terça-feira, 1 de setembro de 2026

POESIA - A RAZÃO - ABEL CARVALHO

 

A razão


Todos os meus sofrimentos 

Me foram impostos por mim mesmo

São frutos vindos da minha indecisão 

E dos meus medos

Geram as dores das quais 

Não consigo fugir


Pior que a dor do sonho que não veio

É a dor da ilusão de sonhar

Que o sonho é verdadeiro

Derradeiro como se me faltasse

Alguma coisa de forma permanente

Diferente da tua presença 

Que não consigo esquecer


Se deito acordo a meia noite

Empreito mais uma madrugada 

De solidão e frio

Cio até a última lágrima secar


Odeio ver o sol de uma nova manhã

Aparecer como uma onda fervilhante

Com os odores exalados dos pruridos

Da consumpçao que não consigo 

Evitar e verter como a ausência que nunca existiu

Mas que embala devaneios que singram

Migrando de forma áspera e dura

O amor que não consigo esquecer

E outra vez me rouba a consciência e a razão

Assim me impondo a mim mesmo um futuro que não quis


Abel Carvalho



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