CENAS DO COTIDIANO LIV
(... e o tambaqui fêiqui)
A Ilha, neste começo de abril, "ingulhô" com tanta água. E, de novo, expõe as mazelas, que, cada vez mais, a sufocam. E, sem política social séria, vão sendo massacrados os já tão sofridos e desassistidos cidadãos
e, por falar em desassistidos, de verdade, estamos na época do contra senso. O que era para ser fraterno e humanitário se transforma na exploração da boa fé, para não dizer o que estou com vontade de dizer. E mais alguns desaforos
e desaforo, mesmo, é brincar com "as dificuldades" do povo. E "os pseudo representantes" se aproveitam e barbarizam. E exemplo maior é a distribuição de peixes, que vira moeda de troca e, muitas vezes, discórdia. E bem na semana, em que deveria haver empatia, união e, acima de tudo, paz
e paz é o que não houve na Cidade Operária, com uma fila a se perder de vista, que ferveu de revolta "com decepcionante palombetinha", que, de gaiata se apresentou no lugar do tão propalado tambaqui. Tambaqui de araque. Tambaqui miragem. "Tambaqui fêiqui". Tambaqui voador. E, sem dúvida, "o sabido suplente", que quis fazer média, "nunca que contava" com tão revoltante reação popular e "se palombetou". E, de verdade, os pretensos e seguros votos "se tambaquizaram" e caíram no fundo de algum riacho fundo. No riacho da indiferença! Haja "mulecagem" com a cara do povo
e "mulecagem", do mesmo calibre, só mesmo a fila para se adentrar "no ferribôti". E, pior, "não há um pio", em defesa de quem é massacrado com tanta humilhação. E "o polvo" segue acossado, a penar no sol e na chuva, na chuva e no sol, sem ter a quem recorrer
e, sem ter a quem recorrer, na chuva e no sol, só à espera "da procissão de canidatos", que, de repente, (re)lembram que a Baixada, também, tem votos
e, sem alguma vergonha, "papam os baratos votinhos"; e logo, logo, os votantes serão esquecidos, a enfrentar o martírio de todo instante. E o desfile de "caçadores de votos", num passe de mágica, se escafede, cai na capoeira, e só voltará a acontecer daqui a dois anos. "Com cara de Nhô Zé"
e, com cara de Nhô Zé, fico eu, tentando despertar o meu irmão baixadeiro. Misericórdia!
Inté maise!
Zé Carlos Gonçalves


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