Confesso que, ao assistir à vitória de João Fonseca, não me emocionei apenas como admirador do esporte.
Emocionei-me como Brasileiro.
Quando o vi perdendo por 2 sets a 0, lutando ponto a ponto para empatar a partida e, no momento decisivo, selando a vitória com três aces consecutivos, senti algo que há muito tempo não sentia: aquele orgulho genuíno de pertencer a esta nação.
Talvez porque minha geração tenha crescido vendo os feitos inesquecíveis de Pelé, vibrando com as manhãs mágicas de Ayrton Senna, encantando-se com a genialidade de Zico e, mais tarde, emocionando-se com o sorriso e as conquistas de Gustavo Kuerten.
Vivemos tempos em que são cada vez mais raros os momentos capazes de unir um país inteiro em torno de um mesmo sentimento.
Por isso, ver aquele jovem brasileiro desafiar o maior vencedor de Grand Slams da história e não se render quando tudo parecia perdido tocou profundamente meu coração.
Naqueles instantes finais, eu não via apenas um tenista vencendo uma partida.
Via a coragem derrotando o medo, a perseverança superando as dificuldades e a esperança vencendo o conformismo.
E confesso: por alguns minutos, voltei a sentir a mesma emoção que senti diante de Pelé, Senna, Zico e Guga.
Não pela comparação entre eles, mas pela capacidade que todos tiveram de nos fazer acreditar que o Brasil continua sendo uma terra onde nascem talentos extraordinários e sonhos capazes de emocionar uma nação inteira.
Obrigado, João Fonseca.
Você venceu uma partida de tênis. Mas também despertou uma saudade bonita de um Brasil que nunca deixou de existir dentro de nós
Dr. Otavio Pinho Filho é médico radiologista, empresário, compositor, cantor, escritor, poeta e membro da ABL - Academia Bacabalense de Letras 🔠


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