quinta-feira, 30 de abril de 2026

JORGE MESSIAS É REJEITADO PELO SENADO

O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF na sessão de ontem, quarta-feira (29). O ex-advogado-geral da União até conseguiu ter o nome aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, mas no Plenário não logrou êxito.

Para a aprovação no plenário, eram necessários ao menos 41 votos dos 81 senadores. No entanto, na votação secreta, 42 rejeitaram o nome de Messias e apenas 34 aprovaram.

Vale ressaltar que os três senadores do Maranhão – Ana Paula Lobato (PSB), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT) – anunciaram que votariam a favor da indicação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com a rejeição, a mensagem com a indicação de Messias foi arquivada e o presidente Lula terá que enviar um novo nome para ocupar a vaga deixada por Luis Roberto Barroso no STF. A vaga está vaga desde o fim de 2025.

CRONICA - É PROIBIDO FALAR AO MOTORNEIRO - CHICO ANYSIO

É proibido falar ao motorneiro – Crônica de Chico Anysio


Era muito grande a surpresa do velhote que, ao receber alta após vinte e dois anos acamado (reuma­tismo infeccioso), pela primeira vez saía à rua.

Andava pelo Rio como se estivesse fazendo turismo numa cidade a que nunca fora. Tudo mudado, tudo tão lindo e tão diferente. O aterro, os gramados em volta de postes que mais pareciam perna de ema (quando queimar uma luz como é que mudam?), o monumento ao soldado desconhecido, tudo era novidade. Trocaram a roupa da cidade durante sua enfer­midade.

Quis ir à Galeria Cruzeiro tomar um chope no Bar Nacional e lá encontrou uma cidade em pé, de mil andares, e se contentou com uma laranjada no Bob’s. O Tabuleiro da Baiana, os bondes, por onde andavam? Estaria perdido? Poderia perder-se numa cidade que era sua apenas por ter ficado tão pouco tempo (vinte e dois anos) com aquele reumatismo idiota? A Rua das Marrecas tinha o nome de um po­lítico e havia um prédio encimando o Cine Metro onde ele assistira, quinze vezes seguidas, a Greer Garson em Rosa de esperança. E a Lapa, meu Deus! O que fizeram com a minha Lapa? Pelo menos a igreja está de pé, mas aquilo é novo, aquilo lá não existia, no meu tempo não tinha aquilo, roubaram os trilhos? O que fizeram dos trilhos?

O homem andava, na sua caminhada de reconhecimento, sem saber se devia aplaudir ou vaiar o progresso, já que em nome do progresso tudo tinha sido feito e modificado. Saí de casa a caminho da casa do amigo Vergara, com quem jogava xadrez nos tempos idos. De sua casa, na rua Taylor, até a casa do Vegara, na Santo Amaro, costumava ir de bonde (qualquer um servia, porque todos passavam no Largo do Machado), mas hoje estava disposto a ir a pé. Sabe lá se não acabaram também com a Praça Paris!

E o homem ia andando, sempre com o olhar circular pelos cantos da cidade. O passeio Público cercado. Se está cercado deixa de ser público!

Sem menos esperar, quase caiu num buraco.Dentro do buraco um homem, com um capacete prateado na cabeça, usava uma pá com a qual aumentava o buraco, jogando no asfalto a terra que dele tirava.

— Alô — disse o convalescente.

— Alô resmungou, sem muita vontade, o trabalhador.

— O que é que o senhor está fazendo aí? perguntou o reumático ao homem que cavava.

— Cavando — disse o homem ao velho.

Vejam só. Além dos muitos buracos que há na cidade, em vez de fechá-los, o governo trata de abrir outros. Então era isso. Os buracos eram feitos com a concordância do governo. Ou talvez por determinação governamental.

— Fazendo um buraco, não é? — quis certificar-se o reumático.

— É, um buraco — precisou o cara de capacete metálico.

Exatamente o que ele pensara. Uma barbaridade. Onde estão as Forças Armadas, que permitem este descalabro? Tiram-se os bondes e dão-se buracos. Bela política, essa!

— E pra que fazer um buraco, moço?

— Progresso, né? — rezingou o homem que cavava e cavava, jogando terra, algumas vezes, sobre os sapatos do velho que o aborrecia, olhando-o do alto do buraco.

Que progresso mais idiota. Depois, aposto que nem põem placas avisando que ali há um buraco, vem uma criança.

— Feche este buraco — ordenou valendo-se do seu título de cidadão.

— Não chateia! — repeliu o operário.

— Este buraco é um perigo. É um atentado à segurança pública. Como cidadão, eu ordeno: jogue no buraco esta terra — completou, enquanto empur­rava com o pé número 35 um punhado de terra que se espalhou pelo metálico capacete do trabalhador.

— Pára de jogar terra aqui, cara. Este buraco é para as obras do metrô.

Foi como se falasse latim ao Lampião. Metrô? Não teria ele querido dizer Metro? Não seria a insta­lação de mais um cinema?

— Metrô — interrogou o velho que saía à rua após vinte e dois anos de leito. — Não será Metro?

— Metrô, cara. Um trem.

Era o que faltava. Botar um trem ali, em pleno Jardim da Glória. Bolas ao progresso, que tira os bondes, tão fresquinhos e baratos, e, no seu lugar, coloca vastíssimos trens, de ruído insuportável. Agora é que ninguém dorme, da Conde Lage até nem se sabe onde.

— Que trem é esse? — questionou o homem contra o progresso.

— Será possível? — sofreu o operário que cavava às duas da tarde, sob um sol de meio-dia (era janeiro).

— Diga. Que trem é esse? Na qualidade de cidadão, eu exijo uma explicação — insistiu, zangado, o homem.

— Olhe, meu amigo. Metrô é um trem que anda por baixo da terra. Faz-se um túnel debaixo do chão, botam-se os trilhos e o trem vai pelos trilhos — explanou o empregado das obras do metrô o melhor que pôde, para encerrar, de uma vez, o assunto.

— Por baixo da terra? E ninguém respira?

— Há ventiladores.

— E a gente entra no trem de que modo?

— Há entradas. Vai haver uma entrada ali (apontou longe), o senhor compra a passagem, desce as escadas, o trem vem, o senhor entra e vai.

— Muito bem. É o progresso, não é?

— É.

— E, sendo debaixo da terra, não suja a roupa, nem…?

— É um túnel! — irritou-se o operário. — O trem corre dentro do túnel.

— Maravilhoso — admitiu. — Maravilhoso!

— Agora dê licença — pediu o funcionário, voltando a jogar terra sobre o asfalto lá em cima.

Um trem por baixo da terra. O governo está trabalhando, mesmo. Estava até arrependido de ter pensado as coisas tão antigovernistas que pensara. Ainda bem que ninguém ouviu. Podia ser tomado como um sujeito anarquista.

— E quando fica pronto?

— Hein?

— Esse trem que o senhor falou. Demora para ficar pronto?

— Um pouco.

— Mais ou menos quanto tempo?

— Uns quatro anos.

— Ah, é muito, não posso esperar.

E dirigiu-se mesmo a pé para a casa do Vergara, na Rua Santo Amaro.


 Chico Anisio



POESIA - RETRATO - CECILIA MEIRELES


RETRATO


Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

— Em que espelho ficou perdida

a minha face?


Cecília Meireles 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

GRUPO DE CHAPADINHA ESTÁ COM ORLEANS BRANDÃO

O pré-candidato ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão, deu mais um passo importante na ampliação de sua base política ao receber a adesão do grupo liderado pelo vice-prefeito de Chapadinha, Levi Pontes, reforçando sua articulação naquela região e agregando forças em torno de seu projeto político.

O encontro contou com a presença da presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputada Iracema Vale; da vereadora Isalena Aguiar e de diversas lideranças locais.

Durante a agenda, os participantes destacaram a importância da união de forças em torno de um projeto político que priorize investimentos, melhorias na infraestrutura e avanços nas políticas públicas para Chapadinha e toda a região.

Foi um proveitoso momento para alinharmos algumas ideias e fortalecermos o compromisso com o desenvolvimento de Chapadinha”, afirmou Orleans Brandão

UM SEGUNDO TURNO EQUILIBRADO

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acabou ganhando mais um forte adversário na disputa pela Presidência do Brasil, numa eventual disputa de 2º Turno para decidir as eleições de 2026.

De acordo com pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na tarde de ontem,  terça-feira (28), Lula segue liderando os cenários de 1º Turno, mas num eventual 2º Turno, pelo menos dois candidatos empatam tecnicamente com o petista, o senador do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Num embate entre Lula e Flávio Bolsonaro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece com 47,8% contra 47,5% do petista.

Já num confronto entre Lula e Zema, o petista aparece com 47,4% contra 46,5% do ex-governador mineiro, que parece ter crescido após o embate que teve nas redes sociais com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

A pesquisa AtlasIntel, encomendada pela Bloomberg, está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-07992/2026. O levantamento ouviu 5.008 pessoas, selecionadas por “recrutamento digital aleatório”, entre quarta-feira (22) e segunda-feira (27). A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%.



PESQUISA VERITÁ IMPUGNADA DE NOVO

O partido DC (Democracia Cristã) decidiu impugnar a pesquisa Veritá que está sendo realizada no Maranhão e tem sua divulgação prevista para a próxima sexta-feira, feriado do Dia do Trabalhador.

O DC, que tem o pré-candidato ao Senado Simplício Araújo, pediu a suspensão da pesquisa registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão MA-07144/2026. O partido alega vício metodológico por exclusão do nome de Simplício Araújo, mas incluiu o nome do governador Carlos Brandão (sem partido) como pré-candidato ao Senado, quando na realidade Brandão, nem que queira, não pode mais ser candidato em 2026.

Além desses erros, o levantamento também errou boa parte dos partidos dos pretensos postulantes ao Senado pelo Maranhão.

A Justiça Eleitoral deve se posicionar nas próximas horas sobre a impugnação do DC. De qualquer forma, o levantamento já está prejudicado e com a credibilidade contestada, o seu resultado fica comprometido.

MAIS AMBULÂNCIAS SAO ENTREGUES POR CARLOS BRANDÃO

O governador Carlos Brandão recebeu, no dia de ontem,  terça-feira (28), mais seis prefeitos maranhenses no Palácio dos Leões, em São Luís, dando continuidade à agenda de diálogo direto com os gestores municipais.

Durante os encontros, também foram entregues duas ambulâncias para reforçar a estrutura de saúde em cidades do interior do estado.

Já recebemos 200 prefeitos e prefeitas. Hoje, mais seis. Inclusive, entregamos mais duas ambulâncias. Sempre ouvindo as demandas, autorizando para, depois, inaugurar obras que são importantes para os municípios. Essa é a rotina do nosso governo. A gente segue firme para melhorar a vida dos maranhenses”, afirmou o governador.

Entre os gestores recebidos, a prefeita Raimunda do Josemar, de Fernando Falcão, ressaltou as expectativas positivas após a reunião. “Fomos muito bem recebidos e temos grandes chances de inaugurar a tão sonhada ponte que ligará Fernando Falcão ao município de Mirador, como também levar asfalto, trator para a agricultura, Viva Procon e sala da Estação Tech para nossos jovens. Saio muito confiante da nossa conversa proveitosa”.

O prefeito Zé Augusto, de Milagres do Maranhão, também destacou a importância do diálogo institucional. “Sentamos junto com o governador. Foi um diálogo muito importante para o município e que vai beneficiar nosso povo. O governador está pronto para nos dar essa oportunidade. Sei que o que der para fazer até o término do seu mandato, será feito. Firmamos um compromisso com o governador!”, disse.

A prefeita Deusinha, de Maranhãozinho, enfatizou a parceria com o Governo do Estado. “É uma satisfação está aqui trazendo as demandas do município e espero que elas sejam atendidas. Só tenho à agradecer pela parceria”, declarou.

Já o prefeito Júnior Xavier, de Bernardo do Mearim, aguarda pelos resultados do encontro produtivo. “Tivemos uma audiência onde trouxemos muitas demandas e todas foram atendidas. Nosso governador é municipalista, tem o dom de escutar e o poder de resolver e vai trazer muitas melhorias para nossa população”, pontuou.

Na mesma data, foram recebidos ainda os prefeitos de Sucupira do Norte, Marcony Santos, e de Mata Roma, Besaliel Albuquerque.


JORGE MESSIAS NO VOTO DOS SENADORES MARANHENSES

Para surpresa de zero pessoas, os três senadores do Maranhão – Ana Paula Lobato (PSB), Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT), todos integrantes da Comissão de Constituição da Justiça (CCJ), vão votar a favor da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta quarta-feira (29), a CCJ realiza a sabatina com Messias, prevista para às 9h. Para ser aprovado será necessário ter o aval de 14 dos 27 senadores que integram a comissão.

Depois de ser aprovado na CCJ, o nome de Jorge Messias irá ao Plenário, onde terá que contar com o voto de 41 senadores dos 81 existentes, para enfim assegurar a vaga no STF.

Jorge Messias, atual advogado-geral da União, foi indicado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda no fim de 2025, para a vaga do ex-ministro Luís Roberto Barroso. No entanto, por medo da reprovação da indicação, o Governo Lula decidiu adiar a votação, deixando para acontecer somente agora, quando acredita na aprovação do nome de Messias.

É aguardar e conferir, mas já sabe que poderá contar com o voto dos três senadores do Maranhão, tanto na CCJ, quanto no Plenário

COM A PALAVRA,,- CENAS DO COTIDIANO LV - POR ZÉ CARLOS GONÇALVES


CENAS DO COTIDIANO LV

  (... o nosso bumba boi resiste)

      A Ilha já vai respirando ao som das matracas e dos pandeirões. E, de verdade, espero que não inventem de solapar a nossa épica cultura, "com uma enxurrada de forasteiros", que nada têm "cum nóis"

      e esta preocupação é real, pois os burburinhos já se espalham tal fogo em capim seco. E, se isso se concretizar, principalmente o nosso bumba boi, mais uma vez, corre sérios perigos

      e, por falar em perigo, a Ilha se coalha de acidentes, reflexos do caótico trânsito, que nos mostra que o número de veículos é incompatível com as castigadas e saturadas vias 

      e, castigada mesmo, está a população, que depende do humilhante e indecente transporte público, que de público não tem nada. É até risível. E preocupante. Afinal, as respostas ficam sempre sem respostas

      e, como nem tudo é tristeza e em algumas vezes há boas respostas, no meio do caos, no fim de semana, a festança rolou certa com a requalificação da MA, que liga o Cujupe a Pinheiro, aliviando um pouquinho o nosso sofrimento. E, de verdade, é uma obra de grande valia à terrinha, a beneficiar uma grande extensão da Baixada 

      e, "cumo pôca côsa é  bobági", se volta ao enjoativo e indecente puxa estica dos precatórios do FUNDEB. E a coisa, mais uma vez, é tratada com descaso. E os prófis caladinhos, ignorando a força, que temos

      e, com força, mesmo, só o tempo de campanha, que se antecipa e já vem fazendo algumas revelações inusitadas.  Me chega a notícia de que o cantor Manuel Gomes "é canidato".  Nada a se espantar, quando há muitos e muitos legisladores, que nunca apresenta(ra)m um projeto, em várias legislaturas. Soma(ra)m apenas zero com zero. E se locupleta(ra)m e fica(ra)m calados. "O meu ídolo, Mané Gomes", pelo menos, já traz a caneta. E, para não sofrer represália alguma, a caneta é azul

    e, com caneta azul, e tudo, a verdade é que nós merecemos a representação, que temos. Sem comentários, porque não há o que comentar

    e, sem comentários, as CPIs vão se revelando a cara da política brasileira. Um grande engodo. Ninguém viu. Ninguém ouviu. Ninguém sonhou. Ninguém "sabeu". Ninguém se entende(u) E fica por isso mesmo. E tudo continua como dantes no quartel de Abrantes 

    e, como dantes no quartel de Abrantes, o país mais uma vez se mostra rico. Riquíssimo e inesgotável 

    e, por falar em riqueza, no meu tempo de minino se dizia que uma prefeitura era "uma vaca leiteira". Eu, na minha inocência, não entendia e ficava procurando algo que mostrasse tal ligação. E nada. Agora, sei bem o que significa. "Será se" por isso somos "os premêro" no agro?! Mistérios misteriosos!!!

      e, com tantos mistérios, "vô saíno di fininho, pra num sê incantado"

     Inté maise!


           Zé Carlos Gonçalves

POESIA - SOLITARIO - AUGUSTO DOS ANJOS

SOLITÁRIO 

Como um fantasma que se refugia

Na solidão da natureza morta,

Por trás dos ermos túmulos, um dia,

Eu fui refugiar-me à tua porta!


Fazia frio e o frio que fazia

Não era esse que a carne nos contorta...

Cortava assim como em carniçaria

O aço das facas incisivas corta!


Mas tu não vieste ver minha Desgraça!

E eu saí, como quem tudo repele,

- Velho caixão a carregar destroços -


Levando apenas na tumba carcaça

O pergaminho singular da pele

E o chocalho fatídico dos ossos!


Augusto dos Anjos