BENDITO BAIXADÊS BENDITO
(... u fantástido exerciço semânquico, du cabôco safo)
"Puressis dia", lendo um artigo de "um estudioso", que se diz linguista, fiquei impressionado com tanta prepotência. "O sabido" chega a afirmar que pela linguagem empregada, num primeiro contato, ele diagnostica, sem alguma possibilidade de erro, a verdadeira personalidade "de um cabra".
Essa afirmação, para mim, é um tanto quanto aberrante. Nem sendo adivinho. E eu digo, sem medo de errar, que "o referido mestre" nunca esteve frente a frente, cara a cara, olho no olho, com um "baxadêro", da gema. Principalmente, aquele, "qui veim si chegano, pur dimais invergonhado, si arrastano na parêdi, cum u pisá priguiçoso, u falá mansinho, quase inardívi, um sorrisinho nu canto da bôca, uma vergonhazinha seim vergonha".
Ali, está uma silenciosa e estraçalhante máquina a maquinar. Há um verdadeiro scaner, a desvendar o anfitrião. "Um cabôco", de alma pura, que, "seim fuloreio, seim arrudeio, seim máscra", vem carregado nos braços da simpleza, a se sustentar em tanta e tamanha autenticidade.
E, com tal simplicidade, pode "se fazer de coitado", ancorado num olhar perdido, a lhe dar um ar abobalhado, de quem nada sabe, nada quer. Ou, se sentir "uma fraquezazinha", à sua frente, toma a força do interlocutor, domina o papo, se torna o dono da situação. Nesta hipótese última, é mestre. E provo. Não há lindeza maior do que, de repente, se revelar "um artista", a conseguir "um imprestozinho, a tempo pirdido, na macionata. Seim muita cunversa. Num momento de vacilo do cumpádi, distraído". E, ainda pode piorar. É capaz de "mandá nais fuça du patrãu", se este quiser saber demais. Basta que o inquira como irá voltar à sua casinha. Aí, ele se faz. E, sem pestanejar, fuzila. "E o vim, MAIS SEIM dinêro". Nenhum paradoxo é capaz de explicar tal pérola (mais seim). Nem "a estudada ferrada, no ingêno patrãuzinho". E melhora. Se a situação apertar, "sortá êssa. Eo tô num CATIVÊRO terrívi". Com toda certeza, não está jogado às traças, sofrido e solitário. Nem, prisioneiro. Aí, "mermão", só outro baixadeiro, da gema, "pra ismiuçá êssi fantástido exerciço semânquico!"
E, como o papo já está de bom tamanho, "não vos digo mais nada. Só uma coisa". O referido linguista "tá é frito", se, por ventura, se encontrar em um contexto desse. E a situação, de verdade, ficará periclitante; ainda mais, se "o safo cabôco", meu conterrâneo, lhe declarar "qui tá cum uma PRECISÃO, da mulesta!" Aí, tenho até pena, do estudioso gramático! Nunca que irá entender "o que é ganhar o mato!" Que doidiça!Valei-me, meu santinho Santo Inácio de Loiola!
Zé Carlos Gonçalves


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