SALVO
E todas as vezes que a morte bate a tua porta tu te queixas
E te maldizes e duvidas
Recorres ao mais antigo dos arquivos
Escavacas lembranças e te culpas como se culpas tivesses
E temes
E todas as vezes que a morte bate a tua porta
Mesmo não sendo a porta tua
Mesmo sendo a tua porta marcada com o sangue do Cordeiro
Tu medras
Escavacas lembranças em devaneio como se os arquivos que abandonastes
Fossem a cura que não veio
E medeia por amor o subjugo ao submundo dos incautos ungidos pela Fé
Em busca da solução que não encontras no teu mundo cético e literal
E Todas as vezes que a morte te procuras foges
Mudas de endereço e falseias
Nem ao menos te consagras a lhe ouvir
A lhe contrapor em resposta
A trocar o Salvo que imaginavas está por tua parte que ela
Quer levar
E todas a vezes que a morte bate em tua porta
Ages como os poetas agiriam
Sangras no papel em poesia
Singras entre remorsos e hipocrisia
E te julgas e culpas
E continuas a dizer não
Abel Carvalho


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