HERANÇA DA IRONIA
Postumamente, o mundo irreverente
Render-te-á homenagens tardias,
Essas — de praxe — tardas honrarias
Ao contemplado já da vida ausente...
Convém, portanto, que em tuas poesias
Semeies, agora, da sátira, a semente;
Patenteando ao mundo, igualmente,
Que cultuaste também as ironias...
Que não te seja vã a experiência
Da atual terrena irreverência,
Que a tantos outros, sem pejo, ironiza...
Se a humanidade não te valoriza,
Deixa a herança que a satiriza,
Como lembrança da tua inteligência!...
Mathias Mendes


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