terça-feira, 9 de junho de 2026

POESIA -SALVO- ABEL CARVALHO

 



SALVO


E todas as vezes que a morte bate a tua porta tu te queixas

E te maldizes e duvidas

Recorres ao mais antigo dos arquivos

Escavacas lembranças e te culpas como se culpas tivesses

E temes


E todas as vezes que a morte bate a tua porta

Mesmo não sendo a porta tua

Mesmo sendo a tua porta marcada com o sangue do Cordeiro

Tu medras

Escavacas lembranças em devaneio como se os arquivos que abandonastes

Fossem a cura que não veio

E medeia por amor o subjugo ao submundo dos incautos ungidos pela Fé

Em busca da solução que não encontras no teu mundo cético e literal


E Todas as vezes que a morte te procuras foges

Mudas de endereço e falseias

Nem ao menos te consagras a lhe ouvir

A lhe contrapor em resposta

A trocar o Salvo que imaginavas está por tua parte que ela 

Quer levar


E todas a vezes que a morte bate em tua porta

Ages como os poetas agiriam

Sangras no papel em poesia

Singras entre remorsos e hipocrisia

E te julgas e culpas

E continuas a dizer não 


Abel Carvalho

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