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. E HOJE-AGORA!
(as benditas lembranças)
... ainda-ontem,
gritei o meu primeiro grito, nas horas mansas da manhã;
e, hoje-agora,
ainda escuto os primeiros ecos
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palmilhei o primeiro passo, a me firmar nas enfraquecidas e bambas pernas;
e, hoje-agora,
já consigo reproduzir os meus primeiros vacilos
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me empaturrei com o angu com isca, que vovó me dedou na faminta boca, a me sustentar a nascente carcaça;
e, hoje-agora,
me nutro somente de vivaz e saborosa poesia
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pesquei piaba na garrafa e a comi assada com sal, limão e pimenta malagueta, à beira do Pericumã, na mais solene e divina refeição;
e, hoje-agora,
ainda trago comigo o sabor infanto-bendito do manjá de todo o sempre
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corri as minhas dúvidas, para me embrenhar nas coivaras do roçado faminto de arroz, feijão, maxixe e jerimum, a me fartar na fartura, que me saciou;
e, hoje-agora,
trago as mãos sem calos, mas sedentas da bruta lida e da fome das labaredas, a alimentar a ressecada terra
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lamentei a ausência das montanhas, que não aquarelaram as minhas retinas, até descobri que elas não se importariam com o meu pânico;
e, hoje-agora,
vivo intensamente os meus planos e verdes campos verdes
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no sacro domingo, ouvi o sino da matriz a me chamar à missa. Em frente ao glorioso altar, sussurrei, mais uma vez, novas promessas ao meu santinho Santo Inácio de Loiola;
e, hoje-agora,
guardo as novenas de minhas preces e de minha contrição
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no batismo, gritei o santo nome; na comunhão, abracei Cristo Jesus; na crisma, me aliancei com o Espírito Santo;
e, hoje-agora,
no vasto e cativante mundo, vivo o sagrado e o profano, apegado à minha fé
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no meu recreio, mordi a ingá e o araticum, a me resinar os dentes, com as mais deliciosas bocadas;
e, hoje-agora,
sigo menino ditoso das delícias da terra
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... ainda-ontem,
fui criança;
e hoje-agora,
ainda atado ao sagrado chão, voo às minhas saudades, a me lambuzar em minhas benditas lembranças!
Zé Carlos Gonçalves


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