sábado, 1 de junho de 2013



MARTELO AGALOPADO

Quando o cheiro fatal que vem da chila
Faz rodar a cabeça do cristão
É normal se dizer que está doidão
Mesmo vendo em si a tez tranqüila
As pegadas deixadas na argila
São caminhos que levam ao outro lado
Cogumelos sobre o cocô do gado
Alucinam o vento matinal
Para os loucos que se acham normal
Vou cantando o martelo agalopado.

Revelando os segredos da ciência
Procurei ocultar os atuais
Só pra ver quem consegue um pouco mais
Bem usar toda sua sapiência
Pesquisando, escrevi com paciência
O que achei em papiro reciclado
Para todos ficou o meu achado
E agora o mundo pode ler
E pra’quele que gosta de aprender
Vou cantando o martelo agalopado

Fiz amigos por onde eu passei
Para eles cantei os meus repentes
Foi bonito agradar, vê-los contentes
Outros vates, com eles duelei
Um cigarro de palha eu apertei
De cachaça, bebi um bom bocado
Quando estava bebim, embriagado
Era aí que batia a inspiração
Eu levava ao delírio, a multidão
Só cantando o martelo agalopado

Viajando e ganhando esse mundão
Fiz gastar várias solas e sapatos
Mas o tino que dei a tantos atos
Não passaram de alucinação
E sonhando encontrei a solução
Numa frase esquecida no passado
Que na areia do mar tinha anotado
E desfeita, se foi, tornou-se duna
Solitário a vagar feito a espuma
Vou cantando o martelo agalopado

Na imagem que a nuvem desenhou
Cintilou o teu rosto pelo céu
É que Deus viajando seu pincel
O teu nome na tela ele botou
Com a tinta que ele inventou
Coloriu esse mundo tão amado
Mandou Cristo tirar nossos pecados
E a mim, que vivendo em viés
Pediu que eu ajoelhasse aos seus pés
E  rezasse um  martelo agalopado

Do Livro "Repente Urbano" de Zé Lopes.


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