O ALQUIMISTA DE BACABAL E PEDREIRAS
Pedreiras e Bacabal, duas coordenadas geográficas que, por si só, já carregam histórias e ritmos. Mas o verdadeiro elo, a "preciosidade" que as une, não é um rio ou uma estrada, nem uma ponte, mas sim um homem: Carlos Pawla. Ele é a personificação da riqueza cultural, não aquela que se mede em cifrões, mas a que se acumula em afeto, arte e sabedoria.
Chamá-lo de Professor Pardal não é um exagero, é a constatação de um fato. Ele é o alquimista dos nossos dias. Não transforma chumbo em ouro, mas transforma o caos em harmonia, o silêncio em melodia e a dúvida em certeza, seja qual for a mesa.
Na mesa de som, ele tem os "atalhos". Não por mágica, mas por um domínio técnico que transcende o manual, capturando a alma de cada nota e de cada voz. É ali que ele molda a trilha sonora das nossas vidas.
Na mesa de sinuca, o "atalho" é a precisão do taco, a visão geométrica que só o mestre tem para encaçapar a bola mais improvável. É uma dança de estratégia e paciência, um reflexo do seu jeito de levar a vida.
E, na mais sagrada de todas, a mesa do samba, Pawla é a essência. É no toque, no ritmo, que ele vira o centro da roda de samba. Naquele ambiente, as palavras se tornam desnecessárias. O seu olhar - esse "só no olhar" que você descreve - é o verdadeiro compasso. Só no olhar sabemos o que cantar, só no olhar sabemos o que sorrir, só no olhar sabemos o que chorar. É uma comunicação de almas, forjada em anos de cumplicidade e batucada.
Celebrar mais um ano de vida de Carlos Pawla é celebrar a sorte de tê-lo por perto. Ou por longe. A distância, para corações assim, é mera formalidade. Pois o amor que ele planta é atemporal. "Pode entrar um século", e a recepção será a mesma: calorosa, sincera, eterna.
Você diz que o coração dele "é uma sala de estar a mais chique que existe pra te aconchegar". E é a mais pura verdade. Não é o luxo das paredes, mas a nobreza do acolhimento. É o lar onde a porta está sempre aberta, onde a risada é garantida e o ombro amigo está sempre à disposição.
Carlos Pawla, o maestro da vida, o arquiteto do som, o amigo-irmão que vale ouro: que este novo ciclo venha repleto de mais rodas de samba, de mais atalhos geniais e de todo o carinho que um coração tão receptivo merece receber.
Feliz Aniversário! Que a sua luz continue a iluminar o palco e a vida de todos que têm o privilégio de conhecê-lo.
Balbino Pachêco


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