quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

COM A PALAVRA -CENAS DO COTIDIANO XLVIII - ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

CENAS DO COTIDIANO XLVIII DO COTIDIANO XLVIII

       (... violência fandanga II)


       ... e, "de vorta à fandanga violência,  tô quase de sangue talhado" com o ataque "du pastô Malafa" a nós, "os fessôzinhos". Que heresia nos chamar de doutrinadores de meninos, o ofício que ele bem entende! O pior é "o silêncio dos sindicas", dos mestres. "Tudo caladinho, caladinho". E, como é "carná", deixo esta musiquinha pro caçador de dízimos. De 30%! E lá vai. "Eu te conheço carnaval, eu te conheço carnaval ..."

     e, sem inveja de Malafa, 30% é tudo, que eu quero "no meu contra-choque", que não diz nadica de nada sobre a reposição de nossas perdas salariais. O silêncio se faz mudo

     e, sem ser mudo, não é só o Malafa, que encarna o carná. Muitos outros vão apresentá-lo como uma das mais fortes bandeiras, a ser empunhada nas campanhas, que se aproximam

     e tais bandeiras serão fortemente tremuladas. E o festeiro folião resgatará as suas convicções. E será até interessante olhar para os santinhos, dos candidatos, e os ecos, a lhe martelarem a indecisa decisão, que será decisiva. Eita, "santo sacana", a soprar. Saafaadão, Léeeo, Beeell, Joeellma, Alloook ... E a memória afetivo-artística decidirá ... "o consciente voto"

    e, como de festa, se alimenta boa parte "do 'pouvo' votante", irão ficar esquecidas as angústias, "de quem sente, na pele", as precariedades de um sistema, desvirtuado de suas funções sociais 

     e, precários e brutais, vêm me chegando alguns vídeos, mostrando o que acontece, realmente. De clima pesado de traições, no apogeu da folia, a uma massacrada cidade por um caótico trânsito, que dá nó na cabeça, dos engenheiros de trânsito. "Não é moleza, não". O número de carros só cresce, e a Ilha continua do mesmo tamanho; e os gargalos, nas pontes, se insinuam, debochantes, diariamente. Também, tem espaço o pugilato  nos shows, deste pré carnaval, na Litorânea e na Beira Mar, coroado com "o sumiço" de celulares

     e, de verdade, o que me chocou, em um vídeo desses, é um jovem, de vitalidade e beleza ímpares, comemorando. E, como vivemos uma violenta inversão de valores, como ainda posso ser o indiciado, não empregarei a palavra, de que estou com vontade. Eufemisticamente, vou de "subtração ou pego por distração ou encontrado, sem explicação, em sua mão". Mas o interessante é que ele estava comemorando a sua façanha, a apresentá-la como um troféu 

     e, como "a cara" nada define, de verdade, me pareceu que era, apenas, "farra!" O que não anula o crime e deve ser punido, com rigor 

      e, com rigor, rigoroso, se faz festas. Mas, com segurança. Ainda mais, nestes tempos de desconsideração; de autoafirmação de machões, de mentes doentias, bombados nas academias de ponta de rua; de certeza de impunidade e de banalização da vida e da morte

      e, sem banalização, só não defendo o cancelamento do carná, em 2026, porque não quero virar um simples tracinho em funesta estatística. Mas, que é preciso, é preciso


       Inté maise!


         Zé Carlos Gonçalves xlviii

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