quinta-feira, 4 de setembro de 2025

COM A PALAVRA - VIRGULANDO - POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

VIRGULANDO 

    Alguma vezes, bem curioso, bisbilhoto as postagens na internet. E, então, observo que geralmente há um discurso nervoso, gaguejante. Às vezes, galopante; às vezes, em câmera lenta. O que não é exclusivo desse meio de comunicação. Nos telejornais, nos programas televisivos e radiofônicos, também, ocorre.

    E, na maioria das vezes, isso é causado por ausência ou mau uso de pontuação. E a vírgula se salienta, em demasia.

    Posso afirmar, sem medo, que invariavelmente a vírgula é a alma do desenvolvimento do discurso. E, aí, temos um problema, sem medida, já que se vem matando o ensino da gramática. E, nessa perspectiva, criou-se a ilusão de que só interessa interpretação de texto. O que é um grande e absurdo contra senso. Ninguém interpreta sem conhecer a estrutura do discurso, a semântica e a pontuação; muito menos sem leitura e um bom vocabulário. 

    E, sem esses requisitos, tenho visto, e ouvido, muito discurso se perder. E isso me faz lembrar "de eu-criança", quando tinha pressa em fazer algo, e os mais velhos cravavam certeiros. "Tá disparado! Vai tirar a mãe da forca!" A verdade é que, sem vírgulas, a sensação que temos é essa. De um pensamento, que se estrutura ora afoito, ora desconexo, ora incompleto, ora truncado.

    E, como não quero parecer pernóstico, o que, de verdade, não sou, desanuviemos a seriedade do tema. Vamos a uns bons sorrisos. Certa vez, destrinchando um minúsculo texto, no desenvolvimento de um trabalho, de formação, para os professores leigos da zona rural de Codó, no povoado Cajazeiras, nos longínquos anos 80, escutei a melhor definição para a vírgula, por uma professorinha, já idosa, que não conseguia lembrar o nome de vital pontuação. E, sem receio algum, mandou direto. "Essa 'urelhinha' da frase, fessô". Fantástico! Fantástico! E, por minha conta, acredito que essa associação se deveu "a outra'". A do C (Ç).

    A verdade verdadeira é que "tal urelhinha" é poderosa. E traiçoeira. Pode acabar com a mais portentosa, como a mais inocente das mensagens. Cuidado! E, se se depararem com a frase "Quero muito ir comer gente", não se assustem. Nem se escandalizem. Nem vocês são canibais. É somente um ruído da vírgula!


          Zé Carlos Gonçalves

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