domingo, 11 de janeiro de 2026

COM A PALAVRA - VIVA A MACONHA - POR JUNIOR PACÍFICO DE PAULA

VIVA A MACONHA!

Júnior Pacífico de Paula – Engenheiro – Empresário – Ambientalista

Em 1996, o hoje comentarista da Globo News, Fernando Gabeira, na época deputado federal, importou quatro quilos de semente de maconha, o produto foi apreendido na alfândega e gerou uma imensa repercussão, tanto que foi instaurado um inquérito policial e até um pedido de cassação de seu mandato parlamentar, segundo Gabeira sua intenção era demonstrar o potencial industrial e comercial do cânhamo (uma variedade da maconha), o fato marcou a defesa na espera política da descriminalização da maconha e abriu uma discussão sobre seu uso medicinal e industrial no Brasil.

Ao longo dos últimos trinta anos, a maconha passou de uma droga maldita, para ser considerada um grande negócio e o mercado global da maconha legalizada foi de 61 bilhões de dólares no ano de 2024, para efeito comparativo, o Brasil que é o maior exportador de soja do mundo exportou em 2024, 55 bilhões de dólares do grão, existem previsões que até 2033, este mercado será dez vezes maior. No Brasil o mercado da Cannabis legalizada deve movimentar quase um bilhão de reais, a cannabis é a substância mais consumida no mundo com cerca de 244 milhões de usuários.

Atualmente a União Europeia é o maior mercado consumidor do mundo, cerca de 23países do bloco já descriminalizaram seu uso, tanto medicinal e também recreativo, na Holanda as lojas especializadas vendem de tudo a base de maconha, cervejas, refrigerantes, bolos e até pirulitos e brownies, em breve o cultivo da maconha será também liberado para todo cidadão.

A cannabis medicinal é um extrato obtido com a extração de canabinóides da cannabis sativa (maconha), no Brasil este produto é usado para tratar ansiedade, dores crônicas, depressão, câncer, epilepsia, distúrbios mentais, sequela de AVC, insônia, náuseas e muitas outras enfermidades.

O uso da maconha para fins medicinais é muito antigo, o imperador chinês Shenlong que viveu em 2737 aC (antes de Cristo) ou seja, há quase 5000 anos, já prescrevia o uso da maconha para tratamento de malária, diversas seitas hindus (Índia), já usavam há centenas de anos, a maconha em rituais religiosos e alívio do estresse, médicos na antiguidade já a prescrever para aliviar as dores do parto.

A maconha (canhâmo) se destaca também no setor industrial com uma gama de aplicações, como: na construção civil, como isolante térmico, na produção de papel, no setor têxtil e veterinário, na alimentação, suas sementes produzem farinha e óleo, na indústria de cosméticos, o óleo é usado na produção de cremes, na fabricação de bioplástico e biocombustíveis, na recuperação de áreas degradadas, as fibras purificam solos contaminados, como percebemos praticamente toda a planta pode ser beneficiada, as folhas, as raízes, as sementes, o caule e até mesmo as flores.

Recentemente o polêmico deputado estadual do Paraná, Renato Freitas (PT), disse em alto e bom som: “Eu não fumo cannabis, eu fumo maconha, não sou cannabizeiro, sou maconheiro”, ele prega a liberação total da maconha, a qual chama de planta maravilhosa.

Bem, podemos perceber uma mudança radical na percepção da maconha, que mudou de erva maldita para uma planta com um potencial econômico fantástico.



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