quinta-feira, 13 de agosto de 2026

PESQUISA APONTA LIDERANÇA DE BRAIDE PARA GOVERNO E ROSEANA PARA O SENADO

Mais um levantamento aponta que a eleição para o Governo do Maranhão está polarizada entre dois pré-candidatos: Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB).

Levantamento do Instituto IPPI, contratado pelo Blog Café Quente, feito entre os dias 06 e 10 de agosto, ouvindo 1.500 eleitores, aponta que Braide aparece em primeiro com 44%. Na segunda colocação aparece Orleans Brandão com 25,9%.

Os demais candidatos não alcançaram dois dígitos: Felipe Camarão (PT) teria 5,1%, Roberto Rocha (PRTB) teria 5%, André Luís (Missão) 1,1%, Saulo Arcangeli (PSTU) teria 0,7% e Reginaldo Lima (PCB) com 0,4%. Ainda tivemos nenhum/branco/nulo 5,7% e não sabe/não respondeu 12,1%.

O detalhe é que o levantamento é praticamente idêntico ao que o mesmo instituto apresentou em julho (reveja). Braide, dentro da margem de erro, saiu de 42,1% para 44%, equanto que Orleans ficou praticamente na mesma pontuação (26% em julho e 25,9% em agosto).

A grande novidade foi Roberto Rocha, que, pela primeira vez na pesquisa após confirmar que disputará o Governo do Maranhão, já surgiu empatado tecnicamente com Camarão.

A pesquisa IPPI (MA-02810/2026) tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%

ROSEANA LIDERA PARA O SENADO E TRÊS BRIGAM PELA SEGUNDA VAGA

A pesquisa IPPI também divulgou números para a disputa pelo Senado no Maranhão.

Na soma do primeiro e segundo voto, Roseana Sarney (MDB) aparece liderando com 34,9%. A emedebista é a única acima dos 30 pontos.

Para a segunda colocação temos um equilíbrio enorme: Weverton Rocha (PDT) tem 23,5%, André Fufuca (PP) surge com 23,1%, Lahesio Bonfim (Novo) teria 22,5% e Eliziane Gama (PT) chega a 17,3%. Outros três nomes aparecem abaixo de dois dígitos: Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 4,1%, Wilson Leite (PSTU) 4% e Cidônio Gonçalves (PL) com 3,5%.

Com relação a pesquisa de julho da IPPI, apesar dos números estarem diferentes, o canário é o mesmo (reveja). Roseana liderando com folga e uma disputa enorme e equilibrada pela segunda vaga ao Senado.

A pesquisa IPPI foi realizada ouvindo 1.500 eleitores, entre os dias 06 e 10 de agosto. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MA-02810/2026, possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

MINISTÉRIO PÚBLICO E POLÍCIA CIVIL REALIZAM OPERAÇÃO SIMULTANEA NO MARANHÃO, PARA, RIO DE JANEIRObE MATO GROSSO

O Ministério Público do Maranhão, por meio do Grupo Operacional de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), e a Polícia Civil do Maranhão, por meio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), realizam nesta quinta-feira, 13, uma operação simultânea nos estados do Maranhão, Rio de Janeiro, Pará e Mato Grosso.

O objetivo é desarticular lideranças da facção criminosa Comando Vermelho, investigadas por envolvimento com tráfico de drogas, domínio territorial, violência e extorsão de prestadores de serviços, incluindo provedores de internet.

A operação prevê o cumprimento de 21 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão, além de ordem judicial de bloqueio do valor aproximado de R$ 17 milhões.

No interior do Maranhão, um provedor de internet operado pela organização criminosa está sendo interditado. As medidas incluem a apreensão de veículos e bens, documentos e objetos de interesse para a investigação. Até o momento, quatro pessoas foram presas no estado.

No Rio de Janeiro, três suspeitos foram presos. Armamentos e uma caminhonete de luxo blindada foram apreendidos.

A operação permanece em andamento, com equipes atuando simultaneamente nos quatro estados. Mais informações e o balanço completo serão divulgados após a conclusão das diligências

ROBERTO INICIA NOVA FRENTE DE OBRAS COM PAVIMENTAÇÃO E DRENAGEM NA RUA TEIXEIRA DE FREITAS

 

Roberto Costa inicia nova frente de obras com pavimentação e drenagem na Rua Teixeira de Freitas 


Na última terça-feira (11), o prefeito Roberto Costa acompanhou de perto os serviços de pavimentação asfáltica e implantação de estruturas de drenagem na Rua Teixeira de Freitas, uma das principais vias de circulação de Bacabal. A intervenção faz parte do conjunto de ações de infraestrutura e mobilidade urbana executadas pelo município para melhorar as condições de tráfego e oferecer mais segurança e qualidade de vida à população.

Durante a vistoria, o prefeito verificou o andamento dos serviços e acompanhou as etapas de preparação da via, aplicação do pavimento e execução das estruturas destinadas ao escoamento adequado das águas pluviais. As intervenções também buscam corrigir problemas que historicamente afetavam a circulação de veículos e pedestres na região.

Com localização estratégica, a Rua Teixeira de Freitas estabelece uma importante conexão com outros corredores viários de Bacabal, entre eles as avenidas João Alberto e Mearim. Ao longo de sua extensão, a via atravessa diferentes regiões da cidade, passando inclusive pela área central, tornando-se um importante eixo de mobilidade urbana do município.

Morador da Teixeira de Freitas desde a década de 1960, Raimundo Barbosa acompanhou a movimentação das máquinas em frente à sua residência e destacou a importância da intervenção para a região.

“Moro aqui desde 1962 e vi essa rua nascer. É um trânsito muito grande de veículos e carretas que passa por aqui diariamente. Já conheci muitos prefeitos em Bacabal, mas esse trabalho do Roberto Costa superou as expectativas”, revelou o aposentado.

Segundo Roberto Costa, a intervenção está integrada a um planejamento mais amplo para modernizar a mobilidade urbana da cidade.

“Estamos trabalhando para entregar uma avenida com uma estrutura completa. Não é apenas colocar asfalto. É cuidar da drenagem, da iluminação, da sinalização e organizar o trânsito para que a população tenha uma via mais segura e com melhores condições de circulação”, destacou o prefeito.

Além de acompanhar os serviços, Roberto Costa conversou com moradores da região e ouviu demandas relacionadas à infraestrutura e à mobilidade. A obra atende a reivindicações antigas da comunidade e representa uma melhoria importante para quem utiliza diariamente a avenida.

A intervenção na Teixeira de Freitas integra o conjunto de obras de infraestrutura em execução pelo município. A programação também contempla outras vias estratégicas, como a Estrada da Bela Vista e a avenida principal do Residencial José Lisboa, que dá acesso à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), além do projeto de expansão das ações de pavimentação para outros bairros da cidade, que também serão contemplados.

FRAUDES E DESVIOS DE RECURSOS NO MARANHÃO SAO INVESTIGADOS PELA POLICIA FEDERAL

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13/8), a Operação Monte Sinai, que apura a atuação de organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, ocultação de ativos e crimes contra a ordem tributária no Maranhão. A investigação teve início a partir de análises realizadas pela Receita Federal do Brasil e pela Controladoria-Geral da União.

Ação cumpre nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, sendo três em São Luís e seis em municípios do interior do estado. Também foram autorizados o bloqueio e o sequestro de bens e valores, além da proibição de que empresas investigadas participem de licitações ou mantenham contratos com órgãos públicos.

Os elementos reunidos apontam para possíveis irregularidades na aplicação de recursos oriundos de emendas parlamentares federais, repassados por meio de convênios destinados à execução de obras de infraestrutura em municípios maranhenses.

Também são apurados indícios de utilização irregular de recursos provenientes de precatórios do Fundef/Fundeb em contratos de pavimentação e de infraestrutura, em possível desacordo com a destinação legal dessas verbas, vinculadas ao financiamento e ao desenvolvimento da educação pública.

ROBERTO ROCHA APOSTA NA POLARIZAÇÃO NACIONAL PARA GANHAR VOTOS

A Rádio Mirante News FM recebeu na manhã de ontem, quarta-feira (12) o candidato a governador do Maranhão, Roberto Rocha (PRTB), no programa Ponto Final, com os jornalistas Jorge Aragão, Ronaldo Rocha e Alessandra Rodrigues.

Por ter entrado por último na disputa, já que pretendia disputar o Senado, Roberto Rocha acredita que a eleição no Maranhão não fugirá da disputa nacional, principalmente da polarização entre o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Flávio Bolsonaro (PL), e aposta que esse pode ser o caminho para crescer nas pesquisas.

Não tem como o eleitor do Maranhão ficar alheio a disputa nacional. A polarização de Lula e Flávio Bolsonaro terá reflexo na eleição maranhense. Sou o candidato de Flávio Bolsonaro e acredito quando nacionalizar a eleição, que é uma questão de tempo, o eleitor vai atrelar a nossa candidatura com a disputa nacional”, afirmou.

Roberto Rocha defendeu o fortalecimento da atuação dos municípios e a criação de estruturas voltadas para a reintegração social de jovens e infrações de menor gravidade nas maiores cidades do estado.

Na área de saúde e infraestrutura administrativa, Roberto Rocha apresentou planos para reorganizar o uso de edifícios públicos na capital e reforçar a rede hospitalar de urgência, além de integrar equipamentos de saúde ao ensino superior no interior.

“Em São Luís, o governo do Maranhão tem dois palácios. Nós vamos fechar um palácio e transformá-lo no Hospital de Acidentados do Maranhão, que é o palácio Henrique de La Roque. O que tem lá dentro de repartição pública vai lá para o centro, para o antigo hotel Vila Rica. Você vai ter um hospital de urgência, traumas e para atender os acidentados. E o Hospital da Região Tocantina, nós vamos transformar no Hospital Universitário para ser da UFAMA, que será a Universidade Federal da Amazônia Maranhense, afinal o Maranhão precisa de uma nova universidade federal”, destacou.

Roberto Rocha falou ainda sobre a questionável atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF),  a criação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), entre outros assuntos.

Clique aqui e veja a entrevista na íntegra

GESTÃO ROBERTO COSTA COLOCA BACABAL EM DESTAQUE ESTADUAL NA SAÚDE BUCAL INFANTIL

Gestão Roberto Costa coloca Bacabal em destaque estadual na Saúde Bucal Infantil


Município atingiu as metas no cumprimento do Tratamento Restaurador Atraumático (ART) na Atenção Primária e foi destaque no Encontro Estadual de Profissionais de Saúde Bucal, em São Luís.


A Prefeitura Municipal de Bacabal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, alcançou um importante reconhecimento no cenário estadual. O município recebeu uma menção honrosa do Governo do Estado do Maranhão pelo excelente desempenho no cumprimento das metas do Tratamento Restaurador Atraumático (ART), técnica de odontologia minimamente invasiva voltada ao cuidado e proteção da saúde bucal infantil. 

A premiação ocorreu durante o Encontro Estadual de Profissionais de Saúde Bucal, promovido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) nos dias 11 e 12 de agosto, em São Luís. O evento reuniu coordenadores de todo o Maranhão sob o tema "Odontologia Minimamente Invasiva na Atenção Primária à Saúde (APS)". 

Devido aos resultados de destaque na rede pública, a Coordenadora Municipal de Saúde Bucal de Bacabal, Dra. Flávia Almeida, foi convidada a ministrar uma palestra e apresentar a experiência exitosa do município para os gestores estaduais e municipais presentes.

Durante a apresentação, a coordenadora detalhou a estrutura e o planejamento adotados na gestão Nova Bacabal, ressaltando a importância dos investimentos contínuos na rede municipal — que conta hoje com 29 equipes na Zona Urbana, 11 na Zona Rural, além do Consultório na Rua e Equipe Prisional.

Dra. Flávia Almeida destacou que o sucesso nos números e no atendimento humanizado é fruto direto do respaldo governamental. “Para que esse trabalho acontecesse de forma efetiva, o apoio da gestão é fundamental. O Prefeito Roberto Costa tem dado todo suporte às nossas equipes, garantindo materiais, capacitação dos profissionais e incentivando ações como o Dia B, voltado especialmente para a realização do Tratamento Restaurador Atraumático”, disse. 

O Tratamento Restaurador Atraumático (ART) é uma técnica altamente eficaz e humanizada, realizada com instrumentos manuais (curetas) e sem o uso do tradicional "motorzinho" ou anestesia injetável. Essa abordagem elimina o medo do consultório dentário, melhora a adesão das crianças ao tratamento e previne o avanço de cáries na infância.

As estratégias adotadas pelo município incluem busca ativa e atendimento preventivo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), creches e escolas, por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), além de ações realizadas em igrejas e associações comunitárias. 

Também se destacam as mobilizações do Dia B da Saúde Bucal, com foco na aplicação do Tratamento Restaurador Atraumático (ART) e na conscientização sobre os cuidados com a higiene oral. 

O trabalho é complementado pelo cuidado integral por ciclos de vida, com iniciativas direcionadas a diferentes públicos, como o Projeto Novo Amor, voltado às gestantes, e o Projeto Nova Mulher, além da qualificação contínua das equipes, com monitoramento sistemático dos indicadores de saúde e capacitação prática dos profissionais.GERTAO

O reconhecimento estadual comprova os avanços de Bacabal na Atenção Primária e a qualidade do trabalho desenvolvido pelo município na saúde pública do Maranhão.

CRÔNICA - MAOS DE TERRA E SOL - POR ZEZINHO CASANOVA

 Mãos de Terra e Sol

agosto 01, 2026  alto Alegre do Maranhão, crônica, literatura  No comments

O despertador, um galo que teimava em cantar muito antes de o horizonte clarear, soou como um aviso de batalha para Alzira. Em Alto Alegre do Maranhão, o dia não chega devagar. Ele irrompe, como se o sol tivesse urgência de alcançar cada telhado. Ela se levantou da rede antes que o primeiro sinal de claridade tocasse o chão de terra batida, cuidando para não despertar os dois meninos que dormiam enroscados no catre.

O café, ralo e amargo, foi tomado em silêncio. Era o único momento em que a casa, construída com tábuas e que o tempo havia curado, oferecia algum sossego antes das exigências da lida.

Ao sair, o ar ainda tinha aquele frescor enganoso, uma brisa leve que logo seria engolida pelo sol impiedoso do Maranhão. Alzira trajava uma camisa de mangas compridas, já puída pelos anos, uma proteção insuficiente contra o mormaço que a esperava. Carregava a enxada como se fosse uma extensão de seu próprio braço; o metal, desgastado pelo atrito constante com a terra, brilhava sob a luz lunar que ainda persistia.

O trajeto até a roça era uma subida exigente, um terreno íngreme onde cada passo era um exercício de equilíbrio. Alzira não caminhava por gosto, caminhava por contrato, um acordo tácito com a existência para garantir que, ao final do mês, a mesa não ficasse vazia. A terra ali era caprichosa; um dia oferecia sustento farto, noutro, exigia suor de sangue para entregar um punhado de raízes mirradas. Ela limpava o mato com uma técnica precisa, um movimento rítmico que impedia a exaustão total. Seus olhos, habituados a identificar brotos de ervas daninhas quase invisíveis, varriam o solo com uma atenção febril.

Perto do meio-dia, o sol já não era uma presença, mas um martelo. A umidade da terra subia como um bafo quente, e o suor escorria pelas têmporas, ardendo nos olhos. Alzira se sentou sob a sombra rudimentar de um pé de manga rosa, o único refúgio naquelas cercanias. O almoço era escasso: uma porção de farinha misturada com um pouco de proteína, guardada em uma vasilha de plástico.

Enquanto mastigava, não pensava no cansaço ou nas dores que latejavam em sua lombar. Pensava nos cadernos dos meninos.

Na noite anterior, depois da janta, Tiago espalhara o caderno sobre a mesa de madeira. A lamparina desenhava sombras compridas sobre as páginas.

— Mãe... a professora disse que isso aqui cai na prova.

Ele apontou o mapa do Brasil.

— Onde fica o Cerrado? — Perguntou Tiago.

Alzira aproximou o rosto. As letras pareciam pequenas demais. Passou o dedo devagar pelas linhas, como se pudesse encontrar a resposta pelo tato.

— Lê de novo pra mim, meu filho.

Tiago repetiu a pergunta. Ela permaneceu em silêncio. O menino esperou.

— A senhora não sabe?

A pergunta saiu sem maldade. Era apenas curiosidade. Alzira baixou os olhos:

— Não sei, não.

Tiago fechou o caderno com cuidado.

— Tudo bem... amanhã eu pergunto pra professora.

Ele tentou sorrir, mas o sorriso morreu antes de chegar aos olhos. Nesse instante, o menor, que desenhava no chão com um pedaço de carvão, levantou a cabeça.

— Quando eu crescer, vou ensinar a mamãe.

Os dois irmãos riram. Alzira também sorriu. Mas foi um sorriso curto, desses que escondem alguma coisa. Ela passou a mão pelos cabelos de Tiago.

— Não quero que vocês me ensinem porque eu não pude aprender. Quero que estudem porque o mundo é maior que essa roça.

Tiago olhou pela janela. A lua clareava apenas um pedaço do terreiro.

— Maior quanto? — Quis saber Tiago.

Alzira demorou para responder. Depois fitou a escuridão, onde começavam os caminhos que nunca havia percorrido.:

— Grande o bastante pra vocês escolherem onde querem plantar a própria vida.

O silêncio voltou para a casa. Lá fora, um grilo insistia no mesmo canto. Tiago abriu novamente o caderno. Dessa vez não para perguntar. Mas para continuar estudando. E Alzira percebeu que, embora não soubesse responder àquela questão de geografia, talvez estivesse ensinando a mais importante de todas.

A tarde seguiu nesse embate. Alzira cavava, revolvia, capinava. Suas mãos, grossas, com rachaduras que acumulavam o pó da terra, narravam uma biografia de renúncias.

Às vezes, quando tinha certeza de que não havia ninguém por perto, Alzira cantava.

Era um canto baixo, quase um segredo, aprendido com a mãe ainda menina. A melodia saía desafinada pelo cansaço, mas bastava para acompanhar o ritmo da enxada. O vento levava metade das palavras; a outra metade ficava enterrada junto das raízes que arrancava.

Parou de repente. Um estalo no mato fez seu corpo enrijecer. Ergueu a cabeça.

Os olhos percorreram a cerca de varas, os galhos secos, a vereda por onde, vez ou outra, apareciam cobras ou algum estranho atravessando propriedades.

Ninguém.

Ela respirou fundo e sorriu de si mesma:

— Estou ficando medrosa... — Murmurou.

Voltou ao trabalho.

Enquanto a enxada afundava na terra, outra lembrança emergiu. Quando era menina, dizia ao pai que queria ser professora.

Gostava do cheiro dos cadernos novos e das letras desenhadas no quadro da pequena escola da comunidade. Imaginava-se escrevendo o próprio nome todos os dias com giz branco.

Mas a seca de um ano ruim levou primeiro a colheita. Depois levou a escola. E, por fim, levou a infância. Nunca mais falou daquele sonho. Nem para o marido, quando ainda era vivo. Nem para os filhos. Alguns sonhos, aprendera cedo, sobrevivem melhor quando permanecem calados.

Mesmo assim, havia dias em que, sem perceber, corrigia a maneira como Tiago segurava o lápis, alisava as folhas amassadas dos cadernos ou passava a mão sobre os livros como quem acaricia uma porta que nunca conseguiu atravessar.

Então voltava a cantar. Não porque estivesse feliz. Mas porque certas canções conseguem carregar um peso que as palavras não suportam. A enxada desceu outra vez.

E o compasso entre o ferro e a terra pareceu acompanhar a antiga cantiga, como se o chão conhecesse sua história havia muito mais tempo do que qualquer pessoa.

Cada golpe da enxada era um depósito invisível para o futuro dos filhos. À medida que o sol descia, tingindo o céu de um alaranjado violento, ela reunia as ferramentas. O cansaço era absoluto, uma dormência que dominava cada articulação, mas sua mente permanecia estranhamente aguçada. Ela observava a roça, o resultado de seu esforço, e sentia um orgulho silencioso. Não era uma propriedade gloriosa, não havia colheitas recordes, havia apenas a subsistência conquistada a preço de ouro líquido.

O retorno para casa era feito no crepúsculo. Quando atravessava a porta, o cheiro de madeira antiga e de fogão a lenha a recebia. Os meninos estavam acordados, rabiscando folhas com lápis gastos. O mais novo, ao vê-la, correu para abraçar seu avental sujo. Alzira sentiu um alívio que transcendia o cansaço. Ela não via as marcas em suas mãos como feridas, mas como selos de uma jornada que, embora exaustiva, mantinha a família em pé.

Durante o jantar, enquanto ouvia as histórias da escola, ela quase não falava.

Tiago terminou de comer, limpou os dedos na barra da bermuda e puxou o caderno da mochila.

— Mãe, a professora pediu uma redação.

Abriu na última página.

As letras ainda tropeçavam umas nas outras, algumas grandes demais, outras espremidas entre as linhas. Havia palavras riscadas, setas apontando para correções e um pequeno "Muito bem!" escrito em tinta azul no alto da folha.

Tiago respirou fundo.

— Posso ler?

Alzira fez que sim.

O menino começou devagar. Lia sobre a chuva que demorava a chegar, sobre o cheiro da terra molhada e sobre a esperança de ver a roça outra vez coberta de verde. À medida que as palavras saíam de sua boca, os olhos de Alzira deixavam o caderno e repousavam no rosto do filho.

Quando terminou, ele fechou o caderno com cuidado. Ficou alguns segundos em silêncio. Então perguntou:

— Mãe... escrevi bonito?

Alzira sentiu o peito apertar.

Ela não sabia dizer se havia vírgulas fora do lugar, se os verbos estavam certos ou se alguma palavra carregava letras sobrando.

Sabia apenas reconhecer a verdade. Passou a mão devagar pelos cabelos do menino e sorriu:

— Bonito é quando a palavra leva a gente mais longe.

Tiago olhou novamente para o caderno. Sorriu também. Não porque tivesse certeza de que escrevera corretamente. Mas porque compreendeu que escrever podia ser uma maneira de caminhar sem sair do lugar.

O silêncio, naquela hora, era um ato de contemplação. Enquanto os meninos comiam, ela observava os raios de luz que entravam pelas frestas da parede de barro e talos, iluminando o pó que flutuava no ar. Ali, naquela precariedade, o mundo fazia algum sentido. Ela tinha a terra sob as unhas, o sol marcado na pele e o futuro dos filhos pulsando na mesa. Alzira sabia que o sol de amanhã seria novamente um teste de resistência, que a enxada continuaria pesada e que o esforço não teria fim. Mas enquanto houvesse força para levantar a mão e virar o solo, haveria esperança. A jornada era dura, mas cada dia era um pouco de solo lavrado para que os filhos, um dia, não precisassem aprender a ler o mundo apenas pelo cansaço da terra, mas pela possibilidade de um destino por eles mesmos escolhido.


 José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e cronista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

POESIA - POEMA DOS OLHOS DA AMADA - VINÍCIUS DE MORAES


. Poema dos olhos da amada


Ó minha amada

Que olhos os teus

São cais noturnos

Cheios de adeus

São docas mansas

Trilhando luzes

Que brilham longe

Longe nos breus...


Ó minha amada

Que olhos os teus

Quanto mistério

Nos olhos teus

Quantos saveiros

Quantos navios

Quantos naufrágios

Nos olhos teus...


Ó minha amada

Que olhos os teus

Se Deus houvera

Fizera-os Deus

Pois não os fizera

Quem não soubera

Que há muitas eras

Nos olhos teus.


Ah, minha amada

De olhos ateus

Cria a esperança

Nos olhos meus

De verem um dia

O olhar mendigo

Da poesia

Nos olhos teus.


Vinícius de Moraes 

JUSTIÇA ELEITORAL REJEITA PEDIDO PARA BARRAR NOVOS NÚMEROS DA VERITAS.


A Justiça Eleitoral, através do juiz auxiliar Rubem Lima de Paula Filho, do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), indeferiu pedido de suspensão da pesquisa Véritas Planejamento de intenções de voto para Governo e Senado no Maranhão.

O pedido de suspensão foi feito ela coligação “Brasil Justo, Maranhão Grande”, do candidato do PT, Felipe Camarão, que apontou possíveis irregularidades no plano amostral e no sistema de fiscalização do trabalho de campo. No entanto, o magistrado concluiu que a comparação apresentada na ação foi feita sem a aplicação do filtro específico para o Maranhão e que quando considerados apenas os dados do eleitorado maranhense, os percentuais usados pelo Véritas coincidem com os números oficiais.

“A suspensão integral do levantamento mostra-se providência de intensidade superior à repercussão da inconsistência até agora evidenciada”, afirmou Rubem Lima de Paula Filho.

Com isso, os novos números da pesquisa Véritas devem ser divulgados ainda hoje, quinta-feira (13). O levantamento, contratado pelo Farol Pesquisa e Comunicação, ouviu mil eleitores, entre os dias 07 e 11 de agosto.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ALEXANDRE DE MORAES MANDA TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO MARANHÃO DEVOLVER PAGAMENTOS DE PENDURICALHOS

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (12) que tribunais continuam, mesmo diante das novas regras fixadas sobre “penduricalhos”, realizando o pagamento de “verbas exorbitantes”.

Diante da constatação, Moraes determinou a suspensão imediata da liberação desses valores. Com a decisão, os tribunais de Justiça do Maranhão, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Distrito Federal devem bloquear o pagamento de verbas indenizatórias que ficam fora do teto do funcionalismo.

Além disso, os sete tribunais devem identificar os magistrados que receberam valores indevidos e determinar a devolução do que ultrapassar o limite de 70%