ADONAE MARQUES MARTINS,
TRAJETÓRIA DE EXCELÊNCIA NA ADVOCACIA
O percurso de um profissional que uniu conhecimento jurídico e sensibilidade humana
Conheci Adonae por meio do meu pai, Amadeu, que hoje tem 96 anos. Ele me contou que, quando jovem, entregava cartas de amor dele para minha mãe, Teodora, durante o namoro. Minha mãe faleceu em 2020, aos 84 anos. Adonae atuou como um verdadeiro cupido, facilitando a união dos dois.
Faleceu no dia 21 de março do corrente ano, aos 84 anos. Era filho de Benedito Martins, renomado músico penalvense, e da professora Dinorá Marques. Seu primeiro casamento foi com Marilda D’Ávilla, mãe de seus três filhos: Roberto, Rodrigo e Rafael. Teve mais dois filhos fora do casamento. A caçula, Thallicia, tem 15 anos. Posteriormente, casou-se com Suzilene Ribeiro, com quem viveu até o fim da vida, sem filhos.
Já atuo há algum tempo na advocacia, mas conheci poucos profissionais com tanto talento. Tinha técnica refinada na escrita e na argumentação jurídica. Era um homem muito culto, no sentido pleno da palavra.
Deixou um legado importante para a profissão. Trabalhei com ele por um curto período, mas foi suficiente para reconhecer um dom raro. Foi um dos advogados mais brilhantes que conheci. Acreditava em uma advocacia pautada na ética, voltada à assistência jurídica dos mais necessitados.
Era íntegro e apaixonado pela profissão. Rejeitava a chamada advocacia predatória, termo que ele próprio utilizava. Tinha forte idealismo, amor pela terra natal e exercia sua atividade com retidão.
Pertenceu à Academia Penalvense de Letras e Artes (APLAS), ocupando a cadeira nº 4, cujo patrono é Joaquim Mariano da Gama Marques. Publicou três livros: A Sombra do Crivirizeiro, Lago Cajari e Penalva – História da Fundação. Além da advocacia, destacou-se como pesquisador e contista.
Possuo os originais de uma pesquisa sobre manifestações culturais, como o Baile de São Gonçalo, Chegança e Pastor, realizada em conjunto com seu filho Rodrigo, músico de formação. A intenção é publicar esse material, que resgata tradições quase extintas.
Tinha personalidade firme. Era avesso à política e, por vezes, expressava opiniões contundentes, o que nem sempre agradava. Ainda assim, era um homem generoso, sempre disposto a ajudar.
Gostava de contar piadas e era afável no trato com as mulheres, pelas quais demonstrava grande respeito.
Tive a honra de ter o prefácio do meu último livro, “O Menino Iluminado”, escrito por ele, obra que será lançada em breve.
Costumava me hospedar em sua casa, em Penalva, como ocorreu no carnaval deste ano. Mantínhamos contato frequente por telefone, tratando de diversos assuntos, inclusive jurídicos. Chegava a reclamar quando eu demorava a ligar. Além da amizade, tratava-me como um irmão mais novo.
Viveu grande parte da vida em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, onde se formou em Direito. Anos depois, retornou a Penalva, sua terra natal, onde permaneceu até o fim da vida.
Penalva perdeu um grande intelectual, que ainda tinha muito a contribuir para o desenvolvimento cultural da região.
Dr. Gilmar Pereira é Poeta, escritor, letrista, compositor e advogado


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