quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ISENÇÃO DE IPVA PARA MOTORISTAS DE APLICATIVOS E MOTOTAXIDTAS, PROMETE ORLEANS BRANDÃO

O candidato ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão (MDB), anunciou a isenção total do IPVA para motoristas de aplicativo e mototaxistas como um de seus compromissos com a categoria. O anúncio foi feito durante uma motocada realizada em São Luís, como parte da agenda do emedebista em homenagem aos 414 anos da capital.

A proposta está incluída no seu plano de governo e deverá entrar em vigor a partir de 2027. A iniciativa representará uma economia de até R$ 4 mil por ano para os profissionais que utilizam seus veículos como instrumento de trabalho. A medida também prevê a isenção do imposto para motocicletas de até 180 cilindradas.

No ato, Orleans Brandão destacou a importância dos motoristas de aplicativo e dos mototaxistas para a mobilidade urbana, a economia e a geração de renda no Maranhão.

“Se tem uma coisa que eu reconheço é a importância do trabalho dos mototaxistas e dos nossos motoristas de aplicativo. Por isso, conversei com a minha equipe e decidi incluir no nosso plano de governo a isenção total do IPVA para esses profissionais em todo o Maranhão”, afirmou.

Segundo ele, a medida terá impacto direto na renda dos trabalhadores, ao reduzir os custos de quem depende diariamente do veículo para garantir o sustento da família.

“Esse será um grande programa do nosso governo. Já a partir do próximo ano, motoristas de aplicativo e mototaxistas poderão economizar até R$ 4 mil por ano. É um dinheiro que ficará no bolso do trabalhador e poderá ser utilizado no orçamento familiar e na manutenção do próprio veículo”, ressaltou Orleans.

A isenção do imposto alcançará trabalhadores e famílias que utilizam veículos de baixa cilindrada como principal meio de transporte ou fonte de renda. Com as propostas, Orleans pretende transformar a redução de impostos em uma política de valorização do trabalho e de fortalecimento da atividade econômica. “Vamos gerar emprego, renda e mais oportunidades em todo o Maranhão”, concluiu

MAIS UMA PESQUISA COM LIDERANÇA DE ORLEANS BRANDÃO

 

, o Jornal Pequeno divulgou pesquisa do Instituto Doxa para o Governo do Maranhão

No cenário estimulado, onde os candidatos são apresentados aos eleitores, Orleans Brandão (MDB) alcança 42,1%, contra 37,8% de Eduardo Braide (PSD), uma vantagem de 4,3OO pontos percentuais. O percentual de indecisos é de 3,2%, enquanto 7% afirmam que votariam em branco ou anulariam o voto.

A pesquisa também colocou os dois frente a frente em uma projeção de segundo turno. Nesse confronto, Orleans aparece novamente à frente, com 43,3% das intenções de voto, enquanto Braide soma 39,1%. Outros 13,9% não souberam responder e 3,7% optariam pelo voto branco ou nulo.

Os números indicam que a eleição estadual, neste momento, está fortemente concentrada na disputa entre Orleans e Braide. Na sondagem estimulada, os dois reúnem 79,9% das intenções de voto, deixando os demais concorrentes em posições bem mais distantes.

A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado por H M Bogea e Cia Ltda./Jornal Pequeno e está registrado no TRE-MA sob o número MA-04033/2026.

FACKIM RETIRA RELATORIA DE FAKE NEWS DE ALEXANDRE DE MORAES

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, assumiu na noite de ontem, quarta-feira (09) a relatoria do Inquérito das Fake News e retirou do ministro Alexandre de Moraes o comando da investigação, que estava sob sua responsabilidade.

Aberto pelo STF em 2019, o inquérito apura a existência de notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, denúncias caluniosas, ameaças e outros ataques contra a Corte, seus ministros e familiares.

A mudança ocorre em um momento de crise dentro do STF, marcado pelo confronto entre Moraes e o ministro André Mendonça e por decisões conflitantes envolvendo a direção da Polícia Federal.

Além disso, Fachin suspendeu as decisões dos ministro André Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Por fim, Fachin convocou uma sessão extraordinária para a próxima terça-feira (15), às 10h, com todos os ministros, onde irão analisar as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes

CRÔNICA - POR QUE MEU GILHO NAO SABE LER?! POR ZEZINHO CASANOVA


POR QUE MEU FILHO NAO SABE LER?


— Professora, meu filho tem sete anos e ainda não sabe ler. O que eu faço?

A perguntachegou à escola Rosimeire Torres Nunes em Alto Alegre do Maranhão como tantas outras chegam todos os dias a milhares de escolas do Brasil: carregada de preocupação, culpa e, muitas vezes, de uma esperança silenciosa de que alguém encontre uma resposta rápida para um problema que levou anos para se formar. A professora respirou fundo. Não era apenas aquele menino. Havia outros. Crianças no 6º ano do Ensino Fundamental que ainda tropeçavam nas palavras. Algumas liam muito devagar; outras apenas decifravam sílabas. Havia aquelas que reconheciam algumas letras, mas não conseguiam juntar os sons para formar uma palavra.

E havia casos ainda mais dolorosos: alunos que mal conseguiam escrever o próprio nome. Então surge a pergunta que ninguém deveria fazer apenas ao professor: Como uma criança chega ao 6º ano sem saber ler e escrever?

E surge outra, ainda mais incômoda: Onde estávamos todos enquanto isso acontecia?

A escola estava lá. O professor estava lá. Mas será que a família estava? E as políticas públicas? E os sistemas de ensino? E as avaliações? E a sociedade, que tantas vezes se lembra da escola apenas quando os números aparecem nas manchetes? Talvez o primeiro erro seja procurar um único culpado. Alfabetizar uma criança é uma responsabilidade compartilhada.

A escola tem uma responsabilidade pedagógica incontornável: precisa ensinar. A família tem o dever de acompanhar, estimular, conversar, ler, perguntar e participar da vida escolar. O poder público precisa garantir condições de trabalho, formação docente, materiais, acompanhamento e políticas de recomposição das aprendizagens. E a própria sociedade precisa parar de tratar a alfabetização como uma tarefa que termina na porta da escola.

A situação brasileira não é apenas uma impressão de professores cansados. O próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estabeleceu, a partir da Pesquisa Alfabetiza Brasil, um padrão nacional para identificar a criança alfabetizada ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. A política nacional atual estabelece como meta que todas as crianças estejam alfabetizadas até o final dessa etapa, ao mesmo tempo em que prevê a recomposição das aprendizagens daqueles que ficaram para trás.

Isso é importante porque revela algo que o professor dos anos finais já sabe há muito tempo: a criança que chega ao 6º ano sem dominar a leitura e a escrita não pode simplesmente ser tratada como se tivesse começado a ter dificuldades naquele ano. Ela traz uma história.

Talvez tenha faltado acompanhamento na Educação Infantil. Talvez tenha passado pelos primeiros anos sem uma intervenção adequada. Talvez tenha faltado diagnóstico. Talvez tenha enfrentado problemas sociais, emocionais ou familiares. Talvez tenha tido muitas faltas. Talvez tenha mudado várias vezes de escola. Talvez tenha tido professores sobrecarregados. Talvez a escola tenha percebido o problema, mas não tenha encontrado recursos para enfrentá-lo.

Talvez tenham acontecido várias dessas coisas ao mesmo tempo.

É justamente por isso que culpar somente o professor é injusto.

Mas culpar somente a família também é.

Há, sim, famílias ausentes. Famílias que não acompanham as tarefas, não participam das reuniões, não perguntam o que o filho aprendeu, não verificam se a criança está lendo ou sequer sabem em que ano escolar ela está. Isso precisa ser dito.

Uma criança precisa de adultos que se interessem por sua aprendizagem.

Não é necessário ter uma biblioteca em casa. Não é necessário ser especialista em pedagogia. Não é necessário saber explicar fonema, grafema ou consciência fonológica. Às vezes, acompanhar começa com perguntas muito simples: "Que história você leu hoje?" "Mostre-me seu caderno." "Vamos ler juntos?" "Como foi sua aula?" "Que palavra nova você aprendeu?"

O problema é que, em muitas casas, a escola virou uma espécie de serviço terceirizado da educação dos filhos. Entrega-se a criança pela manhã e espera-se que a escola devolva, alguns anos depois, um leitor competente.

Mas educação não funciona como lavanderia. Não se entrega uma criança e se busca uma criança alfabetizada. A criança precisa ser acompanhada durante o processo. Você acompanha prendizagem do seu filho?

Entretanto, também precisamos tomar cuidado com o discurso fácil de que "a culpa é dos pais que não acompanham" Há famílias que não acompanham porque não sabem como acompanhar. Há famílias em situação de vulnerabilidade social. Há pais que trabalham o dia inteiro. Há adultos que também não tiveram oportunidades educacionais. Há famílias que desejam ajudar, mas não compreendem as dificuldades pedagógicas da criança. Por isso, a escola precisa aproximar, orientar e acolher, não apenas acusar.

A pergunta não deve ser somente "onde está a família?", mas também:

"Como a escola pode trazer essa família para perto?" E há ainda uma pergunta dirigida ao sistema educacional: "Por que esperamos o 6º ano para perceber que uma criança não consegue ler?"

Essa talvez seja a pergunta mais importante de todas. Se uma criança chega ao final do 2º ano sem estar alfabetizada, o problema precisa ser identificado imediatamente. Não podemos esperar que ela chegue ao 4º, ao 5º ou ao 6º ano para então descobrir que não consegue compreender um pequeno texto.

O próprio Inep estabelece que a avaliação deve produzir subsídios para o diagnóstico e para a recomposição das aprendizagens dos estudantes que não alcançaram o nível adequado de alfabetização.

bIsso significa que não basta avaliar.É preciso avaliar para agir.

E agir significa conhecer exatamente onde está a dificuldade. A criança não lê? Mas por quê? Ela reconhece as letras? Relaciona letras e sons? Consegue ler palavras simples? Consegue ler frases? Compreende aquilo que lê? Consegue escrever palavras? Consegue produzir uma frase? Consegue escrever uma pequena história? Cada resposta aponta para uma intervenção diferente. É aqui que o professor dos anos finais enfrenta um dos maiores desafios de sua carreira.

Imagine receber uma turma de 6º ano planejada para trabalhar gêneros textuais, interpretação, literatura, produção de texto e conteúdos específicos de Língua Portuguesa e descobrir que a maioria dos estudantes ainda não conseguem ler uma frase com autonomia.

O professor precisa ensinar o conteúdo previsto para a série e, ao mesmo tempo, reconstruir aprendizagens que deveriam ter sido consolidadas anos antes.

É como pedir a alguém que construa o segundo andar de uma casa enquanto o primeiro ainda está sem paredes. Não significa abandonar o aluno. Significa reconhecer que ele precisa de uma intervenção diferente.

Nesse ponto, as contribuições de Magda Soares continuam fundamentais. A pesquisadora defendia que alfabetização e letramento precisam caminhar juntos: a criança precisa apropriar-se do sistema de escrita, mas também precisa aprender a utilizar a leitura e a escrita em práticas sociais significativas. Estudos recentes sobre sua obra destacam justamente a importância de um ensino planejado e sistemático da escrita alfabética, articulado às práticas de leitura e produção textual.

Isso nos ajuda a compreender que não basta colocar um livro na mão da criança e dizer: "Leia." Também não basta pedir: "Copie." Copiar não significa necessariamente escrever. Decifrar algumas palavras não significa necessariamente compreender um texto. E saber repetir o alfabeto não significa estar alfabetizado.

A alfabetização precisa ser ensinada de maneira intencional, sistemática e acompanhada. Ao mesmo tempo, a criança precisa encontrar sentido naquilo que aprende. Ela precisa ler histórias, bilhetes, placas, poemas, notícias, quadrinhos. Precisa escrever para alguém. Precisa descobrir que a escrita não existe apenas para preencher páginas de caderno ou responder provas.

A criança precisa perceber que ler é uma forma de entrar no mundo.

E escrever é também uma forma de dizer ao mundo: "Eu estou aqui." Então, o que fazer quando o aluno chega ao 6º ou 7º ano sem saber ler?

Primeiro: não humilhá-lo.

Um adolescente que não sabe ler já carrega um enorme peso. Muitas vezes, esconde o caderno, evita ler em voz alta, finge que esqueceu os óculos, copia a resposta do colega ou simplesmente se cala. Ele não precisa de mais vergonha. Precisa de oportunidade.

Segundo: diagnosticar.

É necessário descobrir o que ele sabe e o que ainda não sabe. O diagnóstico não deve servir para rotular o estudante, mas para orientar o ensino.

Terceiro: elaborar um plano de intervenção.

Se o aluno ainda não domina o sistema de escrita alfabética, é preciso trabalhar essa base, mesmo estando no 6º ou 7º ano. Não há vergonha alguma nisso. Vergonha seria saber que o aluno não lê e continuar ensinando como se ele lesse.

Quarto: garantir atendimento pedagógico especializado e reforço, quando necessário, com acompanhamento sistemático dos avanços.

Quinto: envolver a família.

Não para procurar culpados, mas para construir uma parceria.

Sexto: formar e apoiar o professor.

Não podemos entregar ao docente uma turma com múltiplas defasagens e simplesmente dizer: "Dê seu jeito." O professor precisa de formação, planejamento coletivo, materiais, tempo para acompanhar os estudantes e apoio da gestão escolar. E, sobretudo, precisamos abandonar uma cultura perigosa: a cultura de empurrar o problema para o próximo ano.

A criança não aprende? "Deixa que o próximo professor resolve."

O próximo ano chega.E nada.Depois vem o 6º ano. E alguém finalmente pergunta: "Mas como esse aluno chegou até aqui?" Ele chegou porque todos os anos anteriores passaram. O tempo não alfabetiza ninguém sozinho. É preciso intervenção.

A crise da aprendizagem também não nasceu ontem. A pandemia agravou perdas educacionais, mas seria simplista atribuir toda a situação a ela. O problema envolve desigualdades sociais, condições escolares, formação docente, acompanhamento das aprendizagens, políticas de alfabetização e, em muitos casos, uma relação insuficiente entre escola e família.

Por isso, talvez seja hora de trocar a pergunta. Em vez de perguntar apenas: "Por que meu filho não sabe ler?" Precisamos perguntar: "O que nós, adultos, deixamos de fazer para que ele chegasse até aqui sem aprender?"

Essa pergunta dói. Mas talvez seja justamente a pergunta que precisamos fazer.

Porque quando uma criança com mais de sete anos ainda não lê, temos um problema pedagógico urgente.

Quando uma criança chega ao 6º ano sem saber ler, temos uma emergência educacional. E quando milhares de crianças percorrem anos de escolarização sem adquirir plenamente a leitura e a escrita, temos um problema que ultrapassa os limites da sala de aula. Temos um problema de país. Mas problemas educacionais não se resolvem apenas com discursos. Resolvem-se com diagnóstico precoce, alfabetização planejada, formação de professores, acompanhamento individualizado, recomposição das aprendizagens, participação familiar, políticas públicas consistentes e, principalmente, com a decisão de não desistir de nenhuma criança.

Afinal, talvez a pergunta mais importante não seja: "De quem é a culpa?" Talvez seja: "Quem vai ajudar essa criança a aprender?"

E a resposta deveria ser simples: Todos nós. Porque uma criança que não aprendeu a ler não é uma criança que fracassou. É uma criança que ainda precisa de alguém que a ensine. E o verdadeiro fracasso da educação começa quando nós, adultos, desistimos de ensiná-la.

José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

Academia Mundial de Letras da Humanidade

POESIA - INDAGAÇÕES DO VENTO - ZÉ CHAGAS

INDAGAÇÕES DO VENTO


Ossos do Guevara:

— esqueleto do sonho?

natureza rara

de assombro medonho?


Ideais sepultos

que brotam de novo?

revide aos insultos

que sofreu o povo?


Soturna guerrilha

que o mundo reclama

pensando que brilha,

já não sendo chama?


Será brasa viva

a arder o futuro?

Cinza que se ativa,

fogo de monturo?


Será que a ossada

de Che ainda aduba

a terra encharcada

do sangue de Cuba?


Que cães vão em busca

desses ossos dúbios,

ao sol que hoje ofusca

tão falsos conúbios?


A alma latina

nasce desses ossos,

como o que germina

dos estrumes nossos?


Será que esse mito

que do chão renasce

fará o infinito

encarar sua face?


Será que ele é visto

como um santo novo,

ou num neocristo

na reza do povo?


Pode um morto só

nos dar esperança, a

o fazer-se pó

que ao vento se lança?


E o que o vento indaga

ganhará resposta,

ou somente a praga

da verdade exposta?


Um herói em osso

mantém seu tutano,

em meio ao destroço

do destino humano?


Posto assim Guevara

nos ossos do ofício,

a morte o declara

pronto ao sacrifício?


Seu caminho torto

será que ainda alcança

o perdido porto

de sua esperança?


Ossos do Guevara:

— quem é tão fecundo

que os toma e prepara

a sopa do mundo?


José Chagas 


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

SUPREMO TEM MAIORIA PARAMANTER AFASTADO DIRETOR GERAL DA PF ANDREI RODRIGUES R

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, para manter o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. A conclusão do julgamento virtual extraordinário, entretanto, foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Após a suspensão da análise, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques apresentaram votos antecipados e acompanharam integralmente a decisão do relator, André Mendonça. Com três votos favoráveis entre os cinco integrantes do colegiado, já está formada a maioria necessária para confirmar as medidas.

Apesar do pedido de vista de Gilmar Mendes, a decisão individual de Mendonça continua em vigor. Além de determinar o afastamento imediato dos dois dirigentes, o ministro ordenou a abertura de procedimentos criminais e administrativo-disciplinares para investigar a produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.

Mendonça também suspendeu a elaboração e o compartilhamento de documentos destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública e agentes responsáveis por atividades de polícia judiciária.

OPINIAO - QUANDO CAI O VEU - POR JOAQUIM HAICKEL

Por Joaquim Haickel

Confesso que estou me sentindo muito mal com tudo o que está acontecendo com o ministro Alexandre de Moraes. Não porque lamente o desgaste de sua imagem, mas justamente porque estou muito feliz, muito feliz mesmo, por ver cair o véu que, durante tanto tempo, protegeu sua figura pública e encobriu aquilo que muitos brasileiros, entre eles juristas e pensadores respeitáveis, já denunciavam: uma atuação que ultrapassa perigosamente os limites aos quais deveria estar submetido qualquer magistrado, sobretudo um ministro do Supremo Tribunal Federal.

O que me perturba é sentir satisfação diante da desgraça alheia. Minha mãe me ensinou que uma pessoa decente não deve se alegrar com a humilhação, o sofrimento ou a ruína de alguém. Essa lição me acompanhou por toda a vida e ainda fala muito alto dentro de mim. Minha mãe provavelmente não imaginou que um dia assistiria à desmoralização de alguém cujo poder foi usado para intimidar, constranger, calar e punir tantas pessoas, muitas delas inocentes dos crimes pelos quais foram processadas e condenadas, em decorrência de interpretações desvirtuadas e ilegais da legislação

Como não sentir algum alívio, e até certo prazer, quando cai o véu de uma vestal e se descobre que sua suposta santidade não passava de encenação? Como permanecer indiferente quando aquilo que se apresentava como pureza institucional começa a exalar o odor fétido da arrogância, do autoritarismo, da hipocrisia e da absoluta falta de limites?

Durante muito tempo, Alexandre de Moraes foi apresentado por seus admiradores como guardião inquestionável da democracia. Transformaram-no em herói, em símbolo de resistência e quase em entidade sagrada. Qualquer crítica dirigida a ele era imediatamente tratada como um ataque ao Supremo, às instituições e à própria democracia. Criou-se em torno do ministro uma blindagem política, jurídica e jornalística que confundia deliberadamente a defesa das instituições com a defesa de uma pessoa, como se questionar seus atos significasse necessariamente atacar o Estado de Direito.

Essa confusão foi extremamente conveniente. Quem ousava questionar seus métodos era acusado de proteger criminosos, golpistas ou inimigos da democracia. Em vez de examinarem a legalidade e a legitimidade dos meios empregados, seus defensores preferiam desqualificar moralmente aqueles que apontavam possíveis abusos. Bastava declarar que a democracia estava em perigo para justificar praticamente qualquer medida. E foi assim que o excepcional se tornou rotineiro, o provisório se tornou permanente, a exceção passou a ocupar o lugar da regra e o abuso começou a ser celebrado como virtude cívica.

Entretanto, a democracia não pode ser protegida por métodos que a desfigurem. O Estado de Direito não existe apenas para conter os cidadãos; existe, principalmente, para conter aqueles que exercem o poder. Nenhum magistrado deveria concentrar tamanha autoridade, muito menos exercê-la sem fiscalização, controle e contenção. Nenhum juiz pode atuar, simultaneamente, como vítima, investigador, acusador e julgador sem lançar uma sombra imensa sobre a imparcialidade da Justiça. Quando o poder deixa de reconhecer limites, ele não protege a democracia: passa a ameaçá-la.

O Supremo Tribunal Federal é maior do que qualquer um de seus ministros. Preservar a instituição não significa proteger seus integrantes de questionamentos legítimos. Ao contrário: quanto mais elevada é a autoridade, maior deve ser a transparência de seus atos e mais rigorosa deve ser a fiscalização sobre sua conduta. A toga não pode servir como escudo para o arbítrio, assim como a defesa da democracia não pode funcionar como salvo-conduto para a violação dos princípios que sustentam a própria democracia.

Por isso, embora eu me sinta moralmente desconfortável, não consigo lamentar a desmoralização, o enxovalhamento e a exposição das vísceras putrefatas do indigitado investigado. Não porque deseje vingança nem porque considere edificante a humilhação de qualquer ser humano, mas porque toda autoridade que se julga acima da lei, da crítica e de qualquer questionamento precisa, algum dia, ser confrontada com os próprios atos e responsabilizada por suas consequências.

Minha mãe estava certa: não devemos ficar contentes com a desgraça de ninguém. O que ela não sabia é que a desgraça política e moral de um homem que se tornou, para tantos brasileiros, símbolo do arbítrio pode representar o começo da reparação moral de milhares de pessoas que se consideram injustiçadas por ele.

Talvez eu não esteja verdadeiramente feliz com a desgraça de Alexandre de Moraes. Talvez esteja aliviado porque, finalmente, aquilo que tantos se recusavam a enxergar começa a ser exposto à luz do dia. Minha alegria não vem da ruína de um homem, mas da esperança de que a queda de sua blindagem permita revelar os excessos cometidos, corrigir injustiças e devolver algum equilíbrio às instituições.

E quando a verdade levanta o véu de uma falsa vestal, não é a luz que produz a pestilência. A luz não cria a podridão nem deve ser responsabilizada pelo mau cheiro que dela se desprende. Ela apenas revela aquilo que, havia muito tempo, já apodrecia na escuridão

POESIA - VELHAS ARVORES ?- OLAVO BILAC



terça-feira, 8 de setembro de 2026

SO MESMO O ROBERTO COSTA



MINISTROS APOSENTADOS WUEREM APURAÇÃO NO DTF

 

Ministros aposentados e ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) enviaram uma carta ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo uma apuração pública, “imediata e rigorosa”, na condução do tribunal diante do que classificam como a “mais aguda crise” de sua história recente.

Assinado por 13 ministros aposentados, entre eles Celso de Mello, Rosa Weber e Joaquim Barbosa, o documento demonstra uma enorme preocupação com o atual momento do STF e querem a convocação urgente de uma sessão pública para determinar apuração dos “gravíssimos fatos” que envolvem o tribunal.

Apesar do tom de alerta, os ex-ministros manifestaram apoio a Fachin e disseram confiar em sua capacidade para conduzir o STF durante a crise.

Diante dos acontecimentos,v a crise sem precedentes no STF segue e com uma pressão cada vez maior por uma resposta convincente para a sociedade brasileira.