quinta-feira, 16 de abril de 2026

PP NO MARANHÃO VOLTA AO COMANDO DE FUFUCA

Por meio de suas redes sociais, o ex-ministro do Esporte e deputado Federal André Fufuca anunciou o seu retorno à presidência estadual do Partido Progressistas (PP) no Maranhão. Esta foi uma clara demonstração de força política que redefine o tabuleiro para 2026, já que saiu engrandecido ao ter escolhido permanecer no Ministério do Esporte, ter o apoio do presidente Lula e do próprio PP, que devolvou a ele o comando da legenda. Ao reassumir o PP, Fufuca envia um recado nítido à base e aos adversários: ele não apenas resistiu às pressões, como emergiu do processo com uma musculatura política renovada.

André Fufuca volta para a presidência do PP mais forte que quando se afastou, consolidando-se como um dos raros atores políticos que transita com fluidez entre o governo Lula e a estrutura de um partido que exige autonomia.

O movimento de retorno à presidência do Progressistas no Maranhão sinalizou que o partido precisa e acredita na força de Fufuca para assegurar uma vaga no Senado Federal, pois ele próprio já demonstrou, com sua densidade e capilaridade política, ter as credenciais necessárias para assegurar ampla vantagem na disputa de 2026.

Ao declarar que “posição se prova com atitude”, Fufuca deixa de ser apenas um deputado federal para reafirmar seu papel de liderança eleitoral no Maranhão. O PP, sob sua batuta, agora se organiza não como um coadjuvante, mas como um protagonista que detém o que há de mais valioso na política: a densidade eleitoral. Para 2026, o recado está dado: para sentar à mesa de negociações do Senado, é preciso ter votos. E Fufuca provou que os tem

ROBERTO COSTA ENTREGA 10 ONIBUS ESCOLARESbPA REFORÇAR A EDUCAÇÃO

 

Em continuidade à programação pelos 106 anos de emancipação política de Bacabal, foram entregues novos investimentos no setor da educação. A agenda teve início com a inauguração da escola 17 de Abril, localizada no Centro da cidade, agora totalmente revitalizada após passar por uma ampla reestruturação. E em seguida, foram entregues 10 ônibus escolares zero quilômetro, que irão reforçar o transporte da educação municipal.

Atualmente, a Escola 17 de Abril atende mais de 300 alunos, distribuídos nos turnos matutino, vespertino e noturno (EJA). A nova estrutura conta com seis salas de aula climatizadas, auditório, laboratório de informática, sala da direção, sala dos professores e coordenação pedagógica. A unidade, que carrega em seu nome a data de fundação do município, celebra 60 anos de história em 2026.

Para a aluna do 9º ano, Maria Eduarda, o momento foi de grande alegria. “Agora temos uma escola completamente nova e podemos focar nos estudos com mais conforto. A escola ficou linda mesmo”, afirmou.

A nova frota de 10 ônibus escolares irá atender às demandas da rede municipal de ensino, garantindo o transporte de alunos da sede e da zona rural. A entrega aconteceu em grande estilo, com a presença do prefeito Roberto Costa, que acompanhou os estudantes dentro de um dos veículos durante o deslocamento até o campus da UFMA, onde foi realizado um evento comemorativo.

O evento contou com um espetáculo do Star Circus, que encantou os alunos. Na ocasião, foi cantado o tradicional “Parabéns” para a cidade, seguido do corte e da distribuição do bolo, em clima festivo pelos 106 anos de Bacabal.
“Nosso prefeito parece que tem a nossa idade. Ele é muito extrovertido, traz uma energia contagiante e a gente gosta muito dele porque tem cuidado da educação”, comentou José Guilherme da escola Ribamar Marão Filho.

O prefeito Roberto Costa ressaltou a importância de celebrar o aniversário da cidade com ações voltadas para a população, especialmente na área da educação. “Os investimentos que temos realizado já apresentam resultados extremamente positivos, e vamos continuar avançando. A inauguração da escola 17 de Abril é simbólica, pois carrega em seu nome a data do aniversário de Bacabal”, afirmou.

“A maior obra que posso realizar em Bacabal é garantir uma educação de qualidade, que traga perspectivas de futuro e esperança de dias melhores para todos. A marca da nossa gestão é priorizar a população, especialmente os alunos, que hoje recebem 10 novos ônibus para assegurar um transporte com mais segurança e qualidade”, concluiu o prefeito.


ALEXANDRE RAMAGEM DEIXA A CADEIA NOS ESTADOS UNIDOS

 



Dois após ser detido pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA), na Flórida, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) foi solto da prisão em que estava nos Estados Unidos na tarde de ontem, quarta-feira (15).

Ramagem tinha sido preso na segunda-feira (13) por problemas migratórios. Ele foi detido enquanto tentava comprar um carro usando um passaporte que havia sido cancelado. O ex-deputado chegou aos Estados Unidos usando um documento a nível diplomático que já estava suspenso pelo Ministério das Relações Exteriores. Depois que chegou aos Estados Unidos, Ramagem abriu um pedido de asilo político

Nesta quarta, o nome dele já não constava na lista de detidos do centro nem no sistema do Serviço de Imigração dos EUA. A Polícia Federal afirmou que aguarda outras informações sobre a soltura de Ramagem e tem dito que ele deixou o Brasil de forma clandestina antes do fim do julgamento.

Alexandre Ramagem, que também foi ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é acusado de integrar o núcleo central da trama, que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Presidência da República.

LITERATURA - OS QUE ESPERAM NA SOMBRA - POR ZEZINHO CASANOVA

O domingo amanheceu com um silêncio estranho, desses que não são vazios, mas cheios de algo prestes a acontecer. Jerusalém respirava devagar, como se temesse acordar de vez e dar de cara com a lembrança ainda fresca da cruz.

As ruas estavam menos barulhentas. O comércio tardava a abrir. Até os pássaros pareciam medir o canto.

No alto de uma pequena elevação, longe do movimento mais intenso, estavam Davi e Rebeca. Não eram conhecidos entre seguidores de Jesus Cristo, nem desejavam ser. Naqueles dias, ser lembrado podia custar mais que o anonimato estava disposto a pagar.

Eles também esperavam um messias revolucionário, alguém que os libertasse do jugo romano. Os zelotes, porém, não foram capazes de erguer esse líder. Foi assim que, pouco a pouco, se aproximaram do jovem galileu e acabaram cativados por suas ideias estranhas, quase perigosamente belas.

 Resolveram seguir Jesus a distância pois não podiam ser visto em meio à multidão que o seguiam. Tinham parentes próximos que ocupavam cargos importantes no Império Romano.

— A cidade não é mais a mesma. — Disse Rebeca, apertando o manto contra o vento leve.

— Nem nós somos! — Respondeu Davi, sem tirar os olhos do caminho que levava ao sepulcro.

Eles não tinham ido até lá. Não por falta de fé, mas por excesso de medo. Desde a crucificação, aprenderam que acreditar também podia ser perigoso. E, ainda assim, permaneciam ali, como quem não consegue ir embora de uma história que ainda não terminou.

De repente, um movimento diferente chamou atenção. Algumas mulheres vinham apressadas, quase correndo, carregando no rosto algo entre susto e espanto.

Eram mulheres com quem o mestre mantinha amizade e respeito. Algumas carregavam histórias marcadas pelo julgamento alheio, outras haviam sido curadas de males antigos. Impedidas de ocupar o lugar de discípulas por um sistema rígido, ainda assim o seguiam com uma coragem que, naquele momento, faltou a muitos dos doze mais próximos.

Rebeca deu um passo à frente, instintivamente.

— Tem algo errado… ou certo demais... — Murmurou.

Davi franziu a testa. O coração, até então contido, começou a bater com mais força, como se reconhecesse um sinal invisível.

— Dizem… — Começou uma das vozes ao longe, entrecortada pelo vento. — Dizem que o corpo não está lá.

O mundo pareceu inclinar por um instante.

Rebeca levou a mão à boca. Não era apenas surpresa. Era medo de acreditar. Porque acreditar, naquele momento, era atravessar um limite do qual não se volta igual.

— E se for verdade? — Ela perguntou, quase em segredo. — E se a morte não teve a última palavra?

Davi não respondeu de imediato. Olhou para o céu, que agora deixava escapar uma luz mais firme, dourando as pedras da cidade como se tudo estivesse sendo reescrito diante deles.

— Então. — Disse, por fim. — Tudo o que parecia perdido… só estava esperando a hora de voltar.

O vento passou novamente, mas já não era o mesmo. Trazia calor. Trazia movimento. Trazia vida.

Eles continuaram ali, sem correr, sem gritar, sem se expor. Ainda eram os que observavam de longe. Ainda eram os que temiam.

Mas dentro deles, algo já não se escondia.

Naquele domingo, enquanto alguns procuravam respostas no sepulcro vazio, outros começaram a encontrá-las no próprio peito.

E foi assim, quase em segredo, quase em silêncio, que a esperança deixou de ser lembrança… e voltou a ser caminho.


Por José Casanova 

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista 

Membro da Academia Bacabalense de Letras 

Academia Mundial de Letras da Humanidade 


HOJE TEM QUINTA CULTURAL NO BAR DO BULÃO

E essa é pra você começar a curtir o seu feriadão com muito samba. É hoje no Bar do Bulão a Quinta Cultural - Paúla Convida. Vários artistas farão a festa para começar o aniversário de Bacabal.  Vá lá que Lambal agradece 





quarta-feira, 15 de abril de 2026

POSSE DO NOVO MINISTRO DAS RELAÇÕES INSTITUCIONAIS É ACOMPANHADA PIR CARLOS BEANDÃO


O Governo do Maranhão esteve presente na posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do Governo Federal na tarde de ontem, terça-feira (14), em Brasília.

O governador Carlos Brandão acompanhou a passagem do cargo federal pela ex-ministra Gleisi Hoffmann ao novo gestor José Guimarães, que antes exerceu a função de líder do governo na Câmara dos Deputados.

A solenidade contou com a presença de várias autoridades, especialmente parlamentares do Congresso Nacional.

O governador Carlos Brandão parabenizou a indicação do novo ministro, que teve a oportunidade de conhecer no período em que exerceu a função de deputado federal pelo Maranhão, entre os anos de 2007 a 2014. “O ministro José Guimarães é muito experiente e tem uma relação muito forte junto ao Congresso Nacional, tem trânsito tanto com os deputados federais quanto com os senadores”, observou.

Brandão também ressaltou a importância de reforçar os laços institucionais com o Governo Federal que tem desenvolvido parcerias essenciais para o desenvolvimento dos estados e municípios. Ele lembrou que tanto o relacionamento com o Congresso Nacional é realizado através da SRI quanto tratativas com governos estaduais e municipais.

“Viemos aqui para fortalecer essa proximidade, essa relação e essa parceria com o Ministério das Relações Institucionais. Já temos uma agenda marcada com o ministro José Guimarães para debatermos as ações do Governo do Maranhão, as parcerias que temos com o presidente Lula, para avançarmos mais e tirar do papel tudo que acordamos com o Governo Federal”, destacou o governador maranhense.

Em seu discurso de posse, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, lembrou da função como líder do governo na Câmara dos Deputados e agradeceu ao presidente Lula o convite para liderar a SRI.

“Vossa Excelência me convidou para ser líder do governo na Câmara dos Deputados, o líder mais longevo, nunca um líder passou mais de dois anos pelo próprio desgaste que tem [a função]. Eu me sinto muito aliviado em terminar a minha missão com essa quantidade de parlamentares aqui. Agradeço tudo que fizemos juntos marcado pelo diálogo na defesa do parlamento e na defesa do projeto que vossa excelência me passou. Eu me sinto muito honrado pelo convite para ser ministro da República”, pontuou.

Durante a solenidade, a deputada federal Gleisi Hoffmann parabenizou o sucessor na pasta e lembrou de programas importantes aprovados nos últimos anos com o trabalho articulado do Governo Federal, como o Crédito do Trabalhador, Luz do Povo, Gás do Povo, Agora Tem Especialistas, Eca Digital, Plano Brasil Soberano, a Lei da Reciprocidade Econômica e o novo formato do IRPF.

“Sob a eficiente coordenação do presidente Lula entregamos um conjunto de importantes leis para o povo brasileiro. Isso foi feito em forma de parceria efetiva com o Congresso Nacional. O impulso da isenção de até R$ 5 mil e a redução para quem ganha até R$ 7.350,00 no Imposto de Renda foi uma das matérias mais relevantes que entregamos à nação brasileira. Não apenas pelo fato da isenção, mas pela primeira vez conseguimos fazer com que o andar de cima pagasse mais imposto para compensar quem ganha menos”, assinalou.

MORRE O CONHECIDO JURANDIR RADIO TÉCNICO

 

Faleceu na madrugada de hoje,  aos 82 anos, em uma casa de saúde de Bacabal, Raimundo Rodrigues. Reis. Conhecido popularmente como Jurandir Radiotécnico, ou Jurandir Careca. Ele se sentiu mal em casa e foi levado as pressas para o Hospital Municipal de Bacabal, onde foi a óbito.
Seu corpo está sendo velado em sua residência, na Rua Manoel Alves de Abreu e seu sepultamento está marcado para as 17h no Cemitério do Axixá.

Jurandir deixa uma história muito bonita, que vai ser sempre contada.
Que a terra lhe seja leve

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HOMENAGEM 

Hoje, dia 14 de abril de 2026, me despeço, não apenas de um amigo, mas de um mestre de vida.
      Faleceu em Bacabal, MA, Raimundo Rodrigues Reis (Jurandir) não foi só um grande homem — foi daqueles que ensinam sem alarde, que formam sem perceber, que deixam marcas profundas em silêncio. Entre os meus 14 e 20 anos, tive o privilégio de estar ao seu lado, aprendendo não apenas uma profissão, radiotécnico, mas valores que levo comigo até hoje.
     Sua paciência, sua simplicidade e sua forma honesta de viver moldaram muito do que sou.
     À família, deixo meu mais profundo respeito e solidariedade. Sei que a dor da ausência é imensa, mas também sei que o legado que ele construiu é ainda maior. Jurandir não se foi por inteiro — ele permanece em cada ensinamento, em cada gesto, em cada pessoa que ajudou a construir ética e moralmente. Eu sou uma dessas pessoas.      
    Que Deus conforte o coração de todos e que a memória dele seja sempre lembrada com orgulho, gratidão e amor.
      Com muito respeito e saudade,

Erivelton Lago

PARECER FAVORAVEL DE WEVERTON ROCHA PA IDA DEJORGE MESSIAS AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Como era esperado, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), na tarde de ontem, terça-feira (14), apresentou parecer favorável para ida do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No parecer, o senador maranhense aponta que Messias atendeu aos requisitos exigidos pela lei, como, por exemplo, apresentar regularidade fiscal e não ter parentes que exercem atividades, públicas ou privadas, relacionadas ao seu trabalho- nepotismo.

Jorge Messias passará por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 29 de abril. Nessa mesma data, o plenário do Senado vai votar a nomeação. Para passar, ele precisará receber ao menos 41 votos favoráveis dos senadores para se tornar ministro do STF.

A vaga aberta na corte é a deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou Messias desde novembro de 2025, mas resolveu só formalizar a indicação para o Senador agora em abril, quando imagina que conseguirá aprovar o nome do novo ministro do STF.

COM A PALAVRA - PEDRAS, PEDRADAS E A LUA - POR RLOY MELONIO



PEDRAS, PEDRADAS E A LUA”,

 Nova crônica do Acadêmico APB-MA, escritor e poeta ELOY MELONIO

"Olha a pedra de responsa aí, gente!”

Acredite se quiser: imaginei-me em plena Sapucaí ouvindo essa convocação. E logo pensei tratar-se de uma homenagem ao “reggae” do Maranhão [pronuncia-se /réguei/]. Um devaneio, obviamente. E mais: o puxador de samba diria "flor", palavra que completa o nome de sua escola. Um alívio, pois nunca soube de alguém que beijasse pedras.

Aqui e ali, essa palavra (pedra) aparece do nada e cala o silêncio da galera. Em alguns casos, ela não é ela mesma, mas uma metáfora para "problema, obstáculo, situação indesejada". Não sei se já era famosa antes do Drummond. Mas sei que ficava no meio do caminho só para ver os poetas passarem.

E aí lembrei-me dos atiradores de pedras do Novo Testamento, cujo alvo eram as mulheres adúlteras, apanhadas "no flagra". Repreendidos, esses juízes sem toga ficaram sem palavras quando Jesus os interpelou: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra?” (João 8:7).

Outra pedra histórica aparece no confronto bíblico entre Davi e Golias. Certeira, ela entra com tudo no cenário da guerra entre hebreus e filisteus. Num típico milagre do Velho Testamento, essa pedra salva os judeus quando, atirada por Davi, atinge em cheio a cabeça do gigante Golias, muito temido na região.

Lembro-me nitidamente do filme “Davi e Golias” (1960), um épico italiano, estrelado por Orson Welles (Rei Saul) e Ivica Pajer (Davi). Mas os olhos da garotada brilhavam mesmo era com a figura do musculoso ator Primo Carnera, lendário pugilista italiano (1906-1967), no papel de Golias. Devia ter entre 11 e 12 anos quando assisti ao filme na prestigiada tela do Cine Éden, na Rua Grande, em São Luís, capital do Maranhão.

Parece que cada um de nós tem sua história com as pedras. Nestes tempos difíceis, as comunidades mais necessitadas usam-nas em suas manifestações de protesto. E elas só perdem para os pneus, que, geralmente “em chamas”, obstruem ruas, avenidas ou estradas. Os caminhoneiros geralmente reclamam: “Tinham muitas pedras no meio do caminho”.

Da guerra e protestos para as festas: em São Luís, outras pedras fazem a cabeça de muita gente. Refiro-me ao “reggae”, esse ritmo tipicamente jamaicano, adotado por uma multidão de apaixonados. Lembra-se da “metáfora”? Pois é, no reggae, a “pedra” é uma música apaixonante, que toca fundo nos corações sensíveis. Um preceito tradicional diz: reggae sem pedras não é reggae de responsa. E, aqui, na Ilha do Amor não se pode imaginar um show ou baile sem as “pedradas” (músicas mais populares). Se tem reggae, os passos da dança individual ou casais dançando agarradinho chamam a atenção do público. E os “regueiros guerreiros” (Tribo de Jah) enfeitam a cidade com suas toucas, camisas e calças nas cores vermelha, verde e amarela.

             A conexão viva entre o reggae e a capital maranhense é um caso de amor que começou por volta dos anos 1970. E o que já era realidade no coração do regueiro maranhense tornou-se patrimônio cultural. Como consequência, em 2023, São Luís passou a ser considerada a “capital brasileira do reggae”, conforme a lei 14.668, proposta pelo Deputado Bira do Pindaré. E, hoje, é a única a abrigar um Museu do Reggae fora da Jamaica. Jimmy Cliff (1944-2025) e muitos cantores jamaicanos já se apresentaram por aqui, e o intercâmbio com a Jamaica é real e intenso.

Na capital do reggae, alguns cantores têm músicas de sucesso e fazem shows para grande público. Entre as bandas, a Tribo de Jah é a mais conhecida na ilha, no Brasil e em vários países. Recentemente, Célia Sampaio, a “dama do reggae”, participou do show da cantora Iza, no The Town, em São Paulo (set/2025). Um luxo para um ritmo que, por muito tempo, sobreviveu na periferia da cidade.

Entre os cantores, Gerude traduz essa cena com “Jamaica São Luís” (parceria com Ciba Carvalho): “O rei Bob Marley não disse/ Mas Jimmy Cliff, mas Jimmy Cliff/ Balançou a ilha e disse/ Gegê, a capital existe, a capital existe/ São Luís, a Ilha Jamaica/ oi oi oi oi/ Capital brasileira do reggae”.

             Zeca Baleiro também faz sua incursão sonora pelas pedras da “Ilha do Amor”. “Pedra de Responsa”, em parceria com Chico César, é uma pedrada: “É pedra, é pedra, é pedra/ É pedra de responsa/ Mamãe, eu volto pra ilha/ Nem que seja montado na onça”.

             Essas e outras músicas estão no repertório de Alcione e outros artistas famosos. E é nessa vibe que as pedras se esbaldam nos espaços públicos da Ilha-Jamaica. Porque o reggae é do povo, é das comunidades. Em cada “pedrada”, braços, pernas e quadris interagem em perfeita harmonia com esse ritmo contagiante.

             E, para fechar esta crônica com “pedra de ouro”, destaco um homem que está à porta da Lua. De lá, ele nos envia uma mensagem que é uma “pedrada”: “We are all one people” (Somos todos um só povo). Victor Glover, 49 anos, primeiro astronauta negro a viajar além da órbita terrestre (missão Artemis II) pode até não curtir as pedras do reggae, mas sabe que precisamos valorizar a dança da vida, não necessariamente agarradinhos, mas olhando um para o outro com amor, respeito e dignidade.

             Muita gente sonha com uma nova “pedra” que seja a voz de um tão esperado canto de paz, seguindo os exemplos de Jesus, do astronauta americano e da espontaneidade do reggae. E que as velhas pedras fiquem apenas nas letras frias da história da humanidade e nas metáforas dos nossos poetas.

 Eloy Melonio 


POESIA - - DESPEDIDA - CECÍLIA MEIRELES


DESPEDIDA 

Por mim, e por vós, e por mais aquilo

que está onde as outras coisas nunca estão,

deixo o mar bravo e o céu tranquilo:

quero solidão.


Meu caminho é sem marcos nem paisagens.

E como o conheces? - me perguntarão.

- Por não ter palavras, por não ter imagens.

Nenhum inimigo e nenhum irmão.


Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.

Viajo sozinha com o meu coração.

Não ando perdida, mas desencontrada.

Levo o meu rumo na minha mão.


A memória voou da minha fronte.

Voou meu amor, minha imaginação...

Talvez eu morra antes do horizonte.

Memória, amor e o resto onde estarão?


Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.

(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!

Estandarte triste de uma estranha guerra...)


Quero solidão.


Cecília Meireles