADOS COM DOIS PALANQUES SERÃO EVITADOS POR LULA, INCLUSIVE O MARANHÃO

De acordo com reportagem de O Globo, o presidente da República e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve evitar, no primeiro turno das eleições 2026, visitar os estados onde mais de um candidato apoiem o petista.

A estratégia do núcleo presidencial é tentar reduzir atritos entre aliados locais e impedir que disputas regionais prejudiquem o projeto nacional de reeleição, que é a prioridade do PT.

A reportagem cita, pelo menos, três estados do Nordeste: Maranhão, Paraíba e Pernambuco.

“No Maranhão, um racha no grupo que venceu a disputa em 2022 mudou o cenário. O PT lançou o vice-governador Felipe Camarão, depois que as negociações com o grupo do governador Carlos Brandão (MDB) não avançaram. Camarão, no entanto, enfrenta resistências frente ao favoritismo de Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís, e de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador.

Orleans faz campanha usando o nome de Lula. Com apoio do tio, usa o discurso de que os resultados da gestão de Brandão ocorreram em parceria com o governo federal. Orleans foi secretário de Assuntos Municipalistas e conta com apoio inclusive de alas do PT.

— Vamos trabalhar divulgando as parcerias que o Lula tem com o Maranhão, pedindo voto e firme no compromisso de dar a ele votação mais expressiva do que nas eleições anteriores — diz Orleans.

Também na disputa ao governo, Braide, por sua vez, marca uma distância maior do pleito nacional e tenta fisgar também o eleitorado de direita. Ele tem na chapa como candidato ao Senado André Fufuca (PP), que foi ministro do Esporte de Lula e defende o voto no presidente.”, trecho da reportagem que cita o Maranhão.

OPINIÃO - O DIPLOMA E A LIBERDADE - POR JOAQUIM HAICKEL

 

O DIPLOMA E A LIBERDADE


A exigência do diploma de jornalista nasceu na ditadura, no Decreto-Lei 972, de 1969. Foi a junta militar que decidiu que só poderia informar o país quem estudasse jornalismo e tivesse diploma. Uma norma que nasce para restringir quem pode falar carrega, no berço, a marca de quem não aceita que todos falem.

A contestação veio pelo Ministério Público Federal, em 2001, e terminou no Supremo, no Recurso Extraordinário 511961. Em junho de 2009, por oito votos a um, o STF derrubou a exigência, por entender que aquele decreto da ditadura feria a liberdade de expressão garantida pela Constituição de 1988. O relator, Gilmar Mendes, disse que o Estado não pode restringir o acesso à profissão, e que jornalismo e liberdade de expressão não se separam. O único voto vencido foi o de Marco Aurélio. A partir dali, qualquer cidadão, com diploma ou sem, passou a poder informar, amparado pela liberdade de imprensa.

Pois é essa conquista que hoje, em agosto de 2026, os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes cogitam desfazer. Dino disse que a dispensa do diploma virou um complicador, porque estende as garantias da imprensa a qualquer blogueiro, a qualquer cidadão. Moraes afirmou que a liberdade de imprensa não é licença para ofender, como se jornalista formado não ofendesse, e não mentisse, e que estaria na hora de rediscutir a exigência do diploma. E há um detalhe que muda tudo: a discussão foi reaberta em meio a uma operação contra um blogueiro acusado de denunciar supostas arbitrariedades cometidas justamente pelo ministro Dino.

Fico imaginando que aqueles que preferem restringir a notícia e a informação a jornalistas diplomados tenham uma certa propensão ao autoritarismo, tal qual os milicos do tempo da ditadura.

Acredito que o constituinte de 1988 não faz distinção de imprensa ou expressão, da mesma forma que não distingue jornalista de cidadão como autor de notícia. Digo isso de cátedra, pois fui constituinte em 1988, e jamais pensei nestas distinções quando discutíamos os direitos e as liberdades individuais e coletivas.

Aí está o ponto. Para calar quem fiscaliza o poder, há o caminho difícil, quebrar a proteção da fonte, que exige apontar um crime e escancara o abuso. E há o caminho fácil, retirar da pessoa a condição de jornalista: se o blogueiro não é jornalista, as garantias da imprensa simplesmente não se aplicam, e não é preciso violar direito nenhum, porque, no truque, ele nunca o teve.

Há também a desculpa descarada de que só os jornalistas sérios não caluniam, não injuriam e não difamam. Ora, mas quem vai estabelecer quais jornalistas são sérios e quais não são? Pergunto como se não soubéssemos: os ministros infalíveis do STF, que se esqueceram de que a lei é igual para todos, jornalistas e não jornalistas, sérios e não sérios.

A liberdade de imprensa nunca foi prêmio de quem tem diploma. É direito de todos, porque não protege o diploma, protege o cidadão contra o poder. Foi assim que o Supremo entendeu em 2009, lembrando de onde vinha aquela exigência. Resta saber se o Supremo de 2026 vai lembrar da mesma coisa, agora que o incômodo tem nome e endereço.


Joaquim Haickel