quinta-feira, 30 de outubro de 2025

COM A PALAVRA -CENAS DO COTIDIANO XXXIII - POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 


CENAS DO COTIDIANO XXXIII 


    A Ilha sofre, angustiada, nestes últimos dias, uma gritante onda de terror, que nos tranca em nossas casas

     e, o pior, é que não se sabe o que realmente acontece. Se as notícias são verdadeiras ou se são "feiques". Se verdadeira esta última hipótese, se confirma o nível de barbárie em que vivemos. A crua realidade é que, sem dúvida alguma, a degradação já nos cerca, a nos zoomorfizar ao mais baixo grau

     e, perdidos em tantos medos, vamos alimentando a roda viva, que nos sufoca e nos aniquila em nosso velejar à deriva. Só muita e muita oração, a nos proteger

    e de proteção precisamos, e com urgência. Um confrade em condição atípica, membro do CEM (Coletivo de Escritores Maranhenses), que também é participante de um grupo, on line, de terapia, sofreu uma violenta discriminação dentro do referido grupo. Com imitações de suas limitações. E, pasmem! O mentor, destemperadamente, veio a lhe dizer "que estava se vitimizando, se fazendo de coitado", por não aceitar ser imitado, de forma depreciativa por um outro membro do grupo. E, o pior, a valiosa assistência, que lhe ofereceu foi a vil e indecente recomendação, para que saísse do grupo

    e, aí, se testemunha o despreparo de quem vai à internet se arvorando de mentor espiritual, mais perdido do que quem busca apoio em suas angústias 

    e não quero acreditar, de verdade, que a finalidade de tal grupo seja a busca indecorosa de likes

    e o certo é que o CEM, não se omitirá ou se emudecerá face à tamanha violência. E iremos gritar e gritar e gritar e nos unir em torno de nosso confrade. Afinal, o CEM voa em bando; e em bando voamos com ele

     e, falando em voar, o desejo, que mais desejo, para ir à minha Baixada, é um voo de saudade. Afinal, comprar "uma passagizinha" para "o ferribôti" é o mais concreto e vexatório exercício de humilhação. Uma missão digna da paciência de um monge budista

    e, ainda, se comemora "morar nas filas" e conseguir fazer a tão esperada e tão sofrida travessia 

    e, só de imaginar, vou me recolhendo, porque "não quero talhar o meu fel!"

     Inté maise!


          Zé Carlos Gonçalves

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