ESCORA
Procuro no tempo a escora
Para viver meus mundos
Em mais uma madrugada insone
Te vejo dormir alheia às minhas dores e angústias
E o sono que não vem me atormenta em lembranças que são muitas
Reviro fatos nos arquivos da memória
Muitos já se apagaram como velhos retratos
Outrora revivê-los seria bem-vindo
Neste momento apenas sufragam
A ira da insônia e maculam momentos que insistem em não morrer
Ontem não foi um dia triste
Embora tenha esquecido mais uma vez uma data importante
Falha que se repete de forma rotineira e reitera os medos que ainda hão de vir
Hoje o dia apenas se inicia
Beberei em goles suaves os segundos
Os minutos e as horas
Verterei a rotina das ausências
Buscando nas presenças a escora
Das escolhas
Singrarei o tempo com a alma enternecida
Viverei a vida mais uma vez
Até que a escora me traga mais uma noite de insônia
Prenúncio de um novo dia
Abel Carvalho


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