quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CRÔNICA - MAOS DE TERRA E SOL - POR ZEZINHO CASANOVA

 Mãos de Terra e Sol

agosto 01, 2026  alto Alegre do Maranhão, crônica, literatura  No comments

O despertador, um galo que teimava em cantar muito antes de o horizonte clarear, soou como um aviso de batalha para Alzira. Em Alto Alegre do Maranhão, o dia não chega devagar. Ele irrompe, como se o sol tivesse urgência de alcançar cada telhado. Ela se levantou da rede antes que o primeiro sinal de claridade tocasse o chão de terra batida, cuidando para não despertar os dois meninos que dormiam enroscados no catre.

O café, ralo e amargo, foi tomado em silêncio. Era o único momento em que a casa, construída com tábuas e que o tempo havia curado, oferecia algum sossego antes das exigências da lida.

Ao sair, o ar ainda tinha aquele frescor enganoso, uma brisa leve que logo seria engolida pelo sol impiedoso do Maranhão. Alzira trajava uma camisa de mangas compridas, já puída pelos anos, uma proteção insuficiente contra o mormaço que a esperava. Carregava a enxada como se fosse uma extensão de seu próprio braço; o metal, desgastado pelo atrito constante com a terra, brilhava sob a luz lunar que ainda persistia.

O trajeto até a roça era uma subida exigente, um terreno íngreme onde cada passo era um exercício de equilíbrio. Alzira não caminhava por gosto, caminhava por contrato, um acordo tácito com a existência para garantir que, ao final do mês, a mesa não ficasse vazia. A terra ali era caprichosa; um dia oferecia sustento farto, noutro, exigia suor de sangue para entregar um punhado de raízes mirradas. Ela limpava o mato com uma técnica precisa, um movimento rítmico que impedia a exaustão total. Seus olhos, habituados a identificar brotos de ervas daninhas quase invisíveis, varriam o solo com uma atenção febril.

Perto do meio-dia, o sol já não era uma presença, mas um martelo. A umidade da terra subia como um bafo quente, e o suor escorria pelas têmporas, ardendo nos olhos. Alzira se sentou sob a sombra rudimentar de um pé de manga rosa, o único refúgio naquelas cercanias. O almoço era escasso: uma porção de farinha misturada com um pouco de proteína, guardada em uma vasilha de plástico.

Enquanto mastigava, não pensava no cansaço ou nas dores que latejavam em sua lombar. Pensava nos cadernos dos meninos.

Na noite anterior, depois da janta, Tiago espalhara o caderno sobre a mesa de madeira. A lamparina desenhava sombras compridas sobre as páginas.

— Mãe... a professora disse que isso aqui cai na prova.

Ele apontou o mapa do Brasil.

— Onde fica o Cerrado? — Perguntou Tiago.

Alzira aproximou o rosto. As letras pareciam pequenas demais. Passou o dedo devagar pelas linhas, como se pudesse encontrar a resposta pelo tato.

— Lê de novo pra mim, meu filho.

Tiago repetiu a pergunta. Ela permaneceu em silêncio. O menino esperou.

— A senhora não sabe?

A pergunta saiu sem maldade. Era apenas curiosidade. Alzira baixou os olhos:

— Não sei, não.

Tiago fechou o caderno com cuidado.

— Tudo bem... amanhã eu pergunto pra professora.

Ele tentou sorrir, mas o sorriso morreu antes de chegar aos olhos. Nesse instante, o menor, que desenhava no chão com um pedaço de carvão, levantou a cabeça.

— Quando eu crescer, vou ensinar a mamãe.

Os dois irmãos riram. Alzira também sorriu. Mas foi um sorriso curto, desses que escondem alguma coisa. Ela passou a mão pelos cabelos de Tiago.

— Não quero que vocês me ensinem porque eu não pude aprender. Quero que estudem porque o mundo é maior que essa roça.

Tiago olhou pela janela. A lua clareava apenas um pedaço do terreiro.

— Maior quanto? — Quis saber Tiago.

Alzira demorou para responder. Depois fitou a escuridão, onde começavam os caminhos que nunca havia percorrido.:

— Grande o bastante pra vocês escolherem onde querem plantar a própria vida.

O silêncio voltou para a casa. Lá fora, um grilo insistia no mesmo canto. Tiago abriu novamente o caderno. Dessa vez não para perguntar. Mas para continuar estudando. E Alzira percebeu que, embora não soubesse responder àquela questão de geografia, talvez estivesse ensinando a mais importante de todas.

A tarde seguiu nesse embate. Alzira cavava, revolvia, capinava. Suas mãos, grossas, com rachaduras que acumulavam o pó da terra, narravam uma biografia de renúncias.

Às vezes, quando tinha certeza de que não havia ninguém por perto, Alzira cantava.

Era um canto baixo, quase um segredo, aprendido com a mãe ainda menina. A melodia saía desafinada pelo cansaço, mas bastava para acompanhar o ritmo da enxada. O vento levava metade das palavras; a outra metade ficava enterrada junto das raízes que arrancava.

Parou de repente. Um estalo no mato fez seu corpo enrijecer. Ergueu a cabeça.

Os olhos percorreram a cerca de varas, os galhos secos, a vereda por onde, vez ou outra, apareciam cobras ou algum estranho atravessando propriedades.

Ninguém.

Ela respirou fundo e sorriu de si mesma:

— Estou ficando medrosa... — Murmurou.

Voltou ao trabalho.

Enquanto a enxada afundava na terra, outra lembrança emergiu. Quando era menina, dizia ao pai que queria ser professora.

Gostava do cheiro dos cadernos novos e das letras desenhadas no quadro da pequena escola da comunidade. Imaginava-se escrevendo o próprio nome todos os dias com giz branco.

Mas a seca de um ano ruim levou primeiro a colheita. Depois levou a escola. E, por fim, levou a infância. Nunca mais falou daquele sonho. Nem para o marido, quando ainda era vivo. Nem para os filhos. Alguns sonhos, aprendera cedo, sobrevivem melhor quando permanecem calados.

Mesmo assim, havia dias em que, sem perceber, corrigia a maneira como Tiago segurava o lápis, alisava as folhas amassadas dos cadernos ou passava a mão sobre os livros como quem acaricia uma porta que nunca conseguiu atravessar.

Então voltava a cantar. Não porque estivesse feliz. Mas porque certas canções conseguem carregar um peso que as palavras não suportam. A enxada desceu outra vez.

E o compasso entre o ferro e a terra pareceu acompanhar a antiga cantiga, como se o chão conhecesse sua história havia muito mais tempo do que qualquer pessoa.

Cada golpe da enxada era um depósito invisível para o futuro dos filhos. À medida que o sol descia, tingindo o céu de um alaranjado violento, ela reunia as ferramentas. O cansaço era absoluto, uma dormência que dominava cada articulação, mas sua mente permanecia estranhamente aguçada. Ela observava a roça, o resultado de seu esforço, e sentia um orgulho silencioso. Não era uma propriedade gloriosa, não havia colheitas recordes, havia apenas a subsistência conquistada a preço de ouro líquido.

O retorno para casa era feito no crepúsculo. Quando atravessava a porta, o cheiro de madeira antiga e de fogão a lenha a recebia. Os meninos estavam acordados, rabiscando folhas com lápis gastos. O mais novo, ao vê-la, correu para abraçar seu avental sujo. Alzira sentiu um alívio que transcendia o cansaço. Ela não via as marcas em suas mãos como feridas, mas como selos de uma jornada que, embora exaustiva, mantinha a família em pé.

Durante o jantar, enquanto ouvia as histórias da escola, ela quase não falava.

Tiago terminou de comer, limpou os dedos na barra da bermuda e puxou o caderno da mochila.

— Mãe, a professora pediu uma redação.

Abriu na última página.

As letras ainda tropeçavam umas nas outras, algumas grandes demais, outras espremidas entre as linhas. Havia palavras riscadas, setas apontando para correções e um pequeno "Muito bem!" escrito em tinta azul no alto da folha.

Tiago respirou fundo.

— Posso ler?

Alzira fez que sim.

O menino começou devagar. Lia sobre a chuva que demorava a chegar, sobre o cheiro da terra molhada e sobre a esperança de ver a roça outra vez coberta de verde. À medida que as palavras saíam de sua boca, os olhos de Alzira deixavam o caderno e repousavam no rosto do filho.

Quando terminou, ele fechou o caderno com cuidado. Ficou alguns segundos em silêncio. Então perguntou:

— Mãe... escrevi bonito?

Alzira sentiu o peito apertar.

Ela não sabia dizer se havia vírgulas fora do lugar, se os verbos estavam certos ou se alguma palavra carregava letras sobrando.

Sabia apenas reconhecer a verdade. Passou a mão devagar pelos cabelos do menino e sorriu:

— Bonito é quando a palavra leva a gente mais longe.

Tiago olhou novamente para o caderno. Sorriu também. Não porque tivesse certeza de que escrevera corretamente. Mas porque compreendeu que escrever podia ser uma maneira de caminhar sem sair do lugar.

O silêncio, naquela hora, era um ato de contemplação. Enquanto os meninos comiam, ela observava os raios de luz que entravam pelas frestas da parede de barro e talos, iluminando o pó que flutuava no ar. Ali, naquela precariedade, o mundo fazia algum sentido. Ela tinha a terra sob as unhas, o sol marcado na pele e o futuro dos filhos pulsando na mesa. Alzira sabia que o sol de amanhã seria novamente um teste de resistência, que a enxada continuaria pesada e que o esforço não teria fim. Mas enquanto houvesse força para levantar a mão e virar o solo, haveria esperança. A jornada era dura, mas cada dia era um pouco de solo lavrado para que os filhos, um dia, não precisassem aprender a ler o mundo apenas pelo cansaço da terra, mas pela possibilidade de um destino por eles mesmos escolhido.


 José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e cronista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

POESIA - POEMA DOS OLHOS DA AMADA - VINÍCIUS DE MORAES


. Poema dos olhos da amada


Ó minha amada

Que olhos os teus

São cais noturnos

Cheios de adeus

São docas mansas

Trilhando luzes

Que brilham longe

Longe nos breus...


Ó minha amada

Que olhos os teus

Quanto mistério

Nos olhos teus

Quantos saveiros

Quantos navios

Quantos naufrágios

Nos olhos teus...


Ó minha amada

Que olhos os teus

Se Deus houvera

Fizera-os Deus

Pois não os fizera

Quem não soubera

Que há muitas eras

Nos olhos teus.


Ah, minha amada

De olhos ateus

Cria a esperança

Nos olhos meus

De verem um dia

O olhar mendigo

Da poesia

Nos olhos teus.


Vinícius de Moraes 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ALEXANDRE DE MORAES MANDA TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO MARANHÃO DEVOLVER PAGAMENTOS DE PENDURICALHOS

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (12) que tribunais continuam, mesmo diante das novas regras fixadas sobre “penduricalhos”, realizando o pagamento de “verbas exorbitantes”.

Diante da constatação, Moraes determinou a suspensão imediata da liberação desses valores. Com a decisão, os tribunais de Justiça do Maranhão, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Distrito Federal devem bloquear o pagamento de verbas indenizatórias que ficam fora do teto do funcionalismo.

Além disso, os sete tribunais devem identificar os magistrados que receberam valores indevidos e determinar a devolução do que ultrapassar o limite de 70%

ROSEANA SARNEY APRESENTA PL NA LUTA CONTRA O CÂNCER


A deputada federal Roseana Sarney (MDB-MA) apresentou o Projeto de Lei nº 4929/2026, que prevê o cumprimento dos prazos legais para o diagnóstico e início imediato do tratamento contra o câncer.  A proposta determina que, quando esses prazos não forem cumpridos pela rede pública, o paciente seja automaticamente encaminhado para atendimento na rede privada credenciada, contratada ou conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A legislação brasileira já garante que pacientes com neoplasia maligna iniciem o tratamento no SUS em até 60 dias após o diagnóstico, e realizem os exames de elucidação diagnóstica em até 30 dias. Com o novo projeto, esses prazos passam a ter uma garantia real de cumprimento .

Pelo texto apresentado por Roseana Sarney, sempre que o prazo legal for descumprido,  ou quando faltarem apenas dois terços do prazo sem agendamento confirmado, o paciente já deverá ser encaminhado para a rede privada conveniada ao SUS, em até 10 dias úteis.

O projeto não representa novos custos ao SUS: o atendimento já é obrigação do sistema público, e a proposta apenas garante que ele aconteça dentro do prazo, usando a capacidade da rede privada complementar quando a rede pública não dá conta.

O encaminhamento segue a ordem cronológica de entrada na fila, preservando a prioridade de casos mais urgentes, e o paciente ou seu responsável deve ser formalmente informado tanto sobre o descumprimento do prazo quanto sobre o encaminhamento realizado. Caso não haja estabelecimento privado conveniado na região, o paciente tem direito a atendimento em outro município, com transporte e apoio ao deslocamento assegurados. Ainda assim, o SUS mantém a responsabilidade pelo acompanhamento do caso, mesmo quando o atendimento é feito na rede privada.

O PL 4929/2026 aguarda agora distribuição às comissões da Câmara dos Deputados para análise de mérito antes de seguir para votação em Plenário

CONTINUIDADE COM AVANCOS, GARANTE ORLEANS BRANDÃO

A Rádio Mirante News FM recebeu na manhã de ontem , terça-feira (11) o candidato a governador do Maranhão, Orleans Brandão (MDB), no programa Ponto Final, com os jornalistas Jorge Aragão, Ronaldo Rocha e Alessandra Rodrigues.

Orleans fez questão de destacar que seu governo, caso seja eleito, será um governo de continuidade e com avanços. Além disso, fez questão de ressaltar que sente orgulho de ser sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB) e não sente nenhum constrangimento.

“Pelo contrário, eu sempre digo que bato no peito. Sou sobrinho de um grande governador, de um homem humano, sensível e de um grande gestor”, afirmou Orleans, dizendo que também não sente incômodo com o apelido de “Bebezão”, colocado por alguns adversários.

Ao avaliar as prioridades de sua candidatura, Orleans destacou a expansão do ensino em tempo integral e a geração de empregos no estado.

“Me proponho a fazer a mesma coisa. Continuar o que está dando certo, mas avançar. Estou pensando todos os dias em novos programas pensando na juventude, saúde, educação. Quero colocar 50% das escolas estaduais em tempo integral, colocando ensino técnico e profissionalizante. A marca do meu governo eu quero que seja geração de emprego e renda”, disse.

Orleans Brandão afirmou que seguirá pedindo voto para a reeleição do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e que espera ter seu apoio ainda nestas eleições.

“Seria muita incoerência da minha parte passar quatro anos onde Lula e Brandão fizeram a Litorânea, onde Lula e Brandão fizeram a Avenida Metropolitana, a BR-226 e chegar ao ano eleitoral e dizer que não caminho com o presidente Lula. A gente sabe que existem as pressões de Brasília, a gente sabe que a política não é somente a respeito das questões do estado do Maranhão, mas confio que vou trabalhar com Lula, vou continuar pedindo pelo presidente Lula por que quero ser governador, junto com ele presidente”, enfatizou.

Clique aqui para ver e ouvir a entrevista na íntegra

OPINIÃO -CONSELHO PARA OS CANDIDATOS QUE QUEREM ANDAR EM SINTONIA COM A POPULAÇÃO MAIS CARENTE - POR EUCLIDES MOREIRA NETO

*CONSELHO PARA OS CANDIDATOS QUE QUEREM ANDAR EM SINTONIA COM A POPULAÇÃO MAIS CARENTE ou onde está a coerência dos nossos gestores políticos?*  



São Luís está chegando em mais um período eleitoral e, como de costume, as ruas já começam a se encher de promessas. Bandeira, adesivo, jingle e aquele discurso sonho cor de rosa. “Vamos valorizar a cultura”, “a cultura é a alma do povo”, “os fazedores de cultura serão prioridade”. 

Bonito no papel. Bonito no palanque. Difícil é encontrar isso na prática. Porque a verdade que ninguém quer dizer em voz alta é que em São Luís a cultura local virou decoração de campanha. Se usa no jingle, se usa na foto, se usa no comício. Mas na hora de definir orçamento, de abrir equipamento, de pagar cachê, ela é tratada como parente pobre.

Os mandatários máximos deste estado e desta cidade insistem numa política de supervalorização das chamadas atrações nacionais. Trazem shows milionários, camarotes, estrutura de aeroporto. O nome estampa outdoor, rádio, TV e rede social. O povo aplaude, tira foto, posta. E está tudo certo com o entretenimento. 

O problema é o que vem depois. Ou melhor, o que não vem. Depois ficam os fazedores locais. O mestre de bumba meu boi que ensaia no terreiro com telha furada. A quadrilha junina que costura roupa com dinheiro do próprio bolso. O grupo de tambor de crioula que paga transporte para o ensaio. O coletivo de teatro que monta peça em praça porque o teatro está fechado. O músico, o dançarino, o artesão, o contador de história. 

Para eles sobra o resto. Sobra migalha. Sobra promessa. Sobra edital que atrasa, prêmio que não sai, lei de incentivo que some no meio do caminho.

E não dá mais para sobreviver só de amor. De boa vontade. De apoio de amigos, de família e de eventual doador. Vários grupos já desapareceram nos últimos anos. Silenciaram. Não por falta de talento. Por falta de condição mínima de existência. Quando o custo de tudo aumenta a toque de caixa, num ritmo inflacionário assustador, e o cachê do artista local continua sendo “nem seu Sousa”, a conta não fecha. 

É humilhante comparar. De um lado, milhões para 90 minutos de show de atração nacional. Do outro, 2 mil, 3 mil, 5 mil reais para um grupo que carrega 40 pessoas, figurino, instrumento, história de 50 anos. Isso quando paga. Isso quando não cancelam na véspera.

E onde o povo poderia respirar cultura o ano inteiro? Nos equipamentos públicos. Olha o estado deles. O Teatro Alcione Nazaré fechado. O Arquivo Público Estadual capengando. O Centro de Criatividade Odylo Costa Filho abandonado. O Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho sem funcionar como deveria. A Biblioteca Pública Benedito Leite, a Biblioteca Ferreira Gullar, o CACEM, a Escola de Música Lilah Lisboa… ou portas trancadas ou funcionando em estado precário de conservação. 

E o símbolo mais cruel dessa lógica: a Casa do Maranhão. Um museu importantíssimo, criado na gestão da ex-governadora Roseana Sarney justamente para salvaguardar a memória do nosso Bumba Meu Boi, patrimônio da humanidade. Foi desativado. Entregue. Para virar hotel de luxo para turistas de um grupo hoteleiro português, o Vila Galé. 

A mensagem é clara: a nossa cultura serve como cenário. Como produto turístico. Mas como política pública, como direito, como memória viva do povo maranhense, ela é de segunda categoria. Descartável.

Dizer que “tudo pode ser conciliado” é fácil. Difícil é sentar de verdade com o coletivo. Ouvir o mestre, a presidenta de bloco, a produtora independente, o gestor de ponto de cultura. Discutir orçamento, calendário, manutenção, formação. Fazer isso de forma democrática, com transparência e continuidade. 

Isso está longe de ocorrer em São Luís. E para avacalhar ainda mais o campo cultural, temos o direcionamento escancarado dos recursos das leis de apoio. Leis que foram criadas para oxigenar a produção independente local viram balcão de negócio palaciano.

Viram moeda de troca. Viram verba para contemplar apadrinhados e projetos ligados a quem está no poder. Há uma prática nebulosa instalada. Tem projeto que passa, tem projeto que não passa e ninguém sabe o critério. Tem recurso que entra e não se sabe onde foi parar. Tem prestação de contas que ninguém fiscaliza. 

Aí tem coisa. Onde há fumaça há fogo. E queima. E quem se queima é sempre o mesmo: o trabalhador da cultura que está na base. Por isso deixo aqui um conselho direto para os eventuais candidatos que querem mesmo andar em sintonia com a população mais carente, com o povo que faz cultura na periferia, no interior, no terreiro, na escola:

1. Pare de falar em cultura só em ano eleitoral. Apresente um plano. Com meta, com prazo, com orçamento. Diga de onde virá o dinheiro e como será gasto.

2. Valorize quem está aqui. Estabeleça piso de cachê para artistas locais proporcional ao que se paga para atrações de fora. Se tem 2 milhões para um show, que tenha pelo menos 30% desse valor distribuído para a cadeia produtiva local no mesmo evento.

3. Reabra e cuide dos equipamentos. Não adianta construir novo se o que existe está caindo. Teatro, biblioteca, centro cultural não são gasto. São investimento em cidadania.

4. Transparência total nas leis de incentivo. Critério público, banca com participação da classe artística, resultado auditável. E fiscalização séria. Se for preciso, que o Ministério Público e a Polícia Federal entrem. Porque cultura também é dinheiro público.

5. Pauta as demandas históricas. A sonhada PASSARELA DO SAMBA, por exemplo. Décadas se passaram e nenhum governo teve coragem política de tirar do papel. É um equipamento que gera emprego, renda, turismo e dignidade para centenas de famílias do samba. Por que não é prioridade?

Cultura não é supérfluo. Em terra como a nossa, cultura é trabalho, é identidade, é resistência, é economia. É o que nos diferencia no Brasil e no mundo. É o Bumba, o Reggae, o Tambor, o Cacuriá, o Festejo, a literatura, o audiovisual que nasce aqui apesar de tudo.

Não dá mais para tratar isso como folclore de campanha. O povo já entendeu o jogo. E está cansado do discurso vazio. Quer ver projeto, quer ver equipamento aberto, quer ver cachê na conta, quer ver política pública que não mude a cada troca de governo.

Se o candidato quer meu voto e o voto da comunidade cultural, que mostre coerência. Que mostre compromisso com o que é nosso. Que mostre que entende que sem cultura local forte, não existe cidade forte.

Do contrário, vai continuar sendo só mais um nome no santinho, mais um slogan bonito e mais quatro anos de migalhas para quem faz a festa acontecer de verdade.

São Luís merece mais. E os fazedores de cultura, sobretudo. 

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Por Ph.D Euclides Moreira Neto - Ph. D em Comunicação, Linguagem e Cultura/UNAMA e Prof. De Jornalismo/UFMA

CARLOS BRANDÃO SE REUNE COM O DIRETOR GERAL DO DENIT

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), esteve reunido, na tarde de ontem, terça-feira (11), em Brasília, com o diretor-geral do DNIT, Fabrício de Oliveira Galvão.

Na oportunidade, Brandão falou da situação da ponte do Estreito dos Mosquitos e de pelo menos duas rodovias federais a BR-135 e a 222.

“Fui pessoalmente ao DNIT cobrar soluções para os transtornos no trânsito, a reconstrução da ponte do Estreito dos Mosquitos e o avanço no asfalto e concreto da BR-135 e da BR-222. Obras geram impacto no dia a dia, mas o compromisso é ajustar o ritmo para entregar a segurança e a qualidade que o Maranhão precisa”, assegurou

POESIA - INDAGAÇÕES DO VENTO - ZÉ CHAGAS

INDAGAÇÕES DO VENTO


Ossos do Guevara:

— esqueleto do sonho?

natureza rara

de assombro medonho?


Ideais sepultos

que brotam de novo?

revide aos insultos

que sofreu o povo?


Soturna guerrilha

que o mundo reclama

pensando que brilha,

já não sendo chama?


Será brasa viva

a arder o futuro?

Cinza que se ativa,

fogo de monturo?


Será que a ossada

de Che ainda aduba

a terra encharcada

do sangue de Cuba?


Que cães vão em busca

desses ossos dúbios,

ao sol que hoje ofusca

tão falsos conúbios?


A alma latina

nasce desses ossos,

como o que germina

dos estrumes nossos?


Será que esse mito

que do chão renasce

fará o infinito

encarar sua face?


Será que ele é visto

como um santo novo,

ou num neocristo

na reza do povo?


Pode um morto só

nos dar esperança, a

o fazer-se pó

que ao vento se lança?


E o que o vento indaga

ganhará resposta,

ou somente a praga

da verdade exposta?


Um herói em osso

mantém seu tutano,

em meio ao destroço

do destino humano?


Posto assim Guevara

nos ossos do ofício,

a morte o declara

pronto ao sacrifício?


Seu caminho torto

será que ainda alcança

o perdido porto

de sua esperança?


Ossos do Guevara:

— quem é tão fecundo

que os toma e prepara

a sopa do mundo?


José Chagas 


terça-feira, 11 de agosto de 2026

ACUSADO DE ORDENAR EXECUÇÃO NO PIAUÍ, VEREADOR DE BAKSAS É PRESO


Foi preso na tarde de ontem,bsegunda-feira (10), o vereador de Balsas Hélio Sousa Neto, mais conhecido como Hélio Tiví.

De acordo com a Polícia Civil do Piauí, o vereador é suspeito de planejar o assassinato de um homem chamado Luís Carlos do Nascimento, em 3 de outubro de 2025, na cidade de Santa Filomena (PI). Hélio Tiví foi preso preventivamente em Balsas.

O vereador já havia sido preso em fevereiro deste ano, mas conseguiu ser liberado. No entanto, o delegado Jailson Coutinho, que acompanha o caso, afirma que novos elementos levaram a um novo pedido de prisão.

Segundo a Polícia Civil do Piauí, a motivação do homicídio está relacionada à morte de Antônio Sousa Neto, irmão do vereador, ocorrida em Riachão (MA) em 2024. A linha de investigação aponta que o crime foi cometido como forma de vingança.

Hélio Tiví foi o segundo mais votado nas eleições de 2024, quando recebeu 1.371 votos

FUDU NOBRE E NANDO REIS NA FEIRA DA AGRICULTORA FAMÍLIAR EM SÃO LUIS

Vem aí a 4ª Feira Maranhense da Agricultura Familiar (FEMAF), que será realizada entre os dias 12 e 15 de agosto, na Lagoa da Jansen, em São Luís.

O evento vai reunir agricultores e agricultoras familiares, assentados da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais, empreendedores, instituições e consumidores em uma programação que destaca a produção, a cultura e as potencialidades dos territórios maranhenses.

A 4ª Feira Maranhense da Agricultura Familiar também terá uma programação cultural com participação de artistas nacionais, como os cantores: Dudu Nobre e Nando Reis.

Durante o evento, mais uma vez, teremos o Concurso da Melhor Farinha d’Água do Maranhão, iniciativa que busca valorizar a produção de farinha d’água no estado, incentivar práticas sustentáveis e contribuir para a preservação das técnicas tradicionais de fabricação da farinha de mandioca, um dos símbolos da cultura alimentar maranhense.

Atrações culturais:  Quarta-feira (12) – Os Tropix e Nando Reis; Quinta-feira (13) – Mesa de Bar e Eve Sandes; Sexta-feira (14) – Thais Moreno e Galícia; e Sábado (15) – Feijoada Completa e Dudu Nobre.