sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A SEGURANCA DAS URNAS NO SEGUNDO TURNO

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (30) ao programa Ponto Final, da rádio Mirante News FM, conduzido pelo jornalista Jorge Aragão, o chefe de cartório do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), Vitor Hugo, fez um balanço positivo do segundo turno das Eleições 2026 na capital maranhense. Segundo o gestor, o pleito transcorreu com tranquilidade e baixo índice de incidentes, refletindo a preparação das equipes de logística e dos mesários.

Durante a conversa, Vitor Hugo reforçou a lisura e a auditabilidade do processo de votação eletrônica, lembrando que mecanismos de checagem pública, como a emissão da zerésima antes do início dos trabalhos e a impressão imediata do Boletim de Urna às 17h, garantem a total integridade da apuração. Após as 17h, foram registrados apenas 921 votos nas seções que permaneceram em funcionamento até o horário estendido pelo STF (19h).

O representante do órgão também esclareceu que todos os locais de votação de São Luís foram mantidos inalterados entre o primeiro e o segundo turno, além de destacar a iniciativa pioneira da Comissão de Acessibilidade, que disponibilizou vans adaptadas com rotas exclusivas para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida. Por fim, lembrou que quem não compareceu às urnas tem o prazo legal de até 60 dias para formalizar a justificativa pelo aplicativo e-Título ou em qualquer cartório eleitoral.

O prazo para justificar a ausência no 1º turno termina em 3 de dezembro de 2026. Para quem não votou no 2º turno, o prazo para apresentar a justificativa termina em 8 de janeiro de 2027.

Clique aqui e ouça a entrevista na integra

BRANDÃO ENTREGA NOVA DELEGACIA DE POLÍCIA CIVIL

 

O Governo do Maranhão inaugurou, na  tarde de ontem,quinta-feira (29), a nova sede da Delegacia Geral de Polícia Civil, localizada na Avenida dos Franceses, bairro Anil, em São Luís (MA). Foram investidos R$ 14,2 milhões na obra, que renova a estrutura da instituição e reúne, em um mesmo espaço, equipes que antes atuavam separadas, o que deve agilizar o trabalho e melhorar o atendimento às ocorrências criminais.

Durante a inauguração, o governador Carlos Brandão pontuou as qualidades da nova estrutura, que é parte de um conjunto de investimentos em estrutura, tecnologia e pessoal para fortalecer a atuação da Polícia Civil.

“Esse era um sonho da Polícia Civil, que estava espalhada por vários bairros e agora está concentrada em um só lugar, estratégico, ideal para tomar decisões mais rápidas e realizar reuniões com mais agilidade. Eles me pediam isso, a gente planejou, conseguiu executar e entregar em tempo, prestando esse grande serviço à Polícia”, afirmou o governador.

O governador ainda mencionou outras ações de tecnologia voltadas ao videomonitoramento e câmeras de reconhecimento facial; valorização dos profissionais e ampliação do efetivo, incluindo reajustes, promoções e convocações de aprovados em concursos públicos.

Para a secretária de Estado da Segurança Pública, Augusta Andrade, a nova sede é mais uma demonstração de valorização profissional. “Ao longo dos anos, o Governo tem realizado muitas ações de apoio, valorização e desenvolvimento da Segurança Pública e, com mais esta, demonstra que esse cuidado vai além os equipamentos, com entrega de viaturas e armamentos, mas também pela valorização das pessoas. Com o ambiente moderno, equipado e digno para os profissionais tenho certeza que todos eles estão felizes e a agradecidos com a entrega dessa casa”.

“Nós teremos um ambiente bastante acolhedor para a população, assim como teremos um ambiente funcional para a Polícia Civil, com unidades estratégicas, além da Superintendência da Capital e do Interior. O espaço à altura da instituição bicentenária abrigará toda área de atividades-meio importantes, como inteligência e nosso suporte à tecnologia da informação, engenharia, então será a centralização dos nossos serviços administrativos, cursos e planejamento de operações”, declarou Augusto Barros, delegado Geral da Polícia Civil no Maranhão, frisando que as delegacias dos bairros e os plantões permanecem funcionando normalmente.

Reforma completa – O prédio (onde outrora funcionou uma unidade de ensino superior), localizado no bairro Anil, tem quase 4 mil metros quadrados de área construída e passou por uma reforma completa. Foram trocadas as redes elétrica, hidráulica e hidrossanitária, e atualizados os sistemas de câmeras de segurança (CFTV), sonorização, combate a incêndios e proteção contra descargas atmosféricas. A obra também trouxe melhorias nos quesitos de acessibilidade e segurança, além de uma nova organização dos ambientes internos.

Os serviços ocupam três pavimentos. No térreo, ficam o auditório (165 lugares), a sala de imprensa, a recepção, o protocolo e os setores de boletins de ocorrência, recursos humanos e cadastro, além de gabinetes e unidades especializadas. No primeiro andar, estão a administração superior, as diretorias, a assessoria jurídica e os setores financeiro, de estatística, patrimônio e apoio psicossocial. O segundo andar reúne o laboratório e as áreas de interceptação telefônica, operações, tecnologia da informação, engenharia, programação e suporte de informática.

O projeto inclui ainda um estacionamento com cerca de 220 vagas, com iluminação pública, acessibilidade e sinalização vertical e horizontal, para atender melhor a rotina da

CRONICA - SERVIDOR PÚBLICO - POR ZEZINHO CASANOVA


Servidor Público - Quem Serve Também Merece Respeito


Ainda era madrugada quando dona Lúcia acordou. O relógio marcava quatro e meia. Na cozinha pequena, o café requentado dividia espaço com as contas vencidas sobre a mesa. Vestiu a roupa cuidadosamente passada na noite anterior, prendeu os cabelos, beijou a filha que ainda dormia e saiu para mais um dia de trabalho.

Dona Lúcia era servidora pública. Trabalhava na recepção de uma unidade de saúde havia quase vinte anos. Conhecia pelo nome muitas das pessoas que chegavam à procura de atendimento. Sabia das dores de algumas, das dificuldades de outras e até dos remédios que certos idosos tomavam. Não era médica, não receitava medicamentos, não fazia milagres. Mas tinha uma qualidade que, em tempos de tanta pressa, parecia cada vez mais rara: sabia ouvir.

Naquela manhã, porém, nem toda a paciência do mundo parecia suficiente.

— Isso aqui é uma vergonha! Vocês não fazem nada! São pagos com o nosso dinheiro! — Gritou um homem, irritado com a demora no atendimento.

Dona Lúcia respirou fundo. Tentou explicar que faltavam profissionais, que o sistema estava lento e que havia pacientes aguardando desde cedo. Não conseguiu terminar.

— Funcionário público é tudo igual! Só quer saber de salário no fim do mês!

Ela baixou os olhos. Não por concordar, mas porque aprendera, ao longo dos anos, que algumas pessoas não procuram explicações. Procuram alguém sobre quem descarregar suas frustrações.

O homem não sabia que dona Lúcia também pagava impostos. Que enfrentava ônibus lotados. Que, muitas vezes, comprava material de expediente com o próprio dinheiro. Que já havia deixado de acompanhar uma apresentação escolar da filha porque precisara permanecer no trabalho.

Também não sabia que, naquela manhã, ela estava com a mãe internada e o coração apertado de preocupação. Mas dona Lúcia permaneceu ali. Atendendo.

Do outro lado da cidade, seu Antônio Moraes, professor de uma escola pública, tentava convencer um adolescente de que estudar ainda valia a pena. O menino, desanimado, dizia que precisava abandonar a escola para trabalhar.

Seu Antônio não tinha uma resposta fácil. Conhecia a pobreza de perto. Sabia que a fome nem sempre espera o futuro chegar. Mesmo assim, conversou, procurou alternativas, chamou a família e insistiu para que o garoto não desistisse.

Na semana anterior, havia sido chamado de incompetente por um pai inconformado com a nota do filho. Também ouvira que professor trabalhava pouco e reclamava demais.

Naquela noite, depois de corrigir provas e preparar aulas, ficou olhando a velha fotografia de sua primeira turma. Perguntou a si mesmo se ainda fazia alguma diferença.

Fazia. Só não aparecia nas manchetes.

Havia também Maria das Dores, auxiliar de serviços gerais da escola municipal Rosimeire Torres Nunes no bairro Caxuxa em Alto alegre do Maranhão. Chegava antes dos alunos e saía depois de muitos deles. Limpava salas, corredores e banheiros. Recolhia o lixo, lavava o chão e cuidava de espaços que alguns sujavam sem o menor constrangimento.

Certa vez, ouviu de uma visitante:

— Chame alguém importante para resolver isso!

Maria ficou em silêncio. Por um instante, teve vontade de perguntar quem havia decidido que seu trabalho não era importante. Mas apenas respondeu:

— Vou procurar a pessoa responsável.

Naquele dia, voltou para casa com uma tristeza que não soube explicar aos filhos.

Talvez porque certas palavras machuquem mais do que o cansaço.  E assim segue o Brasil.

Um país sustentado diariamente por milhares de mãos que quase nunca aparecem nas fotografias oficiais. Mãos que vacinam crianças, ensinam a ler, cuidam de idosos, recolhem o lixo, fiscalizam alimentos, combatem incêndios, organizam documentos, atendem famílias e garantem que direitos escritos nas leis possam existir na vida real.

É verdade que o serviço público brasileiro tem problemas. Há burocracia excessiva, estruturas precárias, falhas de gestão e profissionais que não cumprem adequadamente suas responsabilidades. Negar isso seria fechar os olhos à realidade. Mas seria igualmente injusto transformar essas falhas em uma condenação coletiva.

O servidor público não é o dono do serviço. É alguém que trabalha para que ele exista. E, muitas vezes, é justamente quem recebe as reclamações por decisões que não tomou, por recursos que não administra e por problemas que não tem poder para resolver.

Há uma diferença enorme entre cobrar eficiência e humilhar uma pessoa. Entre exigir direitos e negar dignidade a quem trabalha.

O cidadão tem todo o direito de reclamar de um atendimento inadequado. Tem o direito de fiscalizar, denunciar irregularidades e exigir que os serviços públicos funcionem. Afinal, o Estado existe para servir à sociedade. Mas o respeito precisa caminhar junto com a cobrança.

Talvez tenhamos nos acostumado a enxergar o servidor apenas quando alguma coisa dá errado. Quando a fila demora, quando falta um medicamento, quando o documento não fica pronto ou quando a escola enfrenta dificuldades. Raramente nos lembramos dele quando a criança aprende a primeira palavra, quando uma vacina salva uma vida, quando um incêndio é controlado ou quando uma família consegue acessar um direito que desconhecia.

Nessas horas, o serviço público simplesmente funciona. E aquilo que funciona em silêncio quase nunca recebe aplausos.

No fim daquela tarde, dona Lúcia encerrava o expediente quando uma senhora se aproximou lentamente do balcão. Era uma paciente que havia sido atendida semanas antes.

— Minha filha, eu só voltei para lhe agradecer. Naquele dia em que cheguei aqui desesperada, você me tratou como gente.

Dona Lúcia sorriu. Um sorriso pequeno, desses que nascem depois de um dia comprido.

A senhora segurou sua mão e completou:

— A gente nunca esquece quem cuida da gente.

Na volta para casa, sentada junto à janela do ônibus, dona Lúcia pensou naquela frase. Não havia recebido aumento, promoção ou qualquer reconhecimento oficial. Os problemas continuavam os mesmos. No dia seguinte, provavelmente haveria novas filas, novas reclamações e novas dificuldades. Mas, naquela noite, levou consigo a certeza de que seu trabalho tinha sentido.

No dia 28 de outubro, quando se comemora o Dia do Servidor Público, talvez o maior reconhecimento não esteja nas homenagens protocolares, nas mensagens bonitas ou nos discursos que desaparecem no dia seguinte. Talvez esteja em compreender que, por trás de cada balcão, de cada sala de aula, de cada unidade de saúde e de cada repartição, existe uma pessoa. Alguém com família, sonhos, contas a pagar, problemas e uma história que merece ser respeitada.

O Brasil precisa de servidores preparados, comprometidos e responsáveis. Mas precisa também de condições dignas de trabalho, valorização profissional e uma sociedade que saiba distinguir o direito de cobrar da pretensão de humilhar. Porque o serviço público não é um favor concedido à população. É um direito da população e um compromisso do Estado.

E quem dedica a vida a fazer esse direito chegar às pessoas não deveria precisar abrir mão da própria dignidade. Afinal, antes de ser servidor, é gente. E quem serve ao público não deixa de merecer respeito por isso,


José Casanova

Professor, Jornalsita, Escritor e Crônista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

POESIA - NEURASTENIA - FLORBELA ESPANCA


 Neurastenia

Sinto hoje a alma cheia de tristeza!

Um sino dobra em mim Ave-Marias!

Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,

Faz na vidraça rendas de Veneza...


O vento desgrenhado, chora e reza

Por alma dos que estão nas agonias!

E flocos de neve, aves brancas, frias,

Batem as asas pela Natureza...


Chuva... tenho tristeza! Mas por quê?!

Vento... tenho saudades! Mas de quê?!

Ó neve que destino triste o nosso!


Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!

Gritem ao mundo inteiro esta amargura,

Digam isto que sinto que eu não posso!!...

Florbela Espanca 


POESIA - VAIDADE ?- FLORBELA ESPANCA

Vaidade


Sonho que sou a Poetisa eleita,

Aquela que diz tudo e tudo sabe,

Que tem a inspiração pura e perfeita,

Que reúne num verso a imensidade!


Sonho que um verso meu tem claridade

Para encher todo o mundo! E que deleita

Mesmo aqueles que morrem de saudade!

Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!


Sonho que sou Alguém cá neste mundo...

Aquela de saber vasto e profundo,

Aos pés de quem a terra anda curvada!


E quando mais no céu eu vou sonhando,

E quando mais no alto ando voando,

Acordo do meu sonho... E não sou nada!...


Florbela Espanca .



SEXTOU COM MUÇÃO



quinta-feira, 29 de outubro de 2026

ALUIZIO SANTOS É MAIS UM POSTULSNTE À PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO MARANHÃO

O deputado estadual reeleito Aluízio Santos (PL) começa a ganhar força na disputa para disputar a presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão, no biênio 2027/2028.

Aluízio Santos foi um dos sete deputados eleitos do PL e, logo de saída, poderia contar com o apoio dos quatro deputados estaduais eleitos pelo PSD, partido do governador eleito Eduardo Braide.

Com quase 78 mil votos, Aluízio Santos é casado com a prefeita de Chapadinha, Belezinha, e os dois políticos tiveram uma importância grande para Braide, ao “abrirem as portas” do Baixo Parnaíba para o ex-prefeito da capital maranhense.

Além do PL e PSD, deputados eleitos e/ou reeleitos de outras legendas, como: Republicanos, PRD, PDT e PSB, poderiam se unir ao projeto que pretende colocar na disputa o nome de Aluízio Santos para comandar a ALEMA, afinal,  tem outros nomes na disputa, inclusive do MDB, partido que sozinho elegeu 17 deputados estaduais


PREFEITO ROBERTO COSTA PARABENIZA NATALIA DUDA PELA REELEIÇÃO A PRESIDENCIA DA CAMARA DE BACABAL

Prefeito Roberto Costa parabeniza Natália Duda pela reeleição à presidência da Câmara de Bacabal


Gestor destacou a importância do diálogo, do respeito à independência dos poderes e da harmonia institucional em favor da população.

A Câmara Municipal de Bacabal realizou, na tarde de ontem, quarta-feira (28), a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. Em votação secreta, realizada no plenário da Casa Legislativa, a chapa encabeçada pela atual presidente, Natália Duda, obteve 12 dos 17 votos e garantiu a recondução da parlamentar ao cargo, juntamente com os demais integrantes da composição eleita.

Duas chapas participaram do pleito. A Chapa 1 foi composta por Professor Maninho, candidato a presidente; Jairo Lira, primeiro vice-presidente; Feitosa Braga, segundo vice-presidente; Cândido de Madureira, primeiro secretário; e Romário Alves, segundo secretário.

Já a Chapa 2, vencedora da eleição, teve Natália Duda como candidata à presidência, Serafim Reis como primeiro vice-presidente, Elizabeth da Colônia como segunda vice-presidente, Alberto Sobrinho como primeiro secretário e Reginaldo do Posto como segundo secretário.

Após a divulgação do resultado, Natália Duda agradeceu a Deus e aos vereadores que apoiaram a continuidade de seu trabalho à frente do Legislativo municipal. A presidente também destacou a relação institucional com a Prefeitura e a expectativa de seguir atuando em favor do município.

“Quero agradecer primeiramente a Deus e aos colegas vereadores que confiaram na continuidade do nosso trabalho. Agradeço também ao prefeito Roberto Costa e tenho a certeza de que, juntos, continuaremos trabalhando por Bacabal. Estou muito honrada por ser a primeira mulher reeleita presidente da Câmara Municipal de Bacabal”, declarou.

O prefeito Roberto Costa parabenizou Natália Duda pela reeleição e desejou êxito à presidente e aos demais integrantes da Mesa Diretora para o próximo biênio. O gestor ressaltou a importância da relação institucional entre Executivo e Legislativo, com respeito à autonomia de cada poder e diálogo permanente em torno das demandas da população.

“Parabenizo a amiga Natália Duda pela reeleição à presidência da Câmara Municipal de Bacabal! Desejo a ela e a toda a Mesa Diretora muito sucesso. Seguiremos trabalhando juntos, respeitando a independência dos poderes e mantendo uma relação de diálogo, parceria e harmonia, pelo bem de Bacabal e da nossa população”, afirmou o prefeito.

A nova composição da Mesa Diretora conduzirá os trabalhos legislativos durante o biênio 2027/2028. A atuação conjunta entre os poderes, respeitadas suas atribuições constitucionais, é importante para o encaminhamento de demandas e a execução de ações de interesse do município.


OPINIÃO - ESSA CULPA EU NAO CARREGO - POR OTÁVIO PINHO FILHO

 Estamos atravessando páginas já um pouco amareladas da vida. Mas quanta história guardam essas páginas! 

A infância de alegrias simples, os sonhos da juventude, a responsabilidade do trabalho, as famílias que construímos e os netos que chegaram para dar novos nomes à felicidade.

Nossa bagagem tem o peso e a beleza de uma vida inteira. Carregamos nela os ensinamentos dos nossos pais, o trabalho honesto, as renúncias silenciosas e a satisfação de termos sido úteis. 

Há também saudades que apertam e lembranças que ainda nos fazem sorrir.

Ao longo do caminho, testemunhamos mudanças que nos inquietam: a palavra empenhada perdendo valor, o respeito sendo confundido com fraqueza, a honestidade recebida com espanto. 

Como médico, pai e avô, preocupa-me também a dificuldade crescente de conversar sem transformar divergências em rompimentos.

Na medicina e na vida, aprendemos que algumas dores não aparecem nos exames. 

Moram no silêncio de uma casa, numa conversa interrompida, na distância entre pessoas que se amam e na pergunta aflita de quem se dedicou tanto: “Que futuro espera os nossos?”

Deus, Pátria e Família são os alicerces da minha vida. 

Deus me sustenta quando minhas forças vacilam. 

A Pátria é o chão da minha história, das minhas raízes e das esperanças que ainda cultivo. 

A família é a parte mais sensível do meu coração; tudo o que a alcança repercute dentro de mim.

Foi com esses sentimentos que fiz minha escolha. 

Levei comigo a memória dos meus pais, os valores que recebi e os rostos daqueles que ainda têm tanto a caminhar. Pensei nas minhas filhas e nos meus netos, na segurança, nas oportunidades e na dignidade que desejo para eles.

Na nossa idade, o futuro tem o nome de quem amamos.

Minha participação foi além do voto. Conversei, expus minhas razões e procurei conquistar outros votos para a mudança em que acreditava. 

Fiz isso com convicção e com a responsabilidade de quem sabe que as decisões políticas chegam à mesa das famílias, às salas de aula e aos consultórios, onde recebemos diariamente as dores do povo.


Ainda encontro esperança nos jovens que cultivam a fé, estudam com seriedade, trabalham e cuidam do próximo. A presença deles na igreja me comove; suas atitudes fora dela também me animam. 

Há muita juventude que merece nossa confiança, nossa escuta e nosso apoio.


Respeito a escolha das urnas, mas esse respeito não apaga minha decepção. Preocupa-me o caminho do país onde vivem as pessoas que mais amo e ao qual dediquei tantos anos de trabalho.


E confesso: fiquei profundamente triste e chorei. 

Chorei pensando nos meus netos, na esperança que depositei nesta mudança e no desejo de lhes deixar um Brasil melhor. Envelhecer também traz essa aflição: perceber que os braços com que acolhemos os nossos não conseguem protegê-los de tudo.


Não dormi nada naquela noite. 

O corpo pedia descanso, mas o pensamento continuava de pé, andando pela casa por dentro de mim.


Foi assim que descobri uma ressaca que ainda não conhecia: a ressaca política. Depois de tantos anos de vida e de medicina, fui conhecer essa agora… Sem uma gota de álcool, ela me tirou o sono e me fez amanhecer tentando digerir aquilo que o coração ainda custa a aceitar.


Que Deus nos dê serenidade e saúde para continuarmos presentes na vida dos nossos, oferecendo o que aprendemos pelo caminho e preservando a esperança de dias melhores.


Amanheci com os olhos cansados e o peito apertado, mas com a consciência em paz. 

Fiz minha parte, defendi minhas convicções e votei pensando no bem da minha família e do Brasil. 

Continuarei cumprindo minha responsabilidade, mas não posso assumir como minha uma escolha que não fiz.


Otavio Pinho Filho 


#ESSACULPAEUNÃOCARREGO 🇧🇷

POESIA - JOGO DE BOLA - CECILIA MEIRELES

   

Jogo de bola

A bela bola

rola:

a bela bola do Raul.


Bola amarela,

a da Arabela.


A do Raul,

azul.


Rola a amarela

e pula a azul.


A bola é mole,

é mole e rola.


A bola é bela,

é bela e pula.


É bella, rola e pula,

é mole, amarela, azul.


A de Raul é de Arabela,

e a de Arabela é de Raul.


Cecília Meirelles