quarta-feira, 27 de agosto de 2025

POESIA - POR FLÁVIO XAVIER

 ANTAGONIO*


Enquanto tu sobejas juventude e a derramas pelos sentidos

Os anos pesam-me nas costas e nos ombros

Enquanto em ti há a lepidez da perdiz na várzea

Em mim, os movimentos são mais precisos, sem desperdícios


Quanto fulgor, quanta energia e júbilo há em ti

Enquanto em mim há fio de luz débil, frágil

Em ti a ânsia de viver, de descobrir e conhecer

Em mim a experiência do tempo e da estrada percorrida


Em ti, sonhos e amores fugazes, paixões ligeiras

Em mim não há mais espaços para coisas efêmeras

Buscas as coisas transitórias, leves e tênues

Quero o amor denso e sem a velocidade dos dias que correm


Quero amar sem pressa, descobrir cada recanto escondido

Queres atingir os objetivos sem escalas, sem sinuosidades

Quero o prazer intenso, a descarga que contrai e paralisa

Enquanto o desejas em capítulos curtos e continuados


Que possibilidades temos, que futuro esperar?


Flávio Xavier


* ANTAGÔNIO - apenas para esclarecer  - é um Neologismo que criei aqui, visto não caber o sentido antagônico das frases e colocações, até por que estes fatos não são antagônicos, poderiam até serem definidos como complementares.

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