quinta-feira, 24 de setembro de 2026

CRONICA - NETA DE HUMBERTO DE CAMPOS E ALUX DE UMA MEMÓRIA LITERÁRIA

Há encontros que não terminam quando a fotografia é guardada no celular. Eles permanecem como uma espécie de marca silenciosa na memória de quem teve o privilégio de estar presente. Foi assim quando Patricia de Campos, neta de Humberto de Campos, chegou ao estande da FALMA (Federação das Academias de Letras do Maranhão), durante a 19ª FELIS (Feira Literária de São Luís).

Naquele instante, o espaço ganhou uma atmosfera diferente. Não era apenas a chegada de uma visitante ilustre. Era a presença de um pedaço vivo da história literária maranhense. Pessoas se aproximavam emocionadas, com livros nas mãos, olhos curiosos e aquele desejo quase infantil de registrar um momento raro: uma fotografia ao lado da descendente de um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Humberto de Campos não era apenas um nome escrito nas páginas dos livros. Foi um escritor que conquistou leitores com sua prosa elegante, fluida e acessível. Sua produção literária transitou entre a poesia, a crônica e o ensaio, sempre marcada por erudição, sensibilidade e um humor refinado que aproximava o autor do público.

Mas a história de Humberto de Campos também carrega capítulos cercados de debates e mistérios. Após sua morte, algumas obras atribuídas ao escritor foram psicografadas pelo médium Chico Xavier, apresentadas como mensagens ditadas pelo espírito do próprio Humberto. O episódio gerou grande repercussão e levou a família do escritor a contestar judicialmente a situação, em 1944, em um processo envolvendo Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira, buscando uma definição sobre a autoria das obras e questões relacionadas aos direitos autorais. Há quem diga em tom de humor, que a psicografia é a prscussora da inteligencia artificial.


É claro que aquele não era o momento para transformar um encontro de celebração literária em uma discussão sobre polêmicas históricas. Havia algo muito maior acontecendo ali. O que importava naquele instante era a homenagem, o afeto e o reconhecimento de uma trajetória que atravessou gerações.


A curiosidade existia. Estava nos olhares, nos comentários discretos, nas conversas entre escritores e visitantes. Afinal, quando uma família carrega consigo a memória de uma personalidade tão marcante, inevitavelmente desperta perguntas e reflexões. Mas a delicadeza daquele momento falou mais alto.


Patricia de Campos trouxe ao estande da FALMA algo que nenhum livro consegue transmitir sozinho: a sensação de proximidade com a história. Sua presença aproximou passado e presente, escritor e leitor, memória e emoção.

Naquela tarde, entre abraços, sorrisos e fotografias, a literatura maranhense ganhou mais uma página para guardar. Uma página escrita não com tinta, mas com sentimento.

Porque algumas pessoas não chegam apenas para visitar um lugar. Algumas chegam para iluminar a história que já estava ali.


Zezinho Casanova 





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