terça-feira, 23 de dezembro de 2014

CASO PETROBRÁS



EX-GERENTE DIZ TER FEITO ALERTA SOBRE PREJUÍZO EM REFINARIA
 
A diretoria da Petrobrás foi avisada pela funcionária Venina Velosa da Fonseca de que a construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, era economicamente inviável. A afirmação foi feita por Venina em entrevista ao Broadcast, serviço de tempo real da Agência Estado. O projeto de Abreu e Lima começou orçado em US$ 2,5 bilhões e chegou a US$ 18,5 bilhões.
 
“Com o andamento do projeto, ele se mostrou inviável. Isso foi tempestivamente informado para o diretor (de Abastecimento, Paulo Roberto Costa,) e (constou) nos documentos de aprovação (do projeto) para a diretoria”, disse Venina. Segundo ela, isso, ocorreu em 2009.

Na época, a hoje presidente da Petrobrás Graça Foster era diretora de Energia e Gás. Venina era subordinada a Costa. Naquele ano, conforme reportagem do jornal Valor Econômico publicada na semana retrasada, a ex-gerente enviou e-mails a Graça sobre problemas que havia detectado na estatal. Nesta segunda, disse que fez “um resumo do problema como um todo” ao tratar pessoalmente das irregularidades com Graça, informação dada em entrevista exibida no domingo pelo Fantástico, da TV Globo.

Em novembro de 2014, Venina foi afastada do cargo de chefia de um escritório da Petrobrás em Cingapura, sob a alegação de que burlou manuais de contratações e, com isso, contribuiu para gerar prejuízos à empresa. O caso está sendo avaliado por uma comissão interna, que ainda definirá se houve má-fé. Se esse for o veredito, ela poderá ser exonerada.
A ex-gerente nega as acusações. Além de argumentar que avisou à diretoria sobre os prejuízos que as contratações previstas pelo então diretor de Serviços, Renato Duque, causaria à petroleira, ela diz que compras não eram atribuição de sua gerência. Duque é investigado na Operação Lava Jato.

“Eu não aprovo contratação, eu não assino contrato, eu não negocio contrato, não indico quem entra na licitação. Isso tudo é responsabilidade da área de Serviços”, afirmou.

Conselho. A defesa da ex-gerente, feita pelo advogado Ubiratan Mattos, foi mais enfática em relação aos alertas feitos por Venina sobre Abreu e Lima. Em e-mail enviado à reportagem após a entrevista por telefone, ele ressalta que o projeto da refinaria e a informação de que era prejudicial à petroleira foi apresentada também ao Conselho de Administração da companhia, liderado na época pela então ministra Dilma Rousseff.
“Venina encaminhou a proposição de aquisição (de equipamentos para a refinaria) por ordem do diretor Paulo Roberto, baseada em uma estratégia elaborada pela área de materiais e apresentada previamente à diretoria executiva e ao Conselho de Administração, em reunião da qual Dilma participou”, disse Mattos.

O advogado de Venina afirmou que poderá ir à Justiça para rebater acusações da Petrobrás contra a funcionária afastada, como a de que ela era próxima de Costa. “Isso é de uma baixeza sem tamanho.”

Venina negou qualquer proximidade pessoal com Costa e que passou a apontar problemas ao ver o código de ética da empresa ser burlado. “Enquanto o Paulo Roberto não demonstrou que estava ferindo esse código de ética, havia uma convergência nos processos. A partir do momento em que realmente tive evidência de que isso estava acontecendo, eu agi, eu reportei, fiz tudo o que poderia ter feito”, disse.

GRAÇA FOSTER NEGA TER RECEBIDO DENÚNCIAS POR E-MAIL OU PESSOALMENTE

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou que a ex-gerente da diretoria de abastecimento da estatal, Venina Velosa da Fonseca, não fez denúncias de irregularidades a ela nem por e-mail nem pessoalmente. A informação contradiz o que afirmou Venina neste domingo ao programa Fantástico, da Rede Globo. "Ela (Venina) nunca citou palavras simples como corrupção e conluio", afirmou. 
 
Graça respondeu às acusações da funcionária em entrevista ao Jornal Nacional, também da Rede Globo. Da mesma forma, a presidente da Petrobrás disse que, em nenhum momento, denúncias de corrupção foram feitas à diretoria da empresa. "Ela (Venina) não fez uma denúncia; poderia ter feito, mas não fez. Ela dizia tarde demais para entrar em detalhes", disse Graça. 

A presidente contou ainda que, ao assumir o cargo, conversou pessoalmente com Venina, mas não sobre denúncias. A conversa, segundo Graça, foi sobre a agenda do dia-a-dia da empresa, sobre prazos e preços dos projetos. "Conversamos sobre custos de projetos mais altos do que o previsto, prazos e atitudes que eu precisava tomar para ir para outro caminho", afirmou a presidente da Petrobras.

Graça disse esperar que Venina tenha os documentos que comprovem suas denúncias de existência de um esquema de corrupção na petroleira. "Espero muito que ela tenha todos os documentos. Vai ajudar muito a Petrobras e o Ministério Público Federal", afirmou.

A presidente da Petrobras elogiou Venina e o seu trabalho em Cingapura, onde esteve por dois momentos. No primeiro momento, quando foi cursar uma pós-graduação, ainda era aliada do ex-diretor Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato da Polícia Federal. No segundo, após um desentendimento com Costa, Venina teria assumido a área de comercialização do escritório no país asiático.

Apesar do elogio sobre a qualidade do trabalho de Venina na empresa, Graça disse que ela foi afastada do cargo de chefia por ter cometido "não conformidades" de procedimentos. Segundo a presidente da Petrobras, a funcionária está sendo investigada pela auditoria interna por não ter seguido à risca os procedimentos internos para inibir desvios de recursos na contratação de equipamentos e serviços. De acordo com Graça, as investigações da auditoria demonstraram que Venina não cumpriu regulamentos internos.

Ao fim da entrevista, Graça fez ainda um apelo para que os funcionários da companhia que tiverem informações de irregularidades em contratações recorram à ouvidoria da empresa. Ela também pediu aos funcionários que "enfrentem a situação com determinação". 

DILMA DIZ QUE GRAÇA E DIREÇÃO DA PETROBRAS FICAM, MAS INDICA QUE MUDARÁ CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que não há motivos para demitir a presidente da Petrobras, Graça Foster. Ela voltou a fazer uma defesa contundente da funcionária, dizendo que há apenas denúncias sem provas e confirmou que a presidente da Petrobras disse que se a exposição por que passa devido às denúncias de corrupção na estatal causarem prejuízo ao governo e à Petrobras, ela coloca o cargo à disposição.
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— Eu conheço a Graça, sei da seriedade da Graça, da lisura da Graça. A Graça assumiu a direção da Petrobras e mudou toda a diretoria. Abriu todas as investigações que estão em curso. Não tenho nenhuma indicação de que falta credibilidade para a Graca Foster — afirmou Dilma, em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, reconhecendo que Graça Foster está sofrendo pressão:
— É uma situação difícil para ela. Ela segura a pressão por conta dos compromissos com a Petrobras. Cria-se um clima muito difícil para ela. Agora, por isso eu vou tirá-la? Penalizar ela por algo que não é responsabilidade dela? —indagou.
A presidente disse que não vai trocar a atual diretoria por não ver "nenhum indício de irregularidade" no colegiado. Mas indicou que trocará o conselho de administração.
— Eu não vejo nenhum indício de irregularidade na atual diretoria da Petrobras. Quando não vejo irregularidade eu não posso querer punir — informou.
Ela não precisou quando fará essas mudanças, mas ressaltou que é preciso antes indicar o novo ministro de Minas e Energia.

DILMA CONSULTARÁ MP ANTES DE NOMEAR MINISTROS

Dilma disse ainda que consultará o Ministério Público antes de nomear seu Ministério. Segundo a presidente, ela quer saber antes se o candidato a ministro tem algo que pese contra ele. O temor é sobre a próxima fase da operação Lava-Jato, que indicará os políticos que tiveram envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
— Qualquer pessoa que for indicar, vou consultar (o Ministério Público). Eu vou perguntar o seguinte: Há alguma coisa contra fulano que me impeça de nomeá-lo? Só isso que eu vou perguntar. Não quero saber o resto. Eu só quero saber isso.
A presidente informou que pretende nomear quase todos os integrantes de sua nova equipe até o dia 29. E que a forma pode ser em duas etapas ou em uma só. O segundo escalão do governo só será formado, depois que todos os ministros estiverem escolhidos. 

AÉCIO: GRAÇA 'PERDEU TODAS AS CONDIÇÕES' DE PRESIDIR A PETROBRAS

A oposição aumentou nesta segunda-feira a cobrança para que a presidente Dilma Rousseff afaste a presidente da Petrobras, Graça Foster, depois que, em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da empresa, afirmou que avisou Graça pessoalmente, e não só por e-mail, sobre irregularidades em contratos. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), cobrou a substituição não só de Graça, mas de toda a diretoria da Petrobras, para resgatar a credibilidade da empresa:

— Acho que a presidente da Petrobras perdeu todas as condições de ficar a frente da empresa. Cabe à presidente substituí-la e vai fazer isso no tempo. Talvez o estilo da presidente seja esse de tentar até o último minuto manter aquilo que a meu ver é impossível de ser mantido. Hoje não há capacidade da atual direção da empresa, eu me refiro a toda ela, de garantir o resgate da credibilidade para que a Petrobras estabeleça um novo portfólio de investimentos.

Outros integrantes do PSDB e do DEM também reagiram duramente às declarações da presidente em entrevista a setoristas do Planalto e classificaram como “inusitada” e “bipolar” a sua decisão de consultar o Ministério Público antes de anunciar seu novo Ministério.

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