A CRÍTICA PARADOXÍSSIMA!
Recebi uma crítica de um paradoxismo, que, de tão ingênuo, se torna delicioso. E o mais irônico é que a crítica recebida faz uma crítica por eu empregar uma linguagem muito simples em minhas produções. Fiquei bem calado, quieto, me invisibilizei. De verdade, não há muito a dizer. É melhor nem comentar.
Mas, acho que farei como fez um sabido conterrâneo, ao saber de umas historinhas de seu companheiro de grogue e serenata, que não se aguentou e contou logo o segredo, dos dois, justificando a indiscrição de maneira bem convicente. "A minha língua tá coçando!" A minha, também, tá.
E, assim, digo. Não adianta uma produção hermética, que dorme no hausto bolorento do "oblivion" ou que dormita indecifrável nas gavetas das calendas gregas.
O que sei é que os muitos anos, em sala de aula, deram-me muitos e muitos exemplos da pretensa linguagem, que mais enrola que convence; às vezes, faz-se vazia e prepotente. E muitas trago gravadas em minhas lembranças.
Um esperto aluno, provocado a dissertar sobre a preservação do meio ambiente e achando que iria me passar a perna, saiu-se com esta, fechando a sua redação, depois de encher linguiça, a três por quatro. E, aí, vai, literal e direta, a conclusão do texto. "Para acabar com os buracos na camada de ozônio, basta que os pássaros depositem os seus dejetos no espaço sideral." Valei-me, meu santinho Santo Inácio de Loiola! Fui à lua, sem ser astronauta, ao corrigir esse texto, em plena madrugada. E quase morri. De indignação.
E, para não ficar só na seara escolar, faço referência a um fato ocorrido no meio político maranhense, ao qual já fiz referência em uma crônica, há alguns anos. Vamos à pérola. Durante um discurso, "um parlamentar ouvinte" pediu um aparte a "um empolgado parlamentar falante"; o que foi negado de pronto. A insistência continuou que continuou. E nada de ser considerado. E a mão insistentemente levantada. Aí, "o parlamentar falante", já irritado e com o pavio pegando fogo, disse-lhe nas fuças. "Não franquearei a palavra a vossa excelência, porque é um beócio!" Que clima, não é mesmo?! "O parlamentar ouvinte" se recolheu ao silêncio. E aguardou o fim da verborragia do seu par, já com um belo plano, em mente. E a desforra, cruel, se fez. Assim que "o parlamentar falante" deu por encerrada a sua fala, "o parlamentar ouvinte" subiu à tribuna, pegou o microfone e mandou certeiro e direto. "Excelência, se beócio é um elogio, muito obrigado. Se for um insulto, é a sua ... (genitora)!" Fantástico! Fantástico! Fantástico! Como dizia vovó, melhor impossível!
Diante desses paradoxismos, de verdade, acho que ainda estou no lucro. A minha mamãe foi poupada, até aqui. E nem tente. Se vier "recramá di mim", faço logo "uma mortá chantági. Vô contá arguma historinha tua, caríssimo leitô! Isprementa, pra vê!
Eita, doidiça boa, qui é ri!"
Zé Carlos Gonçalves


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