
CENAS DO COTIDIANO LV
(... o nosso bumba boi resiste)
A Ilha já vai respirando ao som das matracas e dos pandeirões. E, de verdade, espero que não inventem de solapar a nossa épica cultura, "com uma enxurrada de forasteiros", que nada têm "cum nóis"
e esta preocupação é real, pois os burburinhos já se espalham tal fogo em capim seco. E, se isso se concretizar, principalmente o nosso bumba boi, mais uma vez, corre sérios perigos
e, por falar em perigo, a Ilha se coalha de acidentes, reflexos do caótico trânsito, que nos mostra que o número de veículos é incompatível com as castigadas e saturadas vias
e, castigada mesmo, está a população, que depende do humilhante e indecente transporte público, que de público não tem nada. É até risível. E preocupante. Afinal, as respostas ficam sempre sem respostas
e, como nem tudo é tristeza e em algumas vezes há boas respostas, no meio do caos, no fim de semana, a festança rolou certa com a requalificação da MA, que liga o Cujupe a Pinheiro, aliviando um pouquinho o nosso sofrimento. E, de verdade, é uma obra de grande valia à terrinha, a beneficiar uma grande extensão da Baixada
e, "cumo pôca côsa é bobági", se volta ao enjoativo e indecente puxa estica dos precatórios do FUNDEB. E a coisa, mais uma vez, é tratada com descaso. E os prófis caladinhos, ignorando a força, que temos
e, com força, mesmo, só o tempo de campanha, que se antecipa e já vem fazendo algumas revelações inusitadas. Me chega a notícia de que o cantor Manuel Gomes "é canidato". Nada a se espantar, quando há muitos e muitos legisladores, que nunca apresenta(ra)m um projeto, em várias legislaturas. Soma(ra)m apenas zero com zero. E se locupleta(ra)m e fica(ra)m calados. "O meu ídolo, Mané Gomes", pelo menos, já traz a caneta. E, para não sofrer represália alguma, a caneta é azul
e, com caneta azul, e tudo, a verdade é que nós merecemos a representação, que temos. Sem comentários, porque não há o que comentar
e, sem comentários, as CPIs vão se revelando a cara da política brasileira. Um grande engodo. Ninguém viu. Ninguém ouviu. Ninguém sonhou. Ninguém "sabeu". Ninguém se entende(u) E fica por isso mesmo. E tudo continua como dantes no quartel de Abrantes
e, como dantes no quartel de Abrantes, o país mais uma vez se mostra rico. Riquíssimo e inesgotável
e, por falar em riqueza, no meu tempo de minino se dizia que uma prefeitura era "uma vaca leiteira". Eu, na minha inocência, não entendia e ficava procurando algo que mostrasse tal ligação. E nada. Agora, sei bem o que significa. "Será se" por isso somos "os premêro" no agro?! Mistérios misteriosos!!!
e, com tantos mistérios, "vô saíno di fininho, pra num sê incantado"
Inté maise!
Zé Carlos Gonçalves