terça-feira, 9 de setembro de 2025

POESIA - ESCORA - POR ABEL CARVALHO

 

ESCORA


Procuro no tempo a escora 

Para viver meus mundos

Em mais uma madrugada insone 

Te vejo dormir alheia às minhas dores e angústias

E o sono que não vem me atormenta em lembranças que são muitas


Reviro fatos nos arquivos da memória 

Muitos já se apagaram como velhos retratos

Outrora revivê-los seria bem-vindo 

Neste momento apenas sufragam 

A ira da insônia e maculam momentos que insistem em não morrer


Ontem não foi um dia triste

Embora tenha esquecido mais uma vez uma data importante

Falha que se repete de forma rotineira e reitera os medos que ainda hão de vir


Hoje o dia apenas se inicia 

Beberei em goles suaves os segundos 

Os minutos e as horas


Verterei a rotina das ausências

Buscando nas presenças a escora

Das escolhas

Singrarei o tempo com a alma enternecida

Viverei a vida mais uma vez

Até que a escora me traga mais uma noite de insônia

Prenúncio de um novo dia


Abel  Carvalho

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