sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

IRACEMA VALE. DAVI BRANDÃO, FLORENCIO NETO AGORA SÃO DO MDB



O MDB do Maranhão anunciou oficialmente a filiação de oito deputados estaduais, inclusive a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale.

Além de Iracema, se filiaram ao MDB: Andreia Rezende, Daniella, David Brandão, Francisco Nagib, Antônio Pereira, Adelmo Soares e Florêncio Neto, todos deixaram o PSB, com a mudança do comando da legenda e passando para a oposição ao Governo Brandão.

Quando diferentes vozes se unem em torno de um propósito comum, quem ganha é o Maranhão e o Brasil. Sejam bem-vindos ao partido que constrói pontes, une forças e trabalha todos os dias por um futuro com mais equilíbrio, crescimento e oportunidades para todos”, afirmou o MDB na publicação anunciando os novos filiados.

O MDB na ALEMA pertence ao Bloco Unidos Pelo Maranhão, liderado pelo deputado Ricardo Arruda. Já o diretório estadual é presidido pelo secretário de Assuntos Municipalistas do Maranhão, Orleans Brandão, pré-candidato ao Governo do Estado



SINFRA NEGA FATURAMENTO EM OBRAS DA AVENIDA LITORÂNEA


O secretário de Infraestrutura do Maranhão, o engenheiro Aparício Bandeira, gravou video se posicionamento sobre a a denúncia de eventual superfaturamento na obra de prolongamento da Avenida Litorânea.

Aparício afirma que o trecho citado em reportagem do Metrópoles, supostamente baseado em relatório do Tribunal de Contas da União, não foi sequer iniciado e, portanto, não houve qualquer prejuízo aos cofres públicos. Além disso, o secretário de Infraestrutura assegurou que eventuais diferenças foram assumidas pela empresa, sem impacto financeiro para o Maranhão.

Por fim, Aparício reafirmou que a obra segue com acompanhamento dos órgãos de controle e dentro da legalidade. As informações foram prestadas em entrevista para a TV Mirante,

O prolongamento da Avenida Litorânea, realizada em parceria pelos governos estadual e federal, é considerado uma das principais obras de mobilidade urbana e desenvolvimento turístico da capital maranhense, com previsão de ampliação da orla e melhoria do fluxo viário na região

PRISÕES FEITAS EM TURILANDIA CONTINUAM VALENDO


Os presos na Operação Tântalo, desenvolvida pelo Ministério Público do Maranhão em Turilândia, tiveram habeas corpus negado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e permanecem presos, alguns em prisão domiciliar

A decisão no STJ foi do ministro Sebastião Reis Júnior, que manteve todas as prisões relacionadas à operação que apura desvios de recursos públicos em Turilândia. As prisões foram autorizadas pela desembargadora Graça Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), ainda em dezembro de 2025.

O habeas corpus pedia a liberação dos presos Paulo Curió, Eva Curió, Tanya Carla, Hyan Alfredo Mendonça, e dos vereadores Carla Regina Pereira Chagas, Gilmar Carlos Gomes Araújo, Inailce Nogueira Lopes, José Ribamar Sampaio, Josias Froes, Mizael Brito Soares, Nadianne Judith Vieira Reis e Sávio Araújo e Araújo.

Com a decisão do STJ, permanecem integralmente válidas as determinações judiciais expedidas pela desembargadora Graça Amorim do TJ do MA.

O SUCESSO DO CARNAVAL DE ROBERTO COSTA EM BACABAL

 

O prefeito Roberto Costa comemorou o sucesso do Novo Carnaval na Nova Bacabal, realizado de 14 a 17 de fevereiro, no Centro Cultural, e fez questão de festejar no meio dos foliões. Sempre participativo, também anunciou as atrações e animou a multidão, que superou as expectativas mesmo diante das noites de chuvas intensas.

A participação popular foi um dos grandes destaques da programação. O recepcionista Welligton Sousa elogiou a postura do prefeito: “Ele é do povão, Roberto Costa! Está de parabéns, está muito bom o Carnaval, e é porque ele está no meio da gente aqui.”

Com ampla estrutura de palco, som e iluminação, o evento contou com forte esquema de segurança e policiamento. As equipes do SAMU e da Secretaria Municipal de Saúde mantiveram um ambulatório fixo no Centro Cultural para atendimento ao público. A Secretaria da Mulher também esteve presente com um espaço especial de maquiagem e beleza, oferecendo atendimento e valorizando as mulheres durante a folia.

Para os trabalhadores informais, o Carnaval representou geração de renda e oportunidade. O vendedor ambulante Nivaldo Cardoso destacou: “Só quem tem a ganhar é a cidade, né? Pois nós estamos aqui para vender, está tudo bem organizado. Está sendo muito bom aqui para nós, vendedores ambulantes.”

Ao avaliar o evento, o prefeito ressaltou o recorde de público, a organização da festa e os reflexos na economia da cidade, beneficiando diversos setores e garantindo renda para centenas de famílias ao longo dos quatro dias de programação.

“Minha gratidão ao governador Carlos Brandão, que me ajudou muito, e ao meu amigo e parceiro Orleans Brandão. Foram quatro dias de uma grande festa, com um grande público. Um evento que contemplou nossos ambulantes, taxistas, mototaxistas, hotéis e restaurantes, movimentou a nossa economia e trouxe alegria para nossa cidade. Vamos continuar trabalhando nesse sentido, para seguir realizando esses eventos e mostrar que Bacabal voltou a ser destaque no Maranhão, e voltou de forma grandiosa”, afirmou.

Durante o encerramento, Roberto Costa também anunciou a 2ª edição do Bacabal Fest, que promete movimentar o verão na cidade.

“No mês de julho, dias 25 e 26, nós teremos o Bacabal Fest. Ainda não fechamos toda a grade, mas já temos confirmados: Joelma, É o Tchan, Oh Polêmico, Taty Girl e Henry Freitas. E, desta vez, não será só palco; iremos curtir também no trio elétrico”, garantiu o prefeito.

O sucesso do Carnaval e a confirmação de novos eventos marcam um novo momento em Bacabal sob a liderança do prefeito Roberto Costa, com organização e grande participação popular. A expectativa agora se volta para as próximas programações anunciadas pelo gestor, que devem manter a cidade movimentada e o calendário cultural aquecido ao longo do ano.

COM A PALAVRA _ QUANDO O "MENINO" VIROU O DONO DA CASA- POR PAUL GETTY

 

Título: QUANDO O "MENINO" VIROU O DONO DA CASA


Na minha época, MENINO não mandava nem no vento da janela. A gente era tipo figurante da própria infância. Servia pra pastorar cabra, correr atrás de galinha fujona, tirar carrapato do bucho de jumento e ainda agradecer se o bicho não resolvesse revidar com um coice pedagógico.


Comprar fiado na quitanda? Só se fosse com a recomendação de mamãe ecoando no ouvido:

— “Diga a seu ZÉ que eu pago sábado!”

E ai de mim se esquecesse o recado. Apanhava em casa e ainda ficava sem a merenda.


Hoje não. Hoje o MENINO é CEO da residência. Vai viajar? Quem escolhe a música é o MENINO. Se tocar outra coisa, ele decreta greve geral no banco de trás. O celular? Entregue imediatamente à autoridade mirim, sob pena de escândalo público com direito a se estribuchar no chão do aeroporto como se estivesse concorrendo ao Oscar de Melhor Drama Infantil.


Na televisão, então, nem se fala. A casa pode até ser dos pais, mas o controle remoto pertence ao MENINO por direito constitucional. Não existe mais jornal, novela ou futebol. Existe o canal do YouTube do MENINO. O algoritmo trabalha para ele. O Wi-Fi respeita ele. A senha da internet parece até ter sido registrada em cartório no nome dele.


E quando juntava MENINO lá em casa?


Era um coral de pedidos: — “Quero refrigerante”

— “Quero biscoito!”

— “Quero o copo grande!”

A solução estratégica? Mamãe botava o Baré Cola numa xicrinha pequena e ficava assoprando: — “Cuidado que tá quente!”


Porque MENINO pede que só o cão. Mas, no fundo, a verdade é uma só: muda o tempo, muda a tecnologia, muda o tamanho do controle remoto… mas MENINO continua sendo MENINO. A diferença é que antes a gente obedecia. Hoje a gente negocia tratado internacional com um ser de três palmos de altura e voz de comando.


Paul Getty S Nascimento 

poeta, compositor, cronista, chargista e membro da APL - Academia Pedreirense de Letras

POESIA - O RELÓGIO DE ÓRION ,- MARCELO


O RELÓGIO DE ÓRION


era uma bússola de sentido próprio

calculava a saudade com estrelas

& a dor do amor com telescópio


era feito de sem-tempo

& todo às avessas

media as tristezas pela distância

& as distâncias pela pressa


Marcelo Chalvinski 



SOBRE O AUTOR


Marcello Chalvinski é poeta e escritor. Autor de obras que exploram o tempo, a memória e os limites entre o real e o imaginário, Chalvinski constrói uma tessitura única e inesquecível na literatura contemporânea. Publicou nove livros: Anjo na Fauna, Don Juan & o Jardim das Maravilhas, Temporal e Invisível (poesia); O Plano, As Horas Submersas e A Queda Interrompida (prosa). Este último também foi publicado internacionalmente: La Caída Interrumpida (espanhol) e The Interrupted Fall (inglês). Todas as obras estão disponíveis na Amazon: https://tinyurl.com/znbxn6e9



SEXTOU COM MUÇÃO

 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

VIRADOURO É A GRANDE CAMPEÃ E NITERÓI É REBAIXADA

A escola de samba Acadêmicos de Niterói,  que homenageou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi penalizada por problemas na dispersão de seu desfile na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola não perdeu pontos, mas foi multada em R$ 80 mil, mas acabou ficando na última colocação e sendo rebaixada ao Grupo de Acesso.

A Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, foi alvo de muitas críticas, entre elas de não respeitar a família tradicional, intolerância religiosa e ainda fazer campanha antecipada para Lula, candidato à reeleição neste ano.

Para muitos carnavalescos, a escola não soube contar a história de um personagem, preferindo trazer uma visão política totalmente centrada na figura de Lula e não de sua mãe, como a própria sinopse do enredo prometia.

Campeã – Como era esperado, após os três dias de desfiles, a Viradouro, que já havia levado o Estandarte de Ouro 2026, foi a melhor escola do Grupo Especial e, portanto, a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro.

A Viradouro desfilou na segunda noite e apresentou o enredo “Pra cima, Ciça”, em homenagem ao mestre de bateria. A campeã do Carnaval teve nota máxima em todos os quesitos apreciados pelos jurados.

FOI UM CARNAVAL TRANQUILO

 

O Carnaval do Maranhão 2026 entrou para a história pelo recorde de público e pela segurança. Foram mais de 5,4 milhões de pessoas nos circuitos de São Luís. Nenhuma ocorrência grave foi registrada nos circuitos oficiais da festa promovida pelo Governo do Maranhão na capital ou nos circuitos do interior do estado. Não houve casos de homicídio, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte ou qualquer outro crime grave durante os dias de programação.

Em São Luís, também não houve apreensão de armas de fogo ou drogas nos circuitos oficiais organizados pelo Governo do Maranhão. Além disso, a Secretaria de Estado da Segurança Pública contabilizou redução significativa nos registros de roubos e furtos de aparelhos celulares em relação ao ano passado.

O balanço foi apresentado ontem, Quarta-feira de Cinzas (18) pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Maurício Martins, durante entrevista coletiva ao lado do comandante da Polícia Militar, coronel Wallace Amorim; do delegado-geral da Polícia Civil, Manoel Almeida; do subcomandante do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Francisco dos Anjos; e de demais comandantes das forças policiais do estado.

Esses resultados são reflexo de um planejamento consistente e da atuação integrada de todo o Sistema de Segurança Pública do Maranhão, aliado ao uso da tecnologia. Empregamos mais de 8 mil policiais no reforço dos circuitos oficiais em todo o estado e utilizamos um sistema de reconhecimento facial, com câmeras e drones, no circuito da Litorânea, com monitoramento em tempo real, para garantir paz e segurança aos foliões e trabalhadores”, destacou o secretário.

Queda nos índices – Entre os principais indicadores da Operação Carnaval do Maranhão 2026 está a redução de aproximadamente 40% nos casos de furto de celulares no circuito da Litorânea: foram 116 registros em 2025, contra 70 em 2026.

Outro dado expressivo foi a queda de 98% nos roubos de celulares — de 41 ocorrências registradas no ano passado para apenas um caso em 2026

POESIA - PAPÉIS AMARELOS - JOSÉ SARNEY





 Papéis amarelos


Revisitando a Casa da Infância, no Outono

Na máquina em que escrevo

o teclado

de santa alucinação.


Sozinha brilha e aparece

entre tipos e aranhas

a amarga madrugada

do recordar.


Na terra em que meus olhos descobriram o mundo

abre-se

a flor da memória.

Verdes campos

em que me fiz igual a eles.

Surgem

nuvens, um pântano, uma cacimba.

Depois o velho poço.

O poço que amarga o relembrar

onde enchi de água o balde ralado

pedras pretas, musgos do tempo

plantas penduradas que teimavam em crescer

nos encaixes das juntas de fungos negros.

Sapos boiando,

o lancear da corda trazendo o balde.

O poço não é o poço

é um espelho

meu rosto copiado

nas águas guardadas

no fundo de mim.


Aparecem o pé de urucu

com as cachopas espocadas

a mangueira onde dormiam as galinhas

e a horta onde as mãos de minha avó

esmagavam folhas de vinagreiras

e onde o cavalo preto, Graúna,

relinchava com a descarga

das cargas de palmito.

Este remoer

acorda solidões esquecidas

junto aos pés de figo, no limoeiro,

no pé de romã, de grumos que

traziam a felicidade dos bons anos.


Encontro uma moça de cabelos longos

ajoelhada.

É minha mãe rezando.

Meu pai a falar das coisas de Deus

meus irmãos com as pequenas mãos

entrelaçadas nas cantigas de roda

na pureza de que tudo seriaeterno

e nada tombaria.


Os anos se escondem nas saudades

que desaparecem

deixando apenas encardidos ossos.

Onde estão? Esmagados no silêncio.

Só tu, alma minha, tens a ressurreição

que surge sem sol

cresce sem água, abre flores,

dá frutos e ilumina

esse travo do ter existido

na sombra da memória.


O padroeiro no altar.

A seus pés a oração

de implorantes perdões

por todos os pecados

que depois soubemos não eram.


Nas colunas pobres do templo

cobrindo as pedras carcomidas

as tintas imitavam o mármore

esperança do fausto dos grandes santuários.

A Basílica de São Pedro

não tem a beleza da cor de terra

da capela-morta da igreja

do Senhor São Bento.


Acorda, saudade do possível.

Abram meus olhos

para ver estas sombras

da alma que corre em busca

de agarrar-se ao que passou, para fugir.

Casa da minha infância.


As janelas pintadas de azul

bancos toscos, mesas gastas

os gostos dos pratos do angu

de todos.


Meu avô, minha avó, meu pai,

minha mãe, meus irmãos,

o riso de festa

na algazarra daqueles dias

em torno dessa mesa de alegrias e mangas.

Aos meus olhos, boiava a felicidade eterna.


Lágrimas chegaram. Flores murchas.

Um corpo velado: José Adriano.

Foi o primeiro.

E começou o mistério do vazio.

Os anos foram se amontoando no corredor

até serem tantos que não se pode ver.

A varanda é um só longo espaço morto.

Limpa a mesa, sem cadeiras e olhos.


Tudo é um instante

que sobrevive com lágrimas secas.

Não está morto. Vive eterno.

Volto à casa

Posso vê-la aberta, janelas e portas escancaradas

o vento derrubando as mangas-caianas, a chuva caindo

as biqueiras correndo

dos telhados envelhecidos

a água santa no sortilégio do amor passado.

Volto ao batente da despedida.

Olho para trás.

O que viveu vive e

está morto

e foge dos meus olhos

e de minhas mãos.


As candeias de azeite

não iluminam mais

porque o escuro clareia.

A luz não existe mais.

Toda memória está cega

na saudade morta.


Eu mesmo não estou em mim,

liberto para sempre da felicidade.


 


 


O Quarto de Tijolos

Era diferente.

O vermelho do barro cozido,

lugar das preces.

Irregulares quadrados no chão,

cheios de sombras sugeridas e fugazes.

Um leão, uma cobra,

um velho, um pênis, uma coxa.

As formas se misturavam em mudanças de cores e linhas.

Sempre voltava para revê-las.

Fugiam dentro dos meus olhos.

Outros contornos nasciam

no mistério desse quarto.


Ao fundo, o santuário polido de preto,

com folhas de palhinhas de Reis,

porta de vidro em arcotosco,

restos de presépios.

Santana, Santo Antônio, Santo Irineu

— com as mãos separando no peito o hábito jesuíta.

Os santinhos coloridos de papel, desbotados,

tintas velhas, caras desfeitas.

O oco Menino Jesus cheio

com os umbigos

de todos nascidos na casa:

meu pai, meu tio, meusirmãos

e minha irmã. De Pinheiro chegou,

seca relíquia amassada de pele,

o meu,

e ali ficou com os outros para sempre.


Amas, as velhas comadres,

tiradeiras de rezas e ladainhas,

o latim das vilas velhas.


O vermelho dos tijolos gastos

permanece pálido.

Os cantos fundos, as rezas altas.

Meu avô lendo o visionário Isaías

e Deus

presidindo a mesa da família

nas noites das ladainhas,

entoadas no latim

das velhas.


Nestas visões,

tudo desaparece e volta.

Vem a escuridão,

e as chuvas daqueles ermos,

no esconderijo do barro.


— Conta, Debum, a história de Santa Maria.

“Ela era mulher do Alegre e o Diabo veio atravessá-la

na malhada do Jenipapo.

Quando ela viu que era o Capeta,

jogou-se na lagoa e de repente

nasceram capins e canaranas tão altas

que ele não pôde encontrá-la.

Chegou molhada, tremendo de frio, na igreja

e Monsenhor Conduru mandou fazer

uma imagem de cedro cheiroso para guardar seu corpo.”


— Conta, Debum, outras histórias.

“Era uma vez um menino chamado José,

ele está aqui,

dentro de ti.

Dorme.”


Noites e visões de fantasmas,

monstros, curacangas e fogo-preto.

Passos lentos e escondidos

da falecida tia Zica

andavam no quarto de tijolo,

assombrado e guardado

por mil cavalos de vento,

mil bestas de bem-te-vis,

apelos e terços,

rosários e hortelãs,

cheiros daquele cômodo

que até hoje destroça

com seus gemidos do tempo,

um escravo daquele vermelho barro,

cozido por sete fornos,

no fogo dos campos cheios

que encheram minha infância

e não queimarão jamais.


José Sarney