sexta-feira, 26 de setembro de 2025
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
É HOJE O DEPOIMENTK DE JOSIMAR DE MARANHÃOZINHO NO STF
Deve acontecer hoje, quinta-feira (2), o depoimento do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) no processo em que ele e mais dois parlamentares – Pastor Gil (PL/MA) e Bosco Costa (PL/SE) – são acusados de desvios de emendas.
N'um primeiro depoimento, conforme o Blog do Zé Lopes destacou, Josimar decidiu ficar em silêncio, mas agora existe a possibilidade de que seja diferente, afinal o novo depoimento foi pedido pelo próprio deputado federal.
Josimar deve se manifestar após ter tido acesso as denúncias feitas pela Procuradoria Geral da República (PGR). O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, autorizou o novo depoimento, que será conduzido pelo juiz instrutor, Lucas Sales da Costa.
A PGR assegura que os deputados teriam recebidos R$ 1,6 milhão para destinar R$ 6,6 milhões ao município de São José de Ribamar. O valor corresponde a 25% do total destinado em emendas. As investigações da PF teriam encontrado um documento com os nomes dos envolvidos e a porcentagem que cada um supostamente receberia.
Vale lembrar que o processo será julgado pela Primeira Turma do STF, que passará a ser presidida pelo ministro Flávio Dino, de quem Josimar foi aliado político quando estava como deputado estadual e Dino como governador do Maranhão.
PEC DA BLINDAGEM É REJEITADA PELA CCJ DO SENADO
De maneira unanime, os senadores que integram a Comissão de Constituição e Justiça do Senado decidiu pela rejeição da PEC que amplia a proteção de parlamentares na Justiça, chamada de PEC da Blindagem.
A decisão da CCJ, tomada de forma unânime (26×0), deveria enterrar regimentalmente a chamada PEC da Blindagem no Congresso Nacional, mas existe um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que o texto vá ao plenário da Casa.
Na CCJ, apenas a senadora Eliziane Gama (PSD), entre os parlamentares maranhenses, integra a comissão e se posicionou, como todos os demais, contrária, a PEC da Blindagem.
“Fizemos nossa parte e rejeitamos na Comissão de Constituição e Justiça a PEC da Blindagem. Vitória do povo que foi às ruas dizer não a essa proposta absurda”, afirmou Eliziane.
Vale ressaltar que os quatro senadores do PL também votaram contra a proposta.
A tendência é que no Plenário do Senado, se de fato lá chegar, a PEC seja rejeitada de tal forma. Sendo assim, a aprovação da proposta na Câmara Federal acabou sendo “um tiro no pé
LITERATURA - O SILÊNCIO DA INICIAÇÃO - POR ZEZINHO CASANOVA
CRÔNICA: O SILÊNCIO DA INICIAÇÃO
Naquela noite de lua cheia, o silêncio da cidade parecia cúmplice de algo maior. Os sinos já haviam emudecido e apenas os meus passos lentos se faziam ouvir pelas ruas de pedra. Eu não era mais apenas um homem comum: tinha acabado de atravessar o limiar da porta de um Templo maçônico.
Nunca esquecerei aquela noite. A porta do Templo fechou-se atrás de mim, e de repente senti que o mundo lá fora ficava distante, como se eu tivesse atravessado um limiar invisível. O coração batia forte: não de medo, mas da estranha certeza de que eu não voltaria a ser o mesmo.
Havia um silêncio diferente, carregado de significados. Não era apenas a ausência de som, mas uma presença invisível que parecia me observar. Meus passos eram guiados, e cada gesto que me pediam parecia conter uma lição oculta.
Por um instante, percebi que estava cego para o mundo de sempre e foi nesse breu que comecei a enxergar a mim mesmo. Descobri que a escuridão também fala, e fala de nós.
Tive um encontro com GADU , o Grande arquiteto do universo, causa primeira ou primária de todas as coisas.
Senti na pele o peso da iniciação, onde o mundo profano se despia diante de meus olhos. O jovem Joaquim agora carregava o título de Aprendiz, mas queria ser Companheiro de todos. O olhar curioso perscrutava cada detalhe: o esquadro e o compasso sobre o altar, o Sol e a Lua pintados nas paredes, o Oriente iluminado pela presença do Venerável Mestre, suas palavras eram firmes, mas suaves. Ele não falava comigo apenas como indivíduo, mas como pedra bruta que precisava ser lapidada. Eu era, naquele momento, aprendiz de mim mesmo.
- Lembre-se, irmão, - Sussurrou-lhe um Companheiro de jornada. —-Aqui cada gesto é um símbolo, e cada símbolo guarda uma verdade.
Vi símbolos que não se explicavam em voz alta, mas que se gravaram no coração: a régua que mede, o esquadro que orienta, o compasso que limita e ensina equilíbrio. Compreendi que não são ferramentas de construção apenas para pedras, mas para homens.
Quando finalmente me falaram da Luz, senti que não era apenas uma vela ou uma chama: era um despertar. A Luz não vinha de fora, mas de dentro, como se a chama que acenderam diante de mim acendesse também algo em meu peito.
No final, já não era o mesmo homem que entrou. Eu havia sido tocado pelo mistério da fraternidade e pela promessa silenciosa de trabalhar em mim todos os dias.
Não me deram respostas prontas, mas me mostraram que as perguntas certas são mais importantes do que certezas fáceis.
No canto, os mais antigos, já mestres, observavam em silêncio. Um deles, de cabelos brancos e palavras medidas, era respeitado como Grão-Mestre. Carregava nos ombros não apenas a sabedoria dos anos, mas também a responsabilidade de guiar homens em busca da Luz.
Ouvi histórias sobre o lendário grau 33, onde a sabedoria alcança o cume de uma montanha invisível. Mas compreendi que mais importante que qualquer título era a prática da caridade, discreta e silenciosa, que a Ordem exercia para além dos muros do Templo: alimentar famílias, amparar viúvas, educar órfãos.
Numa das rodas de conversa, alguém contou a lenda do bode preto, criatura sempre associada ao desconhecido, ao que a imaginação popular não compreende. Quando os amigos faziam perguntas sobre isso eu sorria e dizia:
- O bode preto sou eu! -
Aprendi que o mito não passava de um espelho da ignorância dos de fora, que transformavam mistério em medo.
Entre os símbolos, os sinais discretos e as lendas, eu descobria algo maior: a maçonaria não era feita apenas de rituais, mas de homens e mulheres que, no silêncio, buscavam melhorar a si mesmos para melhorar o mundo.
Sim, mulheres. Nos encontros sociais as Samaritanas, , cunhadas, companheiras que, com ternura e firmeza, sustentavam a fraternidade em atos de apoio, solidariedade e partilha. Elas não ocupavam o mesmo espaço ritual dos irmãos, mas sua presença era tão essencial quanto o compasso no desenho da vida.
O tempo passou, e eu , o jovem Joaquim deixou de ser apenas aprendiz. Tornou-se Companheiro, e mais tarde Mestre. Em cada grau, entendia que os mistérios não estavam apenas nos sinais secretos ou nas lendas, mas no silêncio de aprender a ouvir, no trabalho de talhar a pedra bruta de si mesmo.
Hoje, já idoso, sentado na varanda, escreve minhas memórias. Sorri ao lembrar da juventude e dos segredos que tanto me encantaram. Escreve, como quem deixa um recado aos que buscam a mesma jornada:
"A maçonaria é feita de símbolos que o tempo não apaga. O bode preto é apenas lenda; o verdadeiro mistério está no coração humano. O grau 33 não é um trono, mas um estado de espírito. E a caridade, essa sim, é o maior dos rituais."
Compreendi que os mistérios da maçonaria não são para serem revelados, mas vividos. Pois o verdadeiro segredo não está guardado em um templo, mas na alma de cada iniciado que, entre luzes e sombras, busca ser melhor do que foi ontem.
Quando caminho pelas ruas, lembro da minha iniciação. As pessoas me veem como o mesmo Joaquim de sempre, mas dentro de mim sei que algo mudou. Aprendi que a maçonaria não revela segredos, ela desperta os segredos que já estavam adormecidos na alma.
E assim sigo, com humildade, na longa estrada de lapidar a pedra bruta que ainda sou à sombra de uma Acácia amarela.
José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e cronista
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Academia Mundial de Letras da Humanidade
Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil
POESIA - SEM IDADE PARA AMAR - POR RENATO DIONÍSIO
SEM IDADE PARA AMAR
Se deste amor que falo agora, ainda desfruto
Se é que posso, trocar a mocidade por velhice
Na dúvida, tento convencer a mim mesmo, pois
Vem deste mesmo amor, desequilibrada intrujice.
Sem que possas perceber, a tua sombra, eu sou feliz
Pois vais com as cores da tua idade, a minha embelezando
Cada passo, cada gesto que a mim e ao mundo ofereces
Se a mim levanto loas, bem verdade, é a ti que estou louvando.
*Renato Dionísio
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
PESQUISA : DOCENTES E EGRESSOS DA UNIVATES ORGANIZAM ENCONTRO CIENTIFICO NO MARANHAO
Por Lucas George Wendt
- A Universidade do Vale do Taquari – Univates terá presença marcante no I Encontro de Produções Científicas, que será realizado no dia 26 de setembro de 2025, no município de Bacabal (MA).
O evento reunirá pesquisadores e profissionais da educação com o objetivo de promover a troca de experiências e a divulgação de trabalhos acadêmicos desenvolvidos na região e em parceria com instituições nacionais. As inscrições e mais informações podem ser obtidas por meio deste link.
Entre os participantes confirmados estão o professor Rogério Schuck, docente da Univates, e dois egressos dos programas de pós-graduação da instituição: Paulo Henrique Vieira de Macedo, mestre em Ensino e atualmente doutorando pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino, e Adriano Edo Neuenfeldt, titulado pelo doutorado em Ensino.
A iniciativa busca valorizar a produção científica local e fortalecer a integração entre pesquisadores, professores e estudantes do Maranhão e de outros estados. De acordo com os organizadores, o encontro pretende fomentar debates sobre práticas pedagógicas inovadoras, além de incentivar a continuidade da formação acadêmica em nível de mestrado e doutorado.
PRIMEIRA TURMA DO STF TEM NOVO PRESIDENTE
Como era esperado, o ministro Flávio Dino, nesta terça-feira (23), foi eleito por unanimidade para comandar a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dino, que integra o colegiado desde fevereiro de 2024, irá substituir ao ministro Cristiano Zanin. O sistema de rodízio de presidentes está previsto no Regimento Interno do STF, que estabelece que a Turma é presidida pelo ministro mais antigo dentre seus membros, por um período de um ano, e a recondução é vedada até que todos os seus integrantes tenham exercido a presidência, observando-se a ordem decrescente de antiguidade.
Além de Dino e Zanin, a turma também é composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Julgamentos – Já sob a tutela de Dino, a Primeira Turma ainda precisa analisar os processos contra 23 réus em processos que investigam a suposta trama golpista, que estão divididos em três núcleos. Estes processos estão na reta final de tramitação e podem ser pautados nos próximos meses.
Flávio Dino também deverá passar por uma “saia justa”. A Primeira Turma do STF vai julgar a primeira ação penal que envolve suspeita de desvios de emendas parlamentares. São réus os deputados Josimar Maranhãozinho (MA) e Pastor Gil (MA), além do suplente Bosco Costa (SE), todos do PL. Eles negam as acusações. Esse processo, relatado por Zanin, está na fase de interrogatórios.
O problema para Dino é que Josimar chegou a ser seu aliado político no período em que o ministro foi governador do Maranhão.
DISCURSO DE LULA NA ASSEMBLEIA DA ONU É ELOGIADO POR CARLOS BRANDÃO E POR FELIPE CAMARÃO
Apesar do distanciamento político no Maranhão entre o governador Carlos Brandão e o vice Felipe Camarão, ambos seguem alinhados nacionalmente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Tanto Brandão quanto Camarão fizeram questão de elogiar publicamente o discurso do presidente do Brasil na Assembleia Geral das Nações Unidas, nos Estados Unidos.
“Grande participação do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU. Seu discurso destacou a posição do Brasil em relação ao fim do genocídio em Gaza, e ainda defendeu o combate à fome, às desigualdades e à crise climática como prioridades. Até mesmo Trump elogiou o encontro com nosso presidente. Nosso país demonstra força no cenário internacional com um líder respeitado e capaz de dialogar com o mundo inteiro”, destacou Brandão.
“‘Nossa soberania é inegociável!’, mais do que palavras do presidente da República na abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula passou a mensagem de que o Brasil tem autonomia, é soberano e não se intimidará. Viva o Brasil!”, afirmou Camarão.
Talvez por esse alinhamento nacional é que alguns, poucos é verdade, ainda acreditem numa unidade para as eleições de 2026.
CONFERÊNCIA DOS DIREITOS HUMANOS É REALIZADA EM BACABAL
Um dia para ficar na história! Bacabal sediou, pela primeira vez, uma Conferência sobre os Direitos Humanos. O Centro de Convivência Social (CCS) ficou pequeno para receber representantes de movimentos sociais, movimento negro, dos quilombos, agricultores, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência, líderes religiosos e representantes de praticamente todas as esferas da sociedade bacabalense.
O prefeito Roberto Costa foi recepcionado ao som do grupo de mulheres Luiza Mahim. O evento se consolidou como uma verdadeira expressão da força de diversos grupos, muitas vezes esquecidos ou sem voz, que aproveitaram o espaço da conferência para reivindicar seus direitos, ampliar a inclusão e promover o respeito aos direitos humanos em Bacabal.
“Nós estamos buscando, dentro da nossa representatividade, direitos que muitas vezes foram negados lá atrás ou que foram garantidos, mas que, quando vamos em busca, nos são negados. Então, esse momento de discussão, para nós, é muito importante para o município de Bacabal,” afirmou Marilurdes Carvalho, presidente do Grupo Negro Palmares Renascendo (GNPR).
A secretária de Juventude, Gleiciane Brandão, ressaltou a relevância da conferência organizada pela pasta. “Além de ser a primeira conferência, ela se torna um marco porque não foi realizada somente pelo poder público. Tivemos, dentro da comissão, pessoas que representam os diversos segmentos da nossa sociedade, e tudo isso com total apoio do prefeito Roberto Costa.”
Hanna Porto, juíza federal, destacou a importância histórica da conferência e o papel da participação social. “Há 100 anos, nós não tínhamos a presença da população fazendo políticas públicas. As políticas eram feitas por pessoas com o domínio aquisitivo. Hoje, temos pessoas pretas, LGBT, pobres, quilombolas, indígenas, PCDs e diversos grupos marginalizados sendo convocados pelo município para fazer parte dessa política. Portanto, esse evento é de uma magnitude muito grande para o município de Bacabal.”
Já a secretária de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular, Lilia Negreiros, afirmou: “Aqui, o prefeito Roberto Costa abre as portas do seu governo para discutir, junto com os movimentos sociais e a sociedade civil organizada, políticas públicas que garantam e promovam os direitos humanos daqueles que mais precisam. Então, sem dúvidas, é um momento de grande relevância para o município.”
Quem também participou da conferência foi Pureza Lopes Loyola, referência nacional na defesa dos direitos humanos e no combate ao trabalho escravo. Residente em Bacabal, no bairro Santos Dumont, além de relatar um pouco da sua história de vida, ela também foi homenageada pelo prefeito Roberto Costa.
“Eu pedi a Deus do céu que me ajudasse, que eu tirasse o meu filho, e quando eu o vi, eu botei todos os homens pra fora, eu gritei mesmo! E todos foram embora com a canoa cheia de feijão, e descemos para Rosário”, disse Dona Pureza sobre o resgate do filho Abel.
O prefeito Roberto Costa também comentou sobre o simbolismo de ter a presen.ça de Dona Pureza no evento. “Dona Pureza foi o ponto alto do nosso evento. É uma mulher que tem uma história de defesa e de conquistas que gerou um reconhecimento nacional e internacional. A sua luta na busca pelo seu filho se transformou em um símbolo do trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Uma mulher que foi reconhecida pelo governo americano, premiada na Inglaterra, já foi tema de um filme, e a cidade precisa restabelecer esse crédito, essa importância que ela tem para a vida de todos nós”, concluiu.
Roberto Costa ainda frisou o engajamento da sociedade bacabalense na conferência. “Nesta conferência, estamos tendo a participação de toda a população, dos segmentos da sociedade, das pessoas com deficiência, das comunidades quilombolas e do movimento de mulheres, na busca de propostas para consolidar a dignidade da nossa população. É dessa forma que iremos continuar construindo a nova Bacabal, garantindo os direitos de todos e trabalhando muito, sem privilégios para poucos, mas sim beneficiando o conjunto da nossa população.”
Na conferência, foram eleitos delegados e delegadas para apresentar e defender as propostas construídas na 13ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos (13ª CEDH), que será realizada nos dias 7 e 8 de outubro, em São Luís.
COM A PALAVRA -A CRÍTICA PARADOXÍSSIMA!- POR ZÉ CARLOS GONÇALVES
A CRÍTICA PARADOXÍSSIMA!
Recebi uma crítica de um paradoxismo, que, de tão ingênuo, se torna delicioso. E o mais irônico é que a crítica recebida faz uma crítica por eu empregar uma linguagem muito simples em minhas produções. Fiquei bem calado, quieto, me invisibilizei. De verdade, não há muito a dizer. É melhor nem comentar.
Mas, acho que farei como fez um sabido conterrâneo, ao saber de umas historinhas de seu companheiro de grogue e serenata, que não se aguentou e contou logo o segredo, dos dois, justificando a indiscrição de maneira bem convicente. "A minha língua tá coçando!" A minha, também, tá.
E, assim, digo. Não adianta uma produção hermética, que dorme no hausto bolorento do "oblivion" ou que dormita indecifrável nas gavetas das calendas gregas.
O que sei é que os muitos anos, em sala de aula, deram-me muitos e muitos exemplos da pretensa linguagem, que mais enrola que convence; às vezes, faz-se vazia e prepotente. E muitas trago gravadas em minhas lembranças.
Um esperto aluno, provocado a dissertar sobre a preservação do meio ambiente e achando que iria me passar a perna, saiu-se com esta, fechando a sua redação, depois de encher linguiça, a três por quatro. E, aí, vai, literal e direta, a conclusão do texto. "Para acabar com os buracos na camada de ozônio, basta que os pássaros depositem os seus dejetos no espaço sideral." Valei-me, meu santinho Santo Inácio de Loiola! Fui à lua, sem ser astronauta, ao corrigir esse texto, em plena madrugada. E quase morri. De indignação.
E, para não ficar só na seara escolar, faço referência a um fato ocorrido no meio político maranhense, ao qual já fiz referência em uma crônica, há alguns anos. Vamos à pérola. Durante um discurso, "um parlamentar ouvinte" pediu um aparte a "um empolgado parlamentar falante"; o que foi negado de pronto. A insistência continuou que continuou. E nada de ser considerado. E a mão insistentemente levantada. Aí, "o parlamentar falante", já irritado e com o pavio pegando fogo, disse-lhe nas fuças. "Não franquearei a palavra a vossa excelência, porque é um beócio!" Que clima, não é mesmo?! "O parlamentar ouvinte" se recolheu ao silêncio. E aguardou o fim da verborragia do seu par, já com um belo plano, em mente. E a desforra, cruel, se fez. Assim que "o parlamentar falante" deu por encerrada a sua fala, "o parlamentar ouvinte" subiu à tribuna, pegou o microfone e mandou certeiro e direto. "Excelência, se beócio é um elogio, muito obrigado. Se for um insulto, é a sua ... (genitora)!" Fantástico! Fantástico! Fantástico! Como dizia vovó, melhor impossível!
Diante desses paradoxismos, de verdade, acho que ainda estou no lucro. A minha mamãe foi poupada, até aqui. E nem tente. Se vier "recramá di mim", faço logo "uma mortá chantági. Vô contá arguma historinha tua, caríssimo leitô! Isprementa, pra vê!
Eita, doidiça boa, qui é ri!"
Zé Carlos Gonçalves




















