sexta-feira, 17 de julho de 2026

NOVA OLINDA E A REJEIÇÃO DE EMBARGOS


Apesar de um pedido estranho e desnecessário da juíza eleitoral Luciana Sarney, a maioria dos membros do pleno do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), na tarde de ontem, quinta-feira (16), formou maioria para rejeitar embargos de declaração, meramente protelatórios, do prefeito de Nova Olinda do Maranhão, Ary Menezes (PP), cassado por decisão unânime da Corte Eleitoral em abril deste ano.

O lamentável é que pelo pedido de vista, mesmo depois do prefeito e vice terem sido cassados tanto na justiça de base quanto no TRE-MA, por abuso de poder político e econômico, o julgamento não foi concluído, fazendo com que a Justiça Eleitoral siga sendo criticada pela falta de celeridade nos seus julgamentos.

No julgamento desta quinta-feira, o relator do caso, Marcelo Oka, votou pela rejeição dos embargos. Só que estranhamente a juíza Luciana Sarney pediu vistas dos embargos. No entanto, mesmo com o pedido, o desembargador Sebastião Bonfim e os juízes Neian Milhomem e Rosângela Prazeres se manifestaram pela rejeição dos embargos de Ary Menezes.

A tendência é que o TRE-MA, se nada mais estranho ocorrer, conclua o julgamento do caso de Nova Olinda, que ganhou repercussão nacional com a reportagem no Fantástico, na próxima sessão e poderemos ter uma nova eleição na cidade.



POESIA - DO LADO DE DENTRO - TORQUATO NETO

 


Do lado de dentro


um dois três quatro

o maior barato

é sair na rua olhando a cara das pessoas

um dois feijão com arroz

a maior barata desfilando na cozinha

mais uma troupe inteira

pastorinhas

três quatro feijão no prato

barato é

era o maior barato

olhar as caras da pessoa

que eu amava loucamente

absolutamente

refletidas no meu trapo

cinco seis falar inglês

francês alemão chinês

vocês se lembram do que nunca aconteceu

e era uma vez

um sete e um oito

comer biscoitocoitobiscoito

e depois sair por aí

feito uma boneca vagabunda

nove dez

comer pastéis comer pastéis!


Torquato Neto 

SEXTOU COM MUÇÃO





quinta-feira, 16 de julho de 2026

ROBERTO COSTA CONVIDA


PESQUISA QUE APONTA EMPATE TÉCNICO ENTRE ORLEANS BRANDÃO E BRAIDE É LIBERADADA PELO TRE

Foi julgado improcedente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) a representação do PSTU e autorizou a divulgação da pesquisa INOP, contratada pelo Jornal Pequeno,

O levantamento aponta empate técnico entre os dois pré-candidatos que vão polarizando a disputa pelo Governo do Maranhão. Eduardo Braide (PSD) aparece com 46,43%, mas é seguido de perto por Orleans Brandão (MDB) com 43,51% das intenções de voto.

Na sequencia, mas distantes dos dois primeiros, aparecem: Felipe Camarão (PT) com 4,72%, André Luis (Missão) que surge com 0,84% e Enilton Rodrigues (PSOL) com 0,15%. Para completar, 0,96% disse que não votará em nenhum e 3.39% afirmaram não saber ou não quiseram opinar.

A pesquisa INOP também aponta que a maioria dos eleitores acredita que o candidato do governador Carlos Brandão (MDB) será o vitorioso nas urnas. Para 44,24% dos entrevistados será Orleans Brandão o novo governador, enquanto que 43,32% disseram que será Braide.

O levantamento, sob o protocolo MA-00550/2026, ouviu 2604 eleitores no período de 12 a 20 junho de 2026 em cidades de todas as regiões do Maranhão. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 3,02%.

NOVA OLINDA ESPERA UMA REDPOSTA DO TRE

Depois de muita idas e vindas, algumas críticas pela morosidade, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão deve, hoje, quinta-feira (16), colocar um ponto final no triste episódio que envolveu as eleições municipais de 2024 em Nova Olinda do Maranhão.

O TRE-MA vai apreciar os embargos de declaração, meramente protelatórios, sobre a cassação do prefeito e do vice de Nova Olinda do Maranhão, Ary Menezes e Ronildo Costa de Carvalho, respectivamente.

Depois da cassação dos dois políticos, os advogados de defesa recorreram e, mesmo depois de uma demora inexplicada, enfim teremos o julgamento dos embargos que irão dar uma resposta a população de Nova Olinda do Maranhão.

No julgamento, o TRE-MA confirmou que a chapa eleita em 2024 cometeu diversas irregularidades, incluindo compra de votos, distribuição de materiais de construção, promessas de cargos, repasses em dinheiro e via Pix, além da doação de telhas.

Vale ressaltar que a ação que está culminando com a cassação do prefeito e vice-prefeito é de autoria da ex-candidata a prefeita de Nova Olinda, Thaymara Muniz, que, mesmo com todos os escândalos já amplamente divulgados, perdeu o pleito de 2024 por apenas dois votos.

Depois desse último capítulo, Ary Menezes e Ronildo da Farmácia devem deixar os cargos. O presidente da Câmara de Nova Olinda responderá pelo Município até a realização de novas eleições, sem a participação dos dois condenados, que foram declarados inelegíveis.

É aguardar e conferir, afinal Nova Olinda não pode seguir nessa situação

LULA AMPLIA VANTAGEM SOBRE FLÁVIO BOLSONARO

Na noite de ontem, quarta-feira (15), tivemos a divulgação de mais uma pesquisa Genial/Quaest sobre as eleições presidenciais de 2026.

No novo levantamento, o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem uma vantagem de 8% para o seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Brancos, nulos e declarações de que não vão votar somam 14%, e indecisos, 4%.

Vale ressaltar que a vantagem do petista, que era de seis pontos em junho, oscilou para cima dentro da margem de erro. No mês passado, Lula tinha 44% contra 38% de Flávio. Veja os números no gráfico acima.

A Quaest ouviu 2.004 eleitores, entre os dias 10 a 13 de julho. O nível de confiança das estimativas é de 95%, e a margem de erro máxima prevista é de cerca de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos

ORLEANS BRANDÃO CADA VEZ MAIS FORTE

O pré-candidato ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão, recebeu o apoio do grupo político liderado pelo vereador Pavão Filho durante o evento “Grupo Pavão é Povão”, realizado na Vila Janaína, em São Luís. O encontro reuniu lideranças comunitárias, representantes de entidades sociais, apoiadores e caravanas de diversos bairros da capital maranhense.

A mobilização marcou a adesão do grupo de Pavão Filho à pré-candidatura de Orleans e reuniu representantes de comunidades e segmentos sociais que atuam em diferentes regiões de São Luís. Durante o encontro, o vereador destacou a trajetória de seu grupo e afirmou que a decisão de apoiar o pré-candidato foi construída a partir da confiança em sua capacidade de diálogo e de compreender as demandas da população.

Faço política com convicção e seriedade, e meu grupo político é sólido e consciente. Somos mais que um grupo, somos uma família. Nosso grupo decidiu apoiar o projeto de Orleans Brandão porque ele gosta de estar com o povo, conversar, ouvir, compartilhar e resolver os problemas. Além disso, é um jovem preparado, que conhece o Maranhão de ponta a ponta por ter sido secretário municipalista”, declarou Pavão Filho.

A presença de caravanas de diferentes bairros deu ao encontro um caráter de ampla mobilização popular. Participaram grupos da Vila Embratel, Retiro Natal, Barreto, Vila Isabel Cafeteira, Cidade Operária, Janaína e Vila Riod, além de representantes do Sindicato dos Ambulantes e de outras categorias profissionais. O evento também contou com a presença do pré-candidato a deputado federal Paulo Cazé.

Representantes da Fundação Maranhense de Assistência Comunitária (FUMAC) e beneficiários de projetos sociais também participaram da programação. Entre as iniciativas representadas estavam a Academia do Idoso, a Universidade da Criança, a Escola de Informática, a Padaria Escola, cursos de corte e costura e o Centro de Saúde, além de sindicatos e associações de trabalhadores.

Em seu pronunciamento, Orleans agradeceu o apoio de Pavão Filho, das lideranças e das comunidades presentes. O pré-candidato destacou a importância do diálogo com quem conhece de perto a realidade dos bairros e defendeu a construção de políticas públicas a partir das demandas da população.

Nós estamos de mãos dadas para trabalhar por São Luís. Pavão, quando vai ao gabinete, vai para levar demandas e buscar políticas públicas, e os resultados já aparecem. Para ser gestor, é preciso responsabilidade e capacidade de assumir compromissos. Por isso, tenho o desejo de ser governador e continuar trabalhando pelo Maranhão”, afirmou Orleans.

O pré-candidato também ressaltou a necessidade de ampliar as iniciativas de capacitação profissional e geração de emprego, apontando a criação de oportunidades como uma das prioridades do projeto que pretende construir para o Maranhão.

Precisamos trabalhar mais e, por isso, quero ser o governador que vai levar capacitação profissional e oportunidades de emprego para as pessoas. Vou me dedicar todos os dias para construir um Maranhão com mais desenvolvimento e oportunidades”, disse

MAIS DUAS OESQUISAS ELEITORAIS NO MARANHÃO

Na última quarta-feira (15), tivemos o registro na Justiça Eleitoral de pelo menos mais duas pesquisas para avaliar o atual cenário político no Maranhão.

O INOP, contratado pelo Jornal Pequeno, está realizando levantamento ouvindo 2.610 pessoas entre os dias 08 e 16 de julho. A previsão de divulgação é no dia 21 de julho.

O Instituto Veritas, contratado pelo Café Quente, realiza os questionários entre 16 e 19 de julho, ouvindo apenas mil eleitores. A previsão de divulgação também é 21 de julho.

O levantamento do INOP disponibilizou o nome de seis pré-candidatos ao Governo do Maranhão: Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD), Felipe Camarão (PT), Enilton Rodrigues (PSOL), André Luis (Missão) e Saulo Arcangeli (PSTU). Já a pesquisa da Veritas só colocou quatro nomes, não incluindo os pré-candidatos André Luís e Saulo Arcangeli.

Já para o Senado, o INOP disponibilizou 13 nomes, são eles: Roseana Sarney (MDB), Eliziane Gama (PT), Weverton Rocha (PDT), Pedro Lucas (União), André Fufuca (PP), Dr. Hilton Gonçalo (Mobiliza), Duarte Junior (Avante), Simplício Araújo (DC), Antonia Cariongo (PSOL), Franklin Douglas (PSOL), Lhaesio Bonfim (Novo), César Pires (PSD) e Roberto Rocha (Novo), A pesquisa Veritas só incluiu o nome de nove pré-candidatos, deixando de fora os nomes de: Roseana Sarney, Roberto Rocha, Antônia Cariongo e Franklin Douglas.

CRÔNICA - A MORTE DO BOI CURUPIRA - ZEZINHO CASANOVA

O silêncio que precedeu o derradeiro ato não foi a ausência de som, mas a contenção do fôlego de milhares de pessoas. O Boi Curupira de Bacabal, que horas antes ocupara o centro da arena com uma imponência que parecia desafiar a finitude, agora movia-se com uma lentidão carregada de fatalidade. O sotaque da orquestra, antes pujante e triunfante, descia a escala em um lamento contínuo, as notas dos metais soando como um soluço metálico que cortava a umidade da noite.

Todos ali do vaqueiro mais entusiasmado ao espectador mais distraído nas arquibancadas sabiam o que viria a seguir. Era o instante em que a brincadeira encontrava sua sombra, o momento em que a glória do animal colidia com a fragilidade de sua existência.

Augusto, o miolo, sentindo o peso do boi mais do que nunca, começou a fazer os movimentos circulares que indicavam o desfalecimento. Cada passo do animal era uma tentativa de se manter de pé contra a vontade de uma força invisível. Os vaqueiros campeadores, em um gesto de absoluta reverência, formaram um cerco ao redor do boi, as cabeças baixas, os rostos escondidos pelas sombras de seus chapéus de couro.

Eles não estavam ali para proteger a carga, mas para testemunhar o fim.

Quando o Curupira finalmente procurou o chão, não houve baque brusco. A queda foi um desmoronar lento, uma entrega do veludo e da madeira aos braços de terra que esperavam a divindade.

Houve um clamor coletivo que soou como um suspiro de dor. Catirina, aproximando-se do animal caído, soltou um grito que não era de encenação; era o lamento da própria comunidade pela perda do símbolo que encarnava suas esperanças. Pai Francisco, o causador da desgraça, agora parecia encolhido em sua malandragem, a capa colorida arrastando na poeira, transformado de herói picaresco em arrependido.

O público, em sua maioria, já não via mais um homem sob a armação; via o boi, via a vida se esvaindo naqueles olhos de vidro que, sob a luz dos refletores, pareciam perder o brilho. O "corte final" nunca foi apenas o fim de uma narrativa teatral; era o espelho para as perdas que cada um ali carregava em sua própria trajetória.

O Mestre da orquestra, mantendo um sinal único com o pandeirão, fez o ritmo diminuir até chegar a uma pulsação quase imperceptível, como um batimento cardíaco que insiste em se manter presente antes de silenciar. Foi nesse compasso de agonia que as toadas ganharam tom de oração. Não era mais tempo de festa; era tempo de vigília. O sincretismo explodiu em cada gesto: mulheres faziam o sinal da cruz, homens tocavam o chão como se pedissem licença aos ancestrais para que o boi pudesse seguir seu caminho. Naquele breve lapso de tempo, a arena deixou de ser palco e tornou-se um corredor entre o mundo dos vivos e o mistério que nos cerca.

A morte do boi é um paradoxo absoluto na cultura popular maranhense. Ela é o clímax da encenação, mas também é o momento em que o grupo mais se fortalece. Enquanto a carcaça jazia no chão, imóvel, silenciada pela coreografia da finitude, algo começou a mudar no semblante dos brincantes. O choro de Catirina e a súplica de Pai Francisco começavam a ser embalados por uma nova cadência.

Um dos tambores, discretamente, deu uma batida. Depois outro. E de repente, o lamento começou a se transformar em um chamado de ressurreição. A mesma comunidade que chorava a perda era a que já preparava o terreno para o renascimento.

Os vaqueiros levantaram o Curupira com uma agitação nova, mais rápida, como se o toque dos metais e das matracas pudesse, através de um passe de mágica rítmica, incutir novamente o sopro da vida naquelas peças de pano. E, quando o boi se levantou, não foi um levantamento comum. Ele ergueu-se de uma vez, girando freneticamente, com uma agilidade que, momentos antes, seria impossível naquele corpo cansado.

A arena explodiu em um clamor de regozijo. Não era apenas a volta do boi. Era a comunidade reencontrando a si mesma.

Ao verem o Curupira novamente em pé, girando com uma vivacidade que parecia zombar da própria finitude, os brincantes romperam em toadas de celebração. Onde havia desespero, agora havia o triunfo da teimosia. A morte simbólica havia sido vencida pelo ritmo, pela união do batalhão e pela capacidade daquelas mãos de insuflar vida no que parecia destruído.

As matracas marcavam o ritmo da ressurreição, ficou claro para quem olhava: o boi não morre porque ele é o coração de quem o carrega. E, na arena, sob o céu imenso e satisfeito de junho, a vida continuava, mais uma vez vitoriosa. Como se a promessa de que o Boi Curupira sempre voltaria fosse o contrato mais antigo e inviolável que aquela gente tinha com o tempo e com o próprio sentido das coisas.


José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e cronista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade