sexta-feira, 24 de outubro de 2025

COM A PALAVRA - ENQUANTO ISSO EM BACABAL - POR PAUL GETTY

 


ENQUANTO ISSO EM BACABAL

No lendário BAR DO LAMBAL, a democracia termina onde começa a espuma da cerveja.

Dizem que, na Sexta Cultural , os músicos que tocam de graça vão finalmente ser recompensados com uma gelada 0800.

A notícia correu rápido: LAMBAL vai liberar umas cervejas pros artistas!

Foi o suficiente pra encher o grupo de WhatsApp dos músicos de emojis de violão, tamborim e fé.

Mas, como em toda boa república de botequim, o decreto real veio logo em seguida, diretamente do trono de LAMBAL, entre um gole e outro:

— Caralho, aqui é pé no bucho! O estrela aqui sou eu! Tem gente que tá ficando famoso só porque canta no meu bar!

Silêncio. Só o som do gelo batendo no copo. O samba morreu ali por uns segundos, ressuscitado apenas quando alguém teve a coragem de perguntar: — Mas e a cerveja dos músicos, Lambal? E o oráculo respondeu, solene e gelado: — Tem que pagar sua cerveja ou fica em casa!

Moral da história: no Bar do Lambal, a arte é livre, mas o copo é cativo. E Lambal, satisfeito, segue reinando — patrono da cultura independente e inimigo jurado da cerveja grátis.

No fim das contas, ele tem razão: estrela que brilha demais ofusca o dono do bar. E, convenhamos, nenhuma revolução cultural começa com chope de graça.

@poetapaulgetty

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